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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.8 O PROJETO “SEMEANDO O VERDE”

3.8.2 O contexto do Ifes campus Colatina

O Ifes campus Colatina localiza-se no bairro Santa Margarida, no município de Colatina-ES, com os três turnos de funcionamento. Tem como diretriz o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para o período 2014/2 – 2019/1 apresentado ao Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica a que esta Unidade está submetida nos termos do art. 5 da lei Federal nº 11.892/2008, elaborado de acordo com as disposições do art. 16 do Decreto Federal nº 5.773/2006. Consiste num documento em que se definem a missão da instituição de ensino superior e as estratégias para atingir suas metas e objetivos.

Dentro do PDI está previsto o Projeto Pedagógico Institucional (PPI). Nele se estabelece princípios e diretrizes para a elaboração dos planos estratégicos e operacionais, educacionais e de gestão da instituição. Ele traduz as principais ideias que norteiam as ações educacionais, sejam elas de ensino, extensão ou pesquisa. Além disso, descreve a responsabilidade social da

instituição, ações e programas, as políticas para o ensino, as políticas de pesquisa e extensão e suas interconexões, bem como os eixos temáticos e linhas de pesquisa, os programas de pós- graduação e a articulação da Instituição com órgãos, entidades, empresas, prefeituras, etc.

Dentro do Plano de Desenvolvimento Institucional do Ifes (PDI), o item 3 (três) estabelece o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e o subitem 3.1 declara o conceito de educação da instituição. Esse considera um ensino que traz inclusa a educação profissional. Diante disso, o Ifes tem a obrigação de cumprir seu papel social de colaborar para uma sociedade menos pobre socioeconomicamente e sem destruição ambiental, com mais autonomia e solidariedade, principalmente por causa das mudanças e desigualdades do mundo coetâneo (PPI, 20142-2019).

Baseado nesse princípio, o PDI afirma que a educação profissional também deve ampliar-se em um contexto envolvido de saberes, princípios e valores que fortalecem a atitude humana na procura de diretrizes mais decentes de existência. Desse modo, as instruções para a educação profissional, científica e tecnológica se fundamentam na associação e vinculação entre ciência, tecnologia, cultura e trabalho e na expansão da propensão de investigação científica, com vistas à eliminação da pobreza socioeconômica sistêmica e à garantia à preservação da natureza (PDI, 2014-2019).

O eixo Educação para Sustentabilidade aborda as grandes transformações no campo socioeconômico, político e cultural da ciência e da tecnologia, mas, sobretudo, as transformações ocorridas nos ecossistemas do mundo nas últimas duas décadas do Século XX (PDI, 2014-2019). Nesse fundamento compreende-se por educação ambiental os processos mediante os quais o sujeito e a sociedade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a proteção do meio ambiente, bem de uso comum da população, primordial à sadia qualidade de vida e à sua sustentabilidade. Nele se estabelece, de acordo com o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (TEASE), que a EA é um processo dinâmico e contínuo de aprendizagem, fundamentado na consideração a todas as formas de vida, que promove a formação de sociedades justas e ecologicamente equilibradas, mantendo entre si relação de interdependência e diversidade (PDI, 2014-2019).

A partir disso, o PDI defende que os órgãos públicos devem buscar a promoção de ações educativas que beneficiem o espírito de solidariedade, cooperação e desenvolvimento de atitudes, colaborando na construção de indivíduos autônomos, emancipados, ativos, capazes de intervir nos processos do cotidiano da vida pessoal e profissional, desempenhando sua plena cidadania. Diante disso, o Ifes se compromete a promover ações formativas em educação ambiental para que docentes, técnico-administrativos e administradores atuem no sentido de desencadear novos valores na coletividade, acima de tudo nos espaços educativos formais e não formais. Sempre baseados em uma EAC e no Movimento Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA).

A partir dessas finalidades se propõe a utilização e consolidação de ações, tais como:

• Compreender a Educação Ambiental e a Sustentabilidade numa vertente crítica e emancipatória que visa à equalização social e à justiça ambiental. Trata-se de reconhecer que, para apreender a problemática ambiental, é necessária uma visão complexa de meio ambiente, em que a natureza integra uma rede de relações não apenas naturais, mas também sociais e culturais;

• Envolver os sujeitos na solução ou redução dos problemas e conflitos socioambientais, mediante processos de ensino-aprendizagem formais e não formais que preconizem a construção de conhecimentos e a formação de uma cidadania ambiental;

• Promover a formação de educadores ambientais por meio de cursos de capacitação ou outros meios de formação continuada; criar de grupos de estudos, pesquisas e centros interdisciplinares de Educação Ambiental;

• Incentivar e viabilizar projetos de educação para sociedades sustentáveis, discutindo prioridades sociais junto às agências de fomento e organizações da sociedade civil (PDI, 2014-2019, p. 49-50).

Vinculado ao PDI e PPI, cada curso deve elaborar seu próprio projeto pedagógico, tendo em vista as especificidades da respectiva área de atuação à qual está relacionado. É fundamental que os Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs) sejam elaborados a partir dos documentos que direcionam os valores e a missão da instituição. Diante disso, conclui-se que os cursos Tecnólogo em Saneamento Ambiental e Administração tenham sido formulados levando em consideração os documentos citados acima. O primeiro curso começou em 2006 e o segundo, em 2014.

A instituição atende, aproximadamente, 1631 alunos presenciais e a distância (EAD). Sendo 528 dos cursos técnicos integrados, 49 dos técnicos concomitantes, 556 dos cursos superiores, 118 de Administração e 96 de Saneamento Ambiental. Na especialização em Administração

Pública, 40 alunos, e no Técnico em Informática (EAD), 458. Os cursos presenciais funcionam nos três turnos, sendo o matutino voltado apenas para os cursos técnicos integrados.

Os objetivos gerais dos cursos participantes do projeto foram traçados em consonância com o que determinam as Diretrizes Curriculares Nacionais específicas para cada curso. De acordo com o Projeto Pedagógico de Curso (PPC) para Administração foi traçado:

Formar profissionais capazes de compreender e gerenciar questões científicas, técnicas, sociais e econômicas das organizações públicas, privadas e do terceiro setor, aptos a liderar processos de tomada de decisão, flexíveis e habilitados a lidar com situações corriqueiras e/ou emergentes que façam parte do campo de atuação do administrador (PPC Administração, p.19).

Para Saneamento Ambiental, foi estabelecido como objetivo geral:

Curso Superior de Tecnologia em Saneamento Ambiental visa à formação de profissionais que tratem de questões relacionadas ao saneamento e controle ambiental, em busca de uma melhor qualidade das atividades produtivas desenvolvidas na região e, consequentemente, de uma melhor qualidade de vida para estas populações (PPC, Saneamento, p. 17).

No Tecnólogo em Saneamento Ambiental a educação ambiental aparece como uma atividade que o egresso deve estar apto a executar: “Elaborar e desenvolver campanhas de educação ambiental” (PPC, 2013, p. 18). No projeto não aparece mais sobre a questão nem como isso poderia ser desenvolvido. Aqui não fica evidente o tipo de Educação Ambiental que o curso defende, porém, ao ler os objetivos das disciplinas e ementas identifica-se uma vertente mais pragmática da Educação Ambiental.

No curso de Administração, a Educação Ambiental só aparece como atividade complementar: “Seminário Interdisciplinar sobre Educação Ambiental, com carga horária de 08 (oito) horas, que acontecerá anualmente e irá abordar a temática da Educação Ambiental, conforme orienta a Resolução n.º 02, de 15 de junho de 2012, do CNE/CP (PPC Administração 2014, p. 39). A resolução citada está baseada na Lei nº 9.795, de 1999, porém não fica claro como isso será feito.

O curso, por ser na área de Administração, foi configurado a partir do princípio de que a região precisa de profissionais capazes para exercer atividades de gestão nas organizações de

pequeno, médio ou grande porte, atentos às questões da preservação ambiental, à qualidade de vida dos trabalhadores e da comunidade local e perspicazes para reconhecer novas oportunidades de negócios (PPC Administração 2014). Mas como esses administradores serão capazes de gerir organizações atentas às questões ambientais não fica claro em nenhum momento no projeto. Além disso, ao se analisar as ementas não são identificados temas voltados para a discussão da questão ambiental.

Os PPCs de ambos os cursos demonstram uma educação do cidadão produtivo, onde o mercado funciona como base organizadora da vida coletiva. Constatou-se a opção por uma oferta menor de disciplinas das ciências humanas, o que caracteriza os cursos em um saber técnico e instrumental. Assim, percebe-se que a formação, mesmo sendo em instituição pública, não possibilita um maior entendimento da complexidade da crise ambiental. O ensino e a aprendizagem estão orientados pelo modelo da educação privada que busca formar para o atendimento do mercado. Diante disso, percebe-se que os PPCs não estão em consonância com as diretrizes estabelecidas no documento maior da instituição.