PARTE II ESTUDO EMPÍRICO
3.4. Contexto do estudo: Modelo Pedagógico Virtual® da UAb
O estudo efetuado integra-se no âmbito dos cursos de 1.º e 2.º ciclo (licenciaturas e mestrados) na modalidade de ensino a distância de uma instituição universitária portuguesa que funciona totalmente online – a Universidade Aberta, ou seja uma universidade virtual. As atividades dos cursos decorrem totalmente online com recurso a uma plataforma oficial, a Moodle. A Moodle apresenta-se como um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) onde são constituídas turmas virtuais que pressupõem a docência, o acompanhamento dos estudantes e o apoio à aprendizagem exclusivamente online. O Modelo Pedagógico
Virtual® adotado foi concebido e desenvolvido por investigadores experientes da
Universidade Aberta portuguesa (Pereira et al., 2007). A autoaprendizagem e a aprendizagem colaborativa são as pedras basilares deste modelo de ensino-aprendizagem.
O modelo apoia-se na interação entre professor-estudantes e estudantes-estudantes. Na plataforma são disponibilizados recursos de aprendizagem e espaços de interação, com prevalência para os espaços assíncronos (fóruns) onde são discutidos os diversos temas/conteúdos de aprendizagem. Os professores em cada unidade curricular (U.C.) têm por missão construir “um percurso de trabalho a realizar pelos estudantes, com base em
recursos disponibilizados ou bibliografia indicada” (Pereira et al., 2007:30) organizando e
delimitando “zonas temporais de interação diversificadas, intragrupo geral (turma), intra
O Modelo Pedagógico do 1º Ciclo
O modelo adotado para os cursos de 1º ciclo difere substancialmente do modelo do 2º ciclo apresentado. Enquanto o 2.º ciclo se fundamenta numa abordagem colaborativa, o 1.º ciclo está fundado numa abordagem assente, essencialmente, na aprendizagem independente com momentos de trabalho colaborativo que não são, contudo, sujeitos a avaliação. No 2º ciclo, os estudantes são avaliados durante todo o percurso curricular e em todas as atividades, sejam elas individuais ou em grupo, incluindo discussões em fórum. Já no 1.º ciclo, o estudante tem, logo no início da U.C., a possibilidade de optar entre duas modalidades de avaliação: avaliação contínua ou exame final. Os estudantes que escolhem avaliação contínua elaboram dois ou três e-fólios (provas de avaliação apresentadas por via eletrónica que correspondem a 40% da avaliação final) e um p-fólio (prova de avaliação presencial que corresponde a 60% da avaliação final) cujas classificações são inseridas num cartão virtual, o CAP (Cartão de Aprendizagem). O CAP é “um dispositivo
eletrónico personalizado que traduz os resultados dos produtos elaborados pelo estudante, no decurso do processo de aprendizagem, configurando um sistema organizado de avaliação das aprendizagens” (Pereira et al., 2007:18). Já os estudantes que optam
pelo exame final fazem-no conscientes de que serão avaliados com uma única prova presencial por U.C., com o peso de 100% na avaliação final.
No 1º ciclo, a turma virtual é dividida entre os dois grupos de estudantes conforme as suas opções de avaliação, sendo o acesso aos recursos comum aos dois grupos e os fóruns de trabalho separados. O percurso é definido e calendarizado considerando períodos de aprendizagem independente (em que os estudantes realizam as suas leituras, as atividades formativas propostas e a sua autoavaliação) e períodos de aprendizagem colaborativa em fóruns geridos pelos próprios estudantes nos quais a participação não é obrigatória nem alvo de avaliação. Enquanto no 2.º ciclo os momentos de interação e
feedback com os professores são quase permanentes dependendo dos objetivos de cada
atividade, no 1.º ciclo estão definidos momentos específicos de feedback em fóruns assíncronos onde os estudantes colocam as suas dúvidas, nomeadamente aquelas que não ficaram esclarecidas aquando dos momentos de interação exclusiva com os seus pares.
As turmas virtuais do 1.º ciclo são compostas por um máximo de 60 estudantes. Os estudantes dispõem de um guia “norteador de todo o processo de aprendizagem” (Pereira et al., 2007:17) em cada uma das U.C.’s, o PUC (Plano de Unidade Curricular). O PUC é
elaborado pelo professor responsável pela U.C. e contém as competências a desenvolver pelos estudantes, os temas a desenvolver na U.C., a bibliografia, orientações sobre o plano de atividades formativas, os instrumentos e os critérios de avaliação e ainda a calendarização.
É possível a existência de várias turmas virtuais da mesma U.C. e do mesmo ano no 1º Ciclo. Nestes casos, os docentes responsáveis científico e pedagogicamente pelas U.C.’s são assessorados por tutores, pelos quais são igualmente responsáveis.
No 1.º ciclo, os estudantes contam ainda com a figura do patrono, cujo objetivo é dar-lhes apoio de natureza não-académica, tais como aconselhamento e orientação (Pereira et al., 2007). Os patronos são, pela sua natureza, estudantes que já frequentaram a Universidade Aberta e que contam “com uma história vivida no interior da universidade,
com conhecimento das suas características, funcionamento, regras, da sua cultura institucional” (Pereira et al., 2007:27).
O Modelo Pedagógico no 2º Ciclo
Nos cursos de 2º ciclo, como são os casos dos Cursos A (Turma 1) e B (Turma 2 e Turma 3) representados na nossa investigação, o percurso de trabalho de cada U.C. é organizado com base na negociação prévia de um Contrato de Aprendizagem (C.A.) onde se definem as atividades e a avaliação (Pereira et al., 2007; Morgado, Pereira e Mendes, 2008) contrato esse que é elaborado pelos professores de cada uma das U.C’s. O contrato é socialmente contextualizado e negociado pelo grupo tendo
“o papel de mediador entre as exigências impostas pela instituição académica, própria deste ciclo de estudos, e os interesses e necessidades do estudante (…) Nesse instrumento define-se o nível de estruturação necessária a uma situação de aprendizagem organizada em contexto grupal, mas, ao mesmo tempo, ele comporta um grau de flexibilidade ajustável em função dos estudantes, do seu ritmo e das suas necessidades num momento concreto” (Pereira et al.,
2007:30).
O modelo adotado privilegia as perspetivas de aprendizagem colaborativa, mais acentuadas no 2º ciclo, cujas atividades se traduzem, por exemplo, em estudos de caso, resolução de problemas ou simulações. Os estudantes são integrados numa turma virtual
composta por 25 estudantes, sendo todas as atividades realizadas online na plataforma Moodle ou recorrendo a tecnologias Web 2.0 como blogues e wikis.
Nos últimos anos, e ao nível do 2º ciclo, têm sido ainda utilizadas plataformas imersivas como o Second Life para desenvolver algumas atividades, como por exemplo, conferências online e outros desenvolvimentos (Morgado, 2011; Macedo e Morgado, Nunes e Morgado, 2013). Em todo o caso, no 2º ciclo a abordagem do modelo é sócio- construtivista onde a interação assume um papel preponderante sendo que para além de atividades colaborativas em pequenos ou grandes grupos, os estudantes são muitas vezes colocados face a atividades contextualizadas e realistas que os estimulam à discussão e renegociação de significados.
Todos os cursos são acompanhados por um(a) coordenador(a) de curso que tem responsabilidades ao nível da conceção e desenvolvimento dos cursos bem como no que respeita à organização, articulação e enquadramento dos professores e do timing das atividades de cada uma das U.C’s. A coordenação desempenha ainda um papel importante na relação com os estudantes cabendo-lhe a dinamização de espaços virtuais de acolhimento (no caso do 2.º ciclo), apoio (Coordenação do curso) e socialização (Café do curso).