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2.10 Terceiro Setor

2.10.5 Contabilidade aplicada ao Terceiro Setor

A contabilidade “concentra as informações de toda a movimentação financeira e patrimonial da empresa, o que permite aos seus gestores uma melhor visualização do negócio para a tomada de decisões.” (MORAIS; TEIXEIRA, 2017, p. 4). Desta maneira, assume um papel de grande relevância na gestão estratégica do terceiro setor.

Em consonância, “a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis têm como propósito a representação da estrutura e posição patrimonial, financeira e do desempenho financeiro de uma entidade." (SLOMSKI, et al. 2012, p.12).

Enfatizando assim, a gama de informações que são fornecidas aos responsáveis pela governança da instituição.

Destarte, as entidades sem fins lucrativos devem adotar as Normas Brasileiras de Contabilidades específicas ao Terceiro Setor, como a Interpretação Técnica Geral (ITG) 2002 (R1) e a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica Geral (NBC TG) 07 (R2). Como possuem características distintas das empresas com caráter lucrativo, as normas trazem terminologias adequadas ao setor a fim de proporcionar a adequação as Normas Internacionais de Contabilidade e gerar maior transparência às demonstrações contábeis.

A NBC TG 07, item 1, dispõe que sua aplicação consiste “na contabilização e na divulgação de subvenção governamental e na divulgação de outras formas de assistência governamental.” (CFC, 2017, p.1). De maneira técnica esse normativo trata da Subvenção e da Assistência Governamentais no âmbito contábil e foi aprovada em 2010 com a resolução n.º 1.305/2010 do CFC.

De maneira complementar, em 2012, o CFC, com o intuito de consolidar e integrar as resoluções e normas que tratavam das entidades de interesse social, aprovou a ITG 2002 – Entidades Sem Finalidade de Lucros. Esse normativo esclarece os procedimentos contábeis específicos do Terceiro Setor de maneira convergente às Normas Internacionais de Contabilidade.

Conforme o CFC (2015a), a ITG 2002 definiu critérios para as entidades sem fins lucrativos no que tange a “procedimentos específicos de avaliação, de reconhecimento das transações e variações patrimoniais, de estruturação das demonstrações contábeis e as informações mínimas a serem divulgadas em notas

explicativas.” (CFC, 2015, p.1). Sendo uma instrução que inovou e respaldou as práticas contábeis gerais do setor.

Nesse sentido, a ITG 2002, art.22, institui ainda que as entidades sem finalidade de lucros são obrigadas a elaborar as seguintes demonstrações: Balanço Patrimonial; Demonstração do Resultado do Período; Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido; Demonstração dos Fluxos de Caixa e Notas Explicativas.

Slomski et al. (2012) sugere a adoção de uma contabilidade orçamentária para que haja uma visão matricial dos resultados. Essa visão permite que dirigentes acompanhem, avaliem e evidenciem os desempenhos dos projetos e das atividades, durante a sua execução e não somente no seu encerramento, proporcionando uma tomada de decisões mais assertiva.

Por conseguinte, Alves, Bonho (2019), destacam que a importância da contabilidade para o terceiro setor envolve a transparência para que a população possa visualizar o trabalho que é desenvolvido pelas instituições sem fins lucrativos.

Deste modo, acreditam que haverá mais confiabilidade e credibilidade por parte da sociedade, o que poderá impactar na sua visibilidade e arrecadação de recursos.

3 CARACTERIZAÇÃO DA ENTIDADE ANALISADA

Conforme mencionado no capítulo introdutório, o objetivo norteador deste trabalho consiste em desenvolver um sistema para apuração de custos de projetos realizados pela Associação Junior Achievement de Minas Gerais.

Com base em análise de documentos internos e entrevista realizada com a Gerente Geral da Associação, Brenda Santos, é apresentado um breve histórico da Associação, a forma de atuação e parcerias, organograma, operações e projetos desenvolvidos.

Há seis anos Brenda iniciou sua trajetória na JA com um contrato temporário como Assistente de Projetos. Ao fim do período surgiu uma oportunidade de continuar na organização, assumindo em 2018 o cargo de Gerente Geral.

3.1 Associação Junior Achievement de Minas Gerais: breve histórico

A Associação Junior Achievement de Minas Gerais, mais conhecida como JA Minas Gerais, é uma organização sem fins lucrativos, fundada em agosto de 2003 e atua com assistência social, empreendedorismo e preparação para o mercado de trabalho.

A organização faz parte da rede Junior Achievement, iniciada em 1919, nos Estados Unidos estando presente em mais de 120 países, e em todos os estados do Brasil. Em Minas Gerais, já beneficiou cerca de 273 mil pessoas e capacitou mais de 15 mil voluntários.

A JA Minas Gerais tem como objetivo o impacto positivo na vida das pessoas – crianças, adolescentes, jovens e mulheres – em situação de vulnerabilidade ou risco social e econômico, por meio do desenvolvimento de ações articuladas entre as instituições de ensino, as empresas parceiras, a sociedade civil e instituições públicas.

A Associação tem como missão mobilizar a sociedade em prol do empreendedorismo, transformando jovens em profissionais inovadores e conscientes de seu papel social, capazes de causar micro revoluções e propagar o espírito empreendedor. Para tanto, possui como valores principais a ética, a paixão, o protagonismo, o trabalho em equipe, a inovação, a iniciativa e a superação.

Sua filosofia “A Vida é um Caminho, não um Destino e Você é o Arquiteto do seu Caminho” reflete sua crença na potencialidade do ser humano e nas suas ações

de incentivo aos jovens para que adotem responsabilidades pelos próprios destinos.

Demonstra ainda, o estímulo para a determinação das metas pessoais, da coragem para correr riscos, perseverar e confiar em si mesmos.

A estrutura organizacional da alta administração é constituída por três Conselhos: Conselho Diretor, Consultivo e Fiscal. Os conselhos validam as diretrizes anuais para a organização, do mesmo modo que verificam o planejamento e orçamentos previstos.

De acordo com o Estatuto Social da organização, a Diretoria é o órgão de gestão da Associação e a ela compete, entre outras funções, cumprir e fazer cumprir o Estatuto Social;prospectar e assegurar a permanência de empresas conselheiras mantenedoras, conforme a necessidade da Associação Junior Achievement de Minas Gerais, e manter registros de contabilidade com auditoria anual.

O Conselho Consultivo é órgão de condução e implementação de atividades campanhas e projetos da Associação. A ele compete principalmente deliberar sobre os planos, projetos e diretrizes da associação apresentados pela Diretoria; deliberar sobre o orçamento anual da associação proposto pela Diretoria; e convocar a Assembleia Geral.

Ao conselho Fiscal, órgão de fiscalização permanente, compete opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil e acompanhar o trabalho de eventuais auditores externos independentes.

Na avaliação da Gerente Geral, a estrutura organizacional é eficiente e os conselheiros assumem um papel relevante ao apoiar a missão da organização de impactar milhares de jovens por ano. Os conselheiros são os responsáveis por abrirem os caminhos para que a instituição capte novos parceiros.

FIGURA 01 – Organograma Junior Achievement Minas Gerais

Fonte: Elaboração Própria (2020)

Internamente a Gerência Geral controla uma equipe composta pela área financeira, de recursos humanos, de projetos e de comunicação. A gestão possui características de forte liderança participativa e colaborativa, contribuindo para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos colaboradores, ao passo que oferece a autonomia e liberdade para o desempenho das respectivas funções. Mensalmente são realizadas reuniões de alinhamento e feedback entre a equipe.

Outro recurso importante para a JA são seus voluntários, eles são os responsáveis por replicarem os conteúdos para os participantes e conduzir as aulas.

A atuação deles em horas varia de acordo com o programa escolhido e todos recebem uma capacitação antes de atuarem no projeto.

A instituição desenvolve suas atividades administrativas em um espaço cedido por um dos seus mantenedores que conta com uma sala e 14 estações de trabalho, no qual faz toda a gestão dos programas. A associação localiza-se na Avenida João Pinheiro, n. 495, 7º andar, Bairro Centro, na cidade de Belo Horizonte. Em paralelo,

executa seus projetos nas instituições de ensino parceiras, escolas públicas e comunidades, em mais de 52 municípios do Estado de Minas Gerais.

3.2 Áreas e Operação

3.2.1 Projetos

Atualmente a JA Minas Gerais possui um portfólio 37 programas que podem ser classificados de acordo com a sua temática principal: 14 na área de Empreendedorismo; 11 na área de Preparação para o Mercado de Trabalho 3 na área de Educação Financeira; e, 9 no formato digital.

QUADRO 01 – Portfólio de Projetos - Junior Achievement Minas Gerais (continua)

Introdução ao Mundo dos Negócios (IMN) JA Startapp

QUADRO 01 – Portfólio de Projetos - Junior Achievement Minas Gerais

As Vantagens de permanecer na Escola (VPE) Conectado com o Amanhã (CCA)

Empresário Sombra Por Um Dia Gestão de Projetos - Habilidades para a Vida

(GPHV)

Habilidades para o Sucesso (HPS) Introdução ao Mundo dos Negócios (IMN)

Meu Robô (MR)

Introdução ao Mundo dos Negócios – EAD Vamos Falar de Ética – EAD

Fonte: Elaboração Própria (2020)

Em meio à pandemia do novo Corona Vírus a entidade se reinventou e além de desenvolver um novo projeto totalmente digital, adaptou para o formato virtual, outros cinco projetos. Anteriormente, já vislumbrando uma tendência de mercado e a necessidade de levar para mais longe a sua atuação, a JA havia desenvolvido três projetos para a aplicação no modelo de Ensino à Distância.

3.2.1.1 Funcionamento Geral

Os programas de educação empreendedora foram estruturados com planos de aulas já desenhados de forma dinâmica e lúdica, os quais os participantes

aprendem na prática a realidade do mundo o trabalho e de como enfrentar os cenários socioeconômicos local e global por meio de discussões orientadas, exercícios práticos e atividades em grupo. Através do método “Aprender-fazendo”, ou seja, teórico-prático, incentiva-se os jovens a adotarem responsabilidade pelos próprios destinos, determinação de objetivos específicos, realistas e ambiciosos, atuação na busca das metas, coragem para correr riscos, perseverança e confiança em si próprios.

O material didático e a metodologia utilizada nos programas executados junto aos participantes são primordiais para despertá-los em sua capacidade de planejamento estratégico, ultrapassar desafios, incentivando e estimulando o alcance da autonomia e protagonismo social. De modo direto ou de maneira transversal são trabalhados a redução do estigma, o empoderamento, as melhorias na qualidade de vida e a participação social.

O monitoramento dos assistidos se dá pela utilização de instrumentais (frequência, registro fotográficos, e relatórios de impactos na finalização das ações) adotados no processo de acompanhamento e execução de cada programa.

A avaliação é realizada referente à evolução dos beneficiários a partir das ações executadas, sendo uma importante estratégia para o alcance das metas estabelecidas, bem como para planejamento futuro. Utiliza-se como instrumental o pré-teste, pós-teste e grupo focal, sendo aplicados no início do projeto e ao final. Para tanto utiliza-se técnicas de entrevistas e observação do participante, com depoimentos de alguns beneficiários de cada programa, no qual pode-se identificar e mensurar os impactos positivos que as ações proporcionaram aos assistidos na sua formação cidadã.

3.2.2 Fluxo Operacional

O processo se inicia com a captação de recursos feita pela gerente geral. Ela negocia os projetos, valores e quantidade de participantes a serem atendidos. Logo após, o gerente de operações define o cronograma e repassa ao analista responsável pela gestão do projeto, que entra em contato com o ponto focal da empresa. A área financeira faz a gestão do contrato, a programação de custos e emissão de fatura, e a comunicação produz as peças gráficas e cria as campanhas correlatas. Ao longo do projeto os resultados são analisados de maneira preventiva, a fim de cumprir com o previsto.

FIGURA 02 – Fluxo Operacional Junior Achievement Minas Gerais

Fonte: Elaboração Própria (2020)

A partir do fortalecimento da responsabilidade social dentro das empresas, os parceiros buscam iniciativas que estejam alinhadas com a cultura e indicadores internos adotados por ela. Assim, a JA conta com parceiros que acreditam na sua causa, fomentam a capacitação de jovens para uma economia global e contribuem para o crescimento e perenidade da organização.

O trabalho realizado também tem forte ligação com o setor público e com a comunidade, pois a organização desenvolve políticas públicas de assistência social e melhorias na educação do estado. Atualmente, existem projetos com a Prefeitura de Belo Horizonte, através do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente.

O fornecedor de material didático é o mais significativo, trata-se de uma gráfica específica em São Paulo que distribui para todas as unidades do Brasil. Dentro de Minas Gerais, há uma transportadora que oferece gratuitamente o transporte do material didático para os municípios atendidos pela JA, facilitando a logística dos projetos.

Projeto Negociado

PROJETOS:

Definição de Cronograma e contato com Ponto

Focal

ADMINISTRATIVO/

FINANCEIRO Gestão de Contrato

e Emissão de Fatura COMUNICAÇÃO:

Divulgação da parceria e dos

projetos

3.2.3 Finanças e Recursos Humanos

A área de finanças se correlaciona com a área de recursos humanos, ao passo que é designado uma pessoa para gerir ambos departamentos. Há um acompanhamento contínuo sobre a sustentabilidade financeira da instituição, com a criação e manutenção de reservas financeiras que foram constituídas para garantir a continuidade operacional em caso de perda de mantenedores e parceiros.

É feita uma prestação de contas periódica aos conselheiros demonstrando todos os desembolsos e recebimentos do período. Faz-se necessária também, a prestação de contas mensal à Prefeitura de Belo Horizonte, órgão com quem a JA possui parcerias para executar seus projetos. O controle interno é feito através de planilhas de Excel, pois não há sistema informatizado e integrado.

A precificação é estabelecida mediante o programa escolhido pelo parceiro, a quantidade de turmas, o valor da hora de gestão da equipe alocada, deslocamento, alimentação e hospedagem quando executados fora de Belo Horizonte e Região Metropolitana.

A contabilidade é terceirizada e os serviços são prestados sem ônus financeiros para a JA. Ela é responsável por todos os lançamentos enviados pelo setor financeiro (pagamentos, notas fiscais), além de cumprir com o envio das obrigações acessórias.

Os balancetes são enviados trimestralmente para conferência e ajuste, se necessário.

Também é responsabilidade da contabilidade gerar a Folha de Pagamentos com base na prévia enviada pelo setor de recursos humanos. Quando gerada, é feita a conferência e posteriormente paga no último dia útil de cada mês.

O setor de Recursos Humanos da JA também é responsável por conduzir as admissões e rescisões; promover dinâmicas entre a equipe em datas comemorativas, fazer o controle de ponto e gerenciar o banco de horas dos colaboradores, programando férias e compensações.

3.2.4 Área de Comunicação

A área de comunicação é responsável por desenvolver campanhas de divulgação, assessoria de imprensa, estratégias da comunicação, criação de artes e gestão das redes sociais, além, de fazer a comunicação interna.

Três públicos externos são prioritários para a comunicação: escolas, englobando diretores, alunos e professores; empresas, com foco nos presidentes e nos setores de responsabilidade social e comunicação e; voluntários, sendo eles corporativos ou da comunidade em geral.

3.3 Análise mercadológica

Visando uma maior compreensão da organização analisada, foram levantados os pontos fortes e fracos, as oportunidades e as fraquezas da JA Minas Gerais, sistematizando em uma matriz conhecida como SWOT.

Verifica-se que a proposta deste trabalho atua em consonância para a resolução do primeiro ponto fraco listado: a dificuldade na apuração de resultado por projeto.

FIGURA 03 – Análise da situação atual da instituição baseada na matriz SWOT

Fonte: Elaboração Própria (2020)

Nessa análise, destaca-se como oportunidade o fato dos programas da JA estarem preparados e totalmente ligados com as demandas atuais do setor da educação. Exemplos disso são: o desenvolvimento das competências da Base Nacional Comum Curricular; a apresentação das áreas do conhecimento em alta no mercado – STEM: ciência, tecnologia, engenharia e matemática; e a abordagem dos

PONTOS FORTES PONTOS FRACOS

Metodologia Própria e Estruturada; Dificuldade na Apuração de resultado por projeto;

Expertise na aplicação de projetos; Falta de Políticas/ Regimentos internos;

Imagem institucional preservada; Falta de uma comunicação eficaz e estratégica;

Rede de voluntariado consolidada; Marca pouco difundida;

Equipe dedicada e multidisciplinar; Limitação de recursos;

Capacidade de adaptação e reinvenção; Parcerias frágeis;

Capacidade de resolução de problemas; Equipe reduzida;

Diversificação de Projetos; Espaço físico insuficiente;

Parceiros que acreditam na causa; Falta de um sistema financeiro integrado;

Demonstrações Financeiras Auditadas anualmente Falta de processos definidos;

Impacto dos projetos; Ações pouco planejadas;

Conselheiros influentes. Poucas frentes de captação de recursos;

OPORTUNIDADES AMEAÇAS

Base Nacional Comum Curricular; Evasão escolar;

ODS da ONU; Crise econômica;

Educação pública deficiente; Falta de diretrizes comuns entre a rede;

Projetos de Inovação e Robótica; Grande extensão territorial do Estado.

Projetos de preparação para o mercado de trabalho.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) em seus conteúdos, principalmente as de número 4 (educação de qualidade) e 8 (trabalho decente e crescimento econômico).

Além disso, estão alinhados com as demandas do mercado e das empresas por profissionais mais qualificados não só quanto suas habilidades técnicas, mas também quanto suas habilidades socioemocionais. Seus projetos trabalham as 10 competências definidas pelo Fórum Econômico Mundial como essenciais para qualquer profissional a partir 2020, Pati (2016) as elencam: Resolução de problemas complexos; Pensamento Crítico; Criatividade; Gestão de pessoas; Coordenação;

Inteligência Emocional; Capacidade de julgamento e de tomada de decisões;

Orientação para servir; Negociação e, Flexibilidade cognitiva.

No entanto, a organização enfrenta atualmente a problemática da evasão escolar crescente no país, o desinteresse por parte dos alunos e descrença sobre o poder da educação. Já foi vivenciado pela associação salas de aula vazias, falta de sinergia entre o corpo docente da escola e resistência dos mesmos para receber conteúdos inovadores, fora da grade curricular tradicional do ensino. Além disso, também há uma luta contra os mitos do empreendedorismo, ainda mal visto por muitos da sociedade, pois acreditam se tratar apenas de abrir empresas, contudo, refere-se também, a motivar e despertar as pessoas a aprenderem a empreender a própria carreira, gerando impactos e transformando vidas.

4 ESTUDO DE CASO E APLICAÇÃO PRÁTICA

Considerando os dados apresentados no capítulo anterior, foi desenvolvido um modelo de custos para a JA Minas Gerais baseado no método de custeio por absorção em decorrência dos seguintes fatores:

a) a entidade é uma ONG de pequeno porte para efeito de faturamento1, e suas operações envolvem atividades de baixa complexidade para apuração de custos;

b) a utilização desse método de custeio facilita a integração com a contabilidade financeira sem provocar distorções nos custos finais dos projetos e;

c) o plano de contas existente possibilita separar os custos e despesas diretas por projetos.

A sistemática proposta para apuração de custos pode ser visualizada no fluxo de custos a seguir:

FIGURA 04 – Fluxo para Apuração dos Custos dos Projetos

Fonte: Elaboração Própria (2020)

Devido à ausência de um sistema financeiro integrado, a sistemática será aplicada através de uma planilha de Excel desenvolvida para esta finalidade. Assim,

1 Considera-se empresa de pequeno porte para efeitos do SIMPLES Nacional àquela com faturamento bruto anual entre R$360,1 mil até R$4,8 milhões de reais.

Despesas Fundo de

no decorrer deste capítulo serão explicitadas as etapas a seguir, fundamentais para a consolidação das informações e compreensão da instituição pesquisada.

FIGURA 05 – Etapas para desenvolvimento da sistemática proposta

Fonte: Elaboração Própria (2020)

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