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1.1. Principais conceitos

1.1.1. Consultoria de gestão

Segundo o dicionário Priberam, a palavra “consultoria” significa “a

actividade de dar consulta ou conselho” sendo normalmente desempenhada

pelo consultor: “aquele que dá conselhos” (Dicionário Priberam s.d.).

À luz desta definição “quando nos pedem direcções para algum lugar,

estamos a agir como consultores. Quando auxiliamos alguém nalguma escolha

mais difícil estamos a agir como consultores” (Block 1981). Virtualmente todas

as pessoas do mundo foram, em algum momento das suas vidas, consultoras no

desempenho das mais variadas actividades que assim se podem classificar

como actividades de consultoria, ou se estiverem ligadas à área da gestão,

consultoria de gestão.

Assim, para que se pudesse definir mais concretamente a indústria da

consultoria de gestão e as pessoas que dela fazem parte, alguns autores

optaram por abordar o conceito de uma forma mais funcional: Fritz Steele

define a actividade como “qualquer forma de providenciar ajuda no conteúdo,

processo, estrutura, tarefa ou séries de tarefas, onde o consultor não possui a

responsabilidade de realizar a tarefa em si mas por ajudar aqueles que a têm”

(Steele (1975) in (Kubr 2002)). Em linha com esta definição temos também Peter

Block que refere que o consultor é aquela pessoa que “possui capacidade de

influência sobre um indivíduo, grupo ou organização mas que não tem

qualquer poder para implementar mudanças” (Block 1981).

Estas definições retractam os consultores como ajudantes e assume que tal

ajuda possa ser providenciada por qualquer pessoa. Desta forma, gestores

actuam como consultores quando auxiliam os seus colegas ou quando ajudam

os seus subordinados na realização de uma determinada tarefa (Kubr 2002).

Peter Block até defende que numa empresa, todas as pessoas com funções de

suporte (ex.: recursos humanos, análise financeira, pesquisa de mercado, análise

de sistemas ou design de produto, etc…) são consultoras, mesmo que

oficialmente não utilizem este título (Block 1981).

Outros autores optaram por abordar consultoria de gestão como um serviço

profissional. Larry Greiner e Robert Metzger definem consultoria de gestão

como “um serviço de aconselhamento contratado por organizações e fornecido

por especialistas altamente qualificados que ajudam de uma forma objectiva e

independente a organização sua cliente a identificar problemas de gestão, a

analisar esses problemas, a recomendar soluções e, quando requisitados para

tal, a implementar soluções” (Greiner e Metzger (1983) in (Canback, The Logic

of Management Consulting (part one) 1998)). Milan Kubr define consultoria de

gestão como “um serviço profissional independente que auxilia gestores e

organizações a atingirem os seus objectivos não só através da resolução de

problemas, mas também através da identificação de oportunidades, do

desenvolvimento da aprendizagem e da implementação de mudanças” (Kubr

2002).

Esta abordagem permitiu definir algumas características do serviço de

consultoria de gestão: consultoria é uma actividade de ajuda e assistência onde os

consultores de gestão são (e “efectivamente gostam de o ser” (Kipping e Clark

2012)), retratados como pessoas independentes e altamente profissionais que

ajudam organizações a resolver problemas.

Assim, a ajuda e assistência que o consultor oferece à empresa significa que o

consultor não substitui o gestor na organização-cliente nem “o liberta da sua

responsabilidade de tomar decisões e de arcar com as consequências das

mesmas” (Kubr 2002). Aos consultores de gestão é exigido apenas qualidade

nos seus conselhos, o que implica “não somente dar o conselho certo, mas dá-lo

à pessoa certa, da forma correcta, no momento oportuno” (Kubr 2002).

Esta ajuda e assistência deve ser dada de forma independente, factor

relevado por vários autores (por exe: (Newton 2010), (Kubr (2002), Canback

(1998) ou Drucker (1981)) que consideram ser esta uma das grandes vantagens

dos consultores de gestão face aos gestores das organizações. O gestor da

organização faz parte dela. Partilha da sua cultura e tradição, das suas alegrias,

conquistas e tristezas e portanto fará também parte do problema. Resolvê-lo

seria “como o médico que trata a sua própria família. Diagnostica com o

coração e toma sempre o seu pulso em vez do pulso do paciente” (Drucker

1981). Mas note-se que a independência do consultor se expande a vários níveis

(Kubr 2002):

Independência financeira, que significa que o consultor não deve ter

qualquer tipo de interesse financeiro no eventual desenrolar das

opções tomadas pelo cliente;

Independência técnica, que significa que o consultor se encontra numa

posição em que é capaz de emitir uma opinião independentemente

daquilo em que o cliente acredita;

Independência administrativa garante que o consultor não é um

subordinado do cliente nem pode ser afectado pelas suas decisões

administrativas;

Independência política implica que nem a organização cliente nem os

seus funcionários conseguem influenciar o consultor através de poder

e conexões políticas;

Independência emocional que significa que o consultor mantém a sua

objectividade e mantém o seu distanciamento independentemente de

amizades, empatias ou outras pressões pessoais que possam existir ou

desenvolver-se durante o projecto.

No entanto, apesar das inúmeras abordagens, existe ainda uma incapacidade

de definir concretamente o conceito de consultor e consultoria de gestão. Isto

tornou as fronteiras da indústria da consultoria de gestão bastante ambíguas e

permeáveis à entrada de novas empresas e técnicas que por sua vez alteraram

significativamente a estrutura da indústria ao longo do tempo (Kipping e Clark

2012). A somar ao problema note-se que são muito poucas as empresas de

consultoria de gestão que operam à escala mundial. “A maioria dos trabalhos

de consultoria de gestão é feita por consultores individuais ou pequenas

empresas que actuam a uma escala nacional ou até mesmo local” (Baaij 2014).

Compreende-se portanto que “não é fácil obter uma definição precisa” [sobre

o que é consultoria de gestão] (Newton 2010).

Esta situação coloca importantes desafios à realização deste trabalho. Por um

lado é importante perceber que existem discrepâncias entre os dados

produzidos por instituições diferentes, uma vez que podem ter entendimentos

diferentes sobre o que é a consultoria de gestão, pelo que a sua

comparabilidade é desaconselhável. Como tal torna-se fundamental que se

clarifique o que é que a instituição produtora dos dados estatísticos entende

como estando incluído na definição de consultoria de gestão.

Uma vez que se utilizam os dados do estudo “Estatística de Serviços

Prestados às Empresas” (INE, 2012) para descrever o percurso da indústria da

consultoria de gestão em Portugal, iremos adoptar a sua interpretação de

consultoria de gestão definida como um conjunto de várias actividades

distintas, nomeadamente:

Consultoria em Gestão Estratégica - Actividades que visam o

aconselhamento, orientação e assistência operacional relativos à estratégia e

política empresarial, ao planeamento, à estruturação e controlo global de uma

organização.

Consultoria em Gestão Financeira (excepto fiscal) - Actividades que visam

o aconselhamento, a orientação e a assistência operacional relativos a áreas de

decisão de natureza financeira, tais como a gestão de capital circulante e

tesouraria, a determinação de uma estrutura de capital adequada, a análise de

propostas de investimento de capitais, a gestão do activo, o desenvolvimento de

sistemas contabilísticos, previsões e controlos orçamentais, serviços de

consultoria financeira relativa às fusões e aquisições, entre outros. Excluem-se

os serviços de mediação na negociação de títulos (corretagem), assim como os

serviços de gestão de carteias de títulos e fundos.

Consultoria em Gestão de Política Comercial (marketing) - Actividades que

visam o aconselhamento, a orientação e a assistência operacional relativos à

estratégia de “marketing” e a operações de “marketing” de uma organização.

Nota: excluem-se os serviços de relações públicas e de comunicação, bem como

os serviços de publicidade.

Consultoria em Gestão de Recursos Humanos - Actividades que visam o

aconselhamento, a orientação e a assistência operacional relativos a estratégia,

políticas, práticas e procedimento em matéria de recursos humanos numa

organização. Nota: excluem-se os serviços de consultoria em investigação e

colocação de quadros, assim como os serviços de consultoria em educação.

Consultoria em Gestão da Produção - Actividades que visam o

aconselhamento em gestão de operações como a consultoria em matéria de

melhoria dos sistemas e procedimento, a melhoria das operações

administrativas e dos serviços (disposição dos escritórios, planificação dos

fluxos de trabalho e normas de trabalho), a autorização dos serviços (selecção e

instalação de sistemas automatizados), o desenvolvimento de produtos, o

controlo de qualidade e a gestão da qualidade, segurança, vigilância e protecção

das instalações.

Consultoria em Cadeia de Fornecimento e outra Consultoria de Gestão -

Actividades que visam a gestão de inventários, armazéns, serviços de

armazenamento e distribuição. Excluem-se as actividades de consultoria no

âmbito da engenharia, da arquitectura e do ambiente.

Outros Serviços de Consultoria para os Negócios - Actividades que visam o

aconselhamento sobre o desenvolvimento industrial, turístico ou regional.

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