• Nenhum resultado encontrado

3. Os contextos

3.3. Contexto de 1.º ciclo de ensino básico

A instituição onde foi desenvolvida a PES em contexto do 1.º CEB é da rede pública, estando incluída num Agrupamento de Escolas do concelho de Bragança. Trata-se de uma escola que integra turmas de diferentes níveis educativos: 1.º, 2.º e 3.º CEB.

A escola encontra-se localizada perto do centro da cidade dispondo de um vasto espaço exterior, que se encontra devidamente protegido e vedado, de maneira a garantir a segurança das crianças. O espaço exterior está equipado com um campo de futebol e de basquetebol, um parque infantil com baloiços e escorregas, permitindo, por isso, desenvolver atividades diversas ao ar livre. A entrada na escola pode ser feita por duas entradas que dão acesso a um amplo salão que serve de recreio interior. O espaço destinado ao 1.º CEB encontra-se separado dos restantes ciclos, por razões de funcionalidade e também para oferecer maior segurança aos alunos.

No que concerne ao espaço físico da zona referente ao ensino do 1.º CEB encontram- se, no rés-do-chão, 3 salas de aulas, 2 casas de banho, uma sala de multideficiência com profissionais especializados, uma sala de professores, a papelaria/reprografia da escola e, ainda, uma sala de pequena dimensão com recursos/materiais, como tintas, papel de cenário, pincéis, entre outros, que funcionava como um espaço onde se realizavam trabalhos para decorar a instituição. No piso superior encontram-se 4 salas de aulas e uma sala para arrumações.

Em relação às infraestruturas coletivas da escola podemos referir a cantina, a cozinha, o bar, a sala de professores/as, a secretaria da escola, o anfiteatro e a biblioteca, apresentando-se estas com um ambiente confortável, acolhedor, limpo e arejado. Toda a escola está preparada com rampas de acesso para crianças com mobilidade reduzida e com vários parâmetros de segurança, para uma melhor integração e acessibilidade. A escola congrega, igualmente, um parque de estacionamento, que se encontra ao dispor de toda a comunidade escolar. No que concerne aos recursos humanos, a instituição possuía um número de profissionais que permitiam um bom funcionamento da mesma. De uma forma geral, a escola oferece boas condições para acolher estas crianças, bem como os recursos essenciais para promover aprendizagens significativas.

O ambiente que se vivencia na escola é positivo, pois todos se relacionam em harmonia, o que se verifica na relação do dia-a-dia das crianças com os/as professores/as, com os/as funcionários/as e com os/as colegas.

A sala n.º 6, atribuída à turma que integrámos, situa-se no piso inferior da escola, e apresenta a designação de MO3. É uma sala ampla, espaçosa, arejada e iluminada, dispondo de amplas janelas que permitem a entrada de bastante luz natural. Ao nível dos equipamentos integra, para além das mesas e cadeiras, dois armários para arquivo dos materiais e dossiês das crianças, um smart board, um quadro negro, um computador e um projetor de vídeo. A sala de aula apresenta, assim, boas condições, aquecimento central e materiais em bom estado.

A sala tinha as secretárias dispostas por filas, o que por vezes não facilitava o movimento, nem as interações, ou até mesmo o trabalho em grupos. A circulação do/a professor/a também era dificultada por esta organização. Os materiais estavam, na sua maioria, organizados e arrumados em armários, ou seja, distantes das crianças, sendo que quando estes eram necessários era escolhida uma criança para auxiliar a professora na distribuição dos mesmos, o mesmo processo repetia-se quando havia a necessidade de os voltar a arrumar.

A sala de aula apresentava nas paredes uma decoração que auxiliava a aprendizagem das crianças, com vários cartazes sobre os conteúdos que haviam sido explorados pelas professoras e pelas crianças, bem como no fundo havia um placar de cortiça com diversos trabalhos feitos pelas crianças. Quanto às tecnologias presentes na sala, como o computador e quadro interativo, estas eram utilizadas pelas crianças frequentemente.

Ao longo da PES observamos, por várias vezes, uma reorganização da disposição das crianças pelo espaço, visto que havia sempre a necessidade de estas trocarem de lugar, pois

foi detetada, primeiramente, uma criança que tinha problemas de visão e necessitava de estar na frente. Seguindo-se de alterações devido a destabilização, pois as crianças eram bastante conversadoras.

O grupo com o qual desenvolvemos a prática educativa era constituído por vinte e uma crianças. Em relação ao género, o grupo era heterogéneo, visto que era constituído por quinze do sexo feminino e seis do sexo masculino. Estas tinham idades entre os sete e os nove anos de idade e todos apresentavam nacionalidade portuguesa.

A maioria das crianças residia na sede de concelho, porém alguns deles/as moravam em aldeias relativamente próximas. De referir, ainda, que a grande maioria destas crianças almoçava todos os dias na cantina da escola. Da observação efetuada constatou-se que as crianças são unânimes em manifestar que gostam de trabalhar em ambiente cooperativo, embora na prática não se observasse essa satisfação.

Tratava-se de uma turma muito heterogénea ao nível do desenvolvimento cognitivo, existindo crianças a trabalharem conteúdos diferentes (conteúdos que umas já tinham consolidado), apresentava também diferentes ritmos de trabalho e empenho, observando-se crianças a trabalhar por iniciativa própria, outras que precisavam de mais apoio e motivação, e uma ou outra criança que por vezes não fazia o que lhe era pedido).

Relativamente às áreas do saber, as crianças preferiam a matemática, seguindo-se o estudo do meio e por fim, o português. No cômputo geral, são crianças muito faladoras, com bons resultados revelando, mesmo, um ótimo nível de desempenho em todas as áreas.

Havia uma criança em particular, que logo no início nos chamou a atenção, por ter alguns estereótipos machistas (como por exemplo: “o meu pai fica sentado no sofá e a minha mãe tem de fazer o comer”; “eu sou melhor que as meninas”; “os rapazes são mais fortes, mas não posso dizer isso, pois não?”) e uma outra criança que considerava que todos, sem exceção, tinham os mesmos direitos independentemente do seu género (“as meninas são capazes de fazer tudo o que fazem os meninos”; “não é por eu ser menina que sou menos pessoa”), entre outros discursos que fomos ouvindo ao longo do estágio.

Tivemos oportunidade de observar que quer nas atividades propostas em sala de aula ou nas atividades livres no recreio, as crianças “tendem a utilizar a liberdade de que dispõem neste espaço, para corresponderem aos modelos aprendidos, a respeito das condutas mais adequadas para rapazes e raparigas” (Vieira, 2007, p. 74).

Documentos relacionados