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O concelho de Palmela, no distrito de Setúbal, ocupa cerca de 462Km2 da Área

Metropolitana de Lisboa constituindo-se como o seu município de maior extensão (vide figura 1). Composto por cinco freguesias, tem como sede de concelho Palmela (vide figura 2), cuja vila sobe uma íngreme colina em direcção ao castelo ou, adoptando um discurso historicamente referenciado, trata-se de uma vila que foi ocupando, gradualmente, as planícies desde os tempos áureos da Ordem de Santiago16.

Marateca, a segunda freguesia por ordem cronológica, situa-se no extremo sul do município, ocupando uma vasta área de paisagem de vinha.

Em 1926, depois de um período de décadas de apelos e protestos à corte, Palmela retoma a figura de sede de concelho. Em 1928 são criadas as freguesias de Quinta do Anjo e Pinhal Novo17, curiosamente as freguesias que actualmente se encontram em maior expansão sócio-demográfica. Finalmente, em 1988, o concelho tomou a forma que hoje mantém com a criação da freguesia de Poceirão.

O município tem uma vasta área de território rural que convive com o mais importante crescimento industrial da Península de Setúbal. Este hibridismo de elementos que caracterizam o território causa alguma instabilidade económica e política porque, estando geograficamente enquadrado na região de Lisboa, está impossibilitado de recorrer a grande número de financiamentos comunitários já que o mundo rural não se apresenta como argumento suficiente. Esta questão leva-nos à difícil caracterização do espaço segundo a dicotomia rural/urbano, tantas vezes utilizada em descrições desta natureza. Tal como explicado por Veiga (2005), esta é uma noção recente que emergiu do processo de integração progressiva dos campos num sistema económico, social e político unificado, resultante da conjugação das forças de industrialização e urbanização, permitindo reflectir sobre os efeitos e impactos do referido processo de integração (idem: 9). A partir destes desenvolvimentos, o rural foi sendo desenhado como estrutura social e económica oposta ao urbano. Hoje, esta noção tornou-se utópica, sem reflexos na realidade. E, embora os critérios: agricultura, demografia, povoamento e ecologia se

16A ordem de Santiago (1172 – 1834), secularmente instalada no Mosteiro do Castelo, tinha a seu cargo o domínio directo do património (essencialmente vinhas e olivais), por meio de um sistema de aforamentos, traduzido num rigoroso controlo da estrutura social e económica da região. Para saber mais ler: FERNANDES, Isabel Cristina (coord.) - Ordens Militares. Palmela, Colibri / Câmara Municipal de Palmela, Vol. I e II. ; Catálogo da Exposição: A Ordem de Santiago – história e Arte. Palmela, Câmara Municipal de Palmela, Julho de 1990.

possam constituir, ainda, argumentos de relevo, as ditas sociedades rurais esbatem-se no urbano, quase sempre, geograficamente tão próximo.

A freguesia de Pinhal Novo tem uma configuração interessante neste domínio. A vila ocupa o lugar central do território administrado por esta autarquia. Como ponto geográfico de referência, ao seu redor habitam lugares e lugarejos onde ainda se respira o remexer da terra, o estrumo dos animais, a paisagem que ganha os tons das estações do ano. É perfeitamente possível depararmo-nos com pequenos ranchos de mulheres que, dependendo do período do ano agrícola, ora escaldeiam a vinha, ora lavram os campos repletos de culturas, ora pastoreiam os rebanhos. Mas serão estas paragens locais onde a ruralidade se constitui como fórmula máxima do viver ou, através de um olhar de perto (Magnani:2000), constatamos que as dinâmicas da urbanidade convivem com o quotidiano do lugar?

Eventualmente poderíamos aqui recorrer-nos da teoria do continuum rural /urbano de Kayser (1990), resgatada por Veiga (2005), para sublinhar a existência de um território híbrido, composto por referenciais simultaneamente rurais/urbanos, que não podem ser isolados ou quantificados em si. A mobilidade da população permitirá, na sua maioria das vezes, positivar este fenómeno de continuidade através da constatação de uma área residencial rural, em articulação com um quotidiano urbano, consequência da actividade profissional. Este será, provavelmente na sua maioria, o cenário da freguesia de Pinhal Novo mas, não tendo dados para apresentar e não se constituindo esta questão, mesmo que interessante, relevante para o presente trabalho, não será motivo de aprofundamento.

A freguesia tem uma área com cerca de 54 Km², uma das mais pequenas do concelho. Integra os seguintes lugares: Pinhal Novo; Abreu Grande; Abreu Pequeno; Arraiados; Batudes; Carregueira; Fonte da Vaca; Lagoa da Palha; Lagoinha; Montinhoso; Olhos de Água; Palhota; Penteado; Retiro dos Caçadores; Rio Frio; Salgueirinha; Terrim; Vale do Alecrim; Vale de Marmelos; Vale da Vila; Valdera; Vales e Venda do Alcaide.

Segundo os dados do Censos18 referentes ao ano 2001 – e não existindo outros mais recentes - tem uma população residente de 20 993 hab19. Sabendo-se que, segundo a

18 Fonte INE Censos – Pinhal Novo está inserido numa das cinco NUTS III da Península de Setúbal – in [consult. 11 Junho 2008] Disponível em http://www.cm- palmela.pt/pt/conteudos/o+concelho/Estatísticas+e+Números

19 Na mesma data, importa saber a população das restantes freguesias do concelho de Palmela que tinha um total de 53 967 habitantes, distribuídos do seguinte modo: Pinhal Novo 20 993 (39,35%), Palmela 16 115 (30,21%), Quinta do Anjo 8 354 (15,66%), Poceirão 4 304 (8,07%) e Marateca 3 586 (6,72%).

mesma fonte, em 1950 teria 6 429 habitantes, verificamos que em meio século passaram a residir na freguesia mais 14 504 indivíduos (registando uma evolução de cerca de 125%). Hoje, tem a maior densidade populacional do concelho de Palmela. Este factor ganha maior relevância se adicionarmos a informação de que o concelho de Palmela, entre 1981 e 2001, se estabeleceu como o terceiro maior concelho em crescimento demográfico do distrito de Setúbal. Ora, numa análise desagregada por freguesia, verificamos que a maior dinâmica cabe precisamente ao Pinhal Novo, com um crescimento de 36, 7% (Andrade:2006).

Os dados que dizem respeito à estrutura etária da população demonstram que em 2001 existiam 11 626 indivíduos com idade compreendida entre os 25 e os 64 anos e 6 573 com idade inferior a 24 anos20, com uma predominância relativa do género feminino (51,2% contra 48,8% de indivíduos do género masculino). Relativamente ao nível de instrução, os dados demonstram que existia, há uma década atrás, uma taxa de analfabetismo de 4,2%21, muito próxima dos valores apresentados por Lisboa (5,7%), considerada uma das mais baixas do país.

Através da análise dos dados apresentados concluímos, sem grande esforço, que Pinhal Novo se apresenta como a freguesia cuja variação positiva da população é mais evidente no contexto do município constituindo, inclusive, durante a década de 80, o único pólo de atracção do concelho, representando, ainda, a sua maior área urbanizada. E é precisamente o argumento estatístico sobre a atracão do território que nos levará, nas linhas que se seguem, a redesenhar o percurso histórico da freguesia, para nos fixarmos depois na vila, o centro urbano propriamente dito.