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6. CASOS ESTUDADOS

6.1 Contexto estudado

Para descrição dos casos, apresenta-se, inicialmente, o perfil da universidade na qual as spin-

offs foram geradas. São analisadas as ações que a universidade executa referente ao

empreendedorismo tecnológico, bem como os órgãos relacionados a estas ações. (ETZKOWITZ e SPIVACK (2001), RÖPKE (1998), SCHULTE (2004) e GASSE (2002). Os dados foram coletados através de entrevistas com representantes e funcionários dos órgãos analisados.

A UFMG possui a predominância do papel tradicional de ensino e pesquisa. A partir dos dados coletados, percebe-se que parte da comunidade acadêmica ainda é resistente à aplicação da ciência, apesar de ser uma universidade referência nacional em termos de produção de patentes. No que se refere ao modo de agir, a UFMG possui configuração também tradicional, uma vez que apresenta diretrizes para o fomento do empreendedorismo entre funcionários, acadêmicos e estudantes ainda incipientes. Sobre o modelo de ensino, as grades curriculares oferecem 21 disciplinas relacionadas ao tema “empreendedorismo”, na qualidade de disciplinas optativas. Entretanto, não existem outras atividades conjuntas para que o modelo de ensino seja empreendedor, conforme apontam Röpke (1998) e Schulte (2004). No que tange à interação com a região, a UFMG já executou parcerias com órgãos de fomento e está sempre presente em iniciativas conjuntas para a disseminação da inovação no estado de Minas Gerais.

A estrutura que a instituição possui para prestar suporte ao empreendedorismo tecnológico é composta por: um Centro de Empreendedorismo da Escola de Engenharia da UFMG

(EMPREENDE), Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CT&IT), a Incubadora Tecnológica (INOVA). Está em andamento o projeto de implantação de um parque tecnológico (BH-TEC).

O EMPREENDE atua nas fases de conscientização e de pré-incubação (GASSE, 2002). Este tem como propósito desenvolver e disseminar a cultura empreendedora perante a comunidade da Escola de Engenharia, de modo a construir uma relação de intercâmbio permanente com as instituições governamentais e privadas, e a promover a transformação do conhecimento gerado por este departamento. A principal atividade exercida por este centro é um grupo de estudos durante o qual o processo empreendedor é discutido, no sentido de despertar nos participantes o interesse pelo empreendedorismo. Uma limitação deste centro é que sua atuação é, basicamente, circunscrita a projetos do Departamento de Engenharia da Produção, sendo que as demais áreas de pesquisa e demais departamentos não se beneficiam das atividades desenvolvidas pelo referido centro. Isso se deve ao fato de o EMPREENDE não ser uma iniciativa institucional da UFMG, e sim uma atividade independente, gerida por professores e alunos da Escola de Engenharia da UFMG.

A CT&IT atua na gestão do conhecimento científico e tecnológico, exercendo, entre outras, atividades concernentes à disseminação da cultura de propriedade intelectual, ao sigilo das informações sensíveis, à proteção do conhecimento e à comercialização das inovações geradas na UFMG. Um agravante a respeito deste órgão, citado em algumas entrevistas, é a restrita rede de contatos (MARKMAN et al., 2005) da coordenadoria. Aliado a isso, foi citado também, que o corpo técnico deste escritório não é devidamente qualificado para identificar oportunidades de negócios a partir das descobertas da universidade, para negociar e para efetivar transferências também.

Já a INOVA surgiu em 2003, com o propósito de transformar o conhecimento em benefícios econômicos por meio da inovação tecnológica. Tem por objetivo construir um mecanismo de transferência de conhecimento e tecnologia da universidade para o setor produtivo, e vice- versa. Além da infra-estrutura, oferece auxílio no acesso às instituições pesquisa, universidade e órgãos de fomento.

Desde sua criação, a INOVA realizou somente uma abertura de edital para incubação. Algumas questões que limitam a atuação da INOVA, segundo dados coletados, são: reduzido pessoal técnico para assessorar empresas e analisar projetos, pouco envolvimento por parte dos incubados nas atividades desenvolvidas e sustentabilidade financeira comprometida. Não existem recursos financeiros destinados à manutenção da incubadora. Percebe-se, também, que o direcionamento estratégico para sua atuação ainda é incipiente.

No que se refere ao BH-TEC, existe um projeto em andamento para o qual a UFMG firmou convênio com o governo estadual e o municipal, instituições de fomento ao empreendedorismo e instituições de pesquisa, encontrando-se em fase de implantação, com previsão de início de operação para o segundo semestre de 2007. Entretanto, percebe-se que este projeto está desarticulado com as outras estruturas universitárias voltadas para o empreendedorismo. Outro agravante deste projeto é a escassez de recursos para a sua implantação e lentidão dos parceiros governamentais.

A UFMG gerou 4 spin-offs acadêmicas, 13 contratos de transferência de tecnologia desde a sua criação. Apesar de sua posição relevante no ranking de pedidos de patentes depositados por instituições públicas brasileiras, com 155 depósitos (CARLOS e CREPALDE, 2005),

percebe-se que a grande parte do conhecimento que produziu não chega a ser desenvolvida e transformada em produto comercializável. Pode-se concluir que o seu potencial de inovação está subutilizado.

Cabe ressaltar que a universidade estudada está em fase de transição de reitoria e que algumas ações têm sido tomadas para melhor estruturar as atividades de fomento à inovação e ao empreendedorismo tecnológico, como a realização de fóruns, com o objetivo de divulgar a tecnologia por ela gerada. No discurso do pessoal técnico entrevistado, percebe-se que a nova reitoria dará ênfase ao desenvolvimento do empreendedorismo. A universidade está se adequando à Lei de Inovação. Um grupo de especialistas e pesquisadores está estudando a lei e estabelecendo as diretrizes que a universidade seguirá.

Até a coleta de dados, a UFMG não possuía um conjunto de estratégias e objetivos definidos no que se refere ao fomento do empreendedorismo. A CT&IT, órgão que se encarrega da transferência de tecnologia, dirige também a INOVA e participa do projeto de criação de BH- TEC. Entretanto, as ações que cada estrutura executa não são integradas. Segundo profissionais do escritório de transferência de tecnologia entrevistados, o processo de criação de spin-offs é pouco conhecido na universidade. No entanto, estratégias neste sentido serão desenvolvidas.