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Antes de mais, importa enfatizar que, de acordo com Sarmento (2009), a identidade profissional “corresponde a uma construção inter e intra pessoal (…): desenvolve-se em contextos, em interacções, com trocas, aprendizagens e relações diversas da pessoa com e nos seus vários espaços de vida profissional, comunitário e familiar” (p. 48).

Neste sentido, considero fundamental ressalvar que o percurso que realizei enquanto estudante, particularmente na Escola Superior de Educação de Lisboa, a par com as evidências que fui vivenciando nos vários estágios e práticas profissionais supervisionadas tiveram influência na construção da minha identidade profissional, permitindo-me definir quem quero ser enquanto educadora de infância.

Gostaria de enfatizar, assim, que todo o percurso vivenciado ao longo destes cinco anos permitiu que me tornasse uma pessoa mais reflexiva, construindo os meus próprios valores e ideias como futura educadora de infância, tendo tido os períodos da PPS um grande significado na construção da minha identidade profissional.

Quer isto dizer que foi todo este percurso de constante observação, intervenção, reflexão e simultânea aprendizagem que me fez construir a minha identidade profissional (c.f Anexo BC, referente ao portfólio construído durante a prática), tendo, no entanto, a plena consciência de que a construção da mesma é um processo infindável.

Em primeiro lugar, e no que diz respeito às experiências vividas durante a PPS I e II, importa salientar que considero que foi uma mais-valia ter tido a oportunidade de estagiar em contextos socioeconómicos bastante distintos: se, por um lado, desenvolvi a prática em creche numa instituição privada, localizada no centro de Lisboa, a qual era frequentada por crianças provenientes de famílias com um estatuto social médio-alto, com elevadas habilitações académicas, por outro lado desenvolvi a prática de jardim de infância num contexto socioeconómico mais desfavorecido, tendo-me deparado com histórias de vida “complicadas” e com famílias com um estatuto social médio-baixo, com baixas habilitações académicas.

50 A abertura que era dada em cada uma das instituições para a comunicação com as famílias, para além disso, era bastante distinta: se, por um lado, na instituição privada a relação estagiária/família era bastante restrita, na instituição pública o diálogo com as famílias era realizado de forma mais aberta.

Deste modo, e tendo sempre em vista o quão importante é o estabelecimento de uma relação positiva com as famílias, fui desafiada a estabelecer estratégias distintas de aproximação, comunicando, também, naturalmente, de forma distinta com as mesmas. A ambiguidade de contextos será algo com que, provavelmente, me depararei durante o exercício da profissão e que, como tal, tanto pelas características das famílias como pelas exigências impostas por cada instituição, é fundamental que desenvolva competências para me adaptar à diversidade de contextos nos quais poderei intervir.

Outro dos aspetos que considerei ser uma mais-valia ao longo de todos os períodos de prática incidiu sob o facto de, em ambos os grupos, estarem incluídas crianças com NEE, reforçando, naturalmente a minha ideia do quão importante é esta inclusão – denotando um dos valores que mais defendo enquanto futura educadora de infância. No entanto, e por, por vezes, ter tido a perceção de que as crianças com NEE nem sempre eram incluídas da melhor forma, a inclusão surgiu como um desafio, no sentido em que era necessário repensar estratégias para lidar com situações específicas, num dado momento, sem me sobrepor aos valores defendidos pela equipa de sala.

Outro dos aspetos que considero que foi fundamental para o meu crescimento enquanto profissional passa pelo balanço que, constantemente, teve de ser feito entre aquilo que defendo enquanto futura educadora e aquilo que esperavam de mim, enquanto parte integrante de uma equipa educativa que defende valores e ideias próprias. Desta forma, e tendo em consideração que é fundamental que sejamos sempre aquilo em que acreditamos, é igualmente crucial que exista uma adaptação, dentro do que é legítimo, aos valores e ideias de qualquer instituição na qual se trabalhe, sem se perder, tal como referido, a nossa identidade. Assim, e tal como mencionado, penso que esta será uma ideia que terei de ter sempre em mente enquanto futura educadora de infância e que contribuiu, claramente, para a construção da minha identidade profissional.

51 À semelhança do que foi referido anteriormente, todos os conhecimentos adquiridos numa componente teórica, em complementaridade com as vivências nas práticas profissionais, contribuiram para solidificar ideias e valores que caracterizam a minha identidade profissional e, portanto, quem quero ser enquanto educadora de infância. Seguem-se, então, as principais ideias que tentei e tentarei, sempre, seguir enquanto futura profissional na área da educação de infância.

Considero que seja fundamental evidenciar que é crucial que se tenha a perceção de que cada criança “é um ser único, com características, capacidades e interesses próprios, com um processo de desenvolvimento singular e formas próprias de aprender” (Silva, Marques, Mata & Rosa, 2016, p. 8) e, nesse sentido, se tenha a capacidade de adaptar constantemente a sua prática com vista a responder da forma mais adequada possível às necessidades e interesses particulares de cada criança. Tendo tal ideia vigente no meu pensamento, ao longo de todas as práticas profissionais realizadas tentei, antes de mais, conhecer cada criança, de forma mais acentuada, para que, então, fosse possível adaptar a minha prática a cada uma delas. Este conhecimento das crianças, bem como a adaptação que é efetuada a partir do mesmo, permite mostrar um maior respeito por cada criança, promovendo o seu desenvolvimento e aprendizagem positiva.

Outro dos aspetos que considero que me caracteriza, realmente, como futura educadora – e tal como já mencionado acima – passa pela defesa que faço da inclusão de crianças com NEE em grupos com crianças com desenvolvimento típico. Em defesa deste pensamento, um dos aspetos que tive sempre em atenção no desenvolvimento da minha prática – e que considero que será uma mais-valia no futuro – foi o de encontrar estratégias de inclusão das crianças com NEE, de tal modo que estas se sentissem, realmente, incluídas e parte integrante de um grupo, nomeadamente a realização de atividades a pares/em pequenos grupos, de tal modo que estas pudessem interagir de forma mais intensiva com as crianças com desenvolvimento típico e, deste modo, ambas pudessem evoluir, conjuntamente. Estas estratégias, para além de se revelarem bastante pertinentes no momento, permitiram-me, também, repensar novas estratégias a utilizar no futuro perante crianças com NEE.

52 Para além disso, na prática, e não descurando da importância de realizar um trabalho em grande grupo, apercebi-me que, enquanto profissional na área da educação, privilegio o trabalho em pequenos grupos, apresentando-se este como uma mais-valia tanto para mim, como para as crianças; para mim, porque a organização em pequenos grupos permite que tenha um maior tempo de reflexão, com vista a organizá-los de forma heterogénea, no que respeita ao desenvolvimento das crianças, e, então, possa existir uma aprendizagem cooperativa entre as mesmas: desta forma, é possível dar uma atenção mais individualizada a cada uma das crianças; para as crianças, por outro lado, porque permite que estas desenvolvam uma maior capacidade de partilha, cooperação, entreajuda, bem como melhores relações sociais.

Outro dos princípios que defendo, claramente, enquanto futura educadora de infância em contexto – e tendo a perceção de que tal ideia é a base de uma boa relação adulto/criança – é a do estabelecimento de uma relação de afetuosidade, carinho e segurança com as crianças, de tal modo que estas se sintam confortáveis, acarinhadas, felizes e seguras no contexto no qual estão inseridas. De igual modo, é absolutamente fulcral que sejam estimuladas, tendo em consideração as características específicas de cada criança, relações sociais positivas entre as crianças, para que, mais uma vez, estas se sintam felizes naquele que é o espaço no qual passam grande parte do seu dia.

Voltando à questão da relação com as famílias e com a equipa educativa, gostaria de salientar que este tipo de relação tem, também, uma importância significativa, no sentido em que a mesma irá influenciar todo o trabalho que é realizado em qualquer instituição, particularmente com as crianças, já que “o desenvolvimento da criança é o resultado de interações complexas entre os diferentes sistemas ecológicos de que a criança é parte” (Tavares, 1992, citado por Abreu, 2012, p. 15). Particularmente no que diz respeito às famílias, torna-se fundamental que, de facto, esta relação seja positiva, para que exista um “à vontade mútuo” para partilhar informações importantes relativas às crianças, bem como para as famílias se sentirem seguras e descansadas em deixar o/a seu/sua filho/a na instituição durante grande parte do dia. De igual modo, e particularmente no que concerne à relação entre a equipa, torna-se crucial que esta seja rica e positiva, de tal modo que possam ser atendidas, de melhor forma, as necessidades e interesses de cada uma das crianças do grupo.

53 Outro dos princípios que defendo passa por considerar que brincar é fundamental, isto porque “brincar é a atividade natural da iniciativa da criança e que revela a sua forma holística de aprender” e através da qual esta apreende, realmente, o mundo que a rodeia (Silva, Marques, Mata & Rosa, 2016, p. 10). Para além disso, é através destes momentos de brincadeira que a criança “exprime a sua personalidade e singularidade”, levando, então, a que o/a educador/a lhe possa dar uma resposta mais adequada.

Compreende-se, assim, que as práticas profissionais realizadas tiveram, de facto, uma importância extrema para a construção da minha identidade profissional, tendo-me permitido definir alguns dos princípios que defendi e defenderei enquanto futura educadora de infância.

Para além disso, todo o percurso realizado durante, particularmente, estes dois anos permitiu-me crescer a nível pessoal e profissional; isto é, quando iniciadas cada uma das práticas, muitas vezes mostrei reserva e insegurança em várias situações, as quais podiam ter decorrido de forma diferente, não mostrando, assim, as minhas capacidades enquanto educadora-estagiária. Tal insegurança, assim, veio-se, naturalmente, a mostrar um entrave na minha prática. A confiança que, no entanto, fui adquirindo ao longo desta última prática profissional permitiu-me agir de forma mais segura, mostrando, realmente, quem sou e as minhas capacidades e constituindo-se, assim, como uma das maiores aprendizagens que fiz ao longo do meu percurso; isto é, fez-me repensar no quão importante é acreditarmos em nós próprios e nas nossas capacidades, não tendo, nunca, “medo de errar” – nem deixar que o medo seja um entrave – no sentido em que os erros são aqueles que nos fazem moldar o nosso comportamento para melhor e, então, crescer a nível pessoal e profissional.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Terminado este percurso, do qual é resultado o presente relatório, considero crucial evidenciar, antes de mais, o quão gratificante foi, para mim, particularmente, a realização da PPS em contexto de jardim de infância.

Na verdade, a experiência em creche, embora igualmente gratificante e enriquecedora – a qual permitiu que tivesse um primeiro contacto com esta valência e compreendesse aquilo com que me posso debater futuramente – não correu exatamente como expectável, em parte devido à insegurança que estava inerente à minha prática, levando, então, a uma atitude igualmente insegura da minha parte, a qual quis superar (e superei) no contexto de jardim de infância.

No entanto, e tendo em consideração que a equipa educativa, particularmente a educadora cooperante e a assistente operacional, me transmitiram segurança e confiança desde o primeiro dia da PPS, este estágio acabou por se constituir, efetivamente, como uma grande aprendizagem, fazendo-me crescer a nível pessoal e profissional.

Quer isto dizer, então, que a realização do presente estágio foi, de facto, bastante significativa: tornou-me numa pessoa mais observadora e reflexiva face às evidências observadas no meio no qual estava a ser realizada a PPS, permitindo-me começar a repensar em estratégias a serem utilizadas consoante as características específicas das famílias e crianças; permitiu que consolidasse os princípios que já outrora considerava defender enquanto educadora de infância em contexto; tornou-me numa pessoa mais confiante das minhas capacidades, permitindo-me agir de forma mais segura, sem receio de ser julgada por eventuais erros que pudesse cometer e, ainda, permitiu que continuasse a construir a minha identidade profissional, tendo vigente a ideia de que este é um processo infindável.

Desta forma, assim, faço um balanço bastante positivo da prática profissional realizada. Este balanço deve-se aos fatores anteriormente evidenciados e, ainda, devido ao facto de ter conseguido, de facto, concretizar as intenções que havia estabelecido com as crianças, famílias e equipa educativa.

Para além disso, e porque esse era um dos principais objetivos da minha prática, considero crucial evidenciar que parte do balanço positivo que faço do estágio realizado

55 se deve ao facto de ter sido possível promover a autonomia das crianças no que diz respeito à resolução de conflitos; isto é – e tal como foi possível observar anteriormente – no início da PPS, as crianças do grupo envolviam-se bastante, naturalmente, em conflitos, não mostrando a capacidade para, durante os mesmos, se abstraírem da sua frustração, arranjando uma estratégia adequada para o resolver. No entanto, ao longo da prática, foi possível verificar uma maior capacidade por parte das crianças para, perante um conflito, pensarem numa estratégia adequada para o resolverem, colocando-a em prática. Assim, e tal como referido, as crianças tornaram-se, de facto, mais autónomas, particularmente no que concerne à resolução de conflitos.

Em suma, chego, então, ao fim deste percurso enquanto estudante com a sensação de “dever cumprido”; isto é, com a perceção de que, realmente, todo o percurso foi benéfico, tendo-me permitido crescer a nível pessoal e profissional. No entanto, e embora muitas tenham sido as aprendizagens adquiridas, terei sempre noção, naturalmente, das minhas fragilidades, as quais terei de me esforçar para ultrapassar para que, conjuntamente com aquelas que são as minhas potencialidades, me possa tornar uma excelente profissional na área da educação de infância.

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Outros documentos:

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Anexo A. Caracterização das famílias

Tabela2.

Caracterização das famílias

Nome da criança Agregado Familiar Encarregados de educação 2 Nacionalidade Habilitações académicas Profissão A Mãe, Pai, 1 Irmão

Mãe* Portuguesa 12º ano Administrativa

Pai Portuguesa 9º ano Auxiliar de

Enfermagem C Mãe, Pai,

1 Irmã

Mãe* Portuguesa 10º ano Trabalhadora de

limpeza Pai Portuguesa Sem informação Pedreiro D Mãe, Pai,

2 irmãos, Avó, Avô

Mãe* Portuguesa 9º ano Operadora de

posto de abastecimento Pai Portuguesa Sem informação Sem informação F Mãe, Mãe,

2 Irmãos.

Mãe* Portuguesa Sem informação Sem informação Mãe Portuguesa Sem informação Sem informação GO Mãe, Pai,

1 Irmão

Mãe* Portuguesa 12º ano Empregada de

escritório

Pai Portuguesa 9º ano Serígrafo

G Mãe, Pai, 1 Irmão

Mãe* Portuguesa Doutoramento Agente da PSP

Pai Portuguesa 12º ano Vigilante

I Mãe, Pai Mãe* Portuguesa Sem informação Sem informação Pai Portuguesa Sem informação Sem informação JN Mãe, Pai,

1 Irmã

Mãe* Guineense 8º ano Cozinheira

Pai Guineense 11º ano Montador de

máquinas mecânicas J Mãe, Pai, Mãe* Portuguesa Sem informação Sem informação

2

62 1 Irmão Pai Portuguesa Sem informação Sem informação JC Mãe, Pai,

2 Irmãos, Tio, Tia, 2 Primos

Mãe Guineense Sem informação Sem informação Pai* Portuguesa Sem informação Sem informação

M Mãe, Pai, 1 Irmão

Mãe* Portuguesa 7º ano Empregada

doméstica Pai Portuguesa Sem informação Sem informação ML Mãe, Pai,

1 Irmã

Mãe* Portuguesa 11º ano Vendedora de

loja

Pai Portuguesa 9º ano Diretor e gerente

de restauração MN Mãe, Pai,

1 Irmã

Mãe* Portuguesa Licenciatura Sem informação Pai Portuguesa Sem informação Sem informação

RC Avó,

Namorado da avó, 2 Tias

Avó paterna* Portuguesa 4º ano Empregada de limpeza

Pai Portuguesa 4º ano Pintor

(Desempregado)

RS Pai e

Irmã/Mãe e Irmã

Mãe* Portuguesa Licenciada (Desempregada) Pai Portuguesa Sem informação Sem informação

RO Mãe, Pai, 1 Irmão

Mãe* Portuguesa Licenciada Vendedora de