2 REVISÃO DE LITERATURA
2.3 ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE
2.3.4 Constant Market Share CMS
Em estudos com objetivo de analisar crescimento e desempenho de exportações é bastante comum o uso do modelo de comércio internacional – Constant Market Share, e conforme comenta Almeida (2010, p. 39), como o próprio nome já diz, parte do principio de um porcentual de mercado constante e com o
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DLUHOSCH, B. FREYTAG, A. KRUGER, M. International competitiveness and the balance of
payments: do current account deficits and surpluses matter? UK: Edward Elgar Publishing
passar do tempo o país tenderia a possuir o mesmo percentual de mercado que teria no inicio da análise se mantivesse sua participação no comércio mundial constante.
O modelo, inicialmente desenvolvido por Tyszynski (1951)20 e amplamente difundido por Richardson (1971)21, é utilizado para analisar os fatores que exercem influência nas exportações de uma nação em um horizonte temporal. Azam e Azam22 (1994, citado por Noce, 2005), observaram ao utilizar a metodologia de análise constant market share que as fontes de variação do resultado das exportações variam de ano a ano.
De acordo com Horta (1983), o CMS, ainda que apresente alguns problemas de natureza metodológica e de interpretação, permite decompor a taxa de crescimento em quatro componentes e avaliar a contribuição de cada um desses fatores para explicar o crescimento das exportações no período considerado:
a) Efeito crescimento do comércio mundial: aumento observado se as exportações do país em foco tiverem crescido à mesma taxa de crescimento do comércio mundial, indicando que o crescimento das exportações foi devido ao crescimento mundial das exportações.
b) Efeito destino das exportações: representa os ganhos (ou perdas), em termos da taxa de crescimento, devido ao fato de o país exportar para mercados que cresceram a taxas superiores (ou inferiores) à média observada para todos os países.
c) Efeito composição da pauta: permite identificar os ganhos (ou perdas), em termos da taxa de crescimento, devidos à concentração de pauta em produtos que apresentaram taxas de crescimento mais elevadas (ou menores) que a média de todos os produtos.
d) Efeito competitividade: é determinado de forma residual, reflete a diferença entre o crescimento efetivo das exportações e o crescimento que teria ocorrido nas exportações do país se as participações dos mercados compradores fossem mantidas. É o crescimento não explicado pelo crescimento do comércio mundial,
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TYSZYNSKI, H. World trade in manufactured commodities, 1899 a 1950. The Manchester School, n.19, p. 272-304, 1951.
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RICHARDSON, J.D. Constant-Market-Share analysis of export growth. Journal of International
Economics.
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AZAM, G.; AZAM, F. Sources of change in U.S. manufactured exports during the eighties. Journal
nem por questões relativas aos mercados-alvos e tampouco pela composição da pauta. Resulta de vários fatores, seja em termos de preços e/ou custos, seja em virtude de melhorias na qualidade dos produtos e/ou nas condições de financiamento.
Com relação às exportações brasileiras, Horta (1983, p.519) buscou explicar as fontes de crescimento das exportações na década de 70. Utilizando o modelo CMS, a autora decompôs a taxa de crescimento das exportações no período de 1971/78 e salientou que, 71,4% da taxa de crescimento podem ser explicados pelo efeito crescimento do comércio mundial, 39,1% é a contribuição do efeito competitividade e por fim com efeitos negativos ao crescimento aparecem o efeito pauta e efeito destino das exportações, com -9,0% e -1,5%, respectivamente.
Com relação à aplicação do modelo CMS para o estudo do desempenho de exportações de produtos de base florestal podem ser citados: COELHO (2004), NOCE et al. (2003), NOCE (2005), VALVERDE et al. (2006), CARVALHO et al. (2010) e ALMEIDA (2010).
Noce et al. (2003, p. 698), ao analisarem o desempenho do Brasil nas exportações de madeira serrada frente aos seus principais competidores no período de 1997 e 1999, indicaram que o crescimento observado nas exportações brasileiras deste produto foi devido ao efeito destino das exportações e efeito competitividade, sugerindo que o Brasil direcionou a maior parte de suas exportações para mercados aquecidos e através do efeito competitividade possibilitou ao País aumentar sua participação nas exportações.
Analisando a competitividade da indústria brasileira de painéis de madeira no mercado internacional, Noce (2005, p. 58), evidencia que o Brasil mostrou-se competitivo no período de 1998-2000, no mercado internacional de compensado e no período seguinte, 2000-2002, foi competitivo no mercado de chapa de fibra.
O desempenho das exportações brasileiras de celulose, no período de 1993 a 2002, também foi objetivo de estudo. No estudo, Valverde et al. (2006, p. 1017), apontam que o crescimento das exportações de celulose do Brasil e de seus principais concorrentes no mercado internacional foi explicado, principalmente, pelo crescimento do comércio mundial, e o Brasil foi o país que apresentou o maior efeito competitividade entre seus concorrentes.
Já, com o objetivo de confrontar o desempenho das exportações brasileiras de papel frente aos seus principais concorrentes no mercado internacional, Carvalho
et al. (2010, p.263) também utilizaram o modelo CMS. Segundo os autores no período de 1997 a 2006, o Brasil foi o país que mais apresentou crescimento das exportações de papel no período analisado. Com relação à competitividade, nosso país se mostrou competitivo, ficando atrás apenas da Itália e Canadá.
Outro estudo recente de comparação de competitividade do Brasil foi desenvolvido por Almeida (2010, p. 74). No referido estudo, o autor buscou comparar a competitividade, no período de 2006 a 2008, das exportações brasileiras de madeira serrada com as exportações canadenses do mesmo produto. Também utilizando o CMS, Almeida encontrou uma contribuição positiva do efeito competitividade para as exportações brasileiras, e negativa para as exportações canadenses. No período analisado, tanto o Brasil quanto o Canadá apresentaram redução das exportações, -16% e -25%, respectivamente.
E, finalmente, pode-se citar Coelho (2004, p. 63) com um estudo das exportações brasileiras de móveis. Utilizando o CMS, a autora decompôs os feitos de crescimento para as exportações de móveis e aponta que no período de 1990 a 2000 o Brasil teve crescimento nas exportações e este foi altamente relacionado ao efeito competitividade (90%). O efeito crescimento do comércio mundial de móveis contribui em 8% do crescimento e o efeito destino em 2%.