7 RESULTADOS E DISCUSSÃO
7.2 CONSUMO RESIDENCIAL
O consumo residencial nacional de energia elétrica totalizou, em 2003, torno 77 milhões de MWh, representando cerca de 26% do mercado de fornecimento brasileiro. De acordo com o Gráfico 4, observa-se que o crescimento do consumo da classe ao decorrer dos meses do período em questão (2003 a 2008), que obteve taxa média de 4,78% ao ano.
Gráfico 4: Evolução mensal do consumo de energia elétrica da classe residencial em MWh
Fonte: Elaborado a partir de dados da ANEEL (2008).
Para o ano de 2008, a soma dos consumos mensais da classe residencial de energia elétrica foi acima de 95 milhões de MWh. O consumo de energia pelas famílias reflete dois aspectos: maior posse de eletrodomésticos em razão do aumento da renda, e aumento expressivo no número de consumidores. Em 2008, foram ligados à rede mais de 2 milhões de novos consumidores, quase a metade nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, repercutindo o Programa Luz Para Todos.
Tabela 6 – Função do consumo de energia elétrica da classe residencial estimada para o Brasil, entre 2003 e 2008 Estimativa MQO Variáveis Valores Constante 2,579041 (2,965946)* PE6 0,044375 (0,423179)* Y7 1,449892 (16,51031)* W8 0,505880 (2,313557)* Testes e qualidade dos ajustes
R² 0,851957 R² ajustado 0,845426 F calculado 130,4419 S.Q. Resíduos 0,070889 Durbin-Watson 1,276063
Fonte: Resultados obtidos utilizando-se o software E-Views.
As variáveis utilizadas na função, com resultados na Tabela 6, para analisar a consumo de energia elétrica no Brasil entre 2003 e 2008 na periodicidade mensal, apresentam 84,54% das explicações da demanda pela eletricidade, ou seja, o R² ajustado foi de 0,8454. O Teste “F” foi igual a 130,44.
* Os valores entre parênteses referem-se ao Teste “t”; 6
Preço da tarifa energia elétrica para a classe residencial;
7 Renda;
A estatística do teste “t” para a variável de preço da tarifa de energia elétrica (PE) teve o valor 0,42, para a variável renda (Y) teve o valor 16,51 e a variável de preço de eletrodomésticos (W) obteve um “t” calculado de 2,31. Assim, verifica-se que não se pode rejeitar, mesmo a níveis de significância pouco exigentes, a hipótese de coeficiente nulo para o preço, isto é, não se pode rejeitar a hipótese de demanda inelástica em relação ao preço.
Os resultados obtidos com a estimação da função de consumo de eletricidade para o país mostram que a alteração positiva de 1% no preço da eletricidade ocorrerá um aumento na quantidade demandada em torno de 0,0444% com uma ampla margem de variação para cima ou para baixo, o que significa que a elasticidade de preço durante o período foi inelástica.
A alteração na renda também possui influência na demanda por eletricidade. Se a renda das famílias aumentar em 1%, a quantidade demandada por energia elétrica cresce em 1,4499%. Para a variação positiva de 1% no preço de eletrodomésticos, a quantidade de consumo por energia elétrica irá aumentar em 0,5059%, elasticidade que não apresentou o sinal esperado, sendo inelástica ao preço de eletrodomésticos.
Por fim, o teste Durbin-Watson para a função em questão, gerou um resultado de 1,28, o que significa haver autocorrelação para o período considerado. Diante deste resultado e das elasticidades não válidas para o consumo de energia elétrica pelas unidades residenciais, mostra-se a necessidade de uso do termo de correção de autocorrelação para obter resultados mais confiáveis, embora a função tenha adquirido uma considerável porcentagem explicativa dos seus resultados (R² ajustado de 84,54%).
Para isso, foi estimada outra função de consumo de energia elétrica para a classe residencial, a partir de resultados apresentados na Tabela 7, com o uso do termo de correção de autocorrelação AR(1). Como foi colocado anteriormente no Capítulo 5, o problema de autocorrelação na estimativa de equações é verificado quando as alterações ocorridas na variável aleatória, em um período, dependem do período passado ou do período posterior.
As variáveis utilizadas nessa função para analisar a consumo de energia elétrica no Brasil, nos meses entre 2003 e 2008, com o uso do termo AR(1), apresentam uma pequena melhora nos resultados do coeficiente de determinação quando comparado a função estimada anteriormente. O seu R² ajustado foi de 0,8676, ou seja, 86,76% das explicações da demanda pela eletricidade. O teste “F” também foi superior, com o valor igual a 115,71.
Tabela 7 – Função do consumo de energia elétrica da classe residencial estimada para o Brasil, entre 2003 e 2008, com o termo AR(1)
Estimativa MQO Variáveis Valores Constante 3,086099 (2,474634)* PE9 0,122725 (0,780779)* Y10 1,332787 (9,991758)* W11 0,483118 (1,590566)* AR(1)12 0,386519 (3,321524)* Testes e qualidade dos ajustes
R² 0,875201 R² ajustado 0,867638 F calculado 115,7130 S.Q. Resíduos 0,059758 Durbin-Watson 1,948174
Fonte: Resultados obtidos utilizando-se o software E-Views.
A estatística do teste “t” para a variável de preço da tarifa de energia elétrica (PE) teve o valor 0,78, para a variável renda (Y) teve o valor 9,99, a variável de preço de eletrodomésticos (W) obteve um “t” calculado de 1,59 e o termo de ajuste de autocorrelação AR(1) apresentou um “t” calculado de 3,32.
* Os valores entre parênteses referem-se ao Teste “t”; 9 Preço da tarifa energia elétrica para a classe residencial; 10
Renda;
11 Preço de eletrodomésticos; 12 Termo de ajuste de autocorrelação.
A estimação do consumo de eletricidade da classe residencial para o país durante o período considerado, com o termo de ajuste de autocorrelação, mostra que a alteração positiva de 1% no preço da eletricidade gerou um aumento na quantidade demandada em torno de 0,1228%. Apesar do aumento da estimativa para a elasticidade de preço, quanto comparada equação estimada anteriormente, a mesma continua inelástica.
O crescimento na renda em 1%, aumenta a quantidade demandada por energia elétrica em 1,3328%, elasticidade de renda que foi pouco inferior da primeira função estimada para o consumo de eletricidade por parte das unidades residenciais do Brasil, mas que manteve o sinal esperado.
Para a variação positiva de 1% no preço de eletrodomésticos, a quantidade de consumo por energia elétrica irá aumentar em torno de 0,4831%. Neste caso, além do valor da estatística do teste “t” não permitir rejeitar a hipótese nula, ainda o sinal do coeficiente estimado é contrário ao esperado, já que um aumento no preço de eletrodomésticos deveria refletir uma queda no consumo de energia elétrica.
A variável AR(1), que corrige a autocorrelação nas variáveis explicativas da função com o pressuposto de que o consumo do período anterior tem influência no consumo do período atual, apresentou na função estimada um valor de 0,3865. O teste de Durbin-Watson foi de 1,95, o que concluiu ter corrigido o problema de autocorrelação apresentado para a função do consumo de energia elétrica da classe residencial estimada anteriormente.