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Esquema 2- Encadeamento Setorial de Energia Elétrica

2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

2.4 O CONTEXTO TEÓRICO DE GUNNAR MYRDAL

Deve-se de plano considerar-se à luz da abordagem teórica de Myrdal, a sua categórica refutação da noção de equilíbrio estável relativo a causação circular de um processo acumulativo. Esta argumentação está expressa em suas palavras seguintes “meu ponto de partida, formulado inicialmente em têrmos negativos é a asserção de que a noção do equilíbrio estável é normalmente uma falsa analogia que se estabelece quando se formula a teoria que visa a explicar a mudança no sistema social. O que está errado, ao se aplicar a hipótese do desequilíbrio estável à realidade social, é a própria idéia de que o processo social tende a uma posição que se possa descrever como estado de equilíbrio entre forças. Por trás dessa idéia, encontra-se outra hipótese, ainda mais fundamental, de que a mudança tende a provocar reações que operam em sentido oposto ao da primeira mudança (MYRDAL, 1972, p. 33-34).

Para aquele estudioso, ao contrario, em geral não se verifica essa tendência à auto- estabilização automática no sistema social. Portanto, o sistema não se move, espontaneamente, entre forças, na direção de um estado de equilíbrio, mas, constantemente, se afasta dessa posição. Assim, em virtude dessa causação circular, o processo social tende a tornar-se acumulativo e, muitas vezes, a aumentar, aceleradamente, sua velocidade (p. 34).

Uma simples ilustração do principio da interdependência circular dentro do processo de causação acumulativa, está segundo Myrdal (1972), no exemplo de que caso uma industria, por qualquer motivo ou acidente, paralize suas atividades, sem solução imediata, o efeito imediato é a fábrica deixar de produzir e os trabalhadores perderem o emprego. Logo, com o advento desse problema, haveria diminuição das rendas e da demanda. Assim, por esse resultado, de queda na procura com redução das rendas, provocará desemprego em todos os outros negócios da comunidade, cujos produtos e serviços eram vendidos à empresa e seus empregados. Desta forma, segundo Myrdal, (1972, p. 47-48) “desencadeia-se um processo de causação circular, com efeitos que se acumulam à feição de um “circulo vicioso”.

Uma idéia principal veiculada por Myrdal, (1972, p. 51) é que o jôgo das forças de mercado tende, em geral, a aumentar e não a diminuir as desigualdades regionais .

Para o autor,

se as forças de mercado não fossem controladas por uma política intervencionista, a produção industrial, o comércio, os bancos, os seguros, a navegação e, de fato, quase todas as atividades econômicas que, na economia em desenvolvimento, tendem a proporcionar remuneração bem maior do que a média, e, além disso, outras atividades como a ciência, a arte, a literatura, a educação, e a cultura superior se concentrariam em determinadas localidades e regiões, deixando o resto do país de certo modo estagnado (MYRDAL, (1972, p. 51-52).

Ainda para Myrdal (1972, p. 52), as localidades e regiões favorecidas oferecem condições naturais particularmente boas para as atividades econômicas que nelas se concentram; em muitos casos, isso ocorre quando essas regiões iniciam a obter vantagens competitivas. Assim, como é natural, a geografia econômica constitui o cenário. Logo, os centros comerciais localizam-se, obviamente, onde existe condições naturais favoráveis à construção de um porto e os centros de industria pesada se situam, em regra, não muito longe das fontes produtoras de recursos minerais .

Segundo Myrdal (1972, p. 53),

a expansão em uma localidade produz ‘efeitos regressivos’ (backwash effects) em outras, isto é, os movimento de mão-de-obra, capital, bens e serviços não impedem, por si mesmos, a tendência natural à desigualdade regional. Por si próprios, a migração, o movimento de capital e o comércio são, antes, os meios pelos quais o processo acumulativo se desenvolve – para cima, nas regiões muito afortunadas, e para baixo, nas desafortunadas. Em geral, seus efeitos são positivos nas primeiras e negativos nas últimas.

Na sequência Myrdal (1972, p. 58), observa que

em oposição aos ‘efeitos regressivos’ há, também, certos ‘efeitos propulsores’ (spread effects) centrífugos, que se propagam do centro de expansão econômica para outras regiões. É natural que toda região situada em torno de um ponto central de expansão se beneficie dos mercados crescentes de produtos agrícolas e seja paralelamente estimulada ao progresso técnico .

Segundo Costa (2010, p.102), à luz da teorização de Myrdal, observa que

nos países subdesenvolvidos é vital a implantação de uma política nacional de desenvolvimento conduzida pelo Estado, que de maneira nenhuma seja construída sob os termos de relação custo/lucro privado. O Estado, por intermédio das políticas públicas, deve intervir controlando os ‘efeitos regressivos’ e promovendo a gestação de ‘efeitos propulsores’ para que todo o processo virtuoso de crescimento de uma região seja transmitido para a região periférica, desse modo, promovendo uma distribuição mais equitativa do desenvolvimento no espaço. Deve-se deixar claro que, para o autor, o planejamento estatal não tolhe as iniciativas, pelo contrario, abre-lhes mais espaços de atuação.

Finalmente, deve-se acrescentar a observação de Lira (2005, p. 40) em relação ainda a abordagem teórica de Myrdal, pois informa que aquele pesquisador, defendeu que o processo de industrialização em uma economia subdesenvolvida deveria iniciar-se com base em uma reserva de mercado para a produção nacional incipiente, e que deveria existir espaço para a industria nacional adquirir condições de igualdade em termos de competição no mercado internacional, promovendo assim um firme processo acumulativo de desenvolvimento econômico. Concordando, também com as demais colocações anteriores, que as teses daquele estudioso introduziram, portanto, no pensamento teórico, variáveis relevantes para a discussão sobre a realidade das economias subdesenvolvidas, sendo determinante a sua contribuição no que se refere à necessidade de adoção do planejamento como fator indispensável à estruturação do desenvolvimento dessas economias .

2.5 A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ENDÓGENO E A