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Contexto escolar – Agregado 2

4.7.1 Percurso académico do aluno

4.7.1.1 Dificuldades no processo ensino-aprendizagem

Considerando o percurso académico do seu educando sujeito a duas reprovações, nomeadamente nos quarto e sexto anos de escolaridade, a mãe refere os problemas de aprendizagem que residem na sua falta de estudo, interesse e falta de concentração nas aulas. Consciente, o educando atribui a causa das suas reprovações às brincadeiras, além das dificuldades de aprendizagem: “No sexto ano foi na brincadeira e no quarto ano foram os objectivos.”

4.7.2 Representações da escola

4.7.2.1 Opinião do aluno

No que concerne a opinião do aluno relativamente à escola, a primeira impressão é positiva, não obstante, depressa se altera: “Sim… [gosto da escola] mais ou menos…”.

A escola é sobretudo apreciada pela oportunidade de convivência com os colegas, isto é, como meio de socialização. Inversamente, os professores são alvos de críticas, considerando-os implicativos e incompetentes: “dos professores [gosta menos] … porque são chatos… não sabem explicar bem… não sabem explicar bem a matéria”.

4.7.2.2 Papel e expectativa da escola segundo a mãe

A relevância da escola afirma-se pela continuação da educação no seio da família: “Em princípio, a escola é como se fosse a segunda casa (…)”.

Consciente da desvalorização da pessoa que actualmente não possui estudos todavia, não perspectiva, nem exige a frequência de um curso superior, demonstrando sobretudo interesse e vontade em apoiar a concretização do sonho dos seus educandos, independentemente das opções destes. Sabe que o Francisco quer ser polícia e tenciona apoiá-lo perante as dificuldades mas tem a noção que somente depende dele.

4.7.3 Ambiente disciplinar

O Francisco qualifica o seu comportamento como “razoável” cuja causa é atribuída à influência que os pares exercem sobre ele: “Por causa dos colegas…fazemos mal dentro da aula. Se também me puxarem, de vez em quando [porta-se mal]”.

Alude ainda a uma situação envolvendo uma funcionária e a directora de turma que agrediu verbalmente, no recreio. Contudo, de acordo com a mãe, os comportamentos inadequados também se instalam na própria sala de aula onde não só responde aos professores como insulta colegas: “Por causa dele estar a responder aos professores, dentro da sala e por causa que ele está chamando nomes a essa colega, porque às vezes, até na sala: Eh! Cadela!”.

No presente ano lectivo, o dossier individual do Francisco integra imensas participações disciplinares por motivos variados. Segundo o relatório de ocorrência, em 15 de Novembro de 2006, fez uso de vocabulário impróprio na sala resultando em provocação insultuosa a uma aluna, além do desrespeito pela professora. Nesse mesmo dia, na aula seguinte, insultou diversas vezes os colegas. Em 22 do próprio mês, não acatou ordens da professora após esta o ter chamado à atenção por falar com os colegas em tom demasiado elevado.

A 4 de Janeiro de 2007, o Francisco utilizou novamente termos impróprios com a funcionária do bloco, referindo-se à mesma e à directora de turma. Em 30 de Janeiro, um funcionário declarou que o Francisco tinha agredido um aluno do 5º ano, tendo-lhe provocado um hematoma, sem justificação, dado que o aluno do

5º ano nada lhe tinha feito. Em 24 do mesmo mês, o aluno esteve igualmente envolvido em desacatos no refeitório da escola.

Além destas situações, os colegas de turma comunicaram à directora de turma que o Francisco perturba o normal funcionamento das aulas, essencialmente por chamar uma colega de “cadela”, gerando conflitos com a mesma. Aliás, no dia 18 de Janeiro, a aluna comunicou à directora de turma que este a tinha agredido na cara.

4.7.3.1 Sanção disciplinar

As participações disciplinares acima descritas resultaram na aplicação de um processo disciplinar cuja sanção resultou na limpeza de algumas partes da escola onde criou conflitos, tal como o refeitório, o ginásio e salas de aula. Sanção esta que obteve total concordância da mãe que ainda acrescentou que: “Eu até disse, é muito bom, devia ser como antigamente, os professores com o chicote na mão…dar umas vergalhadas no rabo”.

4.7.4 Relação entre pares

4.7.4.1 Caracterização da relação: Proximidade vs Distanciamento

A mãe percepciona positivamente a convivência do filho com os colegas da turma e fora da escola, salientando a existência de conflitos sem nenhuma gravidade. Já o filho menciona que, na escola, a convivência se reduz ao convívio com o primo, que não faz parte da turma e com quem comunica quando tem problemas.

Geralmente, as saídas entre amigos não incluem colegas de turma, restringindo-se apenas a um vizinho, com quem esporadicamente sai.

Subsistem, assim, sinais de afastamento do Francisco com os seus pares provocados pela incompreensão que ressente por parte dos colegas. O afastamento voluntário verifica-se relativamente a outros alunos da escola que o Francisco considera como maus exemplos derivado à relação com a droga.

4.7.4.2 Conflitos: agressor vs vítima

A mãe reconhece que o filho já fez uso da agressão verbal, com uma certa frequência e até da agressão física, esta última para com uma colega de turma e de um aluno do quinto ano de escolaridade, que necessitou de tratamento hospitalar. A colega de turma era frequentemente insultada e agredida pelo Francisco que reiterava os actos incitado pelo gozo que, tanto ele como a turma ressentiam perante a reacção da vítima que chorava.

O Francisco admite que agride verbal e fisicamente. Usa os insultos quando é provocado, porém, declara que já utilizou termos injuriosos noutras situações, para com uma contínua e professora. Provocou igualmente desacatos no refeitório, ao atirar ervilhas para o prato de outro colega. No que concerne a agressão física, esta é recorrente, independentemente da vítima ser mais nova, e não consegue quantificá-la por afirmar não se lembrar.

Contrariamente, a mãe alude à prática da agressão verbal como algo habitual e demonstra-se receosa quanto aos comportamentos agressivos do filho que, futuramente, podem tomar a forma de agressão física.

A mãe não o considera vítima dos colegas. Contudo, o Francisco afirma que não tem colegas na turma, sendo provocado através de insultos e de críticas por parte de colegas da turma. Refere ainda que era provocado pela colega de turma que ele insultava, mas não consegue ou não quer explicitar em que circunstâncias acontecia.