De acordo com Araújo e Jesus (2013), o processo de compras públicas passou por significativas evoluções nas últimas duas décadas e, principalmente, após o advento do
26 em processos de compras públicas. Desta forma, este advento representou um grande marco para promulgação de leis cujo objetivo passaram a ser o combate à corrupção.
Nesse sentido, a Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993 (BRASIL, 1993) – considerada como a legislação basilar –, estabelece as normas gerais sobre licitações e contratos administrativos no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, definindo, em seu artigo 22 as modalidades de concorrência, tomada de preços, convite, concurso e leilão (MENEZES; LINHARES, 2013).
A partir de então, no setor público, as compras ocorrem na forma de processos licitatórios (ARAÚJO; JESUS, 2013). Ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes (BRASIL, 1988), bem como que garantam a transparência governamental em relação aos atos públicos (ARAÚJO; JESUS, 2013).
A transparência é, então, condição essencial para a efetivação da ordem democrática e da visibilidade do poder público (NONATO; MEDEIROS; SOUZA, 2014).
A licitação pública tem por finalidade garantir os princípios da administração pública, bem como acatar a proposta mais vantajosa, proporcionando assim a melhoria dos serviços prestados à sociedade. Sendo assim, a licitação, além de garantir que bens e serviços sejam adquiridos de forma legal pelos órgãos, procura também ser resposta viável no controle de gastos governamentais, a fim de proporcionar à administração aquisição ou prestação de serviço menos oneroso e com melhor qualidade (OLIVEIRA, 2015, p. 133).
Juridicamente, a licitação é substanciada por procedimentos administrativos que se relacionam entre o público e os interessados por meio de condições anteriormente acordadas, dentre as quais será selecionada a mais conveniente para a celebração de contrato (DI PIETRO, 2004).
O processo de CPC é um tema pouco explorado nos campos do direito e da administração. Pode ser considerada como uma ferramenta estratégica e de incentivo ao desenvolvimento (CALDAS; NONATO, 2013). No Brasil, existem poucas pesquisas nesta área da gestão pública e, ainda, persistem muitas dúvidas acerca dos procedimentos operacionais para a realização do CPC ou para uma legislação única, sintética, objetiva e expressiva (TRIDAPALLI; FERNANDES; MACHADO, 2011).
Assim, na falta de uma legislação única, sintética, objetiva e expressiva, em relação à fundamentação legal do processo de compras públicas na modalidade compartilhada, a mesma encontra-se em consonância com as leis, nas quais citam-se:
27 1. Lei 8.666/93, que regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal (CF), institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências (BRASIL, 1993);
2. Decreto 3.555/00, que aprova o regulamento para a modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns (BRASIL, 2000); 3. Lei 10.520/02, que institui no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e
Municípios, nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns e dá outras providências (BRASIL, 2002);
4. Decreto 5.450/05, que regulamenta o pregão, na forma eletrônica, para aquisição de bens e serviços comuns e dá outras providências. (BRASIL,2005);
5. Decreto 7.892/13, que regulamenta o Sistema de Registro de Preços previsto no art. 15 da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993 (BRASIL, 2013);
6. Instrução Normativa n. 05 de 27 de junho de 2014, que dispõe sobre os procedimentos administrativos básicos para a realização de pesquisa de preços para a aquisição de bens e contratação de serviços em geral (BRASIL, 2014).
A Lei 8.666/93 estabelece em seu artigo 2º que:
As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei (BRASIL, 1993, p.1).
Já a Lei 10.520/02 estabelece em seu artigo 1º que, “para aquisição de bens e serviços comuns, poderá ser adotada a licitação na modalidade de pregão, que será regida por esta Lei” (BRASIL, 2002, p.1).
Esta última Lei, em consonância com a aprovação regulamentada pelo Decreto 3.555/00 (BRASIL, 2000) instituiu, no âmbito da Administração Pública, a modalidade de licitação denominada ‘Pregão’ para aquisição de bens e serviços comuns, que é a principal modalidade aplicada nos processos licitatórios desencadeados pelos Órgão Públicos (BRASIL, 2002).
A inovação estabelecida na modalidade pregão nos processos de compras do Governo ficou a cargo do Decreto 5.450/05 (BRASIL, 2005). Com a aprovação desse decreto, houve a regulamentação do pregão na forma eletrônica; ou seja, a modalidade pregão estabelecida nos anos anteriores passa a ser obrigatória para aquisição de bens e serviços comuns, conforme o
28 artigo 4º deste decreto. Porém, também ficou estabelecido que, preferencialmente, a forma eletrônica nesses casos deve ser adotada.
Segundo Oliveira (2015), é preciso buscar maneiras de agilizar o processo de licitação, melhorando as atividades e procedimentos de um modo geral, sem deixar de seguir os parâmetros da lei. É necessário torná-lo eficiente, o que só traria ganhos para a Administração Pública, que anseia por instituições que sigam princípios administrativos.
Em 2013, ficou estabelecida, através do Decreto 7.892/13 (BRASIL, 2013), a regulamentação do sistema de registro de preços. E, foi por meio deste que a administração regulamentou, através da utilização da modalidade pregão eletrônico, as figuras do órgão gerenciador e a figura do órgão participante.
Art. 2º Para os efeitos deste Decreto, são adotadas as seguintes definições:
I - Sistema de Registro de Preços - conjunto de procedimentos para registro formal de preços relativos à prestação de serviços e aquisição de bens, para contratações futuras;
II - Ata de registro de preços - documento vinculativo, obrigacional, com característica de compromisso para futura contratação, em que se registram os preços, fornecedores, órgãos participantes e condições a serem praticadas, conforme as disposições contidas no instrumento convocatório e propostas apresentadas; III - Órgão gerenciador - órgão ou entidade da administração pública federal responsável pela condução do conjunto de procedimentos para registro de preços e gerenciamento da ata de registro de preços dele decorrente;
IV - Órgão participante - órgão ou entidade da administração pública que participa dos procedimentos iniciais do Sistema de Registro de Preços e integra a ata de registro de preços; (Redação dada pelo Decreto nº 8.250, de 2.0141)
[...] (BRASIL, 2013, p.1).
Diante deste contexto, com base na literatura revisada, é que se pode afirmar, legalmente, o processo de CPC como forma de otimizar os recursos administrativos disponíveis, bem como tornar o processo de compras da administração pública um processo mais atraente em termos financeiros aos seus fornecedores e mais dinâmico e sustentável para os Órgãos Públicos, melhorando a eficiência do mecanismo de gerenciamento da cadeia de suprimentos no setor público.