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1-TERRA: ITINERÂNCIAS, ECOFORMAÇÃO E TESSITURAS

2.5 CONTEXTOS DE APRENDIZAGEM: TECENDO FAZERES

O conhecimento não está só nos livros, mas na vida, nas experiências que acontecem em múltiplos outros espaços/tempos fora da escola (TRISTÃO, 2008).

A educação para as sociedades sustentáveis, então, tem um forte caráter emancipatório, ao propor o fim das diferenças sociais, econômicas e o respeito às diferenças culturais (TRISTÃO, 2008).

Na Rede Municipal de Ensino de Vila Velha, vivenciei alguns contextos de aprendizagem da Educação Ambiental que “[...] são múltiplos espaços/tempos de nossas vidas articulados com a produção de conhecimento para a formação de diferentes sujeitos, ativos na EA, envolvendo alunos/as, professores/as [...]” (TRISTÃO; FASSARELLA, 2007, p. 87). Apresento, a seguir, alguns saberes tecidos nesses espaços de aprendizagem, os quais muito contribuíram para o desenvolvimento e a transformação da pesquisa.

A oportunidade de presenciar e vivenciar inúmeros contextos de aprendizagem fez inspirar-me em Larrosa (2004) e assim registro que é impossível não expressar o que se passou comigo, me tocou e me aconteceu. Por isso descrevo, nas próximas linhas deste capítulo, o importante trabalho da COE/ES, que não mediu esforços para organizar as reuniões com técnicos da SEDU, da PMV, da PMVV e NIPEEA/UFES e assim mobilizar as escolas das redes municipal e estadual para participarem da IV CNIJMA. Ressalto também que, em cada momento vivenciado com eles, percebi e presenciei a responsabilidade, a disponibilidade, a abertura, a paciência e todo o engajamento político para que nenhuma das escolas representadas pelos professores, gestores e secretarias de educação ficasse de fora do processo da Conferência de Meio Ambiente na Escola, bem como, e principalmente, a imensa atenção comigo durante a pesquisa de campo.

A primeira articulação importante realizada pela COE/ES foi um Seminário de Oficina Descentralizada, realizado na UFES, em parceria com o NIPEEA/UFES, a UFMT e a SEDU, com o objetivo de apresentar o material e a metodologia da Conferência e simular todas as etapas de uma Conferência de Meio Ambiente na Escola. Nesse

espaço de aprendizagem, envolvi-me com vários gestores, professores e pedagogos do 6.º ao 9.º ano das escolas de diferentes regiões do estado do Espírito Santo. Estavam também presentes nesse evento vários representantes das CORs da IV CNIJMA, que se articulariam para organizar, em seguida, as Oficinas de Grupos de Trabalho nos municípios, envolvendo primeiro os gestores e em seguida os professores. Todas essas mobilizações foram importantes para auxiliar na realização da Conferência de Meio Ambiente na Escola, mas o que realmente ficou, como diz Larrosa (2004), foram as marcas, os vestígios e os efeitos de todo esse contexto de aprendizagem, os quais me possibilitaram inúmeras transformações e, posteriormente, colaboraram no curso da pesquisa.

A COE é responsável por promover a articulação com organizações e pessoas interessadas em apoiar a Conferência na escola e por organizar campanhas publicitárias que possam contribuir para a sensibilização e formação específica sobre a temática. Além disso, também organiza a Conferência Estadual, realiza o encontro preparatório da delegação para participar da etapa nacional e escolhe os acompanhantes da delegação estadual. Destaco, ainda, que os representantes da COE/ES fazem parte de instituições governamentais e não governamentais que atuam nas áreas da educação, do meio ambiente, dos direitos humanos e da diversidade. A Comissão é coordenada pela SEDU/ES.

Outra articulação mobilizada pelo MEC, com vistas a contribuir para a circulação de informações durante a preparação da Conferência de Meio Ambiente na Escola, foi a divulgação, via WEB, no site http://conferenciainfanto.mec.gov.br, não somente dos temas da IV CNIJMA, mas também dos dias e horários previamente marcados para as conferências. Esse espaço virtual também enriqueceu muito o trabalho ecoeducativo, possibilitando novos saberes e fazeres aos professores, gestores e pedagogos envolvidos nesse contexto de aprendizagem, uma vez que “[...] o sujeito da experiência é sobretudo o espaço onde têm lugar os acontecimentos” (LARROSA, 2004, p. 161).

Durante a pesquisa de campo, técnicos do Setor de Extensão, Estágio e Educação Ambiental da SEMED/PMVV, em parceria com uma empresa39 que apresentava

responsabilidade ambiental e técnicos da COE/ES, proporcionaram um curso de formação continuada, intitulado Curso de Sustentabilidade, na Casa Verde, no Morro do Convento da Penha (Vila Velha-ES), direcionado aos professores de Ciências e aos pedagogos que representavam escolas municipais do 6.º ao 9.º ano.

O objetivo desse curso foi apresentar, desenvolver e potencializar a metodologia apresentada pela IV CNIJMA em escolas municipais, de acordo com orientações do MEC, do MMA e da SECADI. Esse curso foi realizado nos turnos matutino e vespertino.

Outro excelente exemplo de contexto de aprendizagem foi o Projeto Horta Escolar40,

coordenado pela equipe de Extensão, Estágio e Educação Ambiental da SEMED/PMVV, que, com sua disponibilidade e abertura, esteve presente durante todas as reuniões com a COE/ES, organizando o Curso de Sustentabilidade para os professores da Rede Municipal de Ensino.

As ações articuladas do Projeto Horta Escolar chegaram a dezesseis escolas do município de Vila Velha-ES, envolvendo tanto as Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEIs) quanto as UMEFs, em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural do Espírito Santo (INCAPER/ES), que disponibilizou um engenheiro agrônomo para acompanhar a horta. Com o desenvolvimento dessa atividade, foi possível estimular os educandos a terem uma alimentação saudável, além de potencializar os diversos saberes interdisciplinares e transdisciplinares que podem ser tecidos dentro da escola.

O Programa Mais Educação41, criado pela Portaria Interministerial n.º 17, de 26 de

Abril de 2007, e regulamentado pelo Decreto n.º 7.083, de 27 de janeiro de 2010, constitui-se como estratégia do MEC para indução da construção da agenda de

39 A empresa chama-se Rios Comércio, Importação e Exportação Ltda. Na época da pesquisa de

campo, recebeu a Certificação de Licenciamento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

40 Esse projeto faz parte do conjunto de ações propostas pelo Programa Mais Educação.

educação integral nas redes estaduais e municipais de ensino, que amplia a jornada escolar nas escolas públicas para, no mínimo, sete horas diárias, por meio de atividades optativas nos macrocampos acompanhamento pedagógico, educação ambiental, esporte e lazer, direitos humanos em educação, cultura e artes, cultura digital, promoção da saúde, comunicação e uso de mídias, investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica.