2 Revisão de Literatura
2.2 Tratamento da má oclusão de Classe II, 1ª divisão com o Bionator de Balters
2.2.8 Contenção e estabilidade do tratamento com o Bionator
O estudo da recidiva da sobremordida e da sobressaliência após o tratamento da Classe II, 1ª divisão com o Ativador realizado por Pancherz, em 1977, mostrou que essa recidiva poderia ser uma recuperação fisiológica da condição original do paciente e que algumas explicações parciais para este problema seriam métodos impróprios de tratamento, contenções insuficientes, alterações desfavoráveis de crescimento após o tratamento e persistência de hábitos de interposição lingual. Entretanto, a interceptação no desenvolvimento maxilomandibular desfavorável com a consequente normalização das condições oclusal e muscular podem influenciar favoravelmente o padrão de crescimento, tanto da maxila quanto da mandíbula no período pós-tratamento, de acordo com Wieslander e Lagerstrom em 1979.
Para minimizar ou evitar que ocorra essa recidiva, torna-se de suma importância a utilização de contenções após o tratamento ortopédico funcional. Assim, Graber e Neumann (1984, 1987) recomendam que, após o tratamento com o Bionator, o mesmo aparelho seja utilizado somente durante a noite como contenção. O período de contenção pode variar de 6 meses a 1 ano, ou mais. O aparelho passa a ser utilizado, gradualmente, por menos tempo à noite e menos vezes. O paciente deverá ser instruído a usar novamente o aparelho com mais frequência se, depois
76 Revisão de Literatura
de certo intervalo, houver tensão muscular ao ser inserido o aparelho (GRABER; NEUMANN, 1984, 1987).
Outro protocolo de contenção após a terapia com o Bionator foi utilizado por Henriques et al. em 1991 e 1997. Refere-se à utilização do aparelho extrabucal tipo Kloehn, durante 12 horas por dia, juntamente com o aparelho fixo (durante a 2ª fase do tratamento combinado ortopédico-ortodôntico), com o objetivo de conter o deslocamento anterior da maxila e aprimorar a relação molar de Classe I. Após a conclusão da 2ª fase do tratamento, instalou-se uma placa de Hawley superior e um arco lingual colado de canino a canino no arco inferior (3x3).
Pesquisando os fatores que podem levar à recidiva da correção da sobressaliência por meio de aparelhos funcionais, Drage e Hunt (1990) compararam cefalometricamente as alterações do tratamento e pós-tratamento entre jovens tratados com Ativador ou Bionator e jovens não tratados (grupo controle). Os autores concluíram que a redução da sobressaliência ocorreu, principalmente, em decorrência de alterações dentoalveolares. As alterações das inclinações dos incisivos superiores para vestibular e em menor grau dos incisivos inferiores para lingual contribuíram para a recidiva da sobressaliência. Não houve evidências de que um padrão de crescimento vertical pudesse influenciar a recidiva. Observou-se que os jovens que sofreram uma grande redução da sobressaliência durante o tratamento apresentaram maior recidiva. Embora a inclinação vestibular dos incisivos superiores após o tratamento tenha se associado com a quantidade de inclinação para lingual desses dentes durante o tratamento, não se verificou nenhuma relação entre as alterações do tratamento e pós-tratamento na inclinação dos incisivos inferiores.
Em 1991, DeVincenzo analisou as alterações no comprimento mandibular antes, após a correção da má oclusão de Classe II, por meio de um aparelho ortopédico funcional, seguido do tratamento com aparelho ortodôntico fixo e após um período de contenção e observação. Os resultados revelaram um aumento inicial marcante no comprimento mandibular durante a fase ortopédica. No entanto, durante a fase ortodôntica a velocidade de crescimento mandibular diminuiu significantemente em relação aos pacientes do grupo controle (não tratados). A quantidade de crescimento no comprimento mandibular, desde a instalação do aparelho até o período de observação final, permaneceu similar entre os grupos tratado e controle. O autor concluiu que o comprimento mandibular aumenta de
Revisão de Literatura 77
modo significante até 2 anos após o final do tratamento; porém, não ocorrem diferenças significantes em relação a jovens não tratados após o quarto ano.
Keeling et al. (1998) propuseram-se a avaliar se as alterações proporcionadas pela terapia ortopédica funcional se perpetuam com o crescimento normal posterior, se ocorre recidiva, a natureza da mesma (dentária ou esquelética), e se a contenção entre as fases de tratamento (ortopédica e ortodôntica) é necessária. Os autores avaliaram 70 jovens com má oclusão de Classe II tratados com o Bionator, nas fases pré-tratamento, pós-tratamento, pós-contenção e controle de 6 meses após a remoção da contenção. Concluíram que o crescimento facial é alterado pelo tratamento, e que o tempo de contenção de 6 meses não influenciou as alterações obtidas. A recidiva observada no período de 6 meses após a remoção da contenção foi de origem dentária. Assim, ressaltaram a importância do Ortodontista estar ciente de que a contenção é necessária para prevenir recidivas dentárias, mas não esqueléticas.
Enfim, observa-se que a literatura é vasta em relação aos efeitos imediatos da terapia com o Bionator, revelando resultados animadores. No entanto, verifica-se a escassez de estudos com relação à estabilidade em longo prazo desses efeitos. Como a estabilidade é essencial para se determinar o sucesso do tratamento, este trabalho visou verificar o comportamento desses efeitos em longo prazo, considerando o crescimento e desenvolvimento craniofacial e os efeitos provocados durante o tratamento.
Proposição 81
3 PROPOSIÇÃO
Este trabalho teve o propósito de avaliar cefalometricamente e, por meio de modelos de estudo, a estabilidade das alterações dentárias, esqueléticas e tegumentares de 23 jovens com má oclusão de Classe II, 1ª divisão, tratados, na clínica de pós-graduação da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, por meio do aparelho Bionator de Balters, associado ao aparelho ortodôntico fixo, após um período médio de 10 anos.
As áreas verificadas com relação às alterações dentárias, esqueléticas e tegumentares foram:
3.1 Componente maxilar; 3.2 Componente mandibular; 3.3 Relação maxilomandibular; 3.4 Padrão facial;
3.5 Componente dentoalveolar superior; 3.6 Componente dentoalveolar inferior; 3.7 Relações dentárias;
3.8 Tecidos moles e, 3.9 Índice oclusal.