4. A INTERNACIONALIZAÇÃO DA UFSC: ESTUDO DE CASO
4.3 O CONTEXTO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR EM SANTA CATARINA: A UFSC
Embora o ensino superior do Estado de Santa Catarina tenha se iniciado com a criação da Faculdade de Direito, em 11 de fevereiro de 1932, organizada como instituto livre e oficializada por Decreto Estadual em 1935, a primeira
instituição catarinense a conceder diplomas de ensino superior foi o Instituto Politécnico de Florianópolis, fundado em 13 de março 1917. Na Faculdade de Direito nasceu a ideia da criação de uma Universidade que reunisse as sete Faculdades isoladas existentes na Capital do Estado, dentre as quais as de Farmácia e Odontologia, Direito e Ciências Econômicas tinham suas raízes no Instituto Politécnico e na Academia de Comércio, uma instituição privada subsidiada pelo governo estadual, que absorveu o Instituto nos anos 1930. A partir da Lei n. 3.849, assinada pelo Presidente Juscelino Kubitscheck no dia 18 de dezembro de 1960, permitindo a criação de instituições federais em diversos estados brasileiros, constitui-se a Universidade de Santa Catarina - USC, já com estatuto pleno de universidade, oferecendo cursos de direito, medicina, farmácia, filosofia, economia, serviços sociais e engenharia industrial. Ainda sem adotar a sigla pela qual se tornaria conhecida nos anos seguintes, englobou, na cidade de Florianópolis, a partir de 1961, as já existentes faculdades de Direito, Filosofia, Ciências Econômicas, Serviço Social, Farmácia e Bioquímica, Odontologia e Medicina. Em paralelo, discutia-se a construção do
campus na ex-fazenda modelo Assis Brasil, localizada no Bairro da Trindade,
doada à União pelo Governo do Estado (Lei 2.664, de 20 de janeiro de 1961) que só foi decidida em 1962.
A solenidade oficial de instalação da nova universidade se daria somente no dia 12 de março de 1962, embora sua oficialização como instituição federal só tenha ocorrido após a assinatura da Lei n. 4.759 de 1965 (CUNHA, 1980), que dispõe sobre a denominação e qualificação das universidades e escolas técnicas federais, quando então passa a utilizar a sigla UFSC, que, ao ser constituída como universidade federal, contou com as seguintes faculdades: Direito, Farmácia e Odontologia, posteriormente separadas, Filosofia, Medicina, Engenharia e Serviço Social, na qualidade de agregada (SILVA, 2000).
Com a já analisada Reforma Universitária, que entre outras mudanças determinou a extinção das cátedras e das faculdades nas universidades brasileiras e a criação do sistema de créditos, do ciclo básico e dos centros, por áreas de conhecimento, divididos em departamentos, a UFSC adquiriu a atual estrutura didática e administrativa, regulamentada pelo Decreto 64.824, de 15 de julho de 1969 que aprova seu Plano de Reestruturação.
Lembremos que, desde os anos 1930, o projeto inicial em Santa Catarina era a criação de uma universidade estadual, o qual se realiza no ano de 1965, com a criação da Universidade para o Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Udesc), pelo Decreto nº 2.802. No ano de 1985 aquela universidade foi reconhecida pelo Conselho Federal de Educação, por meio da Portaria Ministerial nº 893, e hoje é denominada Universidade do Estado de Santa Catarina. Estruturada no modelo multi-campi, seus seis campi têm uma atuação vocacionada para o perfil sócio-econômico e cultural das regiões onde se insere além de promoverem o desenvolvimento dos municípios interligados por seus programas de Educação a Distância, levando sua abrangência a praticamente todo o Estado de Santa Catarina.
Em paralelo, o ensino superior em Santa Catarina ia se constituindo, com a criação, no final dos anos 1960 da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) com o objetivo de oportunizar a educação superior àqueles estudantes sem condições de obter vagas nas instituições mais seletivas ou de custear facilmente uma mudança de domicílio para cumprir seus estudos na capital. Contando em 2011 com 16 IES e 54% das matrículas de ensino superior, sua capacidade média de absorção de estudantes é a maior no estado. No final dos anos 1990, num processo de avanço sem precedentes já iniciado em todas as regiões do país, Santa Catarina seria alcançada pelo crescimento da oferta de educação superior privada que rapidamente se espalhou pelo estado. Finalmente, no ano de 2010 foi criada a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), com sede na cidade catarinense de Chapecó e que congrega as regiões oeste de Santa Catarina, noroeste do Rio Grande do Sul e sudoeste do Paraná. Com sua criação, temos em 2011 o seguinte quadro no que se refere à Educação Superior no Estado: para uma população de aproximadamente seis milhões de habitantes, Santa Catarina possui duas IES federais, dois Institutos Federais de Educação Superior, uma IES estadual, uma Municipal, 14 comunitárias37 e 102 privadas.
No que tange particularmente à UFSC, salienta-se que, de uma área de aproximadamente 18 milhões de metros quadrados, 1.020.769 são de área construída, sendo 595.870 em edificações. A esta área do campus principal
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Instituições públicas não estatais, criadas pela Sociedade Civil e pelo poder público local, sem fins lucrativos.
foram acrescidos dois milhões de metros quadrados representados por manguezais que são utilizados para a pesquisa e preservação de espécies marinhas. Por meio de um convênio com o Ministério da Marinha, a UFSC obteve em 1979 a concessão da Ilha de Anhatomirim, com uma área de 45.000 metros quadrados, onde está instalada a Fortaleza de Santa Cruz e em 1990 o Ministério da Marinha transferiu-lhe a guarda da Fortaleza de Santo Antônio, localizada na Ilha de Ratones Grande. Nestas duas ilhas vêm sendo desenvolvidos trabalhos de pesquisa na área de Aqüicultura e de Mamíferos aquáticos. Em 1992, assume também a Fortaleza de São José da Ponta Grossa ao norte da ilha de Santa Catarina. Nessas três fortalezas, restauradas pela UFSC, com recursos da Fundação Banco do Brasil, vêm sendo desenvolvidos trabalhos de Turismo Educativo com a participação de estudantes universitários.
Seu principal Campus Universitário é integrado por cerca de 30.000 pessoas e dispõe de uma infraestrutura que lhe permite funcionar como uma cidade qualquer. Além de uma Prefeitura responsável por sua administração, possui órgãos de prestação de serviços, hospital, farmácia-escola, Colégio de Aplicação e Núcleo de Desenvolvimento Infantil que atende a educação básica composta pela educação infantil, ensino fundamental e médio, constituindo-se ainda como campo de estágio supervisionado e de pesquisa para alunos e professores da UFSC e de outras instituições públicas. Possui gráfica, biblioteca, creches, centro olímpico, editora, bares e restaurantes, teatro experimental, horto botânico, museu, planetário, observatório astronômico, área de lazer e um Centro de Convivência com agência bancária, serviço de correio e telégrafo, auditório, bar, restaurante, salões de beleza, sala de meios e cooperativa de livros e de material escolar.
Para auxiliar e agilizar seu envolvimento com a comunidade, tanto no que se refere ao poder público municipal, estadual e nacional bem como na cooperação com as empresas estaduais, nacionais e internacionais, conta com a seguinte estrutura de apoio: a Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina (FEESC); a Fundação de Amparo a Pesquisa e Extensão (Fapeu); a Fundação de Ensino e Pesquisa Sócio Econômica (Fepese) e a Fundação Centro Regional de Tecnologia em Informática (Certi).
No ano de 2010 possuía 57 Departamentos e duas Coordenadorias Especiais, os quais integravam 11 Unidades Universitárias. Eram oferecidos 39 Cursos de Graduação com 52 Habilitações nos quais estavam matriculados 22.908 alunos em cursos presenciais e 5.105 nos de Educação a Distância. Oferecia ainda 57 programas de pós-graduação stricto sensu, constituídos por 44 Doutorados e 56 Mestrados, com um total de 5.357 alunos e 88 de pós- graduação latu sensu, com 8.233 alunos. Tais cursos eram oferecidos em sua sede, em Florianópolis e nos novos campi de Joinville, Curitibanos e Araranguá, perfazendo um total de 41.693 alunos.
4.4 A RELEVÂNCIA DAS DECISÕES INSTITUCIONAIS: O DIÁLOGO ENTRE