2. Contexto da pesquisa
2.4. Contexto do curso
A minha proposta pedagógica foi oferecer aos alunos um curso extracurricular de ILE onde eles aprenderiam a língua alvo por meio do uso de computares. O título “Making
friends on-line”11 deixou claro seu objetivo: conhecer amigos de outro país por meio da troca de e-mails escritos na língua inglesa, no caso dessa pesquisa, estudantes poloneses. Para isso, os alunos deveriam ser capazes de escrever e ler e-mails simples de apresentação pessoal na língua alvo, ou seja, contendo informações como nome, idade, local onde mora, família, animais de estimação, etc.
Portanto, a aprendizagem da língua ocorreu por meio de atividades de recepção e produção textual on-line que foram gerenciadas e disponibilizadas por meio do TelEduc. Os alunos tiveram como material de apoio dicionários, tradutores e outras fontes de referência
on-line, além de minidicionários bilíngües que os próprios alunos trouxeram de casa.
A interação entre os alunos e o professor ocorreu por meio de mensagens de texto instantâneas (Messenger) e e-mails (Hotmail). Apesar do uso de ferramentas de comunicação características de cursos à distância, este não foi o caráter do curso “Making
friends on-line”, uma vez que o professor também esteve presente no laboratório de informática oferecendo ajuda presencial caso necessário. Minha presença, contudo, ficou restrita a um canto do laboratório de informática, em frente ao meu computador, onde eu procurei me manter mais distante dos alunos.
Como professor, a minha expectativa de longo prazo também foi preparar meus alunos para futuras situações de aprendizagem on-line à distância que eles porventura viessem a enfrentar na universidade ou no trabalho. Tal expectativa justificou minha decisão de mesclar as duas modalidades de ensino: presencial (minha permanência em sala de aula) e à distância (o uso do computador como canal de interação).
Por fim, todos os meus esforços e componentes do curso (uso de computadores, atividades e abordagem) estiveram voltados para o desenvolvimento de alunos mais autônomos para a aprendizagem da língua. A palavra “autonomia”, porém, em nenhum momento foi mencionada aos alunos, mesmo tendo desempenhado um papel central na pesquisa. Durante a apresentação do curso, procurei enfatizar termos como “aprender a língua inglesa”, “usar o computador” e “e-mail”.
Por fim, devo esclarecer que houve diferenças significativas entre os três grupos de alunos relacionadas à carga horária, às atividades pedagógicas e aos instrumentos utilizados.
- CAPÍTULO 3 -
3. MetodologiaA metodologia da pesquisa englobou três questões importantes: como os alunos foram selecionados, como os dados foram coletados e, finalmente, como os dados foram analisados. Além disso, a metodologia foi orientada de acordo com o objetivo da pesquisa. Na seqüência, apresento o objetivo e a pergunta de pesquisa, além de responder a cada uma das três questões metodológicas.
3.1. Objetivo e pergunta de pesquisa
O objetivo da pesquisa é:
“Investigar como aulas mediadas pelo computador podem promover alunos de 5ª série mais autônomos para a aprendizagem de ILE.”
Com base no objetivo acima, a pergunta de pesquisa é:
“O uso do computador em sala de aula ajuda a desenvolver a autonomia dos alunos?”
3.2. Metodologia de seleção dos alunos
Decidi pela 5ª série porque seria a primeira vez que os estudantes estariam aprendendo ILE formal e sistematicamente na escola, o que poderia torná-los mais receptivos a minha proposta de desenvolvimento da autonomia. Entretanto, não descartei a possibilidade de que as aulas de ILE da escola e a experiência anterior dos alunos poderiam influenciar os meus dados.
Além disso, os PCNs (1998) orientam que a aprendizagem de procedimentos e atitudes como meio para a construção da autonomia ocorra desde as séries iniciais. Como ressalva, é importante destacar que os próprios PCNs (op. cit.) avaliam que a intervenção
do professor no estabelecimento de suporte material, intelectual e emocional é maior no início da escolaridade.
Primeiramente, eu apliquei um questionário (ver anexo 1) para todos os alunos presentes em cada uma das três 5ª séries. O objetivo do questionário foi realizar um levantamento do perfil dos alunos. Ele foi aplicado em único dia, geralmente uma ou duas semanas antes do início das aulas do curso. O questionário foi elaborado com base em Gillham (2000) e buscou determinar o grau de familiaridade de cada aluno com o uso de computadores. Com exceção das perguntas de número 1, 2, 3, 4, 5, 7 e 13, cada pergunta tinha uma pontuação específica que variou de 0 até 2 ou 3 pontos. A soma de todas as repostas variou de 0 até 12 pontos, de acordo com as respostas do aluno.
A partir da pontuação do questionário, cada aluno foi classificado de acordo com os seguintes níveis de conhecimento de uso do computador: insuficiente (até 2 pontos), razoável (de 3 até 6 pontos), suficiente (de 7 até 10 pontos) e ótimo (11 ou 12 pontos). Dessa forma, os alunos de uma mesma classe foram divididos em quatro faixas de competência: alunos com conhecimento insuficiente, com conhecimento razoável, com conhecimento suficiente e conhecimento ótimo.
Com essa primeira seleção em faixas de “competência”, foi mais fácil equilibrar o nível de conhecimento de cada grupo, pois eu procurei selecionar alunos “mais competentes” e “menos competentes” na mesma proporção. A seleção final dos alunos foi realizada por meio do que chamo de “sorteio controlado”: tendo a minha frente quatro “pilhas” de questionários, cada “pilha” representando um nível de conhecimento diferente, sorteei o mesmo número de questionários de cada pilha.
Acontece que o número de alunos com conhecimento razoável ou suficiente sempre fora superior ao número de alunos das faixas insuficiente e ótimo. Apenas uma aluna do grupo G2, por exemplo, atingiu o nível ótimo de conhecimento e, devido à importância de investigar seu desempenho em relação aos alunos “menos competentes”, ela foi automaticamente selecionada ao invés de sorteada.
Desse modo, os alunos que atingiram pontuação razoável ou suficiente no questionário tiveram uma probabilidade menor de serem sorteados do que a aluna com pontuação máxima, pois eles pertenciam a um grupo numericamente maior.
Portanto, cada um dos grupos constituídos (G1, G2 e G3) manteve uma homogeneidade de alunos de “competência intermediária”, sendo que apenas o G2 teve uma aluna de “competência máxima”.