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2 CO-DESIGN COM MORADORES DE BAIXA RENDA

2.4 FERRAMENTAS PARTICIPATIVAS

2.4.8 CONTEXTMAPPING

2.4.8.1 Definição

A ferramenta Contextmapping consiste na avaliação e mapeamento de todos os fatores que influenciam a experiência de uso de produtos e serviços, esta experiência de uso depende de uma variedade de fatores do ambiente que cerca este usuário (VISSER et al., 2005).

O concetxtmapping é uma abordagem onde o usuário é colocado ao centro do processo de design como especialista de suas experiências com produtos e serviços (DELFT, 2014). O usuário pode desenvolver diferentes atividades, com suporte do designer ou pesquisador, que o levem a demonstrar o “contexto” de uso de produtos ou serviços e seu comportamento em diferentes situações.

Estudar o contexto de uso de produtos e serviços faz com que o designer ganhe empatia sobre este usuário, tornando-o capaz a desenvolver conceitos próprios sobre ele e evitar o uso de soluções pré-existente sobre este usuário e sobre seus produtos, capacitando-o a desenvolvendo conceitos inovadores (VISSER et al., 2005).

As informações adquiridas com contextmapping devem funcionar como um mapa de orientação para a equipe de design (DELFT, 2014).

Sander e Stapper (2014) destacam o conceito de “Generatives Tools” ou Ferramentas Geradoras, como uma forma do pesquisado expressar aspectos sobre determinada situação de sua vida, como suas preocupações ou alegrias, aspectos de sua residência ou de seu trabalho. As ferramentas geradoras podem ser utilizadas como suporte ao contextmapping, com o uso de colagens, protótipos, conto de histórias, cartões com palavras, entre outras formas que o designer identifique como uma oportunidade do pesquisado se expressar. Os resultados da análise das ferramentas geradoras podem ser a construção de futuros cenários de uso para produtos ou serviços, ou ainda para identificar insights para novos conceitos (SANDERS; STAPPERS, 2014).

2.4.8.2 Aplicações

Identificar os aspectos que influenciam a experiência de uso de um produto, como aspectos sociais, culturais ou físicos (DELFT, 2014).

Construção de uma timeline ao se estudar uma ação específica.

O uso da ferramenta pode produzir uma grande diversidade de resultados como:

insigths19 para projetos específicos, novas estratégias para inovação, novos pontos de vista para segmentação de mercado e desenvolvimento de personas (DELFT, 2014).

2.4.8.3 Protocolo de aplicação

2.4.8.3.1 Antes

Etapas de Preparação:

Elaboração do roteiro: Definição dos objetivos, do tema e planejamento das atividades que serão executadas. No desenrolar da reunião podem ser usadas diferentes atividades para interação com o pesquisado (STAPPERS; SANDERS, 2004), as tarefas podem ser executadas individualmente ou em grupo, conforme a

19 Insigths – Insights são revelações, coisas inesperadas que nos fazem prestar atenção, extrapolam histórias individuais para verdades mais abrangentes, nos permitem ver o desafio estratégico sob outra luz (IDEO, 2009).

necessidade da pesquisa, conforme situações onde um pesquisado pode ou não influenciar o outro, ou ainda, conforme situações constrangedoras sejam abordas.

A fase de preparação é importante ser realizada com antecedência, pois pode se tornar difícil encontrar participantes, uma data favorável a todos, um local e tempo adequado para desenvolver as atividades necessárias (VISSER et al., 2005).

Sensibilização - Para um maior entendimento e aproximação do público alvo, antes da sessão, o pesquisador pode usar técnicas de sensibilização sobre o tema. Solicitar ao pesquisado tarefas que o ajude a observar suas vidas e refletir sobre a temática em questão (DELFT, 2014). A sensibilização pode ocorrer pelo período de uma a duas semanas, e funciona preparando melhor o participante para acessar suas experiências e melhor se expressar durante a aplicação da ferramenta (VISSER et al., 2005). A qualidade e a quantidade de informações adquiridas na reunião podem variar conforme a profundidade da fase de sensibilização (VISSER et al., 2005).

Seleção da equipe: A equipe pode ser composta por um facilitador e um redator no mínimo (STAPPERS; SLEESWIJK-VISSER; KELLER, 2004).

Seleção dos participantes: Para atividade em grupo pode-se ter uma visão mais global do contexto de varias experiências e um número maior de informação, recomenda-se quatro a seis pesquisados, mas sem a devida moderação pode haver influência no grupo por parte de algum participante (VISSER et al., 2005).

Selecionar participantes com perfis diferentes, pois quem utiliza um produto hoje pode não utilizar este produto no futuro (VISSER et al., 2005).

2.4.8.3.2 Durante desenvolvidas durante a fase de Sensibilização pode funcionar para esta aproximação (VISSER et al., 2005).

Desenrolar da atividade: Durante a reunião, são desenvolvidas diferentes atividades, de modo a registrar sentimentos e expressões dos participantes a

cerca do tema, recomenda-se executar mais de uma atividade (DELFT, 2014). O participante recebe instruções, que com o auxilio de materiais de estimulo e apoio, pode criar artefatos, expressar seus sentimentos, suas ideias e pensamentos; ou expressar as suas experiências para todos os participantes (VISSER et al., 2005).

Com um número de exercícios já executados, os participantes podem apresentar ao grupo os resultado e discutir sobre eles, gerando mais informações que não somente na confecção do “artefato” (VISSER et al., 2005)

Conduta do facilitador: Durante a sessão, o facilitador pode realizar perguntas provocativas como: “como você se sente sobre isto?” ou “o que isto significa para você?”. As respostas e as impressões dos pesquisadores devem ser transcritas imediatamente (DELFT, 2014), seu papel é de facilitar a interação dos pesquisados e observar o que está sendo produzido e discutido (STAPPERS;

SLEESWIJK-VISSER; KELLER, 2004).

Registro do evento: Para que a atividade possa ser reavaliada se faz necessário o registro de áudio e vídeo (DELFT, 2014; STAPPERS; SLEESWIJK-VISSER;

KELLER, 2004).

2.4.8.3.3 Após

Etapas de finalização:

Análise: Os resultados obtidos com o desenrolar das atividades podem ser desde artefatos desenvolvidos pelos participantes, as histórias, anedotas ou colagens relacionadas ao tópico abordado. Os resultados alcançados não são destinados a dar suporte a hipóteses já existentes, mas podem direcionar novos rumos ao explorar seu contexto, e assim, ampliar a visão da equipe de pesquisadores (VISSER et al., 2005). Os resultados não respondem a uma pergunta de pesquisa, mas podem servir para construir mapas de direcionamentos que indicam zonas de interesse e suas diferentes conexões (STAPPERS;

SLEESWIJK-VISSER; KELLER, 2004).

Comunicação: A forma com que o resultado deve chegar para a equipe de design deve ser de fácil assimilação, para isto recomenda-se o uso de técnicas mais interativas como wokshops, personagens, imagens, vídeos ou cartões para uma melhor compreensão da equipe de designer, deixando relatórios escritos para a documentação final destes resultados (VISSER et al., 2005). Na

comunicação com a equipe de design, os pesquisados podem participar para haver uma interação e confirmação do que foi discutido com a atividade (STAPPERS; SLEESWIJK-VISSER; KELLER, 2004).

Feedback: O retorno com os resultados aos pesquisados pode servir como uma ferramenta de suporte a criação, com uma nova interação para aprimorar em detalhes os conceitos gerados sob novos olhares (DELFT, 2014).

2.4.8.4 Vantagens

Diferentes pontos de vista são considerados com a análise do contexto do pesquisado e ao explorar suas experiências e sentimentos.

A ferramenta pode ser usada com diferentes técnicas para aquisição de dados, P.Steppers e E. Sanders (2004) destacam o pesquisado ao desenvolver artefatos para expressar sua experiência em casa (passado, presente e o ideal), e apresentam os resultados aos demais participantes para discussão (STAPPERS; SANDERS, 2004).

2.4.8.5 Limitações

O planejamento das atividades, desenvolvimento das atividades e a análise dos resultados pode não ser um trabalho fácil de ser executado, designer e pesquisadores necessitam ter objetivos claros para avaliar o grande número de informações geradas (STAPPERS; SLEESWIJK-VISSER; KELLER, 2004)

A atividade sendo executada individualmente pode intimidar o pesquisado, como em um teste psicológico para avaliar seus sentimentos, necessidades e experiências (VISSER et al., 2005).

A atividade executada em grupo pode ter um número maior de informação, mas sem a devida moderação pode haver influência no grupo (VISSER et al., 2005).