2.3 Consultoria Organizacional em Redes
2.3.6 Consultoria em Redes Interorganizacionais
Quando uma empresa contrata os serviços de consultoria, subtende-se que existe, por parte da organização, a necessidade e a intenção de melhoria. Quando essas idéias são relacionadas ao ambiente dinâmico das redes, especialmente APL’s, formados por micro e pequenos empreendimentos, é comum haver a contratação de “pacotes” de consultoria23para
determinados grupos de empresas, visto que tal estratégia diminui os custos para as organizações.
Nesse contexto, percebe-se a importância da atuação dos profissionais de consultoria em redes, uma vez que promovem e provocam a mudança em diferentes níveis. Estes resultados, se fundamentados nos processos de aprendizagem e inovação podem impulsionar o desenvolvimento de APL’s, fazendo com que estes atinjam o estágio de maturidade (AMATO NETO, 2006) e passem para a fase de arranjos inovadores (MITELKA e FARINELLI, 2005 apud SOUZA, 2008).
23 Programas de Consultoria pré-determinados que generalizam a realidade das empresas e, muitas vezes, não
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Outro problema para as PME’s é a maneira informal e empírica de gestão. Segundo Cândido e Abreu (2000), o grande desafio nas redes é a formação de parcerias e a profissionalização, sendo que esta última pode ser auxiliada pela consultoria.
Sendo o consultor um ator importante neste processo de mudança, a prática de consultoria foi abordada neste trabalho como um elemento essencial à disseminação dos processos de aprendizagem e inovação organizacional voltada para o contexto interorganizacional.
Segundo Lemos (2001, grifos nossos), abordagens mais recentes sobre como promover a inovação nas empresas reconhecem crescentemente o caráter sistêmico do processo inovativo e a necessidade da proximidade entre elas e as instituições que contribuem com conhecimentos, incluindo desde o estímulo e financiamento à pesquisa conjunta até o atendimento a necessidades relacionadas ao marketing e ao acesso a mercados. Assim, alguns países vêm criando políticas e instrumentos que estreitam esta relação, através da disponibilização de serviços tecnológicos e de consultoria em vários formatos, projetos colaborativos, intercâmbios entre pesquisadores das instituições de pesquisa e funcionários das organizações, estimulando a formação de redes de empresas.
Gretzinger, Hinz e Wenzel (2009), destacam a necessidade de existirem políticas governamentais de incentivo à disseminação dos diferentes tipos de inovação nas micro e pequenas empresas. Uma das estratégias utilizadas na Europa é a disponibilização de consultorias gratuitas para as organizações, entretanto, constatou-se que esta medida política está sendo subutilizada pelas empresas na Dinamarca e na Alemanha. Estes autores constataram que a resistência à consultoria nas redes analisadas decorrem do receio, por parte dos empresários, de que as estratégias desenvolvidas em sua empresa sejam levadas pelo consultor para os seus concorrentes, que também atuam no mesmo ambiente. Tais fatores precisam ser esclarecidos no contexto das redes para que não prejudiquem a disseminação de práticas inovativas nos APL’s.
A atuação das empresas em rede dentro de uma região envolve mudanças institucionais e demandam políticas de desenvolvimento essenciais ao seu sucesso (NEVES, FREITAS e CÂNDIDO, 2008). Além das políticas públicas, Rocha Neto (1999) destaca que os valores sócio-culturais também são fatores importantes na governança dos sistemas locais de inovação.
Uma pesquisa sobre inovação em arranjos e sistemas de micro e pequenas empresas mostra que a partir da década de 1990, tornou-se uma tendência internacional inserir a inovação como uma prioridade para o desenvolvimento organizacional. Dentre as várias metodologias
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apresentadas, merecem destaque os serviços de consultoria em diferentes países (Finlândia, Reino Unido e Alemanha) para disseminar a inovação nas empresas (LEMOS, 2001).
Donadone (2003) afirma que as empresas de consultoria organizacional despontam como um dos setores mais dinâmicos das duas últimas décadas. Por outro lado, esse crescimento vem acompanhado de uma série de questionamentos relacionados com o cenário no qual essas organizações estão inseridas, incluindo a venda de pacotes gerenciais, que aumentam a visibilidade do setor ao mesmo tempo em que se tornam alvos de críticas por “desconsiderar” as particularidades de cada organização.
Em contrapartida, em sua maioria, as empresas de consultoria não adotam os programas e pacotes que vendem a seus clientes e, quando o fazem, tal adoção tende a não ser completa ou integral (CALDAS, 1999).
Quando analisadas as práticas de consultoria em redes, especialmente em micro e pequenas empresas de Arranjos Produtivos Locais, essa tendência em condensar os serviços de consultoria em pacotes gerenciais, comumente contratados por grupos de organizações, acaba tornando-se frequente neste campo organizacional. De um lado, os custos com esta contratação são reduzidos ao mesmo tempo em que a realidade das empresas é nivelada, dificultando o atendimento mais personalizado. Neste contexto, supõe-se que os processos de inovação e aprendizagem ficam limitados, enquanto que poderiam ser alavancados caso as práticas de consultoria fossem voltadas para o desenvolvimento da atividade principal dos APL’s.
A perspectiva de redes sociais destaca a função institucional da firma, contribuindo para o alargamento da visão limitada da perspectiva instrumental e puramente econômica (CARVALHO, 2002). Para Gulati (1998), as redes sociais constituem agrupamentos onde acontecem trocas de informações visando o ganho mútuo. Estas citações remetem à reflexão proposta por Habermas (2002) através da racionalidade comunicativa cujos resultados das ações não devem visar ao ganho individual e, consequentemente, à dependência, mas levar ao entendimento e à emancipação do sujeito. Neste sentido, o consultor que desenvolve uma prática pautada na ação estratégica do mercado visando ganhos próprios não tem como impulsionar o desenvolvimento de uma rede através da inovação.
Neste capítulo, foram apresentados os principais estudos sobre redes interorganizacionais, inovação e consultoria organizacional, destacando a relevância temática e a relação dos constructos entre si, que fundamentaram a pesquisa realizada, cuja metodologia de implementação encontra-se detalhada no capítulo subsequente.
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