CAPÍTULO 4 - DISCUSSÕES E RESULTADOS
4.4 IDENTIFICAÇÃO, LOCALIZAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS
4.4.16 Afloramento Campus UEPG
O afloramento Campus UEPG localiza-se em terreno do Campus da Universidade Estadual de Ponta Grossa, situado em Uvaranas, no qual existe uma linha férrea, no corte da qual se encontra o referido afloramento, no bairro de Uvaranas e faz parte da Zona 1. (Figura 41).
De acordo com Horodyski (2006), litologicamente, da base para o topo, a seção é formada por folhelho negro argiloso, sobreposto por folhelho síltico-argiloso, micáceo, possui tons variando de cinza claro a cinza escuro, sendo recoberto por arenito lateritizado, fino a muito fino, possuindo alto grau de intemperização. Quanto ao topo da seção é formado por siltito de granulometria grossa, contendo nódulos ferruginosos. (Figura 42).
Figura 41: Visão geral do Afloramento Campus UEPG.
Figura 42: Vista parcial do Afloramento Campus UEPG.
Este afloramento pode ser utilizado para estudos com grupos de até 40 alunos, pois possui ampla extensão, é de fácil acesso e se encontra muito próximo da Escola Estadual Professora Halia Terezinha Gruba e do Colégio Agrícola Estadual Augusto Ribas, um pouco mais distante da Escola Estadual Padre Pedro Grzelczaki, do Colégio Professor João Ricardo Von Borell Du Vernay. Entretanto, professores e alunos dessas escolas podem chegar ao local percorrendo o trajeto a pé.
Este afloramento pode ser explorado para estudos sobre a preservação de áreas que possuem potencial fossilífero e que estão sujeitas ao avanço do processo de urbanização, como pode ser observado na figura 43.
O acesso das escolas mais distantes ao local pode ser realizado por meio de ônibus fretado, veículo particular e ônibus das linhas Jardim Paraíso, Campus, Borsato via Tarobá, Lagoa Dourada, Dal Col e San Martin.
Figura 43: Foto demonstrando o avanço do processo de urbanização sobre o Afloramento Campus UEPG.
4.4.17 Afloramento Olarias
O afloramento Olarias situa-se na Rua Joaquim Meneleu de Almeida Torres, próxima à Rua Oliveira Martins, no leito e margens do arroio de Olarias, no Bairro de Olarias, também se encontra na zona 1, conforme a figura 44.
Este afloramento possui pequena extensão, sendo constituído por material bastante alterado, nas proximidades do arroio, lado esquerdo, em direção à jusante podemos observar pequenos trechos onde aflora o folhelho Ponta Grossa, mas está em propriedade particular como mostra a figura 45.
O local pode ser explorado para fins pedagógicos, com grupos com, no máximo, 40 alunos, desde que haja a preocupação com a segurança e a locomoção desses alunos, pois é um local insalubre que funciona como depósito de todo e qualquer tipo de resíduos, possui piso escorregadio e exala um odor bastante desagradável.
Figura 44: Barranco do Arroio de Olarias, onde se localiza o Afloramento Olarias.
Figura 45: Trecho próximo a margem esquerda do arroio Olarias onde aflora o folhelho Ponta Grossa.
Para chegar ao afloramento Olarias pode ser utilizado ônibus fretado, veículo particular ou ônibus das linhas Jardim Barreto e Olarias, os professores e alunos do Colégio Estadual José Elias da Rocha podem chegar ao local percorrendo o trajeto a pé.
A Figura 46 a seguir subsidiará o trabalho docente, tendo em vista que apresenta a localização dos afloramentos fossilíferos, dos Estabelecimentos de Ensino Estaduais descritos anteriormente, bem como a sua distribuição por Zonas.
4.5 CLASSIFICAÇÃO DOS AFLORAMENTOS FOSSILÍFEROS DE ACORDO COM AS POSSIBILIDADES DE USO
AFLORAMENTOS LOCALIZAÇÃO
Curva I Corte da estrada de ferro Central do Paraná, trecho Uvaranas – Apucarana, sub-trecho Uvaranas – Periquitos, Vila Baraúna, Km 235, Zona 2
Santa Luzia Corte da estrada de ferro Central do Paraná, trecho Uvaranas/
Apucarana, sub-trecho Uvaranas – Periquitos, Vila Santa Luzia, Zona 4
Slavieiro Corte da estrada de ferro Central do Paraná, trecho Uvaranas – Apucarana, sub-trecho Uvaranas – Periquitos, Vila Mezzomo, Zona 3 Contorno Leste Rodovia do Contorno Leste, aproximadamente 800 metros da BR
376, Zona 1
26 de Outubro Entre a Rua Enfermeiro Paulino e a Rua Olavo Bilac, Vila 26 de Outubro, Zona 1
Desvio-Ribas Corte da estrada de ferro Central do Paraná, trecho Desvio-Ribas – Tibagi, próximo ao cruzamento da rodovia PR 151, Zona 1
Campus UEPG Corte da estrada de ferro Central do Paraná, dentro do campus da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Zona 1
Quadro 5: Relação dos afloramentos passíveis de serem utilizados para estudos
AFLORAMENTOS LOCALIZAÇÃO
Francelina I No corte da Estrada de Ferro, fundos da Vila Francelina, Bairro de Uvaranas, Zona 2
Rua João XXIII Rua Papa João XXIII, Vila Santa Mariana, Zona 2 Vila Mariana Rua Virgilio Carneiro Gomes, Vila Marina, Zona 2
Curva Vilela Rua Odorico Mendes esquina com a Rua Zacarias de Góes e
Vasconcelos, Vila Vilela, Zona 2
Sr. João Rua Zacarias de Góes e Vasconcelos, Vila Vilela, Zona 2 Santa Paula Av. Rotary Club de Ponta Grossa, Jardim Sabará, Zona 5 Presidente Kennedy Av. Presidente Kennedy, entre o km 494 e o km 495, Zona 6 Patui Rua Padre Antonio Patuí, Jardim Pontagrossense, Zona 1
Quadro 6: Relação dos afloramentos que apresentam restrições de uso em função da desagregação mecânica e notório valor para pesquisa
AFLORAMENTOS LOCALIZAÇÃO
Afloramento Vila
Claudionora Rua José Carlos Rodrigues, Vila Claudionora, Zona 2
Olarias Rua Joaquim Meneleu de Almeida Torres, Bairro de Olarias, Zona 1 Quadro 7: Relação dos afloramentos que não são passíveis de serem utilizados em função da periculosidade
4.6 DAS POSSIBILIDADES DA GESTÃO E DO USO PEDAGÓGICO DOS AFLORAMENTOS FOSSILÍFEROS DA ÁREA URBANA DE PONTA GROSSA INTER-RELACIONANDO ENSINO DE GEOGRAFIA E PALEONTOLOGIA
De posse das informações sobre a localização e descrição dos afloramentos fossilíferos levantados no presente estudo, da identificação e localização dos estabelecimentos de ensino estaduais, que se encontram na área urbana de Ponta Grossa, distribuídos pelas seis zonas, bem como o levantamento e a análise dos conteúdos propostos nos documentos curriculares oficiais que permitem ao professor realizar abordagens paleontológicas, foi
possível estabelecer alguns indicativos de uso pedagógico do potencial fossilífero existente em Ponta Grossa, o qual passa por uma questão de gestão do território, na medida em que se apresentam a distribuição dos afloramentos e das escolas com base em uma proposta de zoneamento, no tripé afloramentos, escolas e malha urbana.
O mapeamento das escolas e dos afloramentos fossilíferos possibilitou a divisão do perímetro urbano em seis zonas, as quais foram analisadas em relação à distância de cada afloramento até a escola, das possibilidades de locomoção e de possíveis trajetos de grupos de alunos a esses locais.
O acesso dos professores e alunos aos locais que contêm material fóssil será mais fácil em algumas zonas da cidade pela proximidade da escola em relação ao local do afloramento fossilífero, porém é importante destacar que mesmo que a escola se localize distante do afloramento, isso não impede o acesso a riqueza paleontológica existente na região, pois todos os afloramentos indicados se encontram na área urbana.
Quanto ao deslocamento dos professores e alunos, este pode ser feito por meio das linhas de ônibus do transporte coletivo que servem a cidade (100% integrado), sendo que também é possível a utilização de veículos fretados ou cedidos por órgãos públicos, visto que as despesas tendem a ser pequenas, pois as distâncias, entre as diferentes escolas e os diversos afloramentos fossilíferos, não são tão grandes.
Ao pensar esta proposta de aproveitamento do potencial paleontológico da cidade de Ponta Grossa, é evidente que se levou em conta, também, a legislação existente sobre o tema que ampara o uso pedagógico desse potencial. Porém, é muito tênue a fronteira que separa o uso para fins educacionais e outros tipos de uso do material fóssil.
Dessa forma, a gestão da proposta de uso dos afloramentos deve ter um caráter legal, com critérios bem definidos englobando uma série de cuidados para que não ocorra a depredação descontrolada dos afloramentos fossilíferos identificados nesta pesquisa.
Além disso, a articulação entre diferentes segmentos da sociedade torna-se significativa do ponto de vista da competência que cada segmento possui para legislar sobre o uso desses locais a partir de uma proposta que integre as esferas municipal, estadual e a Instituição de Ensino Superior.
CONCLUSÕES
A pesquisa desenvolvida permite apresentar algumas conclusões que estão embasadas no referencial teórico, construído ao longo do levantamento bibliográfico, e nas diversas atividades de campo que foram desenvolvidas durante a realização de tal pesquisa, assim como na experiência da pesquisadora pautada nos vários anos de docência no Ensino Fundamental e Médio.
Com base nos resultados da pesquisa bibliográfica e do trabalho de campo, conclui-se que:
- Os afloramentos fossilíferos do perímetro urbano de Ponta Grossa estão todos ameaçados de degradação e desaparecimento.
- A valorização desse rico patrimônio junto às escolas promoverá a sensibilização das comunidades locais para a necessária preservação desses sítios.
- Os conteúdos da Geografia e da Paleontologia, inter-relacionados, podem ser utilizados como eixo articulador na Educação Básica.
- O potencial paleontológico existente no município de Ponta Grossa deve ser utilizado como ponto de partida para a proposta.
- É possível contemplar conteúdos da Paleontologia, a partir de temas geográficos, como as questões socioambientais (ocupação de áreas irregulares, preservação do patrimônio natural), as geológicas (rochas, tempo geológico, eras geológicas), nas séries finais do Ensino Fundamental e Médio, independentemente de qual proposta curricular seja adotada pelo professor.
- O Plano de Trabalho Docente Anual, Semestral ou Bimestral deve ser o documento base da proposta de inter-relação Geografia e Paleontologia.
- Desde que resguardados os princípios éticos e o respeito às normas técnicas, os afloramentos Curva I, Santa Luzia, Slavieiro, Contorno Leste, 26 de Outubro, Desvio-Ribas e Campus-UEPG são passíveis de uso pedagógico por professores da Educação Básica.
- A Formação Ponta Grossa é, de longa data, utilizada para fins didáticos e a adoção da proposta de valorização dos sítios paleontológicos por meio da interrelação Geografia e Paleontologia contribuirá para sua preservação.
- A gestão da dinâmica de uso pedagógico dos afloramentos fossilíferos deve estar sob a jurisdição de órgãos institucionalizados. No caso, uma Instituição de Ensino Superior em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Ensino.
- A orientação sobre o uso do material fóssil deverá ocorrer por meio da oferta de cursos de formação continuada e de projetos extensionistas.
Esta pesquisa trouxe à discussão a problemática que envolve o subaproveitamento da Paleontologia na Educação Básica. Assim, chamar a atenção para esta problemática e indicar formas alternativas de abordar este campo do conhecimento, nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, a partir da disciplina de Geografia é fundamental, em função de que esta proposta de ensino-aprendizagem vai além do tradicional espaço físico da sala de aula.
A exploração do potencial científico e sociológico que os afloramentos fossilíferos, existentes em Ponta Grossa, têm a oferecer propicia aos professores de Geografia e, conseqüentemente, aos seus educandos, um novo olhar sobre o ambiente ao seu entorno.
Mesmo que esta proposta centre-se no ensino de Geografia integrado com a Paleontologia, focado nas peculiaridades paleontológicas encontradas no município de Ponta Grossa, as reflexões, as discussões e os encaminhamentos teórico-metodológicos certamente serão úteis para educadores da área de Geografia de outras regiões do Brasil.
Portanto, o desenvolvimento de pesquisas que discutam e reflitam sobre algumas possibilidades de aproximação entre conteúdos de diferentes áreas do conhecimento torna-se relevante à proporção que essas reflexões possibilitam pensar a educação numa perspectiva mais ampla, que contribua à formação cidadã.
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ANEXOS – Estampa 1, Estampa 2, Estampa 3 e Estampa 4.
ESTAMPA 1
1 2
3 4
6
Principais fósseis ocorrentes nos sítios paleontológicos da Formação Ponta Grossa no sítio urbano do Município de Ponta Grossa (fotos do Grupo Palaios - Paleontologia Estratigráfica UEPG/CNPq).
1. Brachiopoda - sp; 2. Brachiopoda - sp; 3. Brachiopoda - sp; 4.
Brachiopoda - sp; 5.Brachiopoda - sp; 6. Brachiopoda - sp.
Australocoelia Australocoelia Australocoelia
Australocoelia Australospirifer Australospirifer
0,5 cm 0,5 cm
0,5 cm 0,5 cm
0,5 cm
2,0 cm
5
2,0 cm
ESTAMPA 2
7 8
9
10
11 12
7. Brachiopoda - Lingulídeo; 8. Brachiopoda - Lingulídeo; 9. Brachiopoda - Lingulídeo; 10. Brachiopoda - Lingulídeo; 11. Brachiopoda - Lingulídeo; 12. Brachiopoda - Lingulídeo.
0,5 cm
0,5 cm 0,5 cm0,5 cm
0,5 cm 0,5 cm
0,5 cm 0,5 cm
0,5 cm
0,5 cm 0,5 cm0,5 cm