Conforme já explicitado anteriormente, o direito à convivência familiar de crianças e adolescentes pode ser “mitigado” quando o ambiente no qual estão inseridos não for saudável e apresentar riscos ao desenvolvimento desses sujeitos peculiares. Normalmente, o afastamento da criança/do adolescente do âmbito familiar se dará através da medida protetiva de acolhimento institucional, a qual carrega consigo as características de excepcionalidade e temporariedade. Caso não estejam presentes ambos requisitos, pode-se falar que o direito constitucional de convivência familiar está sendo violado. Essa hipótese é extremamente comum no cenário brasileiro atual, como demonstrado no capítulo anterior através de dados apresentados em pesquisas realizadas pelo IPEA.
Analisando esse contexto é que várias alterações foram feitas no Estatuto da Criança e Adolescente, objetivando não somente diminuir o tempo de acolhimento institucional, como até mesmo prever outras alternativas, o que culminou na introdução no Estatuto da medida protetiva de acolhimento familiar, na fixação de tempo de permanência máximo em acolhimentos institucionais (2 anos) e posterior redução desse prazo (18 meses) e, também, na fixação de períodos máximos de avaliação da situação de crianças e adolescentes acolhidos (6 meses) e posterior redução desse prazo para 3 meses.
Contudo, foi preciso ir além. Das falhas encontradas na execução da medida protetiva do acolhimento familiar e institucional, bem como ante a morosidade dos processos de destituição de poder familiar e, consequentemente, dos processos de adoção, nasce o instituto do apadrinhamento afetivo, uma das mudanças trazidas ao Estatuto pela Lei 13.509 de 2017. O apadrinhamento afetivo, segundo o parágrafo 1º do novo artigo 19-B do Estatuto da Criança e do Adolescente,
[...] consiste em estabelecer e proporcionar à criança e ao adolescente vínculos externos à instituição para fins de convivência familiar e comunitária e colaboração com o seu desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, cognitivo, educacional e financeiro. (BRASIL, 1990)
Apesar de ter sido introduzido ao ordenamento jurídico brasileiro apenas no ano de 2017, o surgimento do apadrinhamento afetivo no contexto infantoadolescente brasileiro data
de muito antes, sendo que os primeiros projetos criados (e os subsequentes) justificavam e fundamentavam a possibilidade de sua criação pelo artigo 4º do Estatuto, o qual dispõe ser
[...] dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária. (grifou-se) (BRASIL, 1990)
Por óbvio, qualquer projeto criado com o intuito de minimizar os efeitos danosos do acolhimento institucional e promover a convivência familiar e comunitária dos acolhidos não poderia ser impedido de funcionar, mesmo que sem previsão legal de sua existência.
Data do ano de 2002 a criação de um dos primeiros projetos de apadrinhamento afetivo criados no Brasil (Apadrinhamento Afetivo do Instituto Amigos de Lucas, Rio Grande do Sul), 15 anos antes da edição da Lei n. 13.509/2017, portanto. No ano de 2003, o Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio da Resolução n. 429, instituiu no estado seu projeto de apadrinhamento afetivo e financeiro. Contudo, na Comarca de Campo Grande, o projeto já vinha sendo realizado desde 2000, 17 anos antes da inserção da possibilidade do apadrinhamento no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Os projetos de apadrinhamento afetivo no Brasil foram se popularizando, mostrando bons resultados, até que viraram uma prática comum em alguns Estados. Então, em 2006, quando do lançamento da Plano Nacional de Promoção, Proteção, e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC), o apadrinhamento passa a constar em um documento oficial de nível nacional. Importante salientar que a PNCFC não previu a instituição de projetos de apadrinhamento, se limitando a apontar a necessidade de "elaborar parâmetros para a criação de Programas de apadrinhamento de crianças e adolescentes institucionalizados" (BRASIL, 2006, p. 101) como uma das ações necessárias para concretizar o objetivo, fixado pelo programa, de "Reordenamento dos serviços de Acolhimento Institucional". Foi previsto que os parâmetros seriam elaborados em um curto prazo, sendo apontados como agentes envolvidos o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), os Conselhos Municipais de Assistência Social (CMAS), os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), a Justiça da Infância e Juventude e os gestores estaduais e municipais; o CONANDA foi apontado como o único articulador.
Programa, por meio do qual, pessoas da comunidade contribuem para o desenvolvimento de crianças e adolescentes em Acolhimento Institucional, seja por meio do estabelecimento de vínculos afetivos significativos, seja por meio de contribuição financeira. Os programas de apadrinhamento afetivo têm como objetivo desenvolver estratégias e ações que possibilitem e estimulem a construção e manutenção de vínculos afetivos individualizados e duradouros entre crianças e/ou adolescentes abrigados e padrinhos/madrinhas voluntários, previamente selecionados e preparados, ampliando, assim, a rede de apoio afetivo, social e comunitário para além do abrigo. Não se trata, portanto, de modalidade de acolhimento. (BRASIL, p. 126).
É interessante a percepção de que, como mencionado no capítulo anterior, o acolhimento familiar foi uma medida proposta pela PNCFC incluída no Estatuto em 2009 pela Primeira Lei de Adoção (Lei 12.010/2009), existindo, portanto, uma lacuna de 3 anos entre a proposição dessa nova medida protetiva pela PNCFC e a mobilização do legislador para incluí-la ao ordenamento jurídico pátrio. Essa lacuna, no tocante ao instituto do apadrinhamento, alarga-se, atingindo o lapso temporal de 11 anos entre sua menção naquele documento oficial e sua inclusão no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Contudo, durante esse lapso temporal, diversos projetos de apadrinhamento foram criados, encabeçados por Varas de Infância e da Juventude, por Tribunais de Justiça e também por ONGs, como introduzido acima. É o exemplo do Tribunal de Justiça de São Paulo, onde a Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo já havia regulamentado sobre projetos de apadrinhamento através do Provimento n. 36/2014 e do Provimento n. 40/2015, sendo que nesse último foi estipulado que cada comarca deveria criar seu próprio projeto.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também já contava com uma regulamentação sobre projetos de apadrinhamento disposta, inicialmente, no Ato Normativo Conjunto (da Corregedoria Geral de Justiça) n. 96/2015, o qual foi posteriormente substituído pelo Ato Normativo Conjunto n. 08/2017.
Por sua vez, o rgão Especial do Tribunal de Justiça do Ceará, quando aprovou a Resolução n. 13/2015, acabou por instituir e regulamentar um projeto de apadrinhamento a nível estadual.
Ainda antes, em 2012, foi que a Corregedoria Geral de Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, através do Provimento n. 37/2012, instituiu o “Projeto Padrinhos” em âmbito estadual. Segundo consta, essa prática foi apresentada à comunidade e aos servidores do Poder Judiciário no estado em 2008, mas funcionava apenas em algumas comarcas, sendo que a partir de 2012 foi ampliado também às comarcas do interior.
No Distrito Federal, a ONG Aconchego, em conjunto com a 1 Vara Infância e da Juventude do Distrito Federal (DF) e a Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude do DF, encabeça o projeto de apadrinhamento local, propiciando a aproximação de crianças e adolescentes com aqueles que queiram ser seus padrinhos.
Em todo o País, o apadrinhamento já havia conquistado espaço, se mostrando uma alternativa viável tanto para as crianças/os adolescentes que poderiam ser apadrinhadas(os) como para o Poder Judiciário, que conseguia, com certa facilidade, regulamentar seus projetos e determinar o funcionamento de acordo com as estruturas existentes.
Basicamente, os projetos supramencionados criavam seus próprios requisitos para as crianças que poderiam ser apadrinhadas e para quem seriam os padrinhos. Isso acontecia pois não havia lei que impusesse parâmetros mínimos, existindo apenas o conceito e diretrizes básicas trazidos pelo PNCFC, como, por exemplo, a regra de que os projetos de apadrinhamento deveriam estimular a “construção e manutenção de vínculos afetivos individualizados e duradouros” (BRASIL, 2006, p. 126), não podendo limitar-se, portanto, à exposição de crianças e adolescentes a pessoas que não tivessem disponibilidade afetiva para criar vínculos fortes. De igual maneira, esses vínculos seriam formados entre crianças e/ou adolescentes acolhidos institucionalmente e padrinhos/madrinhas voluntários, “previamente selecionados e preparados” (BRASIL, 2006, p. 126), o que leva a entender que cada projeto deveria criar critérios de seleção e algum modo de preparação tanto para os apadrinhados quanto para os padrinhos e madrinhas.
Esses critérios, na maioria dos projetos criados anteriormente à Lei n. 13.509/2017, eram simples, com algumas variações entre eles apenas. Todos estipulavam uma idade mínima para ser padrinho, a qual em alguns projetos era de 18 anos e em outros 21, mas apenas alguns dos projetos previam uma diferença mínima de 16 anos entre apadrinhado e padrinho/madrinha, simetricamente ao exigido pela lei nacional no tocante a diferença de idade entre adotado e adotante. Ainda, em alguns dos projetos era prevista idade mínima da criança a ser apadrinhada, sendo que em alguns casos essa idade era de 2 anos, outros 8 anos. Também foi prevista a regra, em alguns projetos, de que um padrinho poderia apadrinhar apenas uma criança/um adolescente; contudo, há casos de apadrinhamento de grupos de irmãos em alguns projetos de apadrinhamento. O que o PNCFC indica é que à criança ou ao adolescente apadrinhada(o) deve ser propiciada a criação de vínculo afetivo individualizado, um cuidado individualizado que não é comum em instituições de acolhimento; nessa seita, alguns projetos entenderam que a única possibilidade de individualização seria a restrição do
número de apadrinhados por padrinhos, enquanto outros entenderam que não haveriam problemas no apadrinhamento de grupos de irmãos.
Um padrão que guiou a fixação do perfil de crianças e adolescentes que poderiam ser apadrinhados foi, com certeza, a existência apenas de chances remotas de adoção ou reintegração à família de origem, com vistas a não estimular um vínculo que seria logo quebrado, culminando numa nova frustração na vida do apadrinhado. Esse perfil, como será apontado em momento oportuno, é basicamente o da criança idosa, das crianças deficientes, com doenças ou que fazem parte de grupo de irmãos.
O objetivo central do apadrinhamento afetivo, como expresso no conceito encontrado no PNCFC, é a “construção e manutenção de vínculos afetivos individualizados e duradouros entre crianças e/ou adolescentes abrigados e padrinhos/madrinhas voluntários” (BRASIL, 2006, p. 126), e, por essa razão, alguns dos projetos de apadrinhamento afetivo surgidos antes da Lei 13.509 estipulavam que a criança e o adolescente que poderiam ser apadrinhados seriam aqueles que já não estivessem sob o poder familiar de seus pais, seja porque esses foram destituídos ou porque já falecidos. Dessa forma, os projetos poderiam, com mais segurança, propiciar a criação de laços entre a criança/o adolescente e o padrinho/madrinha sem que, futuramente, os infantes tivessem de parar de conviver com essas pessoas diante do retorno ao convívio familiar com a família de origem.
O tempo de estadia da criança ou do adolescente em acolhimento institucional ou familiar também foi uma das características que contornaram o perfil da criança/do adolescente que poderia ser apadrinhado: foi considerado não aconselhável que crianças e adolescentes que estivessem acolhidos por razões que ensejassem permanência reduzida na instituição de acolhimento fossem apadrinhados. Novamente, a tentativa foi de não promover a criação de um vínculo que seria brevemente rompido, fazendo com que o acolhido experimentasse sentimentos negativos em relação à criação de vínculos afetivos. Crianças mais novas (aqui, principalmente, até os 2 anos de idade), que já estavam aptas à adoção, também não deveriam ser apadrinhadas, tanto porque não haveria a necessidade da criação de vínculo com um padrinho/madrinha em tenra idade como porque logo a criança seria adotada, conforme mostravam as estatística, momento que criaria um vínculo duradouro com seus futuros pais.
Há uma observação, contudo, a ser feita no que toca à delimitação do perfil da criança a ser apadrinhada e a necessidade de ela não estar sob o poder familiar de seus genitores. A morosidade dos processos de destituição/suspensão familiar, por vezes, faz com que crianças e adolescentes passem muito tempo acolhidos e indisponíveis para adoção, num verdadeiro
limbo entre a possível reintegração à família natural e o possível encaminhamento à adoção. Esse tempo que a criança/o adolescente passa nesse limbo pode ser crucial para o seu desenvolvimento. Ninguém sabe ao certo, no momento em que a criança/o adolescente foi institucionalizada(o), o tempo que ela(ele) ali permanecerá. Há casos que conhecidamente são mais rápidos que outros; contudo, é preciso também atentar àqueles que podem levar anos e que, com certeza, privarão a criança ou o adolescente do convívio familiar. Nesses casos, pode ser considerado prudente que, mesmo ante a incerteza sobre a reintegração do acolhido à sua família de origem, seja propiciado a ele a criação de vínculos com outros adultos, por meio do apadrinhamento afetivo, até mesmo porque não existe óbice à continuação da convivência entre apadrinhado e padrinho quando a situação de acolhimento não mais existir.
O importante é garantir a manutenção de algum tipo de convivência familiar, pois a mesma é crucial para as crianças e adolescentes institucionalizados. Afirmam Goulart e Paludo (2014) que, quando as crianças são afastadas de seu núcleo familiar, elas experimentam uma sensação de rejeição e perda. As autoras advertem que o acolhimento institucional cumpre o papel de afastar as crianças de ambientes não-propícios para o seu desenvolvimento, mas falha ao tentar reinseri-las num outro ambiente familiar. Com a perda da figura materna e paterna, elas buscam essa imagem em seus pares e, quando não os têm, intensificam as relações entre seus irmãos. Os adolescentes, por exemplo, são os que demonstram através de brincadeiras ou conversas a vontade de ser adotados, desenvolvendo um senso de proteção e cuidado com seus irmãos ou amigos.
Estudos feitos com crianças institucionalizadas comprovam que os danos provenientes da ausência de convivência familiar são tão contundentes que esses sujeitos apresentam dificuldades até mesmo para fazer escolhas simples, cotidianas, como qual ônibus pegar ou o que comprar no mercado (SIQUEIRA et al., 2010). Também, percebeu-se que depressão, frustração e ansiedade são características comuns em crianças que ficaram abrigadas por mais de um ano, e, naquelas que passaram longos períodos em abrigos, são detectadas angústia excessiva e apreensão permanente (CUNEO, 2009).
Portanto, fica clara a figura do apadrinhamento afetivo como um instituto intermediário de dois cenários desejáveis: a reintegração à família natural e a adoção por família substituta.
Em que pese seja a adoção um dos caminhos diante do acolhimento de crianças e adolescentes, ela não acontece de forma imediata. Anteriormente à ela, quando uma equipe julgar possível, tentar-se-á de todas as formas manter a criança com sua família natural. O nosso ordenamento prevê várias medidas a serem aplicadas antes de a criança e do
adolescente serem retirados de suas famílias. Somente após todas as tentativas é que os pais serão destituídos do poder familiar para, somente então, encaminhar os infantes à adoção.
Entretanto, a adoção, no Brasil, conta com alguns empecilhos. Um deles é a morosidade do trâmite das ações nas quais se discutem desde a destituição do poder familiar até a inserção da criança na nova família, como já apontado anteriormente. Ainda há outras verdades no cenário brasileiro, sendo a mais notável delas o fato de termos um alto índice de “crianças idosas” disponíveis à adoção e um baixo número de pretendentes que aceitam essas crianças.
Em junho de 2018, segundo Relatório de Dados Estatístico gerado do sítio que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) detém na rede mundial de computadores, existiam 4.948 crianças disponíveis à adoção e 40.679 pretendentes habilitados, todos inscritos no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Das 4.948 crianças disponíveis à adoção, 3.804 tinham mais de 10 anos (76,87%); dos 40.679 pretendentes com habilitação aprovada, apenas 617 declaram que aceitavam crianças com mais de 10 anos e adolescentes, representando aproximadamente 1,51% do total dos pretendentes, o que implica dizer que, a cada 7 crianças aptas à adoção e que possui mais de 10 anos, apenas 1 será adotada.
Ou seja, quanto maior for a idade da criança abrigada, menos chances ela tem de ser adotada. É o que pode ser chamado de “adoção tardia”. Existem, no entanto, entendimentos no sentido de que a idade da criança adotada pode ser muito inferior a 10 anos e mesmo assim ser considerada tardia. Para Weber (1998), a adoção tardia acontece com as crianças com mais de 2 anos de idade.
Recentemente o CNA foi atualizado e melhorado, integrando-se ao Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA), os quais compõem, agora, o Sistema Integrado do CNA. Esse novo sistema foi espelhado no Sistema de Informação e Gerência da Adoção e do Acolhimento no Espírito Santo (SIGA/ES), desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), e está em fase de implementação em comarcas de alguns tribunais de justiça parceiros, (além de muitas comarcas do Tribunal do Espírito Santo). Os tribunais parceiros são Paraná (TJPR), Bahia (TJBA), São Paulo (TJSP), Rondônia (TJRO) e Alagoas (TJAL). Os dados estatísticos que alimentam o Sistema Integrado do CNA, atualmente (maio de 2019), são provenientes, portanto, de unidades judiciárias de comarcas do Estado do Espírito Santo; da 2ª Vara da Infância e Juventude - protetiva e cível, de Guarulhos e Vara da Infância e Juventude - Foro Central Cível do Estado de São Paulo (ambas unidades judiciárias do TJSP); Vara da Infância e Juventude de Ponta Grossa e Vara da Infância e Juventude de Foz do Iguaçu (ambas do TJPR); 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador e Vara da Infância e
Juventude de Vitória da Conquista (ambas do TJBA); Juizado da Infância e Juventude de Porto Velho, 2ª Vara Cível de Ji-Paraná e 2ª Vara Cível de Guajara-Mirim (todos do TJRO). Quando forem mencionados os dados retirados desse Sistema, é preciso atentar ao fato de que são delimitados a poucas comarcas, até então.
O CNA foi atualizado para melhor adequar o procedimento da adoção às novas alterações introduzidas ao Estatuto com o objetivo de acelerar o processo, garantir o sucesso da adoção e colocar a criança/o adolescente como ponto central do Sistema Integrado, fazendo com que seja encontrada a família ideal para ela/ele e não para a família encontrar uma criança ideal para si.
De acordo com o Sistema Integrado, no qual existem dados e informações sobre 13.117 crianças/adolescentes (atualmente – maio de 2019), existem 74 crianças/adolescentes aptas/aptos à adoção (0 a 18 anos incompletos – o universo é de 82 cadastrados, mas 8 são maiores de 18 anos), sendo que 66 tem idade entre 9 e 18 anos, representando um percentual de 89,18% dos número total de crianças/adolescentes aptos à adoção, número até mesmo maior que o apresentado acima no tocante ao dados de junho de 2018 do antigo CNA (76,87%).
No mesmo Sistema, temos que existem 1.547 pretendentes à adoção com habilitação válida; da mesma forma, tem-se 5.502 registros de preferência de idade informados pelos habilitados, sendo que existem 335 registros de preferência por crianças com idade superior a 8 anos e apenas 156 registos de preferência por crianças com idade superior a 10 anos, o que representa, respectivamente, 6% e 2,8% do total de registros. Esse percentual de 6%, caso fosse feita a relação com o número de pretendentes habilitados, representaria 92 pretendentes; o percentual de 2,8% representaria, da mesma forma, 43 pretendentes. Como não se sabe exatamente quantos registros de preferência de idade foram feitos por cada pretendente habilitado e nem se os registros contabilizados para a faixa etária maior compreendem os de faixa etária menor, não se consegue ao certo estimar se existem, por exemplo, 335 pretendentes que aceitam crianças com mais de 8 anos ou se existem 92 pretendentes; se existem 156 pretendentes que aceitam crianças com mais de 10 anos ou se existem 43 pretendentes que têm essa preferência. O dado mais importante, nesse caso, é que em um universo de 5.502 registros de preferência, apenas a esmagadora minoria dos pretendentes tem preferência por o grupo de crianças e adolescentes que preenchem o perfil da maioria dos adotandos.
Os números já são assustadores se consideradas apenas as chances de crianças e adolescentes aptos à adoção serem adotados; ainda assim, o problema fica maior na medida
em que se analisa o número de crianças e adolescentes acolhidos institucionalmente. Segundo os dados extraídos do site do Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA) mantido pelo CNJ, temos que existem no Brasil cerca de 38.802 crianças e adolescentes acolhidos (de 0 a 18 anos incompletos) (dado referente ao mês de maio de 2019). Desse grupo, 21.615 correspondem à crianças maiores de 10 anos e adolescentes, representando 55,7% do universo de total de acolhidos crianças e adolescentes (no universo total de acolhidos também são contabilizados os jovens e adultos de 18 anos até 27 e, ainda, pessoas que não tem data de nascimento cadastrada no sistema; considerando esses acolhidos, o universo seria de 47504 acolhidos). Em relação aos estados onde acontecem os acolhimentos, percebe-se uma maior concentração de acolhidos em São Paulo (13.155), Minas Gerais (5.070), Rio Grande do Sul (4.807), Rio de Janeiro (4.588), Paraná (3.491) e Santa Catarina (1.734).
Neste Cadastro, não é possível visualizar quantos acolhidos já estão aptos à adoção; contudo, o novo Sistema Integrado do Cadastro de Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA), aponta um percentual de 3,31% de acolhidos aptos a serem adotados em relação ao número total de acolhidos (2.352 adolescentes/crianças