4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Consumo e digestibilidade dos nutrientes
Não foi observado efeito de interação (P > 0,05) entre genótipo e dieta para nenhuma variável avaliada de consumo e digestibilidade de nutrientes. No entanto, isoladamente, houve efeito para genótipo e dieta (P < 0,05) apenas para o CMS em gramas por dia e de dieta para CMS em gramas por unidade de tamanho metabólico (Tabelas 4 e 5).
Tabela 4 – Consumo de nutrientes de ovinos Santa Inês (SI) e Morada Nova (MN) alimentados com farelo de mamona em substituição ao farelo de soja
(continua)
Variável
Genótipo (G) Dieta (D) EPM P Valor
SI MN FS FMI FMP Genótipo Dieta G*D
CMS (g/dia) 1154,83A 1009,83B 1216,94a 1039,25ab 990,80b 6,4659 0,0418 0,0294 0,8492
CMS (%PC) 4,27 4,20 4,57 4,22 3,92 0,0210 0,7174 0,0727 0,9937
CMS (g/UTM) 97,43 92,84 103,75a 93,88ab 87,78b 0,4744 0,3601 0,0475 0,9641
CPB (g/dia) 166,04A 145,47B 175,75a 149,30b 141,90b 0,8692 0,0310 0,0150 0,8207
CPB (%PC) 0,61 0,60 0,66a 0,61ab 0,56b 0,0028 0,7216 0,0412 0,9877
Tabela 4 – Consumo de nutrientes de ovinos Santa Inês (SI) e Morada Nova (MN) alimentados com farelo de mamona em substituição ao farelo de soja
(conclusão)
CPB (g/UTM) 14,01 13,40 15,00a 13,50ab 12,60b 0,0638 0,3390 0,0241 0,9509
CEE (g/dia) 50,80A 44,36B 54,24a 44,65b 43,80b 0,2830 0,0385 0,0142 0,7238
CEE (%PC) 0,19 0,18 0,20a 0,18ab 0,17b 0,0009 0,7144 0,0491 0,9177
CEE (g/UTM) 4,28 4,07 4,62a 4,04ab 3,88b 0,0212 0,3592 0,0280 0,8540
CFDN (g/dia) 422,95 364,83 441,31a 391,01a 349,26b 2,7168 0,0518 0,0471 0,9054
CFDA (g/%PC) 0,71 0,70 0,78a 0,73a 0,60b 0,0041 0,6671 0,0108 0,9885
CFDA (g/UTM) 16,14 15,27 17,50a 16,21ab 13,41b 0,0944 0,3797 0,0091 0,9628
Fonte: elaborada pela autora4.
4 EPM, erro padrão da média; FS, contendo como fonte proteica no concentrado o farelo de soja; FMI, contendo como fonte proteica no concentrado o farelo de mamona integral; FMP, contendo como fonte proteica no concentrado o farelo de mamona peneirado; CMS (g/dia), consumo de matéria seca; CMS (%PC), consumo de matéria seca em porcentagem de peso corporal; CMS (g/UTM), consumo de matéria seca por unidade de tamanho metabólico; CPB, consumo de proteína bruta; CEE, consumo de extrato etéreo; CFDN, consumo de fibra em detergente neutro; CFDA, consumo de fibra em detergente ácido. Médias seguidas de letras diferentes minúsculas nas linhas (comparando as dietas) e maiúsculas nas linhas (comparando genótipos) diferem entre si pelo teste de Tukey P < 0,05.
Maior CMS (g/dia) foi obtido para os ovinos da raça Santa Inês, enquanto o CMS em %PC e g/UTM foi semelhante entre os dois genótipos. O CMS de ovinos está diretamente relacionado com seu peso corporal e ganho médio diário (INRA, 2018), sendo fator determinante no aporte de nutrientes necessários para o atendimento das exigências de mantença e de ganho de peso dos animais (SNIFFEN et al., 1993). Os animais Santa Inês apresentaram maior CMS comparado aos animais da raça Morada Nova, o que justifica o seu maior PCf e GMD (Tabela 6). Porém, quando aplicamos as variáveis CMS em %PC e g/UTM, não houve diferença, pois independentemente da raça ou espécie animal, há um limite no consumo de matéria seca em relação ao peso corporal (PEREIRA et al., 2018).
Ovinos alimentados com a dieta FS apresentaram maior CMS (g/dia e g/UTM).
Isso pode estar relacionado com uma maior palatabilidade do farelo de soja em relação aos farelos de mamona (POMPEU et al., 2012). O CMS em %PC não apresentou diferença para dieta, visto que está diretamente relacionado com o PCf que também não diferiu entre as dietas (Tabela 4).
Os consumos de PB e EE apresentaram a mesma resposta, obtendo diferenças entre genótipo para a variável expressa em g/dia e efeito para dieta em todas as variáveis, tendo os ovinos alimentados com a ração FS apresentado valores superiores aos ovinos que foram alimentados com a ração contendo o farelo de mamona peneirado, tendo os ovinos alimentados com o farelo de mamona integral apresentado resposta intermediária, o que condiz com os resultados obtidos no desempenho dos animais (Tabela 6). Essa resposta se deve ao maior de consumo de matéria seca observado nos ovinos alimentados com essa ração.
Os ovinos alimentados com rações com farelo de soja ou farelo de mamona integral apesentaram maior CFDN, quando expresso em gramas por dia, do que aqueles alimentados com rações contendo o farelo de mamona peneirado. No entanto, não houve diferença entre genótipo, provavelmente, devido ao fator de regulação de consumo do animal.
Consequentemente, o mesmo comportamento foi observado para o CFDA em gramas por dia.
Existem vários fatores envolvidos no controle da ingestão de alimentos, sendo um deles o físico que está associado à capacidade de distensão do rúmen e do teor de fibra da ração (MERTENS, 1994).
A digestibilidade aparente dos nutrientes e o valor de nutrientes digestíveis totais (NDT) não apresentaram diferença e nem efeito de interação (P > 0,05) para genótipo e dieta (Tabela 5).
Tabela 5 – Digestibilidade aparente dos nutrientes na dieta de ovinos Santa Inês (SI) e Morada Nova (MN) alimentados com farelo de mamona em substituição ao farelo de soja
Variável
Genótipo (G) Dieta (D) EPM P- Valor
SI MN FS FMI FMP Genótipo Dieta G*D
DAMS (g/kg MSi) 514,3 499,0 512,5 513,9 493,7 0,1736 0,4069 0,5977 0,9726
DAPB (g/kg Msi) 552,0 520,9 509,5 548,0 551,8 0,2945 0,2762 0,4049 0,1820
DAEE (g/kg Msi) 671,1 661,7 639,1 668,6 691,6 0,3635 0,7905 0,4859 0,2782
DAFDN (g/kg Msi) 385,8 342,8 376,0 335,0 381,9 0,2809 0,1169 0,3025 0,1492
NDT (g/kg Msi) 703,6 692,4 678,0 703,3 713,0 0,1614 0,4390 0,1413 0,0538
Fonte: elaborada pela autora5.
A digestibilidade dos nutrientes não apresentou diferenças, corroborando com a hipótese das dietas serem isoproteicas e isofibrosas.
De acordo com Van Soest (1994), a digestibilidade avalia, de forma qualitativa, os alimentos quanto ao seu valor nutritivo, demostrando a quantidade percentual de cada nutriente do alimento que pode ser aproveitada pelo animal, podendo justificar de 10 a 40% do desempenho animal, que é dependente da ingestão de nutrientes digestíveis e metabolizáveis (MERTENS, 1994). Portanto, a não significância para esses resultados está diretamente relacionada com os dados obtidos de desempenho, os quais não apresentaram diferenças entre as dietas, somente para os genótipos (Tabela 6). Os valores dos nutrientes digestíveis totais (698,10 g/kg Msi) (Tabela 5) foi acima dos valores obtidos por Pompeu et al.
(2012) (659,00 g/kg MSI), ao avaliarem a inclusão da torta de mamona destoxificada pelo método de autoclavagem, o que condiz com a relação volumoso:concentrado utilizada nesse estudo. Essas diferenças podem estar relacionadas com a superioridade do produto do presente estudo em comparação a outros tipos de utilização dos subprodutos oriundos da cadeia produtiva da extração do óleo de mamona.
5 EPM, erro padrão da média; FS, contendo como fonte proteica no concentrado o farelo de soja; FMI, contendo como fonte proteica no concentrado o farelo de mamona integral; FMP, contendo como fonte proteica no concentrado o farelo de mamona peneirado; Msi, matéria seca ingerida; DAMS, digestibilidade aparente da matéria seca;
NDT, nutrientes digestíveis totais, estimado de acordo com Sniffen et al. (1992).