5 PROCEDIMENTOS DA PESQUISA E ABORDAGEM METODOLÓGICA
5.4 CONTEXTO DA PESQUISA
Assim, tendo em vista a apresentação dos sujeitos envolvidos na pesquisa, buscou-se apresentar o delineamento do contexto da mesma. A escolha pelos subprojetos do PIBID de Química e de Biologia do IFFar, envolveu quatro campi, os
quais possuem as Licenciaturas de Química e Biologia, bem como a participação do Coordenador Institucional e de Gestão do IFFar efetivamente no estudo. Portanto, a pesquisa centrou-se em duas áreas (Química e Biologia), totalizando seis (6) subprojetos. Os encontros foram realizados com os Círculos Dialógicos Investigativo-formativos.
A seguir, utilizam-se as narrativas dos sujeitos dos subprojetos já mencionados, para a realização de uma breve apresentação do contexto de cada campus, referenciando e caracterizando o(s) subprojeto(s) de Química e Biologia, presente no mesmo.
Campus Alegrete – apresenta os subprojetos de Química e de Biologia. Nos
encontros dos Círculos Dialógicos Investigativo-formativos, contou-se com a presença dos alunos bolsistas de iniciação e de alguns professores da Educação Básica. Percebe-se que as dinâmicas e as atividades são variadas em cada subprojeto. Uma dessas atividades é a escolha da temática usada para o ano letivo, explicada, a seguir, pela professora Martina:
A temática do ano passado46 era metodologia para o ensino de Química em escolas públicas que não tinham laboratório. Estas eram as nossas questões: como ensinar Química numa escola que não tem laboratório de química?, como despertar o interesse pela química? Então, trabalhamos exclusivamente com o nono ano, que é a série que tem Química.
No que tange à mesma situação, o subprojeto de Biologia também colocou uma das experiências realizadas no ano anterior, como se refere o licenciando Androceu:
Não era um reforço, mas sim trabalhar com eles o que a professora estava trabalhando, mas de forma diferente. Em vez de dizer o que era melhor para eles, perguntamos como eles gostariam que fossem as aulas.
Outros pontos levantados pelos sujeitos participantes, referentes às atividades desenvolvidas, foram elencados:
palestras sobre o vírus da zica, H1N1;
construção de jogos químicos com a finalidade de “que até o contexto dele aborde química para o ensino do nono ano, que é ciências” (LICENCIANDO OLIVER);
46
organização de uma cartilha com atividades para desenvolver nas escolas. Segundo a licencianda Iana, são “as práticas que fizemos de maneira diferente e é para auxiliar os professores da rede municipal, no caso, da rede pública”;
a necessidade de leitura e aprofundamento teórico, colocada pelos alunos. O licenciando Androceu relata sobre ponto: “não houve muita leitura, nem de artigo. Talvez leitura para a construção de aulas diferenciadas e nos resumos para aplicação em eventos, congresso, porém nada muito aprofundado, exigente”;
escrita de artigos e participação em eventos.
Campus Júlio de Castilhos – possui o PIBID em Biologia, sendo que o
grupo de pibidianos possui poucos bolsistas. Nos encontros, contou-se com a participação dos bolsistas de iniciação, do coordenador de área e, na medida do possível, da professora da Educação Básica. O subprojeto organiza suas atividades em conjunto com a supervisora, conforme a narrativa do licenciando Regis:
a supervisora conduz e sempre dá uma saída em relação ao conteúdo. Então, o conteúdo de Biologia do ensino médio é trabalhado pela manhã e, à tarde, fazemos uma atividade diferenciada, uma vez na semana, que é o dia em que temos o encontro. Essa atividade sempre é voltada àquele conteúdo que está sendo abordado.
A professora Ivete salienta que, em alguns momentos, são realizadas atividades envolvendo todos os alunos da escola, como na semana do meio ambiente. Segunda ela,
os bolsistas fizeram palestras e oficinas de materiais recicláveis com os alunos de toda a escola. [...] Desenvolveram projetos de limpeza do pátio, horta, feira de ciências e algumas atividades relacionadas ao conteúdo, no qual os alunos estão apresentando alguma dificuldade. Prepararam o material como maquete, jogo e outras modalidades diferentes para explicar o conteúdo.
O grupo realiza seus encontros semanalmente com a orientação da coordenadora para a organização das atividades e a realização de estudos e de leituras. A licencianda Tailana comenta sobre a importância da leitura no PIBID:
apesar de pouco tempo no PIBID, comecei a perceber que, para [realizar alguma atividade], é preciso ler. Quando entrei aqui, percebi que meus colegas leem bastante, daí resolvi também começar a ler. O PIBID incentiva a leitura [para os bolsistas] e também, claro, para os alunos [da educação básica].
São realizadas outras atividades mencionadas pelos pibidianos, como organização de teatro, para contribuir com a aprendizagem dos alunos da educação básica, participação em eventos e realização de publicações. Para eles, o PIBID é importante para a formação e a prática docente.
Campus Panambi – possui o PIBID de Química e a constituição da
coordenação é diferenciada em relação aos demais subprojetos. A professora Rosa, coordenadora de área, tem formação acadêmica em Pedagogia. Para a organização e execução das atividades, conta com o apoio da professora Ana da área de Química. Segundo a professora Rosa, o PIBID “é um desafio e surgiu como um presente. [...] Embora tenha a divisão por área, tem uma grande área que agrega a licenciatura que é a educação”. Então, dessa maneira, o subprojeto do PIBID de Química do referido campus é orientado, coordenado.
Nos encontros dos Círculos Dialógicos Investigativo-formativos, contou-se com a participação da coordenação de área, dos alunos bolsistas de iniciação e das professoras da Educação Básica. Durante os diálogos, a professora Lírio contou como é realizado o planejamento das atividades do grupo. Segundo ela,
O planejamento é a base. Portanto, nas duas tardes que trabalhamos aqui no IFFar, realizamos o planejando das atividades que serão trabalhadas na escola. É muito importante esse planejamento. Tem que ter a sintonia de todos do grupo para conseguir planejar algo diferenciado e, depois, trabalhar na escola. Mas o planejamento, para nós, é a palavra-chave no cotidiano do PIBID.
A metodologia organizada pelo subprojeto para a realização das atividades está direcionada, desde o início de seu subprojeto, às atividades voltadas para o ensino da Química de maneira lúdica, ou seja, o grupo planeja e constrói jogos químicos. A narrativa da professora Orquídea contempla essa questão. Segundo ela,
quando entrei no PIBID, a nossa área era mais voltada ao desenvolvimento de jogos na área de Química. No início, era para termos feito os jogos e, depois, distribuirmos às escolas. Mas daí tudo foi mudando. Aí, a gente passou a trabalhar mais nas escolas em si. Ir para as escolas, trabalhar com os alunos, trabalhar a parte da inclusão, que é possível com a Química. O grupo continua aproveitando os jogos em suas atividades nas escolas com os alunos da Educação Básica, porém, mais especificamente, com os do ensino médio, devido à metodologia destes estar direcionada a essa faixa de
aprendizagem. Além disso, o subprojeto resolveu ampliar suas ações e buscar usar alguns recursos metodológicos com os alunos das séries iniciais do ensino fundamental. Um desafio, segundo a professora Rosa, que relata:
[...] foi um desafio, quando incluímos uma escola de ensino fundamental, porque não tem o nome de Química. Na verdade, a grande área é Ciências da Natureza e suas Tecnologias, e aí se pensou em somar, pensando que o PIBID tem que fortalecer a formação deles na licenciatura. Eles atuam nos estágios nas séries finais do ensino fundamental, então auxilia bastante na área da Física, da Química e na Biologia. E, também, o trabalho que a professora faz com os pequenos, que é apresentar esse universo científico para as crianças, começar com eles. [...] Eles, rapidinho, aprendem, muito mais rápido do que nós. Para que ficar infantilizando, esse costume que se tem de pensar que eles não têm condição. Ao contrário, eles têm toda a plasticidade cerebral para aprenderem, pois esta é maior nessa fase. O quanto é legal investir nisso!
O relato da professora Rosa demonstra que o grupo tem preocupação e, ao mesmo tempo, vem realizando algumas provocações referentes ao ensino de Química desde as séries iniciais do ensino fundamental. Observa-se que é uma necessidade importante e significativa para os alunos principiarem a ampliarem uma melhor aprendizagem desta ciência no decorrer de sua vida escolar.
Outro ponto destacado pelos integrantes do subprojeto é a leitura. O PIBID é compreendido como um espaço que oportuniza ler, escrever, participar de eventos, diferente do cotidiano escolar. A professora Violeta diz o seguinte:
O PIBID contribui muito para participar de eventos, escrita e leituras de artigos de [atividades] que não se faz no dia a dia da escola, também, não tem tempo para isso. Então, aqui [no PIBID] tem esse tempo para se dedicar, que na escola não tem. Na escola, o tempo que se está lá é na sala de aula e, fora disso, não se tem esse tempo pra fazer uma metodologia diferente, para produzir algo diferente. Então, assim, é um ganho, não tem comparação: professoras antes do PIBID e professoras pós PIBID.
O grupo, durante os encontros dos Círculos Dialógicos Investigativo- formativos, mostrou, na prática, o desenvolvimento dos jogos químicos, apresentando uma peça teatral intitulada “Uma conversa e uma jogada de Canastra entre quatro grandes cientistas - John Dalton e seus amigos: Joseph Thomson, Ernest Rutherford e Neels Bohr”. A peça foi criada pelos pibidianos e apresentada na escola e no próprio campus.
Campus São Vicente do Sul – possui os dois subprojetos de PIBID, os
dos Círculos Dialógicos Investigativo-formativos, o subprojeto de Biologia participou com a coordenadora de área, os bolsistas de iniciação e os professores da Educação Básica. No subprojeto de Química, a participação foi diferente, ou seja, os alunos bolsistas de iniciação estavam em período de estágio e a maioria não participou. O coordenador de área participou parcialmente e contou-se com a presença de uma professora da Educação Básica. A pesquisadora se dispôs a trocar dias e horários dos encontros e, até mesmo, a realizá-los separadamente, mas não foi possível uma nova maneira de organização.
Os subprojetos do campus desenvolvem suas atividades, as quais eles denominam de “implementações”, buscando conhecer a realidade escolar. Para isso, pesquisam os interesses dos alunos para a concretização das ações, partindo sempre de um tema gerador. A professora Joana detalha como são realizadas as atividades.
No ano passado (2015), desde março, os alunos do PIBID da Biologia e da Química participaram, no primeiro semestre, de um curso teórico, todos os bolsistas. No primeiro momento, foi feito um estudo teórico, onde começamos a estudar a interdisciplinaridade, o currículo, o tema gerador, os momentos pedagógicos. Uma série de temas, para poder, depois, fazer a investigação. Então, fizemos a parte teórica, depois foi feita a construção dos instrumentos de pesquisa para eles irem na comunidade. Então, foram feitos os questionários, e os grupos foram à comunidade. Foi feito na prefeitura, com as pessoas na rua, também com os professores, alunos e pais. A partir disso, se chegou a um tema e o tema saiu da comunidade. Não fomos nós que levamos. Mesmo tendo saído temas parecidos, pois na mesma cidade saiu dois temas diferentes porque a escola abrange local e pessoas diferentes.
O planejamento das atividades é realizado em conjunto com as professoras supervisoras, no encontro semanal dos pibidianos com seus grupos de trabalho. Nesses encontros, são realizados momentos de estudos, de leituras, de planejamento das “implementações”. Antes de ir para a escola desenvolver a atividade com os alunos da Educação Básica, os bolsistas apresentam para todos os integrados dos subprojetos as suas propostas. Essa apresentação é na forma de seminário, no qual cada um dos integrantes pode opinar e sugerir alguma alteração que sinta necessidade na atividade. Ao finalizar a implementação, na escola, outro seminário é realizado para uma reflexão da prática pedagógica, ocorrendo, assim, uma ação-reflexão-ação. A narrativa da licencianda Antônia contribuiu para o entendimento da importância que o grupo tem em relação às implementações, buscando a realidade dos alunos. Ela diz:
É diferente quando se chega numa escola e se consegue saber o cotidiano deles, e ver o que é interessante para eles aprender. O papel do PIBID nas implementações é isso, é sair desse currículo que as professoras têm que seguir, porque elas têm que cumprir e conseguir levar esses temas geradores e ou as temáticas e trabalhar o que realmente está ao redor deles, o que realmente é interessante para eles.
O grupo considera importante o momento de leitura, pois além do embasamento e do aprofundamento teórico, este contribui para a escrita. A licencianda Elisa comenta:
a leitura, somente na graduação, é muito pobre. Falo por experiência própria, já estou no nono semestre, terminando a minha graduação, li muito pouco, tetos voltados somente a minha graduação, porém, como já estou no PIBID há um bom tempo, essa leitura pobre foi suprimida pelas realizadas no PIBID. A coordenadora incentiva a questão de leitura para que aconteça o debate crítico, a troca de ideias e possibilita um embasamento melhor para escrever, para atuar no ensino e para as implementações nas escolas. As atividades são fundamentadas com as leituras.
A importância da leitura é um dos pontos destacados em todos os subprojetos de Química e de Biologia do IFFar. Então, os pibidianos do referido campus, além de todo o envolvimento com as “implementações”, participam de eventos, escritas de artigos, atividades do próprio curso.
Reitoria – na reitoria, realizou-se um encontro com a participação do
Coordenador Institucional do PIBID, da Coordenadora de Área, de Gestão e da professora que iniciou o projeto do PIBID no IFFar.
A professora Magnólia aponta para a dificuldade que os alunos têm de escrita. Ela sempre disse aos pibidianos “não joguem fora a primeira escrita de vocês, deixem para depois vocês conseguirem verificar o quanto vocês evoluíram”. A relação do escrever está atrelada à leitura. E a professora segue dizendo: “é autonomia que ninguém tira saber escrever, colocar as ideias, saber expor é uma autonomia que ninguém vai tirar do outro”. O professor Paulo acrescenta em relação à leitura dos subprojetos do PIBID do IFFar: “já se conhece no que cada um vai embasar e também tem aqueles trabalhos muito bem embasados, que são aqueles que a coordenação de área e a supervisão estão juntas para elaborar, enfim, a gente consegue observar tudo isso”.
A coordenação institucional acompanha as atividades realizadas pelos subprojetos, faz visita aos campi, no decorrer do ano letivo, com a finalidade de
acompanhar e assessorar as atividades. Isso é demonstrado na narrativa da professora Vida:
esse feedback a gente leva para eles nas visitas... Então, eles percebem que a gente tem acompanhado, e isso é dito de uma forma muito clara também. O que a gente não consegue fazer é esse acompanhamento, por exemplo, um dia aparecer para participar de uma reunião de estudos. Isso nós não temos condições de deslocamento e nem financeiro para fazer. Assim, expõe-se uma contextualização da pesquisa, da organização e das dinâmicas diversificadas apresentadas pelos subprojetos do PIBID nas áreas de Química e de Biologia do IFFar. A seguir, uma síntese da distribuição dos dois subprojetos em cada área já mencionada.
Figura 1 – Distribuição dos subprojetos do PIBID de Química por campus
Figura 2 – Distribuição dos subprojetos do PIBID de Química por campus
Fonte: Autora, a partir do Projeto Institucional do PIBID do IF Farroupilha.