A seguir, apresenta-se o contexto em que foi desenvolvido o presente estudo. Começa-se por descrever as razões que determinaram a escolha dos sujeitos de investigação, seguindo-se uma caracterização geral das escolas, professores e alunos envolvidos neste estudo. A caracterização das escolas e alunos foram baseadas nas informações que constavam nos Projectos Curriculares de Turma [PCT] facultados à investigadora por cada professora colaboradora. Já a caracterização geral das professoras envolvidas no estudo resultam dos dados recolhidos através das declarações prestadas na primeira entrevista ministrada durante o mês de Janeiro de 2008.
3.3.1 – Participantes (Escolas, Docentes e Alunos)
Neste estudo optou-se por realizar um trabalho empírico, tendo como sujeitos do estudo três professoras do 1ºCEB e as suas respectivas turmas, pertencentes ao mesmo grupo de Professores Formandos que a investigadora integrou no âmbito do PFEEC.
As razões que determinaram a escolha dos sujeitos de investigação prenderam-se com as seguintes condições: (i) as professoras colaboradoras, frequentarem o Programa de Formação acima referenciado, na medida que uma das finalidades deste estudo foi avaliar o impacte do PFEEC nas aprendizagens efectivas dos alunos, ao nível das suas capacidades de pensamento/processos científicos e das suas atitudes/valores; (ii) pertencerem ao mesmo grupo de formação que a investigadora, por questões de disponibilidade temporal. Apesar dos sujeitos de estudo, pertencerem a escolas diferentes da investigadora, o contacto semanal/quinzenal com as professoras colaboradoras, seria salvaguardado pela presença nas sessões de grupo e/ou nas sessões plenárias do Programa de Formação enunciado; (iii) leccionarem preferencialmente, o terceiro ou quarto anos de escolaridade, pelo facto de um dos instrumentos de avaliação (questionário) ser apenas direccionado para esses níveis de escolaridade, pela razão que à frente se explicita no ponto 3.3.1 e (iv) pelo contacto profissional e pelo conhecimento da investigadora, a anuência destes sujeitos para colaborarem no estudo foi facilitado.
No quadro que se apresenta, traça-se uma breve caracterização das professoras colaboradoras no que se refere aos itens: tempo de serviço, cursos de formação e instituições de ensino superior frequentadas.
Quadro 9. Caracterização geral das professoras colaboradoras
Professora (Pseudónimo) Tempo de serviço (anos)
Curso de formação Instituição de ensino superior
frequentada
A (Joana) 25 Curso do Magistério Primário;
Complemento de Formação em 1.ºCEB
Magistério Primário; Universidade
B (Rute) 7 Licenciatura em Professores do 1.ºCEB Escola Superior de
Educação
C (Filipa) 7
Bacharelato em Professores de 2.º CEB (variante de Português/Francês); Complemento de Formação em 1.ºCEB
Parte curricular do Mestrado em Educação e Multimédia
Escola Superior de Educação; Faculdade de
Pela análise do quadro anterior constata-se que as professoras B (Rute, como pseudónimo) e C (Filipa, como pseudónimo) tinham exactamente o mesmo tempo de serviço (sete anos), enquanto a professora A (Joana, como pseudónimo) apresentava uma larga experiência profissional com vinte e cinco anos de serviço docente. Todas as professoras colaboradoras leccionaram sempre no 1ºCEB, excepto a professora C (Filipa) que prestou serviço como professora de apoio sócio-educativo durante um ano lectivo no 2ºCEB. No que se refere à formação académica, a professora A (Joana) completou o magistério primário, concluindo-o em 1982 e fez recentemente (2003) o complemento de formação em 1ºCEB numa Universidade. A professora B (Rute) tinha uma licenciatura em professores do 1.º CEB por uma Escola Superior de Educação, enquanto a professora C (Filipa) fez um bacharelato em 2ºCEB (variante de Português- Francês) e posteriormente, um complemento de formação em professores do 1º CEB. Durante o período em que decorreu o estudo, a professora C (Filipa) esteve a frequentar o curso de Mestrado em Educação e Multimédia numa Faculdade de Ciências, tendo já concluído a parte curricular desse curso.
No que diz respeito aos alunos, apresenta-se seguidamente um quadro com a sua caracterização geral, no que se refere aos itens: ano de escolaridade, número de alunos por turma, tipo de escola frequentada e respectivo âmbito geográfico.
Quadro 10. Caracterização geral dos alunos das professoras colaboradoras
Professora (Pseudónimo) Ano de escolaridade Número de alunos
Escola frequentada/ Âmbito geográfico
A (Joana) 4.º ano de
escolaridade 22
Escola do 1.º CEB com JI integrado situada na freguesia de Oliveira do Douro (Vila
Nova de Gaia) B (Rute) 2.º e 3.º anos de escolaridade 20 (12 do 2.º ano e 8 do 3.º ano)
Escola do 1.º CEB com JI integrado situada na freguesia de Lever (Vila Nova de Gaia)
C (Filipa) 3.º ano de
escolaridade 21
Escola do 1.º CEB com JI integrado situada na freguesia de Sandim (Vila Nova de Gaia) A seguir apresenta-se uma leitura do quadro acima, conciliada com outras informações prestadas por cada professora colaboradora nos seus PCT, fazendo-se nesta descrição uso da mesma terminologia utilizada pelas docentes nos seus projectos, a fim de caracterizar mais pormenorizadamente os alunos de cada uma das professoras, assim como o contexto em que decorreu esta investigação.
A professora A (Joana) leccionou durante o ano lectivo 2007/2008, uma turma do quarto ano de escolaridade constituída por vinte e dois alunos (11 do sexo masculino e 11 do sexo feminino), em regime de horário normal. Estes alunos tinham uma faixa etária compreendida entre os oito e os doze anos, sendo dois alunos retidos. De acordo com a terminologia usada pela professora Joana no seu PCT, os alunos que constituíam esta turma pertenciam a famílias com um nível sócio-económico e cultural médio/baixo, cujos encarregados de educação apresentavam habilitações literárias entre o quarto e o décimo segundo anos de escolaridade, à excepção de um, que era analfabeto.
A escola onde leccionou fica situada na freguesia de Oliveira do Douro, a cerca de um quilómetro do centro da cidade de Vila Nova de Gaia. Esta freguesia é uma das maiores freguesias da área metropolitana do Porto com cerca de trinta mil habitantes, onde as principais actividades económicas são a indústria do calçado, metalúrgica e dos candeeiros.
O estabelecimento de ensino no ano lectivo 2007/2008 era composto por cento e quarenta e seis alunos oriundos daquela zona geográfica da cidade. O corpo docente era constituído por sete professores do ensino regular, um educador de infância, um professor do apoio sócio-educativo e um professor do ensino especial. O corpo não docente era constituído por auxiliares de acção educativa e um animador sócio-cultural.
A escola é constituída por um edifício do tipo plano centenário, construído em 1959 e remodelado recentemente (2007). O edifício é composto por cinco salas de aula bem equipadas com quadros interactivos recentemente instalados, uma sala destinada ao jardim-de-infância, um gabinete que funciona como sala dos professores, uma cantina, oito instalações sanitárias com água canalizada, um pequeno pátio coberto e um espaço descoberto de médias dimensões que funciona como recreio.
Pela análise da tabela anterior, verifica-se que a professora B (Rute) leccionou uma turma do segundo e terceiro anos de escolaridade constituída por vinte alunos, sendo que apenas oito desses alunos (3º ano de escolaridade) foram sujeitos deste estudo, pelas razões que se explicitam no ponto 4.1.2. Assim sendo, apresenta-se particularmente a caracterização dos alunos do terceiro ano de escolaridade pela sua pertinência para esta investigação. Dos oito alunos todos com oito anos de idade, quatro eram do sexo masculino e os restantes quatro eram do sexo feminino. A turma funcionou em regime de horário normal e todos os alunos frequentaram as actividades de enriquecimento curricular. Segundo a professora Rute, tratava-se de um grupo pertencente a famílias com um nível sócio-económico e cultural médio/baixo.
A escola localizada na freguesia de Lever, no concelho de Vila Nova de Gaia fica muito próxima da barragem de Crestuma e a cerca de dezoito quilómetros da sede concelhia. Trata-se de uma vila pacata com cerca de 5000 habitantes situada na zona oriental de Gaia, na margem esquerda do Douro, junto às freguesias de Sandim, Crestuma, Canedo e em frente à Foz do Sousa (Gondomar). No ano lectivo 2007/2008, a escola abarcava apenas sessenta e um alunos oriundos daquela zona geográfica. O corpo docente era constituído por dois professores do ensino regular, um educador de infância e um professor do ensino especial. Por sua vez, o corpo não docente era composto por auxiliares da acção educativa, tarefeiros e animador sócio-cultural.
A escola é composta por um edifício de plano centenário, cuja construção foi encomendada pelo Comendador António Pimenta da Fonseca. É um edifício escolar térreo circundado por um terreno totalmente asfaltado e de médias dimensões destinado a recreio. Tem quatro salas de aula pouco apetrechadas (mas pelo menos com um computador disponível), três espaços reduzidos utilizados como sala de professores, uma cantina, duas despensas, quatro casas de banho e um pátio exterior.
A professora C (Filipa) leccionou uma turma do terceiro ano de escolaridade, composta por vinte e um alunos (dez do sexo masculino e onze do sexo feminino) distribuídos por uma faixa etária compreendida entre os sete e os doze anos de idade. À excepção de dois alunos, todos estavam a frequentar o terceiro ano de escolaridade pela primeira vez. À semelhança dos casos anteriores, a professora Filipa também referiu no seu PCT que a maioria dos alunos desta turma era oriunda de famílias com um nível económico e cultural médio/baixo.
Esta escola básica do 1ºCEB com jardim-de-infância integrado situa-se na freguesia de Sandim, localizada no extremo sudeste do concelho de Vila Nova de Gaia, a quatro quilómetros a sul da margem esquerda do rio Douro e a dezassete quilómetros da cidade do Porto. É limitada a Norte, pelas freguesias do Olival e Crestuma (V.N.Gaia); a sul, pelas freguesias de Vila Maior e Sanguedo (Sta. Maria da Feira); a nascente, pelas freguesias de Lever (V. N. Gaia) e Canedo (Sta. Maria da Feira); a poente pela freguesia de Argoncilhe (Sta. Maria da Feira).
No ano lectivo 2007/2008, a escola onde a professora C (Filipa) leccionava era frequentada por cento e trinta e quatro alunos. O corpo docente era constituído por quatro professores do ensino regular, dois educadores de infância e um professor do ensino especial. O corpo não docente era constituído por auxiliares de acção educativa, tarefeiras e animador sócio-cultural.
Quanto à sua estrutura, é um edifício do tipo P3 construído em 1976 circundado por um grande espaço exterior que funciona como recreio. Este é praticamente todo revestido por asfalto e tem um recinto ao ar livre destinado à prática desportiva delimitado por uma rede. Esse recinto tem duas balizas e duas tabelas de basquetebol. À frente encontra-se um pequeno jardim e árvores. A escola composta por dois pisos tem seis salas de aula pouco apetrechadas e com um mobiliário muito desgastado, uma sala de professores de pequena dimensão, uma cantina onde os alunos almoçam, uma despensa e cinco casas de banho.