• Nenhum resultado encontrado

Contextualização

No documento Download/Open (páginas 152-161)

Capitulo 3 Olhando Para a FCD

3.2.1 Contextualização

Poder-se-ia considerar que a sementinha da Fraternidade tenha sido plantada em 1942, quando o Pe François foi nomeado capelão do Hospital de São Vitor. Porém é importante ressaltar que François inicia sua formação sacerdotal vivendo o contexto da 1ª Guerra Mundial, que vai de julho 1914 a novembro de 1918. Esta guerra envolveu as maiores potências mundiais. Calcula-se 70 milhões de soldados envolvidos, além dos civis.

Mais de 1,3 bilhão de projéteis de artilharia, canhões, obuses e morteiros foram usados durante o conflito, mostrando o papel essencial da artilharia, incluindo o famoso canhão Big Bertha. Bombardeios causaram 70% da morte de militares.

O uso de capacetes metálicos aumentou, mas não fez tanto efeito. Os soldados voltavam para casa amputados, mutilados, envenenados, cegos e desfigurados. (UOL, 2014)

No final de 1916, quando é acometido pela tuberculose que o afasta por dois anos de seus estudos de preparação sacerdotal, volta ao seminário na diocese de Verdum. Na região onde aconteceu, em 1916, uma das mais longas e mais sangrentas batalhas da 1ª Guerra Mundial. “As emblemáticas batalhas de Verdun e do Somme, travadas em 1916 na França, provocaram, respectivamente, 770.000 e 1,2 milhão de baixas (mortos, feridos e desaparecidos), dos dois lados” (em.com.br Internacional, 2014). Calcula-se que na Batalha de Verdun, em média mais de mil pessoas por dia, perderam a vida, esfacelados pela violência das armas. Explosões que pulveriza soldados.

Entre os incontáveis monumentos aos 300 dias de Verdun, nenhum é tão impressionante quanto o Ossário de Douaumont, erguido em 1927 diante do forte mais poderoso e setentrional da zona de batalha. Na torre principal dessa sepultura de massa jazem os restos mortais de cerca de 130 mil soldados franceses e alemães, todos desconhecidos. Até hoje ainda são depositados lá ossos da época, achados por acaso em jardins, campos e bosques da região. Para a França e os franceses, a catástrofe de Verdun é superposta hoje pelo sentimento de vitória, uma vitória de defensiva, segundo o lema de Pétain: "On

Em 1922, terminando seus estudos, volta para a família em Lingy, logo após a guerra e encontra um mundo que não conhecia.

Filho de uma família burguesa, nunca tinha visto, tão de perto, o mundo da pobreza e mesmo da miséria, pois nessa época, a Seguridade Social não existia, e a doença de um operário o colocava imediatamente na condição de mendigo. Isso para um sacerdote recém ordenado, uma revolução, um choque que iria ter um papel importante na sua vida. (BOILLON, 2001: 23)

Foi neste contexto de destruição, de morte, de desesperança que François, foi também desacreditado. Para ele não tinha esperança, estava condenado, era só esperar um tempo que não tardaria a chegar. E ele saiu, foi visitar, visitar, visitar e viu renascer a esperança e o reacreditar no ser humano. E certamente isto deu-lhe um sentido para viver. E como disse Pe. Geraldo38, dirigindo-se aos fraternistas na

Assembléia Estadual da FCD, em São Paulo: “Ele começou a trabalhar ele tinha essa ameaça da tuberculose que na época matava. E ele esqueceu de morrer foi morrer aos 87 anos, puro esquecimento, não se lembrou que estava com esse compromisso de morrer.”

Como não morreu, em 1929 foi designado para a paróquia de Faíns. Em 1932, foi designado capelão psiquiátrico. O reconhecimento de seu trabalho, tanto na paróquia como no hospital se espalhou e em 1937, foi nomeado para vigário de Saint Victor.

São Vitor era uma das cinco paróquias de Verdun. Era a mais populosa. Tinha cerca de 4 000 habitantes, sem contar os importantes quartéis. Na paróquia estava o Carmelo, fundado depois da guerra de 1914-1918, para que fosse um lugar de oração permanente, nesta terra dolorosamente, ensanguentada. (BOILLON, 2001:30)

Em 1939, ainda em meio ao cenário de destruição eclode uma nova Guerra Mundial, vai de 1939 a 1945. Europa é novamente palco de destruição e a França da mesma forma. Isto vai interferir no seu trabalho sacerdotal. Em 1940, por ocasião da invasão alemã, a cidade de Verdun teve que ser evacuada.

Como Bom Pastor, acalmou as angustias, ajudou a organizar a as saídas por causa da catástrofe, conduzindo em seu carro os idosos e as bagagens até a estação. Saiu por último com as carmelitas numa aventura pitoresca que vale a pena relembrarmos, pois foi o ponto de partida para a amizade entre ele e o

Carmelo, que veio a ter um papel importante para o resto de sua vida. (BOILLON, 2001:31)

No mesmo ano por insistência da Madre Germaine, Madre Superiora, fundadora do Carmelo de Verdun, voltam para Verdun e se instalaram no Carmelo, ainda interditado. Em 1943, sua irmã Madeleine, religiosa Franciscana Missionaria de Maria, foi morta, junto com toda comunidade, atingida por bombas italianas, em Alger.

É neste contexto de guerra, destruição e miséria que esta sementinha chamada FCD, começa a ser gestada e já como uma grande força de vida. O quese percebe nos dados publicados sobre as duas grandes guerras, é que o que é contabilizado, via de regra, é o número de mortos, deixando pra traz o rastro de destruição de vidas, pessoas que perderam parte do seu corpo, que perderam seus queridos e passam a viver a dor desta perda, os que sofrem ao longo do tempo da guerra e até as futuras gerações que sofrem ou sofrerão pelo efeito das querras químicas. Não se contabiliza a multidão daqueles e daquelas que ficam destroçados à beira do caminho ou são colocados nas casas para militares feridos de guerra e perdem o direito a viver com os seus e até de prover o seu próprio sustento ou de sua família. Sem falar nos civis atingidos pelos horrores da guerra e que não estão envolvidos e nem queriam estar.

A reflexão do Pe Geraldo falando de sua visita ao Pe François:

eu tive a oportunidade de conhecer o François. Eu estive em Verdun, bem no finalzinho, pouco antes dele falecer. Em Verdun, ele morava. É uma cidade cemitério, tem centenas de cemitérios. O que significa uma cidade de cemitérios depois da Guerra violenta, que não era uma guerra de matar de longe, era uma guerra de matar de perto, não havia tantas bombas, então era na baioneta, era na proximidade, era eu matar alguém mesmo. Isso arrasa na pessoa, com o Marcos falava, arrasa na cabeça, arrasa fisicamente, mas arrasa mais na cabeça. Arrasa na cabeça em que ponto? Arrasa na cabeça a esperança que a gente tem na pessoa humana. Quem é que não conhece uma pessoa que ela mesma acha que é boa, fulano de tal acha que é muito bom. Se destruírem isto na minha cabeça, destroem ao mesmo tempo a capacidade que eu tenho de me achar bom.39

39 Pe. Geraldo (Geraldo Marcos Labarrère Nascimento) é o atual Conselheiro da FCD, no Brasil. Falando se sua visita ao Pe François e sua impressão a respeito da cidade de Verdun.

Neste sentido podemos dizer que a Guerra, não só produz morte, deficiências físicas, mentais, emocionais, causa também a “deficiência em SER”. Porém, a força de vida, como uma sementinha que germina em meio aos escombros, cresce e não se deixa contagiar pelas guerras e continua a acreditar e reacreditar. Trouxe encantamento, conforme sua mensagem para o Natal de 1947 (p5-7). Este encantamento chegou aos quatro cantos da Terra.

Em 1946, quando se reuniram para o segundo retiro o movimento já havia se expandido a toda diocese de Verdun. Neste encontro, o movimento passa a ser denominado Fraternidade Católica dos Doentes (FraternitéCatholique dês Malades). Em 1949, acontecem os primeiros encontros de estudo com participantes de dioceses vizinhas.

A Assembleia de Cardeais e Arcebispos (Igreja Católica) autoriza, em 1952, a existência da Fraternidade Católica de Doentes. Ela ganha impulso dentro da França e fora dela. Em 1957, iniciam os contatos e implantação na Bélgica, na Alemanha e na Espanha, já tendo passado para Suíça, Áustria e Madagascar. Em 1966, acontece em Strasbourg, o I Congresso Internacional, que segundo o próprio François, é marca de uma etapa importante. Além de salientar a unidade e a profunda fraternidade do Movimento, dá origem e expansão da fraternidade na América Latina. O padre Manolo Duato, jesuíta espanhol, parte para o Peru e ali, em 1967, inicia o trabalho da Frater que vai daí para o Brasil, Argentina, Colômbia, Guatemala e México. Pe. Duato sofria com uma enfermidade vascular que o levou a passar por 17 cirurgias. Com sua vasta experiência do sofrimento, trabalhou com amor e afinco semeando a Fraternidade por todos os países da América Latina, sempre com um vivo amor ao próximo irradiando alegria e fé.

Com o passar do tempo, surgiram protestos quanto ao nome. As pessoas com deficiência não se consideravam doentes. Então passou-se a chamar Fraternidade Católica Internacional de Doentes e Impedidos. Um pouco mais tarde, considerando que a palavra “Impedido” era inadequada, foi mudada para Fraternidade Católica de Doentes e Deficientes, em 1972. Surge outro problema em relação ao nome. Com a expansão do movimento, chega a países de ascendência protestante como: Alemanha, Holanda, Suíça, talvez na América Latina, passando a fazer parte da Fraternidade doentes e deficientes protestantes. Por decisão comum, em 1974, no VI Comitê Internacional, a partir de uma visão

ecumênica da situação das pessoas com deficiência e sua participação no Movimento, além da percepção de que a deficiência e a doença são ecumênicas, atingem pessoas de todos os credos, passa a denominar-se Fraternidade Cristã Internacional de Doentes e Deficientes.

Isso só podia nos alegrar. Mas havia dois perigos a evitar: fazer do Movimento um instrumento de proselitismo para atrair os protestantes ao catolicismo, ou escorregar numa confusão onde desaparecessem todas as diferenças. Pe. François havia estudado, dentro dessa perspectiva, os textos conciliares, chegando a conclusões sábias: caso os protestantes viessem para o Movimento, que o fizessem em união com seus pastores e que estes pudessem ser convidados para os Encontros gerais. Por outro lado, era preciso que, pela oração comum, se evitasse o que dividia. Todavia, para Celebração Eucarística, haveria separação, a fim de que se conservasse a fidelidade à fé de cada confissão e a disciplina da Igreja Católica. (BOILLON, 2001:67)

Atenta aos sinais dos tempos e participante dos movimentos sociais, a FCD tem demonstrado na sua própria identificação, em seu nome, como se apresenta adequando-se às mudanças e as exigências que a sociedade e, em especial, as pessoas com deficiência exigem e demostram sua postura no mundo. Diante disso, ao longo do tempo, tem alterado seu nome, sua identidade civil. Hoje denomina-se: Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência. Já se ouve algum questionamento sobre o termo Cristã, tendo em vista que participam pessoas que fazem parte de outros movimentos religiosos que não necessariamente se considerem cristãs, especialmente no Brasil. Atualmente, já tem tomado providencias práticas para que esta questão seja tratada, está sendo programada uma reunião intercontinental para acontecer até o final de 2018, segundo comunicação de Giovanni à Assembleia Estadual no Rio Grande do Sul, quando do seu relatório sobre a Assembleia Continental (continente Latino-Americano) realizada em Honduras, em fevereiro de 2017.

Eu fui eleito como delegado para um comitê internacional que vai acontecer na Europa, neste ano ou provavelmente o ano que vem pra decidi umas questões lá de estatuto, de mudança de nome da federação, Fraternidade que eles querem tirar o termo cristão, porque tá Europa, tá na África e em outros países que tem religiões diferentes como: budistas, muçulmanos, judeu, cristão, evangélico ... então foi discutido lá nessa assembleia. (Giovanni – Coordenador Nacional da FCD no Brasil)

A Fraternidade se vê como um movimento, pois não é uma obra social que se reúne para realizar uma ação beneficente em favor de alguém, nem tão pouco uma

associação, porque não tem associados, que se inscreva para cumprir estatutos e pagar mensalidade.

As pessoas profundamente atingidas por um ideal vivem esse ideal! ...irradiando-o por todo seu ambiente .... Um movimento é alguma coisa em que sempre há o que se fazer e aperfeiçoar... E é justamente isso que a Fraternidade quer criar entre todos os deficientes: uma fraternidade conforme o Evangelho.

Os doentes e deficientes deixam seu isolamento, desabrocham, assumindo plena e ativamente seu lugar na vida, de acordo com o plano de Deus a seu respeito. (FRANÇOIS, 2000: 10)

É um movimento que se mantém pelo protagonismo da própria pessoa doente ou deficiente, anônimas ou não. Muitas delas tiveram grande protagonismo na expansão do movimento e muito mais que isso contribuíram para o resgate de muitos e muitas para a vida e vida com dignidade. Segundo palavras do próprio François na sua luta de desvincular a Fraternidade da tendência de torna-la uma instituição caritativa ou uma obra social: “a Fraternidade não prende o doente a ela. Não lhe pede adesão nenhuma. Ela somente quer ele renasça, que cresça na realização do plano de Deus em relação a ele.”40(FRANÇOIS apud BOILLON, 2001:

38)

O trabalho atingiu todos os continentes, está estabelecido em aproximadamente 45 países. Na Ásia ainda está na fase de contatos com Taiwan e com a India.

Il y a 3 groupes à Taiwan. Il est prévu pourl'année prochaine faire une visite aux membres de la Fraternité pour en définir les activités.

Visites aux pays: la Chine (novembre 2016), Philippines (17 Février), le Japon (17 mai). Cette année, on prévoit de faire 2 ou 3 visites em Chine pour stimuler l'esprit de la fraternité.

On suggère à Taiwan de développer un programme de formation et d’autres activités. Cela peut renforcer les groupes et la participation des membres. (LETTRE AUX NATIONONS No 22)41

40Mais Ia Fratemitén 'attache pas le malade à elle-même. Elle ne lui demande aucun eadhésion. Elle veut seulement qu'il revive, qu'il avance um peu dans Ia réalisation du plan de Dieu sur lui.(FRANÇOIS apud BOILLON, 1989: 29)

41 Existem 3 grupos em Taiwan. Está previsto para o próximo ano uma visita aos membros da Fraternidade para definir as atividades.Visitei os países: China (novembro de 2016), Filipinas (Fevereiro de 2017), Japão (maio de 2017). Este ano está previsto 2 ou 3 visitas à China para estimular o espirito da fraternidade. Sugerimos a Taiwan desenvolver um programa de formação e de outras atividade. Isto pode reforçar os grupos e a participação dos membros. (Carta às Nações, publicada pela Fraternidade Cristã Internacional de Pessoas com Deficiência) (trad. Nossa)

Esta trajetória alicerça-se em sete princípios fundamentais, que, por sua vez, são baseados nos princípios que foram definidos desde seu nascedouro pelo Pe. François, que estabelecem a forma como deve funcionar, estabelece claramente a motivação, a quem se dirige, como, para quê e qual a animação42. A Fraternidade:

1) fundamenta-se no espírito da fraternidade evangélica; 2) dirige-se a todos os doentes e deficientes;

3) cria laços pessoais e comunitários entre doentes e deficientes; 4) desenvolve integralmente os doentes e deficientes;

5) ajuda o doente e o deficiente a se integrar em seu meio;

6) tem vida através das equipes de Fraternistas Responsáveis: doentes e deficientes;

7) recebe animação espiritual, através principalmente dos conselheiros, que participam ativamente na vida das equipes. (FRANÇOIS, 2000: 11, 12)

Como a Fraternidade é um movimento que está espalhado por várias partes do mundo, em cada lugar ela sofre ajustes para se adequar a cada realidade. Porém, há quatro características que não podem mudar:

1. Os contatos pessoais – estes contatos se dão através da visitação que toca na pessoa doente ou com deficiência que está à margem da sociedade, à margem da vida. É um contato que cria laços de amor fraternal: universal; gratuito; recíproco; criador; vai aos menos amados.

42PRINCIPES FONDAMENTAUX: La Fraternité s’appuie sur sept príncipes fondamentaux. Mais il ne faut pas les mettre l’um endessous de l' sans explication. Ils ont un ordre logique. Le voici: D’abord, il y a un ESPRIT qui anime tout ce qui se fait: 1. La Fraternité mise à fond sur l’esprit de Fraternité évangélique. Cet esprit, il faut le livre pratiquement. C est pourquoi le príncipe suivant dit à qui la Fraternité s´adresse. POUR QUI? 2. La Fraternité va à tous les malades et handicapés. La Fraternité dit comment elle agit: COMMENT? 3. La Fraternité crée des liens personnels et communautaires entre malades et handicapés. La Fraternité exprime SON BUT: POURQUOI? 4.La Fraternité épanouit les malades et handicapés. 5. La Fraternité aide le malade et handicapé à s’intégrer a son milieu. Mais son Esprit ne peut se propager et se maintenir qu’avec un minimum de structure. A cette âme, ilfaut un corps. Donc: ANIMATION 6. La Fraternité vit par des equipes de responsables maladies et handicapés. 7.La Fraternité reçoit son animation spirituelle principalement des aumôniers qui participant activement à la vie des équipes. ( Extraído do livreto "LEVE-TOI ... ET MARCHE" de Monseigneur FRANÇOIS. (FRANÇOIS, 2000)

2. O fato da fraternidade não ser uma associação, mas um movimento – François em seu livreto Leve-toi ... et Marcheargumenta que a Fraternidade não é uma associação porque não tem associados e ninguém é excluído por falta de fidelidade. Não é uma obra social, porque na obra social as pessoas se reúnem para realizar alguma obra beneficente para suprir alguma carência e oferecem : dinheiro cuidados, etc.

É um movimento porque os fraternistas criam laços responsáveis, com outros doentes e deficientes. E, estes deixam seu isolamento, desabrocham, assumem em plenitude seu lugar na vida.

3.A inquietude da evangelização – “Para Pe. François, era básica e essencialmente um Movimento apostólico, cuja finalidade era ir a todos os doentes, tal como numa caminhada de evangelização.” (BOILLON, 2001: 46) “... cultivar uma espiritualidade de ressurreição em vez de resignação; fazer com que os doentes não se sentissem mais assistidos, mas responsáveis.” (BOILLON, 2001: 47) “ Se a Fraternidade ajuda o doente a encontrar o Senhor, ela merece tomar seu lugar como o grande movimento de evangelização do mundo moderno. Se não for assim, que ela desapareça! ...” (FRANÇOIS apud BOILLON, 2001: 49)

4. A equipe de Coordenação: A Equipe de Coordenação deve ser constituída predominantemente de pessoas doentes e de pessoas com deficiência, tanto a nível local, regional, Nacional, continental ou intercontinental. (Organograma em Anexo)

Outro aspecto que não se pode deixar de abordar é a importância dada pela FCD, desde o início com o primeiro grupo que se sentiu desafiado pelo Pe François, é a atenção dada à formação. O próprio François deixou esta marca a partir das

reuniões mensais realizadas com o grupo, em que o compartilhar das vivencias se tornavam uma capacitação mútua. Esta marca permanece até hoje. A FCD por toda parte tem um programa de formação próprio fundamentado nos ensinamentos e documentos deixados pelo fundador, materiais produzidos pelos comitês Internacionais, continentais e nacionais. Há promoção de cursos específicos ou participação em outros espaços de formação que tratam de assuntos pertinentes ao grupo, tanto no que diz respeito às questões da deficiência ou assuntos referentes a problemas socioculturais. A Fraternidade Cristã Internacional de

Pessoas com Deficiência produziu uma publicação em seis idiomas(Français, English, Deutsch, Español, Português e Magyar) com o objetivo de divulgar as decisões da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência e também capacitar aos Fraternistas a partir de sua identidade a porem em prática estes direitos e atentar para o respeito aos mesmos. Este material foi publicado reproduzindo o tema do V Comité Internacional da Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência, acontecido em agosto de 2010, na cidade do Porto (Portugal).

Em nível continental, América Latina, foram publicados dois cadernos com o Plano de Formação para o continente. O primeiro trata os temas mais pertinentes à atuação da FCD como: contatos pessoais e visitas; temas relacionados às questões da deficiência e suas consequências na perspectiva de resgate da pessoa; apresentação da Fraternidade e outros textos. O segundo caderno apresenta três grandes temas subdivididos em vários outros temas: 1. Formação humana e crescimento na fé; Fraternidade, aldeia global; Espirito Ecumênico. Este material está traduzido para o português e tem servido de suporte para a formação dos fraternistas no Brasil, junto com o Documento Base.

Os cadernos do Plano de Formação na América Latina (traduzidos para o Português), o Material sobre a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Documento Base são a base para a formação da FCD/BR.

Ao longo de todos estes anos a FCD tem se esforçado em cumprir as recomendações do Pe François: “ e mais, que cada país dê prova de sua imaginação para deixar bem marcado este ano... Sempre com o mesmo objetivo: fazer de nossos irmãos doentes e deficientes... seres vivos ...43(FRANÇOIS, 2003:

228)

43 “Em plus, que chaque pays fasse preuve d’imagination pour marquer cette annèe ... Toujours le même objetctive: Faire de nos frères malades ou handicapés ... des Vivants ... (FRANÇOIS. In:BOILLON,1989: 291) segundo a tradução para o português das mensagens de Henri François,

No documento Download/Open (páginas 152-161)

Documentos relacionados