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2.2 A relevância do contexto

2.2.5 Contexto temporal e espacial

Acima destes cinco contextos, se localizam os contextos temporal e espacial. O primeiro incorpora os contextos acima citados e trata da sua evolução. Como no caso dos estudos empíricos sobre o Vale do Silício que analisam como a cultura e as ações empreendedoras colaboraram para o desenvolvimento de um clima favorável para o surgimento de empresas de base tecnológica (AUTIO et al., 2014; WELTER, 2011). O segundo trata da distribuição das empresas, em nível global, nacional, regional e local (WELTER, 2011), além de estudar a transferência dos empreendedores para diferentes locais, na busca por políticas, instituições e rede de apoio favoráveis aos seus negócios (DRORI; HONIG; WRIGHT, 2009).

No campo dos estudos da interferência do contexto temporal e espacial, muitos estudos utilizam como arcabouço teórico o modelo diamante de Porter (PORTER, 1989) que enfatiza que a competitividade das nações é fruto das: i) condições de acesso e qualidade dos fatores de produção; ii) qualidade e tamanho do mercado interno; iii) existência de segmentos industrias desenvolvidos; iv) estrutura industrial em termos de cooperação e competitividade intra-industrial.

Inicialmente elaborado para análises em nível nacional, o modelo de diamante (PORTER, 1989) passou a ser utilizado em análises de aglomerações e dinâmicas industriais, considerando a cooperação industrial, processos de aprendizagem e fluxos de conhecimento. Nesse sentido Porter (2000) argumenta que dinâmica de crescimento econômico é produzida pela sinergia entre segmentos industriais e pela cooperação com instituições de apoio. Esse argumento incide na

teoria dos clusters, os quais são definidos como “concentrações geográficas de empresas interligadas, fornecedores especializados, prestadores de serviços, empresas, em indústrias relacionadas, e instituições associadas (universidades, agências de normas e associações comerciais) (PORTER, 2000).

A abordagem dos clusters fornece explicações para a dinâmica econômica nacional e regional, contudo, Ács, Autio e Szerb (2014) vão além dos pressupostos de Kirzner (1997), que considerava o empreendedor como um explorador de oportunidades/falhas mercadológicas. Os autores argumentam que a conjuntura institucional incide no desempenho da atividade empreendedora. Dessa maneira, os ganhos resultantes da busca por uma oportunidade estão associados à disponibilidade e condições de acesso a mercados e recursos humanos, financeiros, serviços especializados e de apoio, dentre outros. Estes recursos muitas vezes podem ser obtidos tanto no setor público como privado e por vezes são denominados como ecossistemas de empreendedorismo.

O conceito de ecossistema de empreendedorismo surgiu baseado na experiência de várias regiões caracterizadas pela atividade de empresas nascentes que apresentam alto impacto na região, em que se localizam, tais como o Vale do Silício, Massachusetts, Cambridge, Copenhague, Helsinque e Israel (ISENBERG, 2010; ROBERTS; EESLEY, 2011). Os ecossistemas de empreendedorismo são compostos por diversos atores que interagem entre si, se assemelhando a uma rede de serviços especializados. Nela, o empreendedor obtém auxílio de universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento, capital humano qualificado, investidores anjo e de risco, além de serviços especializados em marketing, assessoria jurídica e fornecedores (ISENBERG, 2011; NECK et al., 2004; WEST; BAMFORD, 2005).

De acordo com Isenberg (2011), um ecossistema de empreendedorismo apresenta seis domínios, cuja interação bem sucedida impulsiona de maneira positiva o desempenho de todo ecossistema. Dessa maneira, lideranças que agem em prol do empreendedorismo, disponibilidade de recursos financeiros e capital humano, cultura favorável a criação de novas empresas e inovação, existência de instituições de apoio e de mercado consumidor propiciam um ambiente ideal para o empreendedorismo de alto impacto, conforme ilustrado na Figura 5.

Figura 5 - Domínios do ecossistema empreendedor de Isenberg (2011)

Fonte: adaptado Isenberg (2011)

A diferença em relação a abordagem de sistemas nacionais de inovação se dá em relação ao foco nos indivíduos, diferenças regionais e na aplicabilidade das inovações para a sociedade. Em um ecossistema de empreendedorismo, não existe hierarquia ou estrutura de tomada de decisões, cada medida, poderá influenciar a rede em diferentes graus, dessa maneira a cooperação é essencial para o sucesso da atividade empreendedora (ÁCS; SZERB; AUTIO, 2014, 2016).

Mason e Brown (2014) argumentam que o surgimento dos ecossistemas de empreendedorismo depende das características regionais, isto é, localizações intensivas em conhecimento, com agências de apoio, com uma ou mais empresas de alta tecnologia, caracterizadas pela presença de pesquisadores e técnicos dedicados às atividades de inovação. Além da existência de instituições de ensino e pesquisa, responsáveis por gerar conhecimento científico e tecnológico, criando bases para a criação de empreendimentos de alto impacto e atraindo empresas e indivíduos engajados nas atividades de inovação. De acordo com Napier e Hansen (2011) empresas nascentes, apresentam maiores chances de sucesso, quando localizadas em ecossistemas de empreendedorismo, uma vez que estes apresentam os recursos necessários para seu desenvolvimento, como capital de risco, demanda, capital humano e redes de conhecimento.

Bramwell, Hepburn e Wolfe (2012) defendem a relevância das universidades para os ecossistemas e para a dinâmica econômica local, devido ao

seu papel no desenvolvimento de pesquisas e inovações, as quais podem se tornar inovações tecnológicas por meio da transferência de conhecimentos, isto é, através do intercâmbio entre empresas/empreendedores e universidades. Devido à contribuição científica e tecnológica, as universidades atraem recursos financeiros, capital humano, contratos de pesquisa e fluxos de conhecimento de outras localizações, mantendo o desempenho do ecossistema. Instituições como Cambridge, Instituto Tecnológico de Massachusetts, Michigan, Stanford, entre outras, apresentam interações significativas com o ecossistema e contribuem para a dinâmica regional.

No que tange às interações com o ecossistema, Lemos (2013) apresenta uma divisão dos elementos internos e externos às universidades. Os primeiros são de competência universitária e incluem agências de transferência de tecnologia, incubadoras, candidatos a empreendedores (alunos e pesquisadores), infraestrutura física, parque tecnológico, portfólio de tecnologias desenvolvidas pela universidade, escola de negócios, centros de empreendedorismo. Os elementos externos não são gerenciados pela instituição, incluem fundos de investimento, empresas, governos, políticas, serviços especializados e outras universidades.

2.2.6 Interferência do contexto no comportamento empreendedor, desempenho da