PARTE II ESTUDO EMPÍRICO
CAPÍTULO 5 – METODOLOGIA 5.1 Posicionamento metodológico
5.2. Contexto da pesquisa e seus participantes
O presente trabalho tem como contexto de investigação o SEE da República de Angola, o qual não surgiu de forma aleatoria, mas fruto de uma escolha intencional, pois, como já se disse, o autor é funcionário do Ministério da Educação colocado no Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação.
Com uma superfície territorial de 1 246 700 km², a República de Angola abrange o território historicamente definido no seguimento da Conferência de Berlim (1884-1885) da qual resultou a partilha do continente africano pelas antigas potências colonizadoras. O país está localizado na Costa Sudoeste de África e encontra-se limitado a Norte pela República Democrática do Congo e pela República do Congo; a Leste pela Zâmbia, a Sul pela Namíbia e a Oeste é banhado pelo Oceano Atlântico.
A República de Angola tem como capital a cidade de Luanda. O território nacional é constituído por 18 províncias, 164 municípios, 518 comunas e 44 distritos urbanos (Lei nº 18/16 de 17 de Outubro, Lei da Divisão Político-Administrativa, Art. 1º e 2º).
No plano da integração regional africana, Angola faz parte de um leque diversificado de organizações que partilham vários tratados e protocolos neste domínio, designadamente, a União Africana (UA), a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o Mercado Comum para África Oriental e Austral (COMESA), a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), a Conferência Internacional da Região dos Grandes-Lagos, dentre outros.
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A língua oficial de Angola é o português, falado predominante nas áreas urbanas, por mais de metade da população (71%). O Umbundu é a segunda língua mais falada no país com 23%, seguindo-se o Kimbundu e o Kikongo com cerca de 8% cada (INE, 2016, p. 51). Porém, existem ainda outras línguas de origem africana, tais como, o Côkwe, o Fiote, o Kwanyama, o Ngangela, o Nhaneca Umbi, sendo esses os grupos etnolinguísticos mais representativos. Desde a conquista efetiva da Paz, em Abril de 2002, a República de Angola tem realizado acentuados progressos em vários domínios estruturais de intervenção educativa, evidenciando uma subida nas taxas de crescimento nos diferentes níveis, modalidades e subsistemas de ensino.
Em Angola, o Ministério da Educação (MED) é o Departamento Ministerial Auxiliar do titular do Poder Executivo (no caso, o Presidente da República), encarregue de propor, conduzir, executar e controlar a política do executivo relativamente a Educação, nomeadamente, no que diz respeito aos subsistemas de ensino não-superior. Assim, cabe ao MED coordenar a execução da política educativa através dos seus órgãos, serviços e estabelecimentos de ensino, assim como propor políticas referentes ao setor visando à melhoria da qualidade de ensino (Decreto Presidencial n.º 221/14, Art.º 1 e 2)17.
Na prossecução da sua missão o MED tem, de entre outras, as seguintes atribuições:
a) Assegurar a direção e a coordenação da execução da política educativa pelos seus órgãos e serviços, bem como pelos estabelecimentos de ensino;
b) Propor políticas referentes ao setor, visando a melhoria da qualidade de ensino [...];
c) Coordenar a implementação de programas e medidas que visam o desenvolvimento da educação;
d) Promover a aprovação de disposições legais que favoreçam o desenvolvimento da educação, nomeadamente, no EP e no ES, bem como zelar pelo seu cumprimento;
e) Exercer a fiscalização da execução das orientações técnicas e metodológicas sobre o funcionamento do SE e de gestão e organização dos estabelecimentos de ensino.
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Do ponto de vista da sua estrutura orgânica, o MED compreende um conjunto de órgãos e serviços, cada um dos quais integrando vários organismos, conforme apresentado no quadro 1118:
Quadro 10 - Órgãos e Serviços do MED Órgãos de Apoio Consultivo Seviços de Apoio Técnico Serviços de Apoio Instrumental Serviços Executivos Diretos Órgãos Tutelados Conselho Consultivo Secretaria Geral Gabinete do Ministro Direção Nacional para o Ensino Geral
Instituto Nacional de Investigação e Desenvolviment o da Educação Gabinete de Estudo, Planeament o Estatística Direção Nacional de Ensino Técnico- Profissional Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação Gabinete de Recursos Humanos Direção Nacional de Educação de Adultos Gabinete Jurídico Direção Nacionalde Ação Social Escolar
Conselho de Direção Gabinete de Inspeção Geral de
Educação Gabinete dos Secretários de Estado Direção Nacional de Avaliação e Acreditação Instituto Nacional de Educação Especial Gabinete de Intercâmbio Gabinete de Tecnologias de Informação Fonte: Autor
Quanto aos participantes desta investigação, considerando que um dos objetivos deste trabalho é, precisamente, compreender as perceções dos responsáveis de diferentes órgãos e estruturas do SEE angolano sobre a centralização da administração educativa naquele país, previu-se como participantes deste estudo alguns dos responsáveis das seguintes estruturas do MED: Gabinete do Ministro da Educação, Secretarias de Estado da Educação, Direção Nacional do Ensino Geral (DNEG), Direção Nacional para Ação Social Escolar (DNASE), Direção Nacional do Ensino Técnico-Profissiona (DNETP), Instituto Nacional de Investigaçãi e Desenvolvimento da Educação (INIDE), Direções Provinciais da Educação (DPE), Direções Municipais da Educação (DME), e Direções de Escolas do EP e ES.
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Em relação a quantidade de participantes ao estudo, Fontanellas, Ricas & Turato (2008, p.20) são perentórios em afirmar que, nos estudos qualitativos a questão "quantos?" parece ser de importância secundária face à questão "quem?", sendo que nas amostras escolhidas intencionalmente, o essencial não está na quantidade final de elementos, mas na forma como se procura estabelecer a sua representatividade e na qualidade das informações obtidas dos mesmos.
Por outro lado, tal como o afirma Pardal & Correia (1995, p. 32), na análise dos fenómenos sociais geralmente não é possível inquerir a totalidade dos membros do conjunto que se pretende estudar e, como tal, as dificuldades inerentes a tal facto podem ser ultrapassadas através do recurso a técnicas que viabilizem a construção de uma parcela, ou seja, da amostra daquele universo.
Sob este entendimento e, de modo a assegurar a correlação entre os dados a serem recolhidos e a questão central que dimanou e orientou esta investigação, foram previamente selecionados os seguintes participantes: Ministro da Educação, Secretário de Estado para Formação e Ensino Técnico-Profissional, Secretária de Estado para o Ensino Geral e Ação Social, Diretor Nacional do Ensino Geral, Diretora Nacional do Ensino Técnico-Profissional, Diretor Nacional para Ação Social Escolar, Diretor do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação, Diretores Provinciais da Educação de Luanda e Bengo, Diretores Municipais da Educação de Luanda e Belas, Diretores de Escolas do Ensino Primário das províncias de Luanda e Bengo.