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2 FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DA CIDADE DE JAGUARÃO

2.3 CONSTRUTORES DA CIDADE (1845-1940)

2.3.2 Construtores de obras privadas

Os construtores e obras analisados a seguir foram aquelas em que o capital privado apresentou o elemento financiador das edificações, que se constituíram de residências, equipamentos culturais como teatro, clubes e associações, os quais em sua maior parte estavam ligados a classe política e econômica dominante. Os profissionais envolvidos nos projetos e execução dessas obras tinham relações políticas com os proprietários dos imóveis, dessa forma, fortaleciam seus círculos de influência, demonstrando a coesão de uma determinada corrente partidária e ideológica. Desta forma, também foi incluído nessa análise os proprietários, os quais tiveram papel ativo na escolha do tipo de arquitetura e materiais empregados. Dentro do recorte temporal adotado para essa análise de construtores e proprietários de obras privadas, o final do século XIX será o período em que os proprietários oriundos da elite aplicarão o excedente econômico gerado pela criação de gado e também de algumas charqueadas, na construção de residências de estilo eclético, alguns verdadeiros palacetes, que visavam demonstrar a força econômica, a qual era estendida ao campo político.

Um dos mais destacados construtores a executar projetos de grande envergadura na cidade de Jaguarão em obras privadas neste período foi o português, Martinho de Oliveira Braga33, o qual participou de projetos de grande valor econômico e ligados aos principais

membros da classe dominante. Também atuou em obras públicas, mas foi na iniciativa privada que obteve reconhecida capacidade técnica como empreiteiro. Diferentemente de outros estrangeiros radicados na cidade, participou ativamente da política local, apoiando os republicanos históricos do PRR. Deste modo, conseguiu aliar a capacidade técnica com a inserção social na elite política e econômica. Essa inserção pode ser exemplificada pela relação com o médico Carlos Barboza Gonçalves, o qual contratou os serviços de Martinho Braga para construir sua residência, finalizada em 1886. Esse palacete residencial, como se pode ver na figura a seguir, de estilo eclético de grande envergadura, com fachada decorada com elementos do neoclassicismo representada pelas colunas gregas decorativas, platibanda ricamente decorada, encimada por compoteiras e umas figuras mitológicas. Internamente, seguia os preceitos de cunho sanitarista, com amplo jardim circundado por corredores que forneciam iluminação direta e aeração a todos os cômodos da casa, banheiro interno com

33 Português naturalizado brasileiro, radicou-se em Jaguarão e atuou como construtor de diversas obras públicas e privadas, também pertenceu a Guarda Nacional chegando ao posto de Major. Como Capitão serviu nas forças legalistas na Revolução de 1893. Faleceu em 21/05/1927 em Jaguarão. Dentre as obras públicas que atuou como construtor está o calçamento de diversas ruas da cidade, como a Rua 27 de Janeiro e uma ponte sobre o Arroio Jaguarão Chico.

esgotamento sanitário e piso elevado que permitia a ventilação de ar. Ainda sobre os elementos de construtivos das fachadas destes palacetes residenciais, descreve Martins (2009, p. 234):

Quanto aos elementos formais das fachadas dessas construções, estes seguem a linguagem eclética: platibandas mistas, vazadas ou cegas, frontões, estátuas, vasos e compoteiras sobre platibandas. Utilizam ainda ornamentos de massas geométricos (frisos, figuras gregas, etc.) ou florais (guirlandas, frutas, etc.). Existe uma rusticação sob as janelas, como se pedras em cantaria aflorassem em relação ao terreno e salientes em relação a parede. Nestas paredes podem encontrar-se pilastras com capitéis com volutas e folhas de acanto, de fustes lisos ou canelados, de clara inspiração nos modelos neoclássicos, tão utilizados em algumas das cidades maiores da região, principalmente Pelotas, Porto Alegre e Montevideo. Eram comuns o uso de balcões e sacadas com grades. Os portões eram ornamentados com desenhos geométricos ou sinuosos

Figura 13 – Residência de Carlos Barboza Gonçalves

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2016).

A localização desta residência não era no local mais privilegiado do centro urbano, mas na área da primeira expansão ocorrida a partir de 1840. Após sua construção as casas adjacentes foram copiando seu estilo construtivo e proporção na medida do possível, o que acabou por valorizar o entorno e consequentemente a infraestrutura urbana. Esse palacete foi construído com o objetivo arquitetônico de apresentação de um estilo eclético, mas também como a representação simbólica do poder econômico de seu proprietário, de um cidadão que se via contemporâneo das mais avançadas técnicas de estilo arquitetônico, fato esse que foi ressaltado por seus correligionários no período, que o apresentavam como um político imbuído de ideias de planejamento urbano que estariam em consonância com o que ocorria

em outras cidades como Porto Alegre e Pelotas.

Outra obra do construtor Martinho de Oliveira Braga foi o Clube Harmonia Jaguarense, datado de 1891, associação que congregava os republicanos da cidade de Jaguarão. Seu projeto seguiu o estilo eclético em sua fachada e interior, com decorações suntuosas que denotavam o poderio econômico de seus sócios. Sua localização em frente a praça central da cidade, em local valorizado, acentuava um conjunto arquitetônico que demonstrava o tipo de cidade que se queria construir. Na figura a seguir, se observa a fachada do Clube Harmonia, em que se destaca a porta principal com frontão em estilo neoclássico, dividindo-a simetricamente em duas partes, compostas de janelas encimadas por um frontão nas laterais. O piso elevado em relação ao passeio público, evitava o olhar dos transeuntes no interior do prédio, podendo servir também de depósito, com pequenas gateiras que permitiam a entrada de ar.

Figura 14 – Clube Harmonia

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2016).

A execução da obra foi realizada com o consórcio entre os membros da elite econômica da cidade de Jaguarão, que permitiram a inserção do construtor da obra como sócio do clube, conforme relato de Martins (2009, p. 249):

A inauguração do prédio ocorreu no dia 16 de maio de 1891, e, como dado original desse processo, o construtor, em atenção aos relevantes serviços prestados a sociedade, foi convidado pelo clube para associar-se isento de joia (um valor inicial que se paga para participar da sociedade).

Isto denota mais uma vez, a inclusão do construtor nos círculos privilegiados da cidade. Outros construtores contemporâneos não obtiveram tal distinção, apesar de participarem de projetos importantes. Essa realidade se explica pela vinculação política de Martinho Braga com os republicanos que detinham o poder naquele período, os quais fortaleciam sua rede de contatos por meio da preferência de contratação de profissionais filiados ao PRR e na ocupação de cargos políticos.

Ainda nesse contexto social e político, outro projeto executado por Martinho Braga foi o Teatro Esperança, casa de espetáculos erguida em 1898, que se tornaria o principal centro cultural da elite, e mais um edifício voltado a evidenciar, segundo pensava o grupo dirigente da cidade, que o município de Jaguarão estava inserido no contexto de outros municípios com vida urbana cultural intensa como Pelotas e Rio Grande. Nesse aspecto, de construção do teatro e da vida cultural do município, evidencia Machado (2016, p. 64):

Importante entender que a cidade de Jaguarão, neste período em que o teatro estava sendo inaugurado, tinha um forte movimento na área literária e cultural. Em setembro de 1895, de acordo com o Jornal “A Ordem”, passou a circular um novo periódico literário, de curta duração, “O Diadema”. Já existia o também literário “Bouquet”, que continuou sua publicação, além de “A Borboleta”. Junto com esta movimentação literária, a cidade também se agitava com o carnaval. O mesmo jornal de 19/02/1896 (quarta-feira de cinzas) registrava o “grande brilho” do Carnaval, dado pelas duas sociedades dançantes, Harmonia e Jaguarense.

A grandiosidade do prédio em relação ao tamanho da cidade e os espetáculos ali apresentados, oriundos de cidades como Porto Alegre e Montevideo, intensificava os contatos da elite local com as elites de outros municípios, e se aproximava do ideal de transformar a cidade de Jaguarão em um centro urbano dinâmico.

Na figura a seguir, se destaca a fachada do Teatro Esperança, com a entrada principal ladeada por pilastras decorativas em estilo neoclássico que davam acesso ao hall de entrada, onde se localizava a bilheteria, e também sendo um local de encontro antes do início dos espetáculos. Seu interior em formato de ferradura, continha galerias dispostas em andares, e as cadeiras centrais se localizavam em frente ao palco. Posteriormente, foi instalado um projetor de filmes, passando a ser cine-teatro, o que mudou um pouco sua configuração inicial.

Figura 15 – Teatro Esperança

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2016).

Este projeto do Teatro Esperança também teve como um dos seus idealizadores o médico Carlos Barboza Gonçalves, que assim como fez em sua residência, indicou a contratação do empreiteiro Martinho de Oliveira Braga. Sobre este médico e político jaguarense, nos descreve Franco (2010, p. 36):

Nascido em Pelotas em 1851, estudou medicina no Rio de Janeiro, diplomando-se em 1875, realizou residência médica em Paris. Retornou a Jaguarão onde fixou residência e atuou como médico e politico, se afiliando ao Partido Republicano. Foi vereador e Deputado pelo município, sendo eleito Presidente da Assembleia Constituinte. Foi designado Vice-Presidente do estado por Júlio de Castilhos no mandato que findou em 1898. Foi eleito Presidente do estado do Rio Grande do Sul, com mandato entre 1908 a 1913. Em 1920 elegeu-se Senador pelo estado do RS, sendo reeleito em 1927. Faleceu em Jaguarão em 1933. Como médico teve destacada atuação na Santa Casa de Caridade e também na cidade uruguaia de Melo.

Este médico e político jaguarense, grande proprietário de terras na cidade, se destacou pelos projetos construtivos que financiou, ora como proprietário privado, ora como gestor público. Quando exerceu a Presidência do Rio Grande do Sul foi o responsável pelo projeto e execução do Palácio Piratini, sede do governo estadual, que teve sua construção iniciada em 1909. Assim como aconteceu na construção de sua residência, Carlos Barboza procurou aplicar os conceitos da arquitetura eclética, apreendidos quando de sua estada na França, para isto contratando um arquiteto francês chamado Maurice Gras. Em relação a construção do Palácio Piratini encomendada por Carlos Barboza, esclarece Weimer (2004, p. 76):

Enquanto uma comissão de cinco membros tratava durante um ano de concurso na capital francesa, Gras veio a Porto Alegre e, através do cônsul Octave Courteilh, foi apresentado ao presidente provincial, que o contratou para realizar o projeto. Quando a comissão voltou de Paris com o anteprojeto e prêmios pagos, Gras já assinara um dos mais escandalosos contratos de que se já se teve notícia. Todo o material de construção era importado, até as mais prosaicas pedras de cantaria que eram aparelhadas e encaixotadas na França e aqui apenas assentadas, sob a alegação de que eram mais baratas do que as extraídas do Morro da Polícia, nos arredores da cidade. A festa dos franceses durou até a nova posse de Borges de Medeiros, que imediatamente os demitiu e as obras passaram a correr por conta de construtores nacionais. O palácio foi inaugurado em 1921.

Observa-se que a ligação entre Carlos Barboza e os franceses, iniciada quando de sua residência médica em Paris, foram determinantes para formar sua visão de urbanidade, refletida nas construções de sua residência e aplicadas quando na gestão da presidência do estado, onde pode gerenciar obras de grande envergadura e empregar os conceitos apreendidos em sua estadia na Europa. No contexto de emprego da arquitetura eclética europeia e da ideologia do positivismo republicano, também havia uma concorrência entre os membros do partido republicano de Jaguarão, se expressando na fachada dos prédios e na política. Foi o caso de Zeferino Lopes de Moura34, proprietário de um palacete construído

em 1889 em frente a praça principal de Jaguarão, com arquitetura de estilo eclético, que conforme foi descrito em ficha catalográfica do IPHAN, constante no dossiê de tombamento:

A fachada oeste e parte do sul foram construídas em abril de 1889. A planta constava de quatro salas que ficavam ligadas duas a duas a um corredor central com escadaria principal que se unia a rua e entradas laterais de acesso ao pátio interno, com um poço de água. A obra foi idealizada e supervisionada pelo então proprietário Zeferino Lopes de Moura (IPHAN, 2010).

Na figura a seguir, se percebe a semelhança com a residência de Carlos Barboza em termos de proporção do tamanho do prédio e elementos decorativos presentes na platibanda, o que também demonstrava a intenção de seu proprietário em manifestar através da edificação sua força econômica e liderança política entre seus correligionários e também para o restante da população. Diferentemente da residência de Carlos Barboza, este palacete se localizou no centro urbano original em frente a praça principal da cidade. O que Zeferino Lopes não conseguiu no campo político, ou seja, ter mais destaque que a liderança de Carlos Barboza, tentou compensar na construção deste edifício.

34 Nascido em 1856, foi um grande proprietário de terras e destacado pecuarista e charqueador. Partidário do Partido Republicano Rio-grandense, exerceu uma influência importante na direção do partido na cidade de Jaguarão e na política estadual, rivalizando com outro republicano conterrâneo, o médico Carlos Barboza Gonçalves. Pertenceu aos quadros da Guarda Nacional chegando ao posto de Coronel e teve atuação na Revolução Federalista de 1893 ao lado das forças governistas. Foi fundador em 1903 da Sociedade Pastoril, Agrícola e Industrial de Jaguarão, congregando os grandes proprietários do município. Faleceu em 1929.

Figura 16 – Residência de Zeferino Lopes de Moura

Fonte: Acervo pessoal do autor (2016).

Eles se tornaram opositores dentro do PRR, dividindo os partidários na cidade entre “Carlistas” e “Zeferinistas” (FRANCO, 2010). Essa disputa não se resumiu apenas na divergência partidária, mas partiu para o confronto violento entre seus correligionários como foi destacado no relato do jornal A Federação de 08 de janeiro de 1916:

Ontem, à tarde, circularam boatos de premeditação de um desacato à pessoa do coronel Zeferino Lopes de Moura. Tendo conhecimento disso, o Major Marcílio Pereira, delegado de polícia, procurou o intendente, coronel Gabriel Gonçalves da Silva com quem conferenciou no sentido de evitar o fato, o qual, dado o estado de exaltação de ânimo de ambas facções políticas, podia acarretar graves consequências, dizendo este que agiria no sentido de garantir sempre a tranquilidade da ordem pública. Em seguida o major Marcílio, procurou o coronel Zeferino no seu escritório comercial, o qual se achava cercado de amigos e a quem comunicou que estavam tomadas as providências para manter o respeito a sua pessoa e a inalterabilidade da ordem. (JORNAL A FEDERAÇÃO..., 1916).

O citado coronel Gabriel Gonçalves da Silva, intendente do município de Jaguarão, era parente de Carlos Barboza Gonçalves e seu afilhado político na cidade. Ressalta-se que ambas às facções com partidários estavam prontas para o embate violento dentro da cidade. Segue o relato pelo jornal:

Às 21 horas, o delegado foi procurado pelo capitão Raymundo Lopes, subdelegado do 2º distrito, o qual, em nome do intendente, vinha comunicar que tivera denúncia que existiam grupos de homens armados, ocultos no escritório e na cocheira e na casa do coronel Zeferino, no jornal “A Razão” e em outros pontos da cidade. Imediatamente o delegado foi procurar o coronel Zeferino, encontrando este no

“Clube Jaguarense”, palestrando numa sala, onde se achavam reunidos os coronéis Manoel de Deus Dias, Salathiel Paulo e Frederico Azambuja, chefe de repressão do contrabando nesta cidade e muitos outros amigos, na maior calma e tranquilidade. (JORNAL A FEDERAÇÃO..., 1916).

Naquele período, os delegados de polícia estavam ligados a Intendência Municipal, portanto poderia servir de braço armado do governante local contra seus adversários, no sentido de imputar denúncias de crimes atribuídos a quem o governante local eventualmente perseguisse politicamente. A situação não descambou para um combate armado entre às facções por conta, segundo a reportagem, de haver a disposição do coronel Zeferino Lopes de apaziguar os ânimos e deixar o delegado vistoriar os locais onde supostamente estariam os homens armados, conforme relato do mesmo jornal:

Saindo do clube, o delegado dirigiu-se, as 23 horas, para a intendência onde se achavam o intendente, autoridades municipais e amigos. Ali, reiterou, perante o intendente, a afirmação de que nada aconteceria. Voltando ao Clube, onde estava o coronel Zeferino, este incumbiu seu genro de acompanhar aquelas autoridades e franquear a casa e o escritório, o que foi realizado, verificando-se não existir nos mesmos indícios de premeditação a atos de violência, sendo também revistada a tipografia de A Razão, nada sendo encontrado e declarando-se satisfeito o subintendente, capitão José Luiz Terra. Em seguida o delegado voltou a intendência, conferenciando com o intendente e garantindo mais uma vez que a ordem não seria perturbada por partidários do coronel Zeferino, declarando-lhe que, no caso contrário, podia acusar ele, delegado, como responsável.

Esse episódio serve para ilustrar como se davam as relações de poder entre os membros da classe dominante de Jaguarão e, como a mesma utilizava os recursos do poder público para suas ações políticas. O planejamento urbano, neste contexto, também era um instrumento da lógica de perpetuação da elite econômica e política, seja por meio da construção de palacetes que visavam demonstrar seu poderio econômico e vinculação com o ecletismo de outras cidades, como também por melhoramentos na infraestrutura urbana que vinham a beneficiar o entorno destas residências.

Outro exemplo da construção de residências suntuosas no centro urbano de Jaguarão foi a do proprietário rural, político e militar, Coronel Manoel de Deus Dias35 cujo palacete

foi construído em 1899 em frente a praça principal da cidade. Na figura a seguir, se observa a sua fachada, que naquele período adotava o recuo lateral da porta principal em relação a rua, sintoma de uma mudança no estilo eclético, que foi adotado em alguns prédios do período no

35 Grande proprietário de terras na cidade de Jaguarão e Santa Vitória do Palmar, foi republicano histórico,

ligado ao PRR e amigo íntimo de Júlio de Castilhos. Participou da Revolução de 1893 e se destacou na política local como uma das principais lideranças partidárias, ao lado de Carlos Barboza e Zeferino Lopes de Moura. Faleceu em 1919.

centro urbano de Jaguarão. Assim como os demais prédios de estilo eclético, contava com porão que possibilitava a elevação da construção em relação a rua, assim como realizava a função de depósito e aeração da residência.

Figura 17 – Residência de Manoel de Deus Dias

Fonte: Arquivo pessoal do autor (2016).

Dentro do rol dos construtores que atuavam na cidade de Jaguarão, se destacou também a figura de Pedro Perez, com projetos executados em várias residências para a elite de Jaguarão. Foi construtor de um dos exemplares mais sofisticados do ecletismo no município, o prédio do Clube Instrução e Recreio, erguido em 1911, em uma rua contígua ao centro comercial, clube este de apelo mais popular que seus congêneres, os Clubes Harmonia e Jaguarense.

Apesar de ter proporções menores que os citados clubes em relação a suas fachadas, os elementos decorativos presentes em sua fachada denotam o exímio trabalho desse construtor, assim como também demonstra o profícuo mercado para esses profissionais na cidade de Jaguarão no final do século XIX e início do XX, com trabalhadores especializados neste tipo de projeto. Na figura a seguir, se tem a fachada do edifício, com entrada lateral sem recuo, como uma solução arquitetônica devido ao tamanho reduzido da frente do lote. A simetria da fachada se dá pela abertura central, ladeada por duas pilastras neoclássicas decorativas, encimada por um frontão e platibanda decorada com elementos e figuras da mitologia clássica greco-romana. Os gradis de ferro das sacadas complementam o conjunto.

Figura 18 – Clube Instrução e Recreio

Fonte: Autor em pesquisa (2017).

Ainda houveram outros construtores que atuaram na cidade de Jaguarão voltados a projetos para a classe média de proprietários, os quais procuravam acompanhar o gosto estético da elite. Estas residências com fachadas bem mais modestas, compunham, juntamente com as residências da elite, um cenário de urbanidade que buscava se aproximar do que

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