1 EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E TECNOLOGIAS INFORMÁTICAS: O INICIO
1.5 Construção dos dados e o Instrumento de Coleta
Depois da seleção do software, do contexto social da pesquisa e dos participantes, foi necessário definir o local e principalmente as atividades a serem propostas, que deliberava os instrumentos de coleta de dados. O lugar deveria dispor de computadores equipados com
software GeoGebra, editor de texto para que as atividades fossem respondidas. Dentre os
aspectos que foram estabelecidos para esta seleção, consideramos que o cenário deveria ser o laboratório da sala 34, pois os laboratórios da sala 41 e 03 não tinham o número de computador suficiente e não estavam com o software GeoGebra instalado. A proposição das atividades a turma foi desenvolvida em horário normal das aulas de matemática que foram sempre as sextas-feiras das sete às nove horas da manhã.
Os motivos da constituição das duplas partiram dos próprios alunos. Podemos afirmar que eles adotaram como critério a afinidade, a proximidade e a amizade entre eles e não foi necessário haver mudança nas formações iniciais no decorrer das atividades, devido à seriedade e o empenho mostrado por todos.
Igualmente, a distribuição dos educandos no cenário da pesquisa não seguiu qualquer critério pré-estabelecido, pois, houve por parte do pesquisador a preocupação de não constranger ou inibir os sujeitos da investigação impondo regras ou tomando decisões por eles. Logo, cada dupla escolheu aleatoriamente, no primeiro encontro, um lugar para trabalhar. Assim o pesquisador explicou a necessidade, das duplas permaneceram no mesmo lugar, ou seja, com as mesmas máquinas para facilitar a coleta dos dados construídos ao longo da pesquisa.
As etapas que permearam o desenvolvimento da pesquisa distribuíram-se em observação da sala de aula e nos quatro encontros de aproximadamente duas horas cada um, entre os dias 25 de outubro e 15 de novembro de 2013, o primeiro encontro foi destinado à exposição e familiarização do software, posteriormente o desenvolvimento de atividades para esta familiarização.
Dando início ao processo de construção de dados, a cada uma das duplas formadas foi entregue as atividades elaboradas pelo pesquisador, que envolvem os conceitos de construção de Polígonos, triângulos, quadriláteros, bissetriz e mediatriz. As atividades foram desenvolvidas para que o educando pudesse fazer o passo-a-passo sugerido pelo pesquisador, e ao final foram questionados a cerca do que foi construído, a fim de entender o caminho percorrido pelos educandos, considerando principalmente os conceitos matemáticos necessários a cada atividade.
Nas vivencias proporcionadas, a duplas e o trios foram formados no intuito de propiciar aos sujeitos momentos de diálogos, trocas e principalmente interação a partir do objeto matemático e do software.
O escopo em observar este contexto, com mais proximidade foi de identificar as dificuldades nos conteúdos que estavam sendo trabalhado de acordo com o planejamento do professor e a partir dai elaborar atividades que permitissem contribuições para o processo de aprendizagem, sendo que estas atividades seriam vivenciadas no decorrer das aulas de matemática.
O desenvolvimento das atividades com a turma, a partir de observações e acompanhamento do pesquisador, ocorreu entre o mês de outubro a novembro de 2013.
Os instrumentos utilizados para captar e registrar os dados durante os encontros foram os registros da solução obtida e construções realizadas, que ficam armazenadas no próprio
software GeoGebra. Afim de não comprometer os dados, foi solicitado que os alunos
arquivassem cada construção no referido software, salvando os procedimentos após cada construção. Esta é uma ótima ferramenta do software, que possibilita a análise pelo professor dos procedimentos e principalmente de como os alunos utilizaram os conceitos matemáticos.
O uso do software Geogebra pôde proporcionar ao pesquisador uma reflexão sobre o caminho tomado pelos educandos ao desenvolver as atividades. Outro instrumento que consideramos importante foram as repostas ao questionamento feito após concluir cada atividade, em que os educandos responderam por escrito os questionamentos a cerca do que foi desenvolvido no software. Deve-se enfatizar que esses registros foram importantes para esta pesquisa, pois caracterizaram mais uma ferramenta na busca por compreender o caminho trilhado pelos alunos até a obtenção da solução.
A partir do segundo dia de observação, fez-se a proposta da pesquisa, expondo os objetivos, neste momento também foi esclarecido que os mesmos deveriam concordar por
escrito e assim foi apresentado o termo de livre esclarecimento (anexo A). Quanto aos menores de dezoito anos, o termo foi encaminhado aos responsáveis e assinados pelos mesmos.
No quadro 01, mostramos como a pesquisa foi encaminhada ao longo da construção de dados. É importante ressaltar que durante a construção dos dados do dia 19/04/2013 ao dia 03/05/2013 a escola sediou jogos escolares, esta atividade impossibilitou o andamento das atividades.
Quadro 01: Dias de esclarecimento da pesquisa, encaminhamento do termo e observação
da turma.
Data Atividades
19/04/2013 Pesquisador observa as principais dificuldades da turma 03/05/2013 Pesquisador apresenta a pesquisa à turma.
24/05/2013 Pesquisador entrega o termo de livre esclarecimento.
21/06/2013 Observação e recolhimento do termo de livre esclarecimento. 05/07/2013 Observação e recolhimento do termo de livre esclarecimento. 02/08/2013 Observação e recolhimento do termo de livre esclarecimento.
A estratégia de combinar múltiplas formas de coleta dos dados, definida por Denzin e Lincoln (2000, in, RICHIT, 2005), como triangulação, é uma técnica adequada à pesquisa qualitativa em função da necessidade de analisar com profundidade o tema em estudo, bem como descrevê-lo a partir das diversas fontes de dados coletados.
De acordo com Goldenberg (2003, p. 63), a triangulação é a “combinação de metodologias diversas no estudo do mesmo fenômeno”, na qual os métodos qualitativos podem observar, diretamente, como cada indivíduo, grupo ou instituição experimenta a realidade pesquisada. Já Borba e Araújo (2004, p. 35) ponderam que “a triangulação em uma pesquisa qualitativa consiste na utilização de vários e distintos procedimentos para a obtenção dos dados”. Assim, Denzin e Lincoln (2000, p. 5) argumentam que triangulação “não é uma ferramenta ou uma estratégia de validação, mas uma alternativa para a validação.”
A combinação de múltiplos materiais empíricos é entendida, como uma estratégia que adiciona rigor, abrangência, complexidade, riqueza e profundidade a qualquer pesquisa. Adotaremos nesta investigação as definições de triangulação propostas por Borba e Araújo
(2004, in RICHIT, 2005), pois estas contemplam de forma mais adequada o processo de investigação que foi realizado.
De acordo com Gravina e Santarosa (1998, p. 11):
Capturação de procedimentos é recurso encontrado, particularmente, em programas para Geometria. Automaticamente são gravados os procedimentos do aluno em seu trabalho de construção, e mediante solicitação o aluno pode repassar a “história” do desenvolvimento de sua construção. Isto permite o aluno refletir sobre suas ações e identificar possíveis razões para seus conflitos cognitivos.
Foram planejados e trabalhados cinco encontros com atividades, na medida do desenvolvimento dos diversos tópicos do conteúdo contemplado nas nove atividades. As atividades, que seguem na íntegra nos apêndices da presente dissertação, foram vivenciadas de acordo com o cronograma abaixo. É importante ressaltar que o número de estudantes que vivenciaram as atividades variou, considerando motivos particulares. Em um dos encontros, dois dos cinco participantes não compareceram, o que é muito comum no cotidiano escolar.
Quadro 02: Cronograma das Atividades Exploratórias
Encontros Conteúdo Data Atividades Participantes Observados Encontro 1 -Apresentação do GeoGebra; -Construção de polígonos. 25-10-2013 Atividades 01 e 02 Grupo 01: dois participantes Grupo 02: três participantes Encontro 2 - Quadrado Inscrito na
Circunferência. 01-11-2013 Atividade 03 Grupo 01: dois participantes Grupo 02: um participante Encontro 3 -Hexágono Regular
Inscrito na Circunferência. 08-11-2013 Atividade 04 Grupo 01: dois participantes Grupo 02: três participantes Encontro 4 -Trabalhando com
Mediatrizes; -Bissetrizes e Alturas. 15-11-2013 Atividades 05 e 06 Grupo 01: dois participantes Grupo 02: três participantes Encontro 5 - Trabalhando com
Ortocentro, Baricentro
22-11-2013 Atividades 7,8 e 9
Grupo 01: dois
e Circuncentro. Grupo 02: três participantes
O desenvolvimento dos encontros no laboratório de informática, pode ser observado pelo registro fotográfico abaixo, considerando o espaço físico, a disposição dos alunos e a atuação do pesquisador.
Figura 04: Organização da Sala – Encontro 01 Fonte: SILVA, 2013
Figura 05: Organização dos educandos – encontro 01 Fonte: SILVA, 2013
Figura 06: Educandos pesquisado – Encontro 01 Fonte: SILVA, 2013
A escolha deste grupo de alunas, levou em consideração o comprometimento das mesma com a pesquisa, outro fator relevante foi as dificuldades em geometria que algumas delas relatarão.
Nesta cessão iremos descrever a organização das atividades e proposição das mesmas, procurando descrever de forma detalhada a produção dos educandos.