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4. Metodologia de Avaliação de Projetos de Transportes

5.3 Constribuições da Sintaxe Espacial para o Modelo proposto

considerações que corroboram as contribuições que se pretende captar da Sintaxe Espacial para o modelo que esta Tese se compromete em construir:

 Sistemas viários mais integrados e mais compactos (em termos topológicos e geométricos) tendem a proporcionar uma configuração urbana mais eficiente para o desempenho do transporte urbano motorizado com menores tempos médios de deslocamento. Isso reforça a ideia de que sistemas viários mais compactos e mais integrados seriam também economicamente eficientes, e ambientalmente menos agressivos (em termos energéticos e de emissão de poluentes);

 Intervenções viárias em grandes cidades deveriam ser orientadas para aumentar o grau de permeabilidade global dos seus sistemas de transporte.

Neste sentido, é possível deduzir que as variáveis da Sintaxe Espacial contribuem como identificadoras das causas dos benefícios mensurados nos atuais modelos de avaliação de projetos de mobilidade urbana. Corroborando estes achados e o modelo proposto desta Tese, Barros et al. (2008, p.13) também apontam a possível contribuição da Sintaxe Espacial à hipótese desta tese:

Os resultados oriundos tanto do mapa axial quanto do mapa de segmento permitem uma visualização mais precisa das relações de fluxo e movimento na cidade, o que

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pode ser interpretado como auxiliar em ações e estratégias de circulação viária (BARROS et al., 2008, p.13).

A abordagem e análise que a Sintaxe Espacial permite o enlace entre questões econômicas e sociais, vinculadas ao espaço urbano – local onde as intervenções dos projetos irão ocorrer. Por esse ângulo, pode-se avançar para a construção de um modelo que considere a Sintaxe Espacial como fonte de variáveis para a investigação da viabilidade de empreendimentos. Mensurar benefícios sociais e econômicos para a região, bem como para toda a cidade torna a Sintaxe Espacial uma variável independente capaz de oferecer um campo teórico mais factível na orientação de seus indicadores, do que a adaptação de metodologias de benefício-custo. Enquanto a Sintaxe Espacial observa a cidade de forma global levando em consideração a disposição de cada eixo e as escolhas resultantes do movimento humano provável, as atuais metodologias de benefício-custo tem seu foco em uma metodologia baseada em tabelas de cálculos previstos, sem conhecimento algum das vicissitudes do objeto de avaliação – a cidade como resultado de interações humanas.

5.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO CAPÍTULO

O resultado da aplicação da Sintaxe Espacial com o uso de mapas axiais permite compreender a lógica do movimento dentro das cidades, sob a ótica do indivíduo que vivencia o urbano. Essa visão da cidade, que difere das atuais estratégias de previsão de fluxos de origem- destino, pode apresentar resultados mais consistentes, pois permite enxergar como se dá o provável comportamento do movimento das pessoas na malha urbana, e consequentemente, seria possível identificar como novas intervenções urbanas alteram a concepção que as pessoas têm do novo desenho e assim, predizer como estas modificações influenciariam no provável novo comportamento deste movimento (BARROS, 2014).

Sendo possível comparar a Sintaxe Espacial e o sistema viário atual com o sistema viário projetado e as intervenções existentes no projeto, é passível de se identificar o impacto dos projetos de mobilidade urbana sobre a ótica das variáveis: Integração Global e Profundidade Média do sistema sendo as variáveis sintáticas utilizadas nesta tese. Melhorias nestas variáveis indicam que aquela malha está mais eficiente, aumentando desempenho dos meios de transportes, reduzindo tempos de viagens e melhorias, tanto econômicas quanto

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ambientais, incorrendo em uma avaliação mais sofisticada e específica de benefícios sociais e econômicos que este projeto pode trazer para a sociedade, seus habitantes e transeuntes da malha urbana em questão. As variáveis possuem uma perspectiva de análise tanto global quanto local, ou seja, podem ser utilizadas para avaliar a cidade como um todo ou limitar-se a uma região em torno da intervenção urbana proposta no projeto. A modelagem deste estudo pretende utilizar as variáveis globais, dada a importância de observar o impacto dos projetos para toda a população das cidades, seguindo a lógica do PlanMob de obras que considerem toda a população, inclusive a de baixa renda. Sendo assim, uma análise local poderia causar a seleção de projetos em áreas específicas das cidades em detrimento das demais.

Ademais, com a Sintaxe Espacial é possível estabelecer a magnitude das alterações que intervenções dos projetos exercem sobre uma determinada malha urbana, sendo plausível a comparação entre as variações de outros projetos, e tornando-se duplamente, e sequencialmente aplicável: i) a Sintaxe Espacial verifica se aquele projeto promove melhora na malha, segundo as variáveis calculadas e; ii) a Sintaxe Espacial permite que magnitude desta variação sirva como comparação entre projetos. Projetos com variações positivas de maior magnitude podem promover magnitude maiores de benefícios, sendo factível escalonar projetos, priorizando-os sob a ótica de escolha do investimento.

Neste tocante, pode exercer uma influência mais assertiva ao modelo proposto do que as atuais metodologias de aferir e estimar possíveis benefícios das intervenções urbanas, que são utilizados nos modelos atuais, tais como redução de número de mortes e acidentes. As variáveis configuracionais da Sintaxe Espacial, tanto Integração Global e Profundidade Média, por sua natureza quantitativa não demandam a necessidade de aferir pecuniariamente seus valores, sendo possível configurar uma dimensão importante para a análise que se busca conceber.

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6 MODELOS DE FONTES DE RECURSOS PARA FINANCIAMENTO DA MOBILIDADE URBANA

O objetivo deste capítulo é identificar as formas de financiamento como possíveis variáveis para compor a análise de tomada de decisão que esta Tese pretende construir. Para tanto, serão apontados os conceitos e experiências de estratégias de financiamentos e criar uma lógica de avaliação para transformá-los em variáveis. As fontes de recursos para a implantação de mobilidade urbana ao serem definidas nos projetos podem ser uma fonte de informação importante para identificar quão executável será o projeto que almeja transformar- se em empreendimento.

Neste sentido, é importante que o modelo proposto seja capaz de diferenciar projetos que apresentem propostas de financiamento para prover sustentabilidade financeira, tal qual uma garantia da execução e gestão da infraestrutura que está no escopo dos projetos que se pretende classificar e priorizar.

O capítulo será dividido na apresentação dos modelos de financiamentos existentes e em como estes modelos serão classificados para compor uma variável ao modelo de classificação e priorização.

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