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as futuras análises. A segunda etapa, de exploração do material, consiste em ações de codificação, as quais correspondem à transformação dos dados brutos da comunicação, a partir de sua fragmentação, aglutinação e posterior classificação, com a finalidade de representar seu conteúdo e expressividade para elucidação das características da mensagem. A última etapa diz respeito ao tratamento de resultados, o qual consiste na sua categorização, como foi mencionado anteriormente, e na posterior inferência, que corresponde à indução a partir dos fatos, com a finalidade de desvendar suas causas. (BARDIN, 2011).

Diante disso, neste estudo, o processo de análise dos dados passou pelas seguintes etapas: Pré-análise: as entrevistas foram ouvidas e transcritas e, após foi realizada sua leitura detalhada; Exploração do material: seleção de expressões, palavras ou frases sobre os temas de análise propostos e sua enumeração; Tratamento e análise dos dados: foram definidas as categorias utilizadas, conforme os objetivos propostos na pesquisa. O critério de categorização utilizado foi o semântico, ou seja, aquele no qual todos os temas que correspondem a determinado elemento são agrupados na categoria com sua denominação.

Durante a fase da pesquisa que corresponde à análise de conteúdo foi utilizado o software de análise de dados qualitativos ATLAS.ti, para análise dos dados provenientes das entrevistas. O software auxilia o pesquisador nas intensivas análises de dados, os quais correspondem aos textos narrativos, ajudando-o a representar sua interpretação dos dados. A partir dos dados brutos, o software facilita a análise de ideias subentendidas nas entrevistas, auxiliando no seu registro e organização, permitindo seu acompanhamento e, dessa forma, aumentando a confiabilidade da pesquisa.

respeito a uma criação teórica definida em termos conceituais, mas que não pode ser observada e, portanto, tem aporte na realidade observável por meio de indicadores. Em pesquisa social, a especificação conceitual de um constructo é o processo por meio do qual elementos imprecisos tornam-se mais específicos e precisos. (BABBIE, 2004). Para isso, é necessário definir o significado exato de um constructo, identificando a presença de variáveis observáveis (indicadores) os quais representam manifestações observáveis ou definições constitutivas observáveis. (BABBIE, 2004; BISBE, BATISTA-FOGUET e CHENHALL, 2007).

Diante do exposto, segundo Babbie (2004), desenvolver definições operacionais de indicadores refere-se ao processo denominado operacionalização. Estas definições operacionais são equivalentes empíricos capazes de descrever as operações exatas que devem ser empregadas na mensuração destes indicadores. Da mesma forma, para Martins e Pelissaro (2005), pode-se considerar uma definição operacional como o elemento responsável por fazer a conexão entre os conceitos ou os constructos e as observações, comportamentos e atividades reais. A definição operacional confere significado concreto ou empírico a um conceito ou variável, determinando os devidos mecanismos para sua mensuração ou manipulação pelo pesquisador.

Dessa forma, nessa etapa da pesquisa, abre-se espaço para a identificação dos constructos e suas categorias de análise que compõem este estudo. Na seção seguinte são apresentadas as definições constitutivas e operacionais de cada constructo. Ao final do tópico é apresentado um quadro resumo que relaciona os constructos aos objetivo geral e específicos indicados na introdução.

3.2.1 Definições constitutivas e operacionais

Socialização Organizacional Definição Constitutiva

Segundo Van Maanen (1996) a socialização organizacional corresponde ao processo por meio do qual o indivíduo é preparado para assumir novos cargos ou desempenhar um trabalho específico nas organizações. Essa experiência de aprendizagem pela qual o indivíduo passa, é determinada por outros atores institucionais. Com isso, a socialização organizacional tem o objetivo de moldar o comportamento de quem é submetido a ele e tornar o sujeito

“licenciado” a atuar na organização. Fazer parte de uma instituição demanda a abdicação de

determinadas atitudes, valores e comportamentos pessoais do indivíduo, e o acolhimento de novas crenças, princípios e conhecimentos inerentes ao universo organizacional.

Definição Operacional

Como forma de operacionalizar o processo de socialização organizacional neste estudo, são utilizadas como base as estratégias de socialização propostas por Van Maanen (1996): Estratégias formais e informais, individuais e coletivas, sequenciais e não sequenciais, fixas e variáveis, por competição e por concurso, em série e isoladas e por meio de investidura e despojamento; e Pascale (1984): seleção, experiências indutoras de humildade, treinamento, sistemas de recompensa e controle, aderência aos valores centrais da empresa, folclore do reforço e modelos consistentes de papéis a desempenhar.

Uso do Sistema de Controle Gerencial Definição Constitutiva

De acordo com Anthony e Govindarajan (2008), um sistema corresponde a realização de uma ou mais atividades de maneira pré-estabelecida e rotineira. Para os autores os sistemas são compostos por diversas etapas relativamente constantes e ordenadas com o intuito de atingir um objetivo específico.

“Sistemas de controle gerencial são rotinas e procedimentos formais, baseados em informação, que os gerentes utilizam para manter ou alterar padrões de atividade organizacional”. (SIMONS, 1995, p. 5).

Ferreira e Otley (2006) mencionam que o uso de um sistema de controle gerencial diz respeito à maneira por meio da qual os gestores utilizam a informação, ou seja, a dimensão uso corresponde às finalidades distintas de utilização dos sistemas de controle gerencial nas organizações.

Definição Operacional

O uso do sistema de controle gerencial utilizado nesta pesquisa diz respeito ao emprego do modelo teórico proposto por Simons (1995). Este modelo é voltado para a implementação e monitoramento da estratégia da organização, os quais são operacionalizados por meio de quatro sistemas chamados Alavancas de Controle: sistemas de crenças, sistemas de restrições, sistemas de controle diagnóstico e sistemas de controle interativo. (SIMONS, 1995).

No Quadro 4 é possível observar o resumo dos constructos e suas categorias de análise e a relação entre estes e os objetivos geral e específicos do estudo.

Quadro 4 - Constructos e categorias de análise Objetivo Geral Objetivos

Específicos Constructo Categorias de análise Autores

Investigar como o processo de

socialização organizacional desenvolvido na

organização, impacta no uso

do seu sistema de controle

gerencial.

Compreender as estratégias utilizadas no

processo de socialização organizacional a partir da visão de

gerentes e subordinados.

Estratégias de Socialização Organizacional

Formais e informais

Van Maanen (1996) Individuais e coletivas

Sequenciais e não sequenciais Fixas e variáveis Por competição e por concurso

Em série e isoladas

Por meio de investidura e despojamento Seleção

Pascale (1984) Experiências indutoras de humildade

Treinamento

Sistemas de recompensa e controle Aderência aos valores centrais da

empresa Folclore do reforço Modelos consistentes de papéis a

desempenhar Verificar como o

sistema de controle gerencial

é usado na organização a partir do modelo das Alavancas de

Controle de Simons (1995).

Sistemas de Controle Gerencial

Sistemas de Restrições

Simons (1995) Sistemas de Crenças

Sistemas de Controle Diagnóstico Sistemas de Controle Interativo Fonte: Elaborado pela autora.