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Consumo Consciente

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2.4 Sustentabilidade e consumo consciente

2.4.2 Consumo Consciente

A obsessão por vender e consumir sem preocupações com as consequências ambientais e sociais desses processos, a competição desigual e injusta, o crescimento das diferenças econômicas e sociais entre os países e a exploração dos países periféricos gera uma relação nem sempre harmônica entre consumidores e empresas. A literatura que trata das tensões entre consumidores, movimentos de resistência e ações coletivas é recente e ainda incipiente (IYER; MUNCY, 2009).

Embora os economistas venham alegando que os consumidores são atores soberanos que fazem escolhas racionais a fim de maximizar sua satisfação, percebe-se, porém, que os consumidores muitas vezes tomam decisões movidas pela propaganda, regras culturais, influências sociais, impulsos fisiológicos e associações psicológicas (TODERO, 2009).

Contudo, percebe-se também maior preocupação e discussão com respeito ao bem-estar e à qualidade de vida pela valorização do ser humano e do meio ambiente, em vez daquela que embute a realização econômica em detrimento da realização pessoal e da sustentabilidade ecológica (OTTMAN, 2007).

A consciência ambiental é considerada por Butzke et al (2011) como o conjunto de conceitos adquiridos pelas pessoas mediante as informações percebidas no ambiente. Assim, o comportamento ambiental e as respostas ao meio ambiente são influenciados pelos conceitos nele adquiridos.

Ottmann (1994) destaca tendência denominada de consumerismo ambiental entre os consumidores, em uma tentativa de se protegerem e protegerem o planeta. O consumerismo poderia ser definido como movimento de consciência sobre o consumismo, designando um tipo de atitude que se caracteriza por um consumo racional e responsável, oposto ao consumismo.

Muitas denominações buscam descrever esse novo consumidor: ambientalmente consciente, verde, ético, responsável, ecologicamente engajado, ambientalmente correto dentre outras (PORTILHO, 2005). Alguns autores usam os termos como equivalentes (FABI; LOURENÇO; SILVA, 2010), mas para outros há diferenças conforme exposição a seguir.

Barros e Costa (2003) salientam que ainda não há um consenso sobre o que é consumo consciente. Segundo as autoras, o autor de tal definição no Brasil é o próprio Instituto Akatu. O Instituto Akatu (2010) conceitua o consumo consciente como o ato ou decisão de consumo praticado por um indivíduo, levando em conta o equilíbrio entre sua satisfação pessoal as possibilidades ambientais e os efeitos sociais de sua decisão, sendo que não deve ser confundido com não consumo.

O consumo consciente pode ser praticado no dia a dia, por meio de gestos simples, que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços, ou pela escolha das empresas da qual comprar, em função de seu compromisso com o desenvolvimento sustentável. Dessa forma, o consumo consciente pode ser resumido como contribuição voluntária cotidiana, solidária para garantir a sustentabilidade da vida do planeta (INSTITUTO AKATU, 2010).

Segundo o Instituto Akatu (2010), há dez princípios norteadores com relação ao consumo consciente: planejamento das compras; avaliação do impacto do consumo no meio ambiente e na sociedade; consumo do necessário, verificando as necessidades reais; reutilização de produtos e embalagens; separação do lixo; uso do crédito conscientemente; conhecimento e valorização de práticas de responsabilidade social das empresas; boicote à compra de produtos piratas ou contrabandeados; contribuição para a melhoria de produtos e serviços e divulgação do consumo consciente.

Os consumidores começaram a se tornar mais conscientes quanto à pegada de carbono, usando calculadoras on-line muito em uso na web (VELÁSQUEZ; AHMAD; BLIEMEL, 2009). Vale ressaltar, no entanto, que os consumidores que desejam agir e comprar de forma mais sustentável ainda são restringidos por três barreiras principais: preço alto, confusão e falta de confiança e de disponibilidade de alternativas. Dessa forma, clareza, coerência e credibilidade são fundamentais para manter e construir o apetite dos consumidores por produtos sustentáveis (CARRIGAN; PELSMACKER, 2009).

Também é preciso enfatizar que embora os consumidores declarem vontade e desejo de comprar produtos ecologicamente corretos e procurem rótulos que expliquem as consequências ambientais dos produtos, muitos sentem que são manipulados pelas corporações. Para Bacha, Santos, Schaun (2011), o aumento do poder aquisitivo das famílias de baixa renda no Brasil transformou esse público em um mercado muito atraente para as empresas, e a comunicação mercadológica necessita mudar para acompanhar essa nova demanda por qualidade de vida.

Os padrões sustentáveis estão bem distantes de serem alcançados dada a descrença nos governos (65% acredita que o governo não dá importância ao meio ambiente), mas ficou demonstrado também que existe uma disposição em mudar, pois 56% sentem-se com esse propósito. No entanto, os resultados estão aquém do desejado na questão do consumo consciente.

Dessa forma, qualquer ação nesse sentido precisa considerar a dinâmica cultural dessa sociedade, que hoje se mostra consumista e com padrões de escolaridade muito baixos, em que a entrada em uma nova classe econômica significa também uma instância de poder e esse poder está intimamente ligado ao consumo. A conscientização das pessoas quanto aos problemas ambientais é fator determinante para a sensibilização e, consequentemente, o comportamento ecológico, fazendo com que elas prefiram produtos ecologicamente corretos e tornando-se, assim, consumidores ecológicos (BACHA; SANTOS; SCHAUN, 2011).

Com relação à sustentabilidade e consumo alimentar feminino, foram encontrados dois artigos em bases internacionais. O primerio, de Torjuse et al (2012), apresenta estudo sobre consumo de produtos orgânicos por mulheres na gravidez, apresentando padrões de alimentação para caraterísticas demográficas e estilo de vida, e o segundo de Temme et al (2013) que considera que a redução dos atuais níveis de consumo de carne e laticínios contribuir para a saúde ambiental e humana. O estudo avaliou os efeitos da substituição de carne e laticínios por produtos à base de plantas sobre a sustentabilidade ambiental (requisito terra) e a saúde.

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