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5.2 Proposta de recolha de dados

5.2.1 Constru¸c˜ ao

Nesta sec¸c˜ao ser˜ao propostas uma estrutura de inqu´eritos e v´arias estruturas de entrevistas, dependentes do “tipo” de entrevistado. Estas poss´ıveis estruturas poder˜ao ser utilizadas e aplicadas, com o objetivo de conhecer as necessidades e as reais condi¸c˜oes de mobilidade da popula¸c˜ao alvo.

Com este tipo de estudo poder-se-´a tamb´em perceber se a aplica¸c˜ao pr´atica de um servi¸co como o INSTEAD ser´a bem recebida e aceite, quer seja por parte dos utilizadores, quer seja por parte dos atuais prestadores de servi¸cos de transporte dedicado a pessoas com mobilidade reduzida.

O ideal ser´a que estes inqu´eritos e entrevistas sejam constru´ıdos, em brainstor- ming, por um conjunto de pessoas envolvidas na defini¸c˜ao do conceito INSTEAD, para evitar que qualquer quest˜ao seja esquecida, e posteriormente organizados por um investigador.

Como referido anteriormente, os inqu´eritos tˆem como objetivo perceber as condi¸c˜oes de mobilidade atuais e qual o n´ıvel de satisfa¸c˜ao relativamente `as ofertas atuais.

As entrevistas tˆem por objetivo recolher mais informa¸c˜oes sobre a ´area de estudo (popula¸c˜ao, mobilidade, acessibilidade, etc.), sobre a oferta de transportes equipados e/ou exclusivos para pessoas com dificuldades de locomo¸c˜ao, sobre as origens e destinos mais frequentes deste indiv´ıduos, sobre as paragens ou tipo de embarque e desembarque oferecidos, etc..

Como resultado dos inqu´eritos e das entrevistas dever´a ser poss´ıvel perceber a opini˜ao e as expectativas geradas relativamente `a possibilidade de implementa- ¸c˜ao de um sistema do tipo INSTEAD. Contudo, no que se refere aos inqu´eritos

aplicados `a popula¸c˜ao, o interesse potencial na utiliza¸c˜ao de um sistema do tipo INSTEAD poderia ser o objeto de estudo num segundo inqu´erito, uma vez que constitui per se um stated-preferences survey (referido na sec¸c˜ao 4.1). Este se- gundo inqu´erito teria como objetivo conhecer a opini˜ao de potenciais utilizadores relativamente aos sistemas de transporte flex´ıveis dedicados a indiv´ıduos com mo- bilidade reduzida e consistiria em apresentar aos inquiridos v´arios cen´arios, com diferentes n´ıveis de servi¸co e com diferentes pre¸cos. A fun¸c˜ao deste estudo se- ria avaliar os potenciais utilizadores. Apesar disso, os resultados deste segundo inqu´erito n˜ao poderiam garantir que a taxa de ades˜ao calculada fosse equivalente `

a taxa de ades˜ao alcan¸cada na realidade. Inqu´eritos `a popula¸c˜ao

Todas as quest˜oes a abordar dever˜ao ser bem estudadas, para que n˜ao tenham qualquer ambiguidade associada, sejam de f´acil compreens˜ao e de resposta direta. Para conforto dos inquiridos, deve garantir-se o anonimato. Contudo, poder-se- ˜

ao registar dados pessoais que permitam um contacto posterior para confirma¸c˜ao de alguma resposta, por exemplo.

A popula¸c˜ao a inquirir dever´a ser especificamente constitu´ıda por pessoas iden- tificadas atrav´es das institui¸c˜oes que prestam servi¸cos de transporte e outros, ou com idade igual ou superior a 65 anos. A amostra selecionada deve abranger pessoas com dificuldades de mobilidade de diferentes origens.

Note-se que, em casos de pessoas com algum tipo de d´efice mental, que s˜ao acompanhadas constantemente, o inqu´erito deve ser aplicado na presen¸ca do acompanhante habitual e at´e poder´a ser respondido pelo mesmo.

No apˆendice F, apresenta-se uma proposta de inqu´erito a aplicar. Este inqu´erito ´e constitu´ıdo por 3 partes: a primeira destina-se ao registo de dados pessoais do inquirido; a segunda tem por fun¸c˜ao identificar quais os meios de transporte utilizados pelo inquirido, incluindo a frequˆencia e o motivo pelo qual

Proposta de recolha de dados 99 utiliza ou n˜ao utiliza determinado tipo de meio de transporte; e a terceira parte consiste na carateriza¸c˜ao da mobilidade atual do indiv´ıduo, incluindo quest˜oes sobre a frequˆencia das viagens, sobre as desloca¸c˜oes pendulares (se existentes), sobre se recebe ou n˜ao algum tipo de assistˆencia domicili´aria e, nos casos em que o inquirido tem condi¸c˜oes para utilizar transportes p´ublicos, mas n˜ao utiliza, ´e ainda pedida a raz˜ao para tal.

Entrevistas `as entidades envolvidas

Como referido no cap´ıtulo do estado da arte (Cap´ıtulo 2), da experiˆencia relatada por Enoch et al. (2004), o maior entrave para a implementa¸c˜ao de servi¸cos de transporte inovadores est´a nos operadores de transporte atuais. Neste sentido, as entrevistas ter˜ao como objetivo principal perceber se h´a ou n˜ao abertura, por parte das entidades envolvidas, para apoiar sistemas do tipo INSTEAD.

As entidades com maior envolvimento, no que se refere `a mobilidade, ser˜ao as cˆamaras municipais, as juntas de freguesia, as corpora¸c˜oes de bombeiros e outras institui¸c˜oes p´ublicas ou privadas que prestem servi¸cos de transporte.

Note-se que, ´e tamb´em importante saber se os centros de dia e lares promovem ou n˜ao a mobilidade dos seus utentes, para al´em daquilo que ´e b´asico e expect´avel, ou seja, promovem outras viagens que n˜ao casa – centro de dia – casa ou lar – servi¸cos de sa´ude – lar. Assim, ser´a importante perceber se este tipo de entidades disponibiliza aos seus utentes viagens de lazer, para ir `as compras, para visitar familiares e amigos, entre outros.

No apˆendice G, apresentam-se v´arias estruturas de entrevista a aplicar, sendo que cada uma adapta-se ao tipo de entidade a ser entrevistada.

A primeira estrutura de entrevista (apˆendice G.1) ´e destinada `as cˆamaras municipais e `as juntas de freguesia. Pretende-se que, com estas entrevistas, se identifiquem as infraestruturas e entidades existentes que estejam relaciona- das com a mobilidade. Pretende-se identificar tamb´em locais de interesse comum

e suas condi¸c˜oes de acessibilidade gerais e pretende-se ainda recolher informa- ¸c˜oes sobre altera¸c˜oes e melhorias previstas para as condi¸c˜oes de acessibilidade e mobilidade.

A segunda estrutura de entrevista (apˆendice G.2) ´e para aplica¸c˜ao exclu- siva `as empresas de transporte p´ublico regular. Nestas entrevistas importa perceber o n´umero de idosos e/ou pessoas com dificuldades de locomo¸c˜ao que uti- lizam os servi¸cos de transporte, recolher dados (como matrizes O-D) que tenham sido recolhidos em estudos efetuados por essas entidades ou que correspondam a dados armazenados pelas mesmas, identificar os hor´arios mais utilizados e a tipologia de ve´ıculos e percursos disponibilizados. Interessa tamb´em perceber se idosos e pessoas com dificuldades de locomo¸c˜ao usufruem de algum tipo de desconto ou subs´ıdio de transporte.

A terceira e ´ultima estrutura de entrevista (apˆendice G.3) ´e dedicada a entidades prestadores de servi¸cos para indiv´ıduos com dificuldades de locomo¸c˜ao. Os servi¸cos prestados poder˜ao ser de transporte e/ou outros servi- ¸cos. O interesse por lares, centros de dia e entidades prestadoras de servi¸cos ao domic´ılio reside na proximidade que estes tˆem com os utilizadores. Estas entida- des podem possuir informa¸c˜oes que auxiliem na carateriza¸c˜ao da popula¸c˜ao alvo e tamb´em informa¸c˜oes sobre servi¸cos de transportes que n˜ao s˜ao reconhecidos na lei nem s˜ao inclu´ıdos, por exemplo, nas estat´ısticas nacionais sobre mobilidade.

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