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Construção coletiva do conhecimento no Yai

7. Registro e recuperação do conhecimento construído coletivamente no

7.3. Construção coletiva do conhecimento no Yai

A construção de conhecimento envolve a transformação de informações. A construção coletiva do conhecimento, portanto, envolve essa transformação de forma coletiva. A informação digital possui uma característica diferente da armazenada em meios físicos. Segundo Wexelblat e Maes (1999), informação digital não possui história, chegando até nós desprovida das camadas formadas nos objetos físicos quando de sua utilização, como marcas e anotações de leitores agregadas a um texto ao longo do tempo ou desgastes em ferramentas devido à sua forma de uso. Tais camadas, muitas vezes construídas sem o desejo explícito daqueles que utilizaram os objetos, de alguma forma, trazem com elas conhecimento construído coletivamente.

Possibilitar a criação dessas camadas com informações digitais é uma forma de permitir a transformação de informações e, também, de construir conhecimento coletivamente. Apesar

de parecer um paradoxo, tais camadas permitem uma espécie de lapidação do conhecimento construído individualmente.

O Yai provê formas distintas de transformação coletiva dos conteúdos nele disponibilizados. Primeiro, indiretamente, através das próprias licenças de uso flexíveis que possuem opções para permitir a criação de obras derivadas do conteúdo compartilhado, caso seu criador assim o permita, possivelmente reintroduzidas no sistema. Segundo, através das opções para comentar e avaliar os conteúdos, pelas quais os usuários podem compartilhar suas opiniões sobre um conteúdo e sobre suas experiências de uso do mesmo. Terceiro, através da simples observação dos dados de um conteúdo. As visualizações são contabilizadas e apresentadas aos usuários, que podem tomá-las como parâmetros na análise de um conteúdo. E, em quarto, outra forma de registrar o entendimento sobre uma questão específica é através das associações entre conteúdos. De acordo com Bush (1945), o funcionamento do cérebro humano é baseado em associações e, por isso, um mecanismo assim para fins de recuperação de informações seria interessante, com a vantagem das associações nele registradas não se perderem com o tempo, ao serem preservados os conhecimentos adquiridos.

As três últimas formas de transformação, juntas ou não, ajudam a criar uma espécie de histórico do conteúdo. Dessa forma, a tecnologia é um meio para a construção do conhecimento, e não um fim.

A seguir a estrutura hierárquica de armazenamento de conteúdos é relacionada com as trilhas no Yai.

7.3.1. Estrutura hierárquica, conteúdos e trilhas

Os conteúdos compartilhados no Yai são armazenados nas áreas disponíveis no sistema Yai, de forma análoga às "pastas" encontradas nos sistemas de arquivos de plataformas computacionais atuais. A Figura 7.1 ilustra essa situação. Nela, no topo das hierarquias temos as áreas de História e Geografia. Dentro de cada uma temos conteúdos (em branco) e outras "sub-áreas" (em cinza). Dessa forma, conteúdos relacionados, mas abordados sob perspectivas diferentes por seus criadores, são armazenados em áreas diferentes.

informação e, portanto, de construção coletiva do conhecimento, são uma forma alternativa de navegação por esses conteúdos. As trilhas são criadas a partir dos conteúdos compartilhados. No entanto, um conteúdo compartilhado não faz, necessariamente, parte de uma trilha. Da mesma forma, uma trilha não passa, necessariamente, por todos os conteúdos. A Figura 7.1 também ilustra essa situação. Nela, as linhas pontilhadas representam associações. As caixas "Justificativa" procuram ilustrar a explicação dada para uma determinada associação entre conteúdos.

A Figura 7.2 apresenta parte da interface com o usuário na qual são apresentados os dados de um conteúdo. Em particular, ela mostra a seção “Trilhas às quais este conteúdo pertence”, que é apresentada logo abaixo dos dados principais do próprio conteúdo sempre que ele participa de uma ou mais trilhas. Uma trilha pode passar várias vezes pelo mesmo conteúdo e trilhas diferentes, com justificativas de associação diferentes, podem passar exatamente pelos mesmos conteúdos. Essa possibilidade é importante, pois professores de matérias distintas podem procurar por conteúdos de formas distintas [Borgman 2004]. A cada trilha está associada uma “cor” (identidade própria), com o objetivo de facilitar a sua diferenciação dentre as trilhas de um mesmo tema. Em princípio somente usuários “comentaristas” podem criar trilhas [Mantovani e Liesenberg 2005]. Qualquer “visitante” pode percorrê-las.

A Figura 7.2 apresenta as trilhas às quais o conteúdo “Números de Fibonacci” pertence. Como se pode observar, esse conteúdo, em particular, pertence a trilhas distintas que

Figura 7.1: Hierarquia de "áreas", "sub-áreas" e conteúdos e associações (linhas pontilhadas) entre conteúdos relacionados, mas que estão armazenados em áreas distintas. As caixas “Justificativa” representam a explicação dada

abordam, por sua vez, temas distintos. Na primeira delas, observa-se um conteúdo anterior (“A relação Áurea e os cartazes de cinema”) ao tomado como referência, mas não um posterior. Isso significa que esta trilha termina nesse conteúdo. Já no caso da segunda trilha apresentada, observa-se que não existe um conteúdo anterior ao tomado como referência, mas existe um posterior (“O carretel para filmes de cinema e a progressão aritmética”). Nesse caso, a trilha se inicia no conteúdo utilizado como referência.

Portanto, no Yai, o usuário pode recuperar o conhecimento construído coletivamente explorando a estrutura hierárquica de armazenamento de conteúdos ou as trilhas criadas a partir deles. Os conceitos envolvidos no desenvolvimento do projeto foram então definidos e organizados e as relações entre eles estabelecidas de modo a facilitar seu entendimento.

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