2. ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO
2.3. CONTEXTOS DA PESQUISA
A pesquisa foi realizada com os estudantes do Curso de Licenciatura em Enfermagem, da Unidade de Ensino de Enfermagem da Escola Superior Politécnica de Saúde do Porto, da Universidade Católica Portuguesa.
O curso de licenciatura em enfermagem, tem a duração de 4 anos, 240 créditos ECTS e confere o grau de licenciado, seguindo as recomendações nacionais e europeias (UCP - Universidade Católica Portuguesa, 2007). O curso habilita para o desenvolvimento das competências específicas definidas pela Ordem dos Enfermeiros (2003), para o enfermeiro de cuidados gerais, tal como preconizado no Decreto-lei nº 353/99,”o curso de licenciatura em Enfermagem visa assegurar a formação científica, técnica, humana e cultural para a prestação e gestão de cuidados de enfermagem gerais à pessoa ao longo do ciclo vital, à família, grupos e comunidade, nos diferentes níveis de prevenção”. É também objetivo da formação, que o licenciado em enfermagem tenha desenvolvido pensamento crítico e capacidade de aperfeiçoamento profissional, competências para a tomada de decisão na prestação e gestão de cuidados de enfermagem, hábitos de investigação e reflexão que sustente uma prática profissional responsável no quadro dos valores éticos subjacentes ao projeto de formação e dos princípios legais em vigor (UCP - Universidade Católica Portuguesa, 2007).
Tal como o preconizado na legislação portuguesa (Decreto-lei nº74/2006, alterado pelo Decreto-lei nº 107/2008) e diretiva comunitária (2005/36/CE), o primeiro ciclo de formação em enfermagem é mais longo (4 anos), pois é objeto de normas comunitárias de coordenação das condições mínimas de formação. Algumas das especificidades estão relacionadas com a duração, conteúdos e natureza da formação.
Nesta observância, o modelo de formação em enfermagem da Universidade Católica Portuguesa, visa a aquisição de competências por parte dos estudantes para o exercício de cuidados gerais de enfermagem. Os estudantes têm a oportunidade de conhecer a Enfermagem enquanto profissão e disciplina (História e
“Enfermeiro na Escola” – um projeto de ensino-aprendizagem, de investigação e de serviço à comunidade
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Epistemologia) e o Ser Humano na vertente bio-psico-social e cultural (Anatomia e Fisiologia, Psicologia, Sociologia e Antropologia); aprender técnicas específicas de comunicação aplicadas à Enfermagem e identificar as necessidades em saúde das pessoas e os recursos disponíveis e mais utilizados para a resolução dos seus problemas (Comunicação em Enfermagem, Enfermagem e Corporalidade e Ensino Clínico I). Devem ainda, aprofundar o conhecimento sobre as respostas humanas à doença e aos processos de vida, adquirir conhecimentos e capacidades de os aplicar na prestação de cuidados de enfermagem às pessoas em diferentes contextos de saúde e doença e na resposta a eventos específicos nos processos de vida (Patologia Geral e Especial do Adulto e Idoso, da Mulher e da Criança, física e mental, Enfermagem e Adoecer Humano, Enfermagem e Comportamento, Enfermagem e Processos de Vida; Ensino Clínico II, III e IV). Consolidado o saber fazer, é desenvolvida a capacidade para analisar problemas com base na informação relevante e emitir juízos na prática de enfermagem. Os estudantes são iniciados ao desenvolvimento de projetos de intervenção comunitária (Ensino Clínico I, Metodologia de Projecto, Enfermagem de Família e da Comunidade e Ensino Clínico V) e terminam o curso com um ensino clínico de integração à vida profissional, em que se inicia na gestão de cuidados de enfermagem, na formação e na investigação em enfermagem (Gestão de Cuidados e Supervisão Clínica e Ensino Clínico VI). O plano de estudos prevê ainda um conjunto de unidades que complementarão a formação do enfermeiro para uma prática responsável (Bioética, Deontologia Profissional) e outras, nomeadamente um conjunto de unidades opcionais de cada uma das áreas científicas, que o aluno seleciona de acordo com o seu projeto de desenvolvimento pessoal e profissional. No último semestre do curso desenvolvem ainda um Seminário, onde são abordadas as temáticas mais pertinentes em função do contexto geo-demográfico, da situação da profissão e da saúde em geral, bem como, do interesse dos estudantes. (UCP - Universidade Católica Portuguesa, 2007).
Os ensinos clínicos ocupam metade da carga total do curso, permitindo o desenvolvimento de competências clínicas relacionadas com a enfermagem (UCP - Universidade Católica Portuguesa, 2007). Com este propósito, os estudantes
realizam de forma sequencial práticas clínicas em diferentes contextos de prestação de cuidados, que de forma gradual lhes permitem a aquisição de competências transversais e profissionais de enfermagem. Os ensinos clínicos assumem assim uma importância central no processo de formação de enfermagem, pois permite- lhes mobilizar conhecimentos teóricos, teórico-práticos e práticos aprendidos no período de formação teórica, para contextos reais de cuidados, complexos e desafiantes, mediados por processos de reflexão sistemáticos que conduzam a aprendizagens significativas. Assim torna-se fundamental, que os contextos de ensino clínicos sejam locais ricos de experiências clínicas, que desafiem os estudantes a aprender e que os coloquem em contacto com realidades assistenciais a que a profissão pode responder.
A profissão de enfermagem é exercida cada vez mais fora dos hospitais e dos centros de saúde, expandindo-se para os contextos comunitários, onde a escola ganha uma importância reconhecida. Promover a saúde em contexto escolar, junto das crianças e dos jovens, pode ser uma forma consistente de empoderamento em saúde. Nesta assunção, faz todo o sentido que os processos de formação clínica de enfermagem possam também utilizar o contexto escolar para o desenvolvimento global de competências.
A experiência esporádica de intervenção em contexto escolar (Festas, 2004), permitiu uma reflexão sobre as potencialidades de desenvolver um projeto diferente, que pudesse incluir estudantes de enfermagem em ensino clínico, em comunidades escolares do distrito do Porto.
Depois duma etapa preliminar que permitiu avaliar a oportunidade de desenvolver o projeto nalgumas comunidades escolares, foi possível tomar a decisão de envolver apenas as escolas que tinham demonstrado a vontade expressa em desenvolver parcerias de trabalho com o ICS, no contexto da promoção da saúde na escola e também pelo facto da equipa docente ter reconhecido se tratar de locais com grande potencial de intervenção e onde os estudantes de enfermagem poderiam desenvolver o leque de competências transversais e profissionais, tal como o
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preconizado no modelo de formação em enfermagem da Universidade Católica Portuguesa (UCP - Universidade Católica Portuguesa, 2007).
As comunidades escolares selecionadas para o projeto foram:
Agrupamento Vertical de Escolas de Leça da Palmeira/ Santa Cruz do Bispo (AVE-LP/SCB);
Agrupamento Vertical das Escolas de Paços de Ferreira (AVE-PF);
Agrupamento Vertical de Escolas Anes de Cernache (AVE-AC);
Agrupamento Vertical de Escolas de Vila d’Este (AVE-VE).