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CAPÍTULO 3 METODOLOGIA

3.3. O CONTEXTO E SEUS PARTICIPANTES

3.3.2. Contexto

3.3.2.1 Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica e os Institutos Federais

Foi na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que o termo “Educação Profissional” foi utilizado pela primeira vez, em um capítulo especial dedicado a ela, separado da Educação Básica: Capítulo III, artigos 39 a 42. Em 2008, pela redação dada pela Lei nº 11.741, o termo passou a ser “Educação Profissional e Tecnológica” (EPT), substituindo as várias “expressões que tentam, através da história, imprimir significado à educação profissional: ensino profissional, formação profissional ou técnico profissional, educação industrial ou técnico-industrial, qualificação, requalificação e capacitação” (BRASIL, 2004).

Como parte do programa de expansão da EPT do governo brasileiro, por meio da Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, instituiu-se a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

Embora a Rede Federal de EPT tenha sido estabelecida em 2008, em Lei, “a formação profissional como responsabilidade do Estado inicia-se no Brasil em 1909, com a criação de 19 escolas de artes e ofícios” KUENZER (2009, p. 27). Conforme ilustrado no quadro a seguir.

Quadro 5 - Evolução da Educação Profissional no Brasil 1909 Nilo Peçanha iniciou, no

Brasil, o ensino técnico por meio do Decreto n° 787 de 11 de setembro de 1906

19 Escolas de Aprendizes Artífices

1931 Reforma política de Francisco Campos por meio de decretos

Regulamenta a organização do ensino secundário e organiza o ensino profissional comercial – as escolas técnicas de comércio

1942 Reforma Capanema Institui as Leis Orgânicas Nacional da Educação do Ensino Secundário e do Ensino Industrial. São criadas entidades especializadas, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)

1943 Lei Orgânica do Ensino Comercial (Decreto-Lei nº 6.141/43)

Criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC)

1946 Leis Orgânicas Lei Orgânica do Ensino Primário (Decreto-Lei nº 8.529/46), do Ensino Normal (Decreto-Lei nº 8.530/46) e do Ensino Agrícola (Decreto-Lei nº 9.613/46)

1961 Escolas Técnicas Federais Os estabelecimentos de ensino industrial recebem a denominação de Escolas Técnicas Federais

1971 Lei Federal nº 5.692/71, que reformula a Lei Federal nº 4.024/61

Generaliza a profissionalização no Ensino Médio, então denominado segundo grau

1978 Lei nº 6.545 Transforma a Escola Técnica Federal de Minas Gerais, Paraná e do Rio de Janeiro nos três primeiros Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs)

1994 Lei Federal nº 8.948/94 Cria o Sistema Nacional de Educação Tecnológica 1996 Lei Federal nº 9.394/96, atual

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)

Configura a identidade do Ensino Médio como uma etapa de consolidação da educação básica, preparando o educando para o trabalho e para a cidadania

1997 Decreto nº 2.208/97 Regulamenta a educação profissional e a separa do Ensino Médio. Criação do Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP)

1999 Expansão a partir de 1999 No período mais recente, entre 1999 e 2004, as mudanças legislacionais foram: o censo da educação superior registrava 16 instituições de educação superior tecnológica, todas públicas; em 2004, para 144 instituições

2003 Debates A antiga Semtec/MEC, hoje intitulada Setec, inicia um processo de debates com a sociedade, visando ao aperfeiçoamento da legislação da educação profissional e tecnológica

2004 Decreto 5154/2004, 5224 e 5225/2004

Retorno da possibilidade de integração da EP e Educação Geral. Reacendeu discussões sobre a politecnia

2008 Lei nº 11.892/08 Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e os Institutos Federais

Fonte: Quadro resumo elaborado pela autora a partir das informações sobre o percurso da EPT no site do MEC (http://portal.mec.gov.br) e em KUENZER (2009).

Segundo o Ministério da Educação (MEC), atualmente, são 562 escolas técnicas em atividade, conforme representado na figura a seguir.

Figura 13- Cenário da expansão da EPT desde 2002 até 2014

Os Institutos Federais (IFs) fazem parte da gama de opções de EPT da Rede Federal que se tem hoje no Brasil (atualmente são 38 unidades), assim como a Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR; Centros Federais de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET-RJ e de Minas Gerais – CEFET-MG; Escolas Técnicas Vinculadas às Universidades Federais; Colégio Pedro II37 (BRASIL, 2008, 2012)

A Lei nº 11.892/2008 define os IFs como instituições de educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializadas na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino (BRASIL, 2008). Por isso, os IFs têm ofertado a EPT em todos os seus níveis de escolaridade e modalidades de ensino, desde o nível básico, com cursos de Formação inicial e continuada de trabalhadores (FICs), ao superior com cursos de pós- graduação stricto sensu.

Além disso, os IFs apoiam políticas públicas de oferta de EPT presencial e à distância, como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado em 2011; e o sistema Rede e-Tec Brasil, lançado em 2007, que tem como objetivo ampliar, interiorizar e democratizar o acesso a cursos Técnicos de Nível Médio e FICs, e programas como o Profuncionário, Mulheres Mil e Rede Certific.

Segundo informações contidas no site do MEC, o Profuncionário possibilita a formação dos funcionários de escolas técnicas, em efetivo exercício (BRASIL, 2008); o Certific, por sua vez, permite o reconhecimento dos saberes dos trabalhadores adquiridos ao longo de sua vida profissional (BRASIL, 2008); enquanto o Programa Mulheres Mil oferta cursos de EPT para mulheres em situação de vulnerabilidade social (BRASIL, 2009).

3.3.2.2 O Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, o Eixo Gestão e Negócios e o Curso Técnico de Nível Médio (Subsequente) em Logística

Decidimos agrupar os três contextos acima, por estarem estreitamente relacionados, o que ajudará o leitor a acompanhar a construção do texto. Este trabalho adotou, como contexto, o curso técnico de nível médio subsequente em Logística do Instituto Federal de Brasília (IFB), que faz parte do eixo Gestão e Negócios.

O eixo Gestão e Negócios, objeto do nosso estudo, é caracterizado pelas tecnologias organizacionais, viabilidade econômica, técnicas de comercialização, ferramentas de

informática, estratégias de marketing, Logística, finanças, relações interpessoais, legislação e ética, e conta com 17 cursos. O curso de Logística é uma das opções dentro desse eixo tecnológico, podendo ser integrado, concomitante ou subsequente.

De acordo com o projeto político-pedagógico do IFB, as atribuições do técnico em Logística seriam, principalmente, operacionalizar processos de aquisição, administração de materiais; dar suporte às decisões quanto à seleção de fornecedores, compra de materiais locais ou internacionais; dimensionar processos de armazenagem; conhecer os processos de distribuição de produtos; auxiliar na sistematização de processos de transportes, com base em conhecimentos e habilidades sobre modais, composição de custos de frete e de negociação.

Conforme dados do MEC (2011/2012), os cursos de Logística são oferecidos em 991 unidades no Brasil, incluindo técnico e tecnólogos, escolas da rede pública e privada, tanto de forma presencial quanto à distância, com um total aproximado de 90.466 alunos matriculados. Só nos IFs, há a oferta de cursos técnicos e tecnólogos em Logística em 22 unidades. Entre eles, seis oferecem língua estrangeira (apêndice D).

3.3.2.3 O componente curricular LE no curso técnico em Logística e o cronograma do curso O curso técnico em Logística do IFB é ofertado desde 2011, com duração de um ano e meio, ou seja, em três módulos semestrais. O componente curricular LE é ofertado no segundo módulo e tem uma carga horária de 40 horas/aula neste curso, distribuída em 2 horas/aula semanais. Vale ressaltar que, no final dessa pesquisa, o curso passou por uma reformulação, passando a ser de 1 ano e a LE retirada da grade curricular.

O curso foi elaborado com base no modelo de planejamento proposto por Almeida Filho (2012) e Estaire e Zanón (1990). Apresentamos o cronograma das aulas, datas de suas aplicações, temas/tópicos e a carga horária (CH) destinada a cada temática, no quadro a seguir:

Quadro 6 - Cronograma das aulas

Data Aula Tema Tópicos CH

40h/a

06.10.14 1

EMPRESA Ideia de negócio 8h/a

13.10.14 2

20.10.14 3 Organização empresarial 4h/a

27.10.14 4 O PROFISSIONAL Perfil 4h/a 03.11.14 5 Recursos humanos 4h/a

10.11.14 6

MERCADOS Produtos e serviços 4h/a

17.11.14 7 Mercadotecnia 4h/a

24.11.14 8

COMUNICAÇÃO Cliente e fornecedores 4h/a

01.12.14 9 Documentos, Logística e

Transporte 8h/a

08.12.14 10

Os demais componentes: os objetivos de cada unidade e as tarefas (final, comunicativas e possibilitadoras) serão apresentados no capítulo de análise de dados, na seção (4.1.3) destinada à descrição dos critérios utilizados em nosso planejamento CLIL por tarefas para o ELFE na EPT.