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Em 1980, o Mato Grosso do Sul foi incluído na área de atuação da Eletrosul. Neste ano, o Relatório da Diretoria, na seção de Recursos Humanos, relatava que "deu-se continuidade

C...] à contenção de dispêndios no nível mínimo".

Contrastando com esta posição, o novo diretor de Cons­ trução, anteriormente atuando na COPEL, anunciava obras para ampliar a capacidade instalada para 7.500 MW, sendo que, na época, era de 1.433 MW (entrevista 8). "Havia, na Diretoria, noção de que as restrições financeiras não permitiriam a obra de Ilha Grande. Entretanto, havia um sentimento de que se de­ via começar a obra para criar o fato consumado" (entrevista

5) .

O Relatório de Diretoria de 1981 colocava que,

"atendendo às necessidades conjunturais do país, a Eletrosul teve de rever sua programação de obras, adequando-a aos re-

cursos disponíveis e, por esta razão, teve de limitar seus empreendimentos àqueles mais prioritários e de execução mais acessível".

Começaram as restrições quanto à concessão de promoções de funcionários, movimentações, treinamento, viagens ao exte­ rior, e também as leis salariais reduziram os níveis mais elevados de salário. Já se vislumbrava a necessidade de pos­ tergar obras. "As atividades diminuíam e o quadro aumentava, especialmente no nível de apoio" (entrevista 13).

Com a postergação de obras, parcela de funcionários atu­ ando nos canteiros de obras foi transferida para a sede. Ao aumento do quadro junto à sede, adicionou-se a diminuição de atividades, visto o adiamento das atividades de expansão, criando uma situação de subutilização de parte do quadro fun­ cional. Este fato serviu para criar atritos e gerar um clima de ameaça às posições alcançadas por cada servidor, assim como questionou as expectativas anteriores de crescimento pessoal na organização (entrevista 13).

Às restrições financeiras, implicando a dificuldade de

prosseguimento dos empreendimentos, somou-se o não-

acatamento, pela Presidência, de algumas propostas da tecno- estrutura. Estas ocorrências foram vistas, internamente, como ameaças às posições e funções da tenoestrutura, criadas e de­ finidas numa perspectiva do caráter empreendedor do início da

organização. Este sentimento atingiu, em especial, aqueles setores diretamente relacionados às atividades de expansão da rede elétrica, como Construção, Engenharia e Planejamento. A rivalidade e a influência crescente das concessionárias esta­ duais também apareciam como ameaça nesta época de recursos

escassos. "Havia a ameaça da Copei" (entrevista 8). "O Paraná era o que mais brigava contra a empresa" (entrevista 3).

Encabeçado por alguns gerentes ligados à tecnoestrutu-

ra, organizou-se um movimento do corpo gerencial da empresa.

Isto ocorreu em 1981, após o Seminário Nacional de Produção

e Transmissão de Energia Elétrica (SNPTEE), principal evento técnico-científico do Setor Elétrico Brasileiro, organizado

pela Eletrosul, em Balneário Camboriú (SC). Nesta ocasião,

foi fundada a APROSUL, Associação dos Profissionais da Ele­ trosul. "A APROSUL começa em 1981, um pouco fechada, pois se restringia aos profissionais de nivel superior, em especial gerentes, para discutir assuntos da empresa e do setor, o que não era permitido pela estrutura vigente" (entrevista 6).

A entidade propunha-se a discutir os problemas do setor e da empresa, apresentar soluções e influir nas decisões or­ ganizacionais. Os gerentes entendiam que não havia comprome­ timento da Diretoria com os interesses da empresa (entrevista 8). No início, a filiação foi restrita e a atuação divulga­ da de forma tímida, por medo de represálias. Em 1983, a APRO­ SUL mudava seu estatuto, abrindo seu quadro a todos os funci­ onários. Esta mudança aconteceu devido à pressão dos demais funcionários, e à própria percepção dos integrantes iniciais, que viam a necessidade de fortalecer a entidade, através do crescimento do quadro de associados (entrevistas 6,8). "A filiação, restrita aos de nível superior, foi mal recebida pelos demais" (entrevista 6).

Alguns entrevistados afirmaram que, no seio deste movi­ mento, se destacaram algumas lideranças utilizando a APROSUL em proveito próprio (visando galgar postos na estrutura da organização), e também para atrelamento a partidos políticos

era uma luta pelo poder" (entrevista 9) . "Havia uma vontade dos gerentes em assumir maiores prerrogativas, pois tudo vi­ nha de cima para baixo" (entrevista 6).

Salienta-se que o período, início da década de 80, no plano político brasileiro, caracterizava-se pela distensão política, com amplo crescimento da importância dos partidos de oposição ao Governo Federal, assim como pela influência do movimento sindical combativo (ligado em especial à Central Única dos Trabalhadores - CUT) nas organizações estatais. O arrocho salarial contribuiu para a adesão maciça ao movimen­ to (Skidmore, 1988).

Nesta época, na Eletrosul, "o Sindicato era o de Tuba­ rão, que negociava por todos. O de Florianópolis era muito ligado à Celesc. Poucos eram sindicalizados na Eletrosul. O movimento era muito fraco, não existia o Departamento Inter- sindical de Estudos e Estatística (DIEESE), órgão de apoio ao movimento sindical. As pessoas esperavam que as coisas acon­ tecessem" (entrevista 6).

Novamente, em 1982, o Relatório da Diretoria ressaltava: "os investimentos em obras tiveram de ser acentuadamente so­ brestados por limitações de recursos, dentro da difícil fase conjuntural que ora se abate sobre o Brasil e o mundo". Neste mesmo documento relatava-se que "as áreas de estudos e plane­ jamentos realizaram amplos e importantes trabalhos tratando,

[,..]da evolução dos sistemas elétricos próprios". Em con­ traste, citava um número significativo de obras planejadas para expansão do sistema nos próximos anos.

Em 1983, a Direção da empresa destacava, em seu relató­ rio, que "a estrutura de financiamento demonstrou uma cres­

cente participacão de recursos de terceiros, decorrente da baixa geração de recursos operacionais".

Sobre "as perspectivas de expansão do sistema elétrico da Eletrosul [...] para o período 1984 a 1994 foi previsto um aumento de 4.090 MW na potência instalada da empresa", citava o Relatório de Diretoria de 1984. Neste ano, a capacidade instalada total era de 3.222 MW. Verificava-se, assim, que a Administração da empresa, apesar de ciente das dificuldades que se apresentavam, planejava uma expansão de 150% (em capa­ cidade instalada) do sistema elétrico.