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Neste capítulo trazemos alguns trabalhos que tratam sobre comportamento político, sobre sistema partidário e sobre volatilidade eleitoral. Eles aparecem como ponto de partida para nossa análise e ajudam a justificar e integrar a presente pesquisa no debate atual sobre esses temas. Além disso, são importantes para a escolha das variáveis que serão trabalhadas, para a construção das hipóteses, e para a análise dos resultados obtidos e conclusões.

Esta seção está subdividida em quatro tópicos. O primeiro irá apresentar a relação entre contexto e comportamento político, expor pesquisas clássicas sobre o tema e apresentar a relevância dessa perspectiva para explicar o comportamento político e a dinâmica eleitoral. O segundo traz análises sobre o sistema partidário e a ideia de institucionalização e estabilidade da disputa política, para explorar o uso comum do indicador de volatilidade eleitoral e como interpretar seus valores. O terceiro tópico traz as dificuldades em utilizarmos o índice de volatilidade eleitoral e os cuidados que devemos ter ao trabalhar com essa informação. Por fim, o quarto tópico explora pesquisas recentes que analisam a volatilidade eleitoral no Brasil, e nos ajudam a conhecer o cenário que estamos estudando e a melhor forma de interpretar nossos resultados.

18 Um grande clássico dessa linha de pesquisa foi escrito por Lipset e Rokkan (1967). Preocupados em explicar a formação dos sistemas políticos sob diferentes condições, os autores apresentam a origem e a estrutura de sistemas partidários europeus, e sua relação com as clivagens sociais que permeavam a sociedade. Segundo Lipset e Rokkan (1967), essas clivagens teriam surgido após a consolidação do território nacional, e devem ser analisadas de forma conjunta, pois estão presentes em toda sua extensão. Cada uma delas irá se manifestar em alinhamentos partidários específicos de acordo com os objetivos do setor, visando algum retorno vantajoso. Os autores distinguiram quatro clivagens essenciais: igreja x governo, economia primária x economia secundária, trabalhadores x proprietários dos meios de produção, e novos temas culturais x cultura dominante (Lipset e Rokkan, 1967).

Para eles, os partidos políticos têm como função explicitar e cristalizar os conflitos e os contrastes entre os interesses presentes na estrutura social e, ao mesmo tempo, servir como estímulo para que os cidadãos se vinculem a alguma clivagem e estabeleçam quais são suas prioridades de preferências. Por isso, os partidos devem estar em conformidade com as clivagens sociais para que consigam influenciar a comunidade política e sejam representativos, buscando o sucesso eleitoral. Há, portanto, uma relação direta entre as características estruturais da sociedade e os partidos políticos que possuem maior apoio na disputa por cargos públicos.

Por meio dessa análise os autores são capazes de explicar a gênese dos sistemas políticos e a consolidação das bases partidárias em contextos específicos. Essas conexões entre o sistema e a sociedade reforçam o vínculo existente entre partidos e eleitores, uma vez que essas instituições podem direcionar sua campanha e propaganda política para grupos mais delineados, respondendo às suas demandas específicas e garantindo sucesso eleitoral e capacidade de influência na comunidade política.

A partir das ideias de Lipset e Rokkan (1967), muitos autores analisaram se o sistema de clivagens se mantém, e o impacto que elas ainda exercem sobre o voto. Bartolini (2001), por exemplo, analisa como as clivagens refletem no sistema político da União

19 Europeia, e aponta as vantagens das análises sobre estabilidade e legitimidade do sistema a partir dessa perspectiva. Fazendo o caminho inverso, Chabanet (2001) explora se o sistema político da União Europeia afeta as clivagens dos sistemas partidários nacionais. Já sobre a continuidade das clivagens, autores como Dalton (1996) e Bornschier (2009) afirmam que o sistema de clivagens sofreu grandes mudanças e não é tão evidente nos anos seguintes à pesquisa de Lipset e Rokkan (1967), com exceção para as clivagens de classe e religiosa que, apesar do declínio, ainda apresentam algum impacto sobre o voto. Além deles, Pedersen (1983) também explora a ideia do congelamento das clivagens, e afirma que as exceções ressaltadas por Lipset e Rokkan (1967) deixam de ser exceções, e se tornam mais frequentes no período posterior.

Seguindo nesse caminho, alguns autores negaram a hipótese de congelamento do sistema partidário (“freezing hypotesis”), debatida naquele contexto. Mas é importante pontuar que o trabalho de Lipset e Rokkan (1967) estava preocupado essencialmente com a gênese do sistema partidário e não asseguravam a certeza da continuidade dessa mesma estrutura nos anos seguintes. Sobre isso, Mair (2001) afirma que a ideia por trás da teoria das clivagens é relacionar uma posição da estrutura social com um partido específico. Ou seja, a estrutura social determinaria os conflitos de valores e o voto. O declínio das clivagens que muitos afirmam seria, na verdade, o declínio dessa divisão social que era tão evidente e bem delimitada naquele período. Ao contrário, o que diz respeito ao impacto que a estrutura social tem sobre o voto se mantém. O autor defende a importância de definir claramente o que entendemos por clivagens e analisar de forma aprofundada os possíveis determinantes do voto, indo além dos alinhamentos partidários.

Com foi dito, a principal preocupação de Lipset e Rokkan (1967) era apresentar a gênese do sistema partidário e demonstrar que o surgimento e o sucesso de partidos políticos dependiam da sua eficácia na representação de interesses de grupos específicos. A partir disso, muitos trabalhos se destacaram tentando explicar não só a formação dos sistemas partidários, como também os fatores que estimulam suas mudanças ou continuidades. Um deles foi Dalton (1996), que afirma que a mudança nas clivagens é uma das causas para explicar a mudança no sistema partidário e no eleitorado como um todo. Temos também Bornschier (2009), que interpreta a ideia sobre um congelamento do

20 sistema partidário como algo equivalente a pensar na institucionalização deste sistema. Para o autor, um sistema que estivesse congelado, ou seja, que apresenta um considerável grau de continuidade e estabilidade, poderia ser interpretado como um sistema institucionalizado, que oferece maior previsibilidade aos seus atores.

Além do debate sobre cristalização de preferências e representação da população pelos partidos, o trabalho de Lipset e Rokkan (1967) foi fundamental para pesquisas que tratam sobre a relevância do contexto para explicar o comportamento político de partidos ou eleitores. A visão dos partidos como atores fundamentais do processo representativo e que visam, principalmente, ocupar cargos públicos, tem muito a se beneficiar com o debate sobre a eficácia do contexto para explicar suas estratégias de disputa ou desempenho eleitoral. Assim como as pesquisas que buscam explicar o comportamento de eleitores, o processo de escolha de partidos políticos ou candidatos e as tendências de comportamento ou perfis de bases partidárias na sociedade.

Os atores estão inseridos num meio social que pode exercer impacto sobre sua forma de atuação. Seja devido à influência do local em que cresceu, viveu e construiu sua personalidade, que pode gerar demandas específicas, seja devido a sua participação em grupos ou associações que representem seus interesses e colaborem na formação de suas opiniões e na direção de suas ações. Como afirma Lima Jr. (1983), para compreender escolhas de líderes políticos, partidos e eleitores, é importante incorporar o contexto socioeconômico e singularidades da dinâmica política local (Rocha e Kerbauy, 2014).

É importante destacar que quando falamos de “contexto" não estamos nos referindo apenas às características demográficas ou socioeconômicas de determinada sociedade, mas também às regras e instituições que permeiam a vida dos atores e influenciam suas ações. Quando tratamos sobre o processo eleitoral, essa influência das instituições se torna mais evidente. Ela pode ser direta, quando determinada regra atua sobre a ação do indivíduo como, por exemplo, o dia definido para ocorrer a eleição; indireta, quando sua influência é sobre determinada condição que, por sua vez, interfere na ação do eleitor como, por exemplo, um alto número de vagas incentivar a participação dos partidos, o que aumentaria o número de competidores e modificaria as opções do eleitor; ou contingente, quando ocorre apenas na presença de uma terceira variável como, por

21 exemplo, o alto custo do voto que interfere no número de eleitores de alta e baixa renda que vão às urnas. Segundo Dalton e Anderson (2011),

voters may react to the more proximate and identifiable options existing in the party system that flows from theses institutional structures. We presume that the political context defined by the electoral system and party system shapes the voters’ behavior in three ways: by determining the number of choices, the nature of choices, and the predictability of choices (Dalton e Anderson, 2011, p. 9).

Os autores afirmam a importância de pensarmos sobre os contextos nos quais os indivíduos estão inseridos e reforçam a necessidade de pesquisas comparativas que demonstrem os possíveis efeitos que procedimentos distintos podem gerar, e as mudanças que esses locais sofrem ao longo do tempo (Dalton e Anderson, 2011). No nosso caso, trabalhamos com municípios de um único país que estão submetidos às mesmas regras eleitorais. Entretanto, as variáveis institucionais que analisamos apresentam valores diversos entre os casos, alterando a configuração da disputa de acordo com o porte e o tamanho do eleitorado de cada município, características fundamentais para a oferta partidária e estrutura sociodemográfica local.

Como afirmam Rocha e Kerbauy (2014), os municípios brasileiros são diversos e apresentam características demográficas, socioeconômicas e políticas particulares. As autoras citam a forte correlação existente entre o porte e os indicadores socioeconômicos como as taxas de urbanização, de pobreza, de desenvolvimento humano, entre outras. Essa relação entre porte e características estruturais em um país que possui municípios com pouco mais de 800 habitantes (Borá-SP) e outros que ultrapassam os 11 milhões de habitantes (São Paulo-SP), reforça a necessidade de pesquisas que consigam dar conta dessa realidade subnacional de forma específica e aprofundada.

Muitos trabalhos têm esse esforço de analisar o contexto municipal, olhando para o comportamento eleitoral e a formação de bases partidárias. Dentre eles, destacamos aqueles cujo direcionamento teórico é fundamental para nosso trabalho. O primeiro é o de Faria (1978) que analisa as diferentes votações partidárias nas regiões do estado de São Paulo. Já Kerbauy (2000) analisa municípios paulistas para mostrar as mudanças que ocorreram na dinâmica da disputa eleitoral nesse nível, debatendo com o conceito de

22 clientelismo. Outro trabalho é o de Meneguello e Bizzarro Neto (2012), que analisa as bases partidárias no estado de São Paulo e demonstra como variáveis sociodemográficas são capazes de explicar o desempenho eleitoral dos partidos políticos em locais com características específicas. Por fim, Rocha e Kerbauy (2014), que reúnem trabalhos de diversos pesquisadores que analisam a dinâmica eleitoral, as estratégias políticas e o desempenho partidário nos municípios brasileiros.

O presente trabalho se insere nessa linha de pesquisa e pretende colaborar com a compreensão sobre o impacto e a influência do contexto local sobre os atores políticos, assim como sobre a dinâmica da disputa eleitoral no nível subnacional.

Sistemas partidários e a institucionalização

Nesta seção apresentamos a discussão sobre institucionalização do sistema partidário. Apesar de não ser nossa preocupação fundamental, pesquisas sobre o tema utilizam a forma mais comum da nossa principal variável, a volatilidade eleitoral. Isso porque a volatilidade eleitoral compõe o conjunto de fatores necessários para que um sistema seja considerado institucionalizado ou não, ao apresentar a cristalização e a estabilidade das preferências eleitorais. Apesar de não nos preocuparmos em definir o grau de institucionalização do sistema subnacional, esses trabalhos são essenciais para interpretarmos os valores obtidos para este índice para o cargo de vereador.

A questão da institucionalização é muito presente nos trabalhos que se preocupam em analisar sistemas partidários, principalmente em pesquisas comparativas. Um sistema institucionalizado traz diversas vantagens aos atores daquele contexto, e diz muito sobre o funcionamento da política local. Essa noção de institucionalização do sistema partidário foi apresentada por Mainwaring e Scully (1995). Segundo os autores, os meios utilizados anteriormente para comparar sistemas partidários não eram adequados para o caso da América Latina. Devido a isso, criaram esse conceito, e afirmam que a principal diferença entre os sistemas partidários latino-americanos é se eles são institucionalizados ou não.

23 De acordo com Mainwaring e Scully (1995), um sistema partidário institucionalizado apresenta “stability in interparty competition, the existence of parties that have somewhat stable roots in society, acceptance of parties and elections as the legitimate institutions that determine who governs, and party organizations with reasonably stable rules and structures” (Mainwaring e Scully, 1995, p.1). É uma situação na qual as organizações e os procedimentos são regularizados e amplamente conhecidos, dando a eles valor e promovendo estabilidade. Nesse processo, os partidos aparecem como protagonistas, uma vez que são eles que conectam o sistema e os cidadãos. Sendo assim, a sobrevivência de partidos políticos por longos períodos sugere que consistem em instituições bem organizadas e duradouras, mas também que possuem relação estável com uma base social sólida de apoio da população.

Segundo os autores, a institucionalização do sistema partidário é muito importante para a consolidação democrática e seu funcionamento. Em sistemas mais institucionalizados os partidos funcionam como peça chave para o processo político, as ações políticas são mais previsíveis e o processo de accountability é facilitado. Onde isso não ocorre é mais difícil estabelecer a legitimidade de regras e procedimentos, as legislaturas e instituições são enfraquecidas, e governar se torna mais complicado, dando privilégios às elites e permitindo práticas patrimonialistas. Além disso, em sistemas pouco institucionalizados há mais espaço para o populismo, para as práticas personalistas e para a violação das regras políticas (Mainwaring e Scully, 1995, p.23).

Há uma relação direta entre a institucionalização do sistema e o regime democrático. Por isso, a proposta de análises que se baseiam no grau de institucionalização do sistema partidário tornou-se mais adequado para os países da América Latina, pois se tornaram democráticos mais recentemente12. A partir do momento que o país se torna democrático, ele passa por uma série de processos de estruturação e consolidação do novo regime, com o surgimento de partidos políticos e instituições legítimas e representativas. Essa transição leva tempo e, por isso, interfere no grau de institucionalização do sistema

12

Segundo Huntington (1991), os países que se tornaram democráticos após 1974 fazem parte do que o autor chama de “terceira onda de democratização”, e possuem características distintas das democracias industriais avançadas.

24 partidário. Esse fato reforça a importância do cuidado que devemos ter ao analisar a política local, levando em consideração suas particularidades e características específicas. E a partir da noção de institucionalização, muito foi feito para avaliar a estrutura e o funcionamento dos sistemas partidários.

Mas, ainda assim, existem alguns obstáculos para a realização desses trabalhos. Como afirmam Mainwaring e Scully (1995),

survey data and data on electoral geography would be useful in showing how citizens perceive parties, measuring the strenght of party identification, and assessing voter stability in voters’ electoral preferences. Do most citizens express a predilection for a party? Are voting patterns relatively stable, according to geographical and sociological groups? Unfortunately we do not have sufficiently comparable data to undertake this effort here.” (Mainwaring e Scully, 1995, p.11).

Ou seja, existe grande dificuldade em obter os dados necessários para analisar em profundidade os países latino-americanos em todas as dimensões sugeridas pelos autores. Isso se agrava no caso de pesquisas comparativas, uma vez que é preciso ter os mesmos dados para cada um dos países analisados. Sendo assim, normalmente privilegiam- se algumas questões em detrimento de outras. Das condições necessárias para que o sistema partidário possa ser considerado institucionalizado, aquelas que se destacam são a estabilidade da competição partidária e as raízes que os partidos políticos possuem na sociedade.

Nessas pesquisas, a volatilidade eleitoral aparece como indicador chave para medir a estabilidade da competição entre partidos em regimes democráticos. Seu grande êxito consiste no seu cálculo que utiliza valores que são facilmente encontrados. Alguns autores sugerem adaptações a esse índice de acordo com seus interesses de pesquisa, como Power e Tucker (2010) que propõem dois cálculos de volatilidade, um para os partidos estáveis e outro para aqueles que surgem ou deixam de existir; ou como Concha (2014), que sugere acrescentarmos um peso à volatilidade eleitoral de acordo com o número de eleições consecutivas, a fim de mensurar a relevância do tempo na estabilidade democrática. Apesar disso, o índice tradicional proposto por Pedersen (1979) é o mais utilizado.

25 Um trabalho que segue essa linha de pesquisa é o de Mainwaring e Torcal (2005), que analisa a estabilidade da competição e o enraizamento partidário após a terceira onda de democratização. Os autores ressaltam a importância de considerarmos as especificidades locais em nossas análises, e demonstram diferenças centrais entre os sistemas partidários latino-americanos em comparação com as democracias industriais avançadas. Nessas últimas foi possível notar uma maior estabilidade na competição entre partidos e um maior enraizamento social. Essas características são justificadas pelo maior vínculo programático e ideológico dos eleitores, e pela menor presença de personalismos.

Para medir o enraizamento do sistema, Mainwaring e Torcal (2005) utilizaram a existência de voto ideológico e voto personalista, pois a maioria das teorias sobre alinhamentos partidários diz respeito aos “vínculos ideológicos e programáticos entre eleitores e partidos” (Mainwaring e Torcal, 2005, p.260). Consequentemente, se os eleitores possuem vínculos com os partidos e não com seus integrantes, a tendência é que o voto personalista seja reduzido. Essa evidência é mais presente em sistemas institucionalizados e diverge do que encontraram nos regimes que surgiram após 1974.

Já para medir a estabilidade da competição, os autores utilizaram a volatilidade eleitoral, e afirmam que em locais com maior enraizamento partidário a volatilidade eleitoral tende a ser menor. Esse resultado foi visto principalmente em democracias avançadas, tornando evidente a importância do tempo para a estabilidade do sistema partidário. Além disso, Mainwaring e Torcal (2005) também encontraram que a volatilidade reduz com o aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e do Produto Interno Bruto (PIB) per capta, demonstrando que em países mais ricos a variação de votos entre partidos é menor.

Outro exemplo da utilização do índice de volatilidade eleitoral está no trabalho de Mainwaring e Zoco (2007), que também ressalta a especificidade dos sistemas partidários latino-americanos em comparação com as democracias industriais avançadas. Os autores explicam os contrastes que foram encontrados na volatilidade eleitoral desses países e afirmam que os sistemas partidários mais desenvolvidos têm uma volatilidade muito menor quando comparadas aos regimes mais recentes. Eles apontam três principais problemas dos sistemas com alta volatilidade. O primeiro deles é que, nesses sistemas, as

26 legendas partidárias são fracas em oferecer atalhos aos eleitores. O segundo problema é que há uma maior incerteza sobre os resultados eleitorais como, por exemplo, quem governa e quais são as políticas executadas, favorecendo a existência de personalismos. Por fim, o terceiro problema consiste na mudança das estratégias das elites para apresentar candidatos para competir no processo político e dos cidadãos em seu comportamento eleitoral ao definir seu candidato (Mainwaring e Zoco, 2007, p.157-8).

Para explicar as diferenças na volatilidade eleitoral entre os países, Mainwaring e Zoco (2007) apresentam oito hipóteses. Segundo os autores, a volatilidade eleitoral: 1) reduz com o passar do tempo; 2) aumenta conforme a fragmentação do sistema partidário também aumenta; 3) é maior em sistemas presidencialistas; 4) é maior em locais com baixo crescimento econômico; 5) aumenta com maiores taxas de inflação; 6) é menor em democracias mais antigas; 7) é menor em regimes competitivos que possuem maior porcentagem de força de trabalho em manufaturas, mineração, construção e transporte; e, 8) é menor em regimes com maior densidade de trabalhadores em sindicatos ou associações.

Os autores não encontraram impacto da alta inflação, e um impacto modesto do número efetivo de partidos, do baixo crescimento econômico e da idade do regime democrático. Por outro lado, encontraram um alto impacto do momento que o regime surgiu, confirmando a hipótese que em sistemas que se democratizaram após a década de 70 a volatilidade eleitoral tende a ser maior. Com isso, comprovam a relevância de características locais específicas para explorar a estrutura e o funcionamento do sistema partidário.

Seguindo a linha de estudos que utiliza a volatilidade como principal indicador da análise, temos o trabalho de Roberts e Wibbels (1999). Os autores analisam os sistemas

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