O curso de biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi fundado a partir da Resolução 002/1996 - CONSUNI/UFRN e teve sua primeira grade curricular cadastrada em 1997. Nesses 25 anos de curso, a biblioteconomia da UFRN teve quatro grades curriculares, sendo elas em: 1997, 2008, 2011 e 2018.
Entretanto, somente à última possuía “bibliotecas comunitárias” como disciplina a ser cursada.
Não há livros físicos em toda a rede de bibliotecas da UFRN que abordem como temática principal as bibliotecas comunitárias e o material digital atualmente disponibilizado pela Biblioteca Central Zila Mamede é insuficiente, uma vez que só há um livro disponível para downloads. Se por um lado a não variabilidade de material informacional sobre o tema é prejudicial aos pesquisadores por não ofertar a eles a base de suas pesquisas, por outro é fornece a oportunidade de pesquisadores aliados ou não às universidades de explorar um território rico em saberes multifacetados.
Assim optou-se por adotar neste vasto campo de pesquisa, a busca por TCCs em repositórios institucionais, periódicos que apresentem a temática como elemento principal de seus artigos ou parte deles, publicações de eventos e Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI). O que se nota é que as Bibliotecas Comunitárias vêm se destacando através de publicações acadêmicas nos últimos dez anos. Nos anos anteriores à produção textual é considerada baixa se comparada com o período da pandemia da COVID-19.
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Quadro 1: Periódicos Nacionais de Ciência da Informação e relação de artigos publicados no período 2006-2011 acerca da temática das bibliotecas comunitárias
PERIODICOS ARTIGOS Conceitos
Qualis/CAPES
Ciência da Informação 0 A1
Perspectivas em Ciência da Informação 1
Informação & Sociedade 1 B1 Brazilian Journal of Information Science 0
Informação & Informação 0
Liinc em Revista 1
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação
1 Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da
Informação
“biblioteca comunitária” e “bibliotecas comunitárias” foi possível constatar a igualdade dos dados no primeiro momento. Todavia após análise dos artigos encontrados constatou-se disparidade entre os dados e dificuldade na recuperação de alguns artigos em meio eletrônico pertencentes a periódicos já extintos.
Quadro 2: Periódicos Nacionais de Ciência da Informação e relação de artigos publicados acerca da temática das bibliotecas universitárias nos períodos 2006 - 2011, 2012 - 2017 e 2018 - 2021.
Periódicos 2006 – 2011 2012 - 2017 2018 - 2021
Ciência da Informação 8 7 4
Perspectivas em Ciência da
Informação 6 19 2
Informação & Sociedade 8 6 1
Inclusão Social 0 0 0
Datagramazero 0 2 Extinta
2015
Em Questão 0 2 4
Encontros Bibli 7 14 4
Transinformação 3 4 2
Comunicação & Informação 1 0 1
Brazilian Journal of Information
Science 0 6 2
Informação & Informação 3 3 5
Liinc em Revista 0 0 0
Revista Digital de Biblioteconomia e
Ciência da Informação 8 24 10
Tendências da Pesquisa Brasileira
em Ciência da Informação 0 2 2
Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação 9 46 24
Arquivistica.net 0 Extinta 2008 Extinta
Revista ACB 9 20 18
PontodeAcesso 2 11 4
Fonte: Dados da pesquisa, maio 2022.
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Quadro 3: Periódicos Nacionais de Ciência da Informação e relação de artigos publicados acerca da temática das bibliotecas escolares nos períodos 2006 - 2011, 2012 - 2017 e 2018 - 2021.
Periódicos 2006 - 2011 2012 – 2017 2018 -
2021
Ciência da Informação 3 1 0
Perspectivas em Ciência da
Informação 12 3 3
Informação & Sociedade 4 4 4
Inclusão Social 0 0 0
Datagramazero 0 0 Extinta
2015
Em Questão 1 2 1
Encontros Bibli 0 2 0
Transinformação 1 1 0
Comunicação & Informação 0 0 0
Brazilian Journal of Information
Science 0 2 2
Informação & Informação 5 3 3
Liinc em Revista 1 0 2
Revista Digital de Biblioteconomia e
Ciência da Informação 3 5 7
Tendências da Pesquisa Brasileira em
Ciência da Informação 0 1 1
Revista Brasileira de Biblioteconomia
e Documentação 0 19 20
Arquivistica.net 0 Extinta 2008 Extinta
Revista ACB 13 13 15
PontodeAcesso 0 5 1
Fonte: Dados da pesquisa, maio 2022.
Quadro 4: Periódicos Nacionais de Ciência da Informação e relação de artigos publicados acerca da temática das bibliotecas públicas nos períodos 2006 - 2011, 2012 - 2017 e 2018 - 2021.
Periódicos 2006 - 2011 2012 – 2017 2018 -
2021
Ciência da Informação 2 1 3
Perspectivas em Ciência da
Informação 7 8 5
Informação & Sociedade 2 3 3
Inclusão Social 0 0 2
Datagramazero 0 2 Extinta
2015
Em Questão 1 2 2
Encontros Bibli 0 5 3
Transinformação 1 0 0
Comunicação & Informação 0 0 0
Brazilian Journal of Information
Science 1 2 1
Informação & Informação 1 1 5
Liinc em Revista 0 2 2
Revista Digital de Biblioteconomia e
Ciência da Informação 8 24 10
Tendências da Pesquisa Brasileira em
Ciência da Informação 1 2 3
Revista Brasileira de Biblioteconomia
e Documentação 1 18 18
Arquivistica.net 0 Extinta 2008 Extinta
Revista ACB 5 7 8
PontodeAcesso 0 2 0
Fonte: Dados da pesquisa, maio 2022.
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Arquivistica.net 0 Extinta 2008 Extinta
Revista ACB 1 1 3
PontodeAcesso 1 0 0
Fonte: Dados da pesquisa, 2021.
Dentre os periódicos selecionados optou-se por suprimir seus Qualis devido a mudança de posição de alguns deles nos períodos em que se encontravam e extinção de dois dos periódicos selecionados. Diante disso, foi elaborado um terceiro quadro utilizando os mesmos periódicos, onde apresenta a produção acadêmica acerca de bibliotecas comunitárias em relação a outros tipos de bibliotecas.
Quadro 6: Artigos publicados nos periódicos nacionais de Ciência da Informação sobre algumas tipologias de bibliotecas
Número de artigos publicados
Tipo de bibliotecas 2006 - 2011 2012 - 2017 2018 - 2021
Universitária 64 166 83
Escolar 43 56 59
Pública 30 80 65
Comunitária 8 17 9
Fonte: Dados da pesquisa, 2021.
A respeito das terceiras colunas das tabelas optou-se por manter um período inferior a 5 anos com o intuito de estimular mais pesquisadores a mudar o quadro atual e até mesmo prover mais publicações acerca de bibliotecas comunitárias, campo pouco publicizado como se constatou nos dados apresentados.
(...) as bibliotecas comunitárias são menos discursivizadas na área da Ciência da Informação, ao observarmos que artigos acerca dessas organizações possuem menos publicações nos periódicos especializados da área comparados às publicações acerca de outras tipologias, como as bibliotecas escolares, universitárias e públicas.
(BASTOS et al, 2011, p. 88)
Mesmo com baixa produção bibliográfica, pesquisadores da área da Ciência da Informação estão publicando mais artigos em periódicos científicos, principalmente em eventos acadêmicos, à exemplo o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. Além disso, pode notar que o número de publicações referentes as bibliotecas universitárias, escolares e públicas são destacadamente superiores as publicações acerca das bibliotecas comunitárias.
Durante a coleta de dados foi possível diagnosticar a presença de artigos que relacionavam os tipos de bibliotecas citadas, em especial as comunitárias, à pandemia da COVID-19, o que revela a necessidade informacional e cultural dos usuários e também a preocupação por parte de bibliotecários e pesquisadores em como lidar com os impactos do vírus e a adequação às normas de proteção contra a proliferação do mesmo.
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4. 1 BIBLIOTECA COMUNITARIA DE EMAÚS
Criada em 2017 por meio de reunião e registrada em na 10ª Ata de Assembleia, a Biblioteca Comunitária de Emaús (BCE) é parte integrante da Associação Cultural Dom Nivaldo Monte (ACDONIMO) e ocupa a maior parte do espaço físico. Situada no endereço Rua Padre João Maria, 356 - Emaús, Parnamirim - RN, 59148-420, ela faz parte do contexto da região metropolitana conhecida como Grande Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, região Nordeste do Brasil. Esta associação conta com ações e projetos culturais que a tornaram bastante conhecida na região por seu trabalho de excelência e referência no incentivo à leitura e a cultura no Estado.
A ACDONIMO é uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos fundada em 04 de agosto de 2005 e que atende ao bairro de Emaús e sua biblioteca comunitária está aberta ao público local se estendendo aos municípios circunvizinhos, onde esse espaço é utilizado para leitura, pesquisas e conta com serviços de empréstimos para a comunidade. Sua localização em área residencial e próxima a escolas públicas possibilita uma maior comunicabilidade com a comunidade a qual se insere.
Fonte: Dados da pesquisa, out. 2018.
Se em 2018 a ACDONIMO contava com 8 voluntários permanentes e 1 estagiário, atualmente a equipe de funcionários é composta por 10 voluntários fixos, dentre eles a
Figura 6: Fachada da Associação Cultural Dom Nivaldo Monte, onde está localizada a Biblioteca Comunitária de Emaús em 2018.
gestora, freira Maria Luzia da Conceição, da Congregação Filhas do Amor Divino, que disponibilizou seu tempo e compartilhou informações e documentos para a execução desta pesquisa. A idealização de se inserir uma biblioteca comunitária na associação partiu da própria irmã Maria Luiza e a princípio houve resistência por parte da comunidade que frequentava a associação.
A equipe de voluntários é bastante empenhada no desenvolvimento da biblioteca como um centro de cultura e literário, desde sua organização até sua divulgação em grupos de WhatsApp, redes sociais, em visitas às escolas próximas e no clássico boca a boca. As crianças, jovens e adultos que participam das atividades culturais fazem apresentações periodicamente em festividades da comunidades, igrejas e cidades vizinhas. (NASCIMENTO, 2019, p. 5)
Vale ressaltar, que de acordo com a 10ª Ata de Assembleia da ACDONIMO, a criação de uma biblioteca comunitária teve certa resistência por parte da comunidade. Os mesmos viam a biblioteca como espaço ocioso, criticando o trabalho voluntário chegando a os chamar de “desocupados” e não a enxergavam como espaço de discursão de ideias ou mesmo como um meio de aproximar crianças e jovens da literatura fortalecendo mais ainda o vínculo com a associação.
Figura 7: Da esquerda para a direita - voluntária Anselma, gestora irmã Maria Luiza e voluntária Erenice na Biblioteca Comunitária de Emaús
Fonte: Dados da pesquisa, out. 2016.
Historicamente, o acesso a literatura e a cultura é financeiramente custoso e tê-lo gratuitamente próximo a sua casa é algo que deve ser fortalecido pela comunidade, pois
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o envolvimento com organizações como essa afasta crianças e jovens da marginalidade.
Stewart Brand em 1985 afirma que a informação é algo que busca a liberdade. Esse escritor estadunidense tem uma fala bastante conhecida que é:
Por um lado, a informação quer ser cara, porque é valiosa. A informação certa do lugar certo muda sua vida. Por outro lado, a informação também quer ser livre, porque o custo de sua divulgação está ficando cada vez menor. Então você tem esses dois embates, um contra o outro.
(BRAND 1985 apud LANKES 2016, p. 29)
Nos últimos anos, alguns títulos como obras clássicas, vem se tornando mais acessíveis em virtude do acesso a essas mesmas obras em ambientes virtuais. Hoje é possível ter acesso a livros digitais por baixo custo em plataformas como a Amazon com valores abaixo de R$10 e até mesmo gratuitos, sejam eles títulos infanto-juvenis ou de conteúdo mais especializado de acordo com o histórico de buscas do leitor.
De acordo com Lankes (2016), isso gerou a redução nos custos e distribuição dos livros. E cada vez mais pesquisadores ou até mesmo os influenciadores digitais estão divulgando seu material informacional de forma gratuita na internet. No que compete a veiculação de forma “barata” ou “gratuita” de determinados produtos informacionais, nem sempre são o que dizem ser, pois em vídeos do Youtube onde a informação é compartilhada há as propagandas que geram ad sense aos proprietários dos canais.
Com a explosão informacional advinda do ciberespaço, os jovens têm cada vez mais acesso ao ambiente informacional em sua mão, através de smarthphones, tablets e demais suportes. Ademais, o excesso de informações gera a superficialidade do conhecimento deixando o leitor exposto a notícias falsas. Fato que evidencia a necessidade de um mediador da informação capaz de filtrar os dados antes de repassar ao seu público.
As bibliotecas comunitárias, em especial a Biblioteca Comunitária de Emaús, adquirem seu material informacional através doações, compras em sebos e feiras do livro.
No caso da BCE, seu acervo é constituído por discos; LPs; livros de conteúdo infanto-juvenis, adulto e especializado; e até mesmo indumentárias que são utilizadas em projetos criados pela ONG, a exemplo o Folclorando. A redução de custos na produção e distribuição de livros leva a democratização da informação que por si só necessita de um mediador que cumpre o papel bibliotecário.
Esses ambientes físicos de compartilhamento, troca e fluxos de informação são vistos como instrumentos de democratização e inclusão
informacional ao ensejarem o amadurecimento das relações sociais dentro comunidade e proporcionar o crescimento pessoal dos cidadãos através de práticas informacionais, como atividades de leitura.
(GUEDES, 2011, p. 75)
Em janeiro de 2020 (poucos meses antes do estopim da covid-19 e medidas de lockdown nos municípios do Rio Grande do Norte), a assistente social da BCE, Ana Karolina Flores, cedeu entrevista ao jornalista Cefas Carvalho no programa Jornal Potiguar Notícias, veiculado em rádio, tv fechada e internet. Segundo ela, levar cultura, oficinas socioculturais a jovens e até mesmo literatura em meio a violência na sociedade atual:
É uma forma da gente resgatar, na verdade, essas crianças, esses adolescentes de um meio que se torna um meio fora de controle da nossa sociedade porque tanto crianças quanto adolescentes e também adultos estão propícios a adentrar nessas situações de violência num modo geral. E quando se tem projetos dentro de cunho social na área para se estar trabalhando esses jovens a gente começa a trabalhar a partir da prevenção. Por que a prevenção? Porque o combate é mais oneroso, mais demorado. Então quando a gente pensa que antes deles estarem lá, nós os trazemos para trabalharem isso, que é a prevenção, a probabilidade desse jovem, dessa criança chegar a inserir-se a um meio de um crime ou se estar mais próxima a qualquer meio de violência se reduz (...). (FLORES, 2020)
A biblioteca comunitária não é apenas um centro de mediação e disseminação da informação da comunidade para a comunidade. A sua raíz como sendo um ambiente social estimulador da cultura em prol do afastamento de seu público-alvo (a comunidade na qual se insere) de fatores como violência e tudo que a envolve é substancial para seu desenvolvimento enquanto entidade.
Criar uma biblioteca comunitária é uma forma de valorização da própria comunidade, uma vez que iniciativas para difusão e acesso à informação são uma forma de contribuir para a redução das desigualdades sociais e promover a inclusão informacional. Projetos de implantação de centros comunitários de informação evidenciam as ações de organização, amadurecimento e cidadania, em que cada indivíduo se torna responsável pelo crescimento cultural da comunidade. (GUEDES, 2011, p. 75-76)
Os projetos de cunho social sempre fizeram parte da ACDONIMO, sendo o mais conhecido deles o Projeto Folclorando, que resgata e dissemina a cultura local entre diversas faixas etárias da comunidade.
43 Figura 8: Projeto Folclorando da Associação Dom Nivaldo Monte
Fonte: Portal da Prefeitura de Parnamirim, out. 2019.
A ACDONIMO já possui um histórico de entreitamento de sua relação com a comunidade através dos projetos. Em 2018, para além do Folclorando, a associação em colaboração com sua Biblioteca Comunitária contava com projetos de: artesanato, pintura, saraus literários, teatro, oficinas de circo, grupos de danças folclóricas como Araruna e Coco de Roda, com apresentações no entorno, em escolas da comunidade e municípios circunvizinhos. Quermesses também eram realizadas com o intuito de arrecadações de fundos para manter as despezas do prédio como contas de água, luz, internet, produtos de higienização e a confecção dos trajes das apresentações.
Uma prática ainda usual por parte de membros das comunidades é a doação de livros didáticos ou de livros rasurados para as bibliotecas comunitárias, muitas vezes por terem nela à visão de um espaço de depósito de livros ao invés de espaço de diálogo e leitura.
(NASCIMENTO, 2019, p. 2)
O livros doados para a biblioteca da ACDONIMO passam por triagem, onde os de bom estado e pertinentes à comunidade são inseridos no acervo e os que serão descartados são enviados para reciclagem onde será convertido em rendimentos retornados para a associação e sua biblioteca.
Foi constatado por Araújo et al (2020), que a Biblioteca Comunitária de Emaús possui vasto acervo dividido em 2 espaços: o infanto-juvenil, cuja maior parte do acervo é voltada a livros infantis de contos e quadrinhos; e o espaço geral que conta com livros de direito, literatura (em português, francês e inglês), filosofia, religião, autoajuda, livros
de outras áreas especializadas, referência, periódicos, CD’s, LP’s e livros didáticos para ensino básico, médio e superior. Inclusive que havia a inexistência de políticas, manuais e instruções formais para o trato do material bibliográfico.
Diferentemente dos primeiros anos de sua criação, a Acdonimo não conta apenas doações da comunidade como fundos mantenedores. Atualmente ela também recebe auxílio através do Fundo para Infância e Adolescencia (FIA) e com o apoio da Prefeitura de Parnamirim. O FIA é um fundo especial que se capta e destina recursos à ações de atendimento à criança e ao adolescente e que estão de acordo com Art. 71 da Lei de Normas Gerais de Direito Financeiro - Lei 4320/64, onde se lê: “Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que por lei se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação”. Esses recursos são captados através da Declaração do Ajuste Anual do Imposto de Renda onde declarante escolhe a destinação da doação e depositados na conta bancária da ONG.
Outra fonte orçamentária recentemente adicionada é a partir da Lei Aldir Blanc – Lei nº 14.017 de 29 de junho de 2020, que surgiu em meio aos obstáculos adquiridos com a pandemia da COVID-19 (como impactos causados pelo distanciamento social por exemplo) e em razão dela, com o objetivo de destinar recursos emergenciais a artistas, empresas e coletivos que atuem no setor cultural.
Figura 9: O escritor, compositor e músico Aldir Blanc, em uma livraria da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.
Fonte: El País, 2020.
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A Lei Aldir Blanc tem esse nome em homenagem ao escritor e compositor de mesmo nome que morreu vítima da COVID-19 em 4 de maio de 2020. Aldir, ficou imortalizado em canções de sua composição como “O bêbado e o equilibrista” e na voz de Elis Regina e “Galos de briga” em que ele cantava em parceria com o músico João Bosco. De acordo com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (2020), essa lei veio para dar suporte emergencial aos profissionais da área cultural com o recurso de R$
3 bilhões distribuídos, onde 50% seria distribuído entre os Estados e Distrito Federal.
Através de edital publicado do Diário Oficial do Município, a Prefeitura de Parnamirim no Estado do Rio Grande do Norte onde está situada a ACDONIMO e a Biblioteca Comunitária de Emaús, e por meio do Decreto nº 6.361 foi disponibilizada a solicitação do auxílio emergencial para espaços culturais em outubro de 2020 onde se discorrem, sob custeio e incentivo da Lei Aldir Blanc, os valores brutos a seguir:
Coletivo Cultural SEM constituição jurídica: 24 subsídios de R$ 5.000,00;
Coletivo Cultural COM constituição jurídica: 10 subsídios de R$ 5.000,00;
Instituição Cultural: 15 subsídios de R$ 8.000,00
São considerados espaços culturais, entre outros, os teatros independentes e circus, as escolas de música, capoeira, dança e artes, casas de cultura, bibliotecas comunitárias, espaços de povos e comunidades tradicionais, estúdios de fotografia, ateliês de pintura, moda, design, feiras de arte e artesanato, todos com ou sem constituição jurídica. (CAMARA NETO, 2020.)
Para efeito da solicitação do subsídio, instituições como a Associação Dom Nivaldo Monte tiveram de enviar documentos e demais comprovantes de suas atividades nos últimos 12 meses que antecediam o edital. A ACDONIMO se inscreveu na categoria de Instituição Cultural, foi aprovada e recebeu os R$ 8 mil em conta bancária, onde parte do dinheiro foi destinado a quitação das dívidas acumuladas em virtude da pandemia da COVID-19 (como luz, água e internet), compra de materiais de limpeza, higienização e sinalização para se adequar aos protocolos impostos durante a pandemia e tornar a reabrir o espaço.
Contudo, como forma de retorno imediado para a comunidade, foram destinados R$ 800 para execução do Sarau Virtual Litero-Cultural, onde se investiu em equipamentos e materiais para a criação do evento, sendo transmitido pelo Instagram, YouTube e Facebook. O sarau contou com apoio da Prefeitura Municipal de Parnamirim e da Fundação Parnamirim de Cultura. Dentre as apresentações incluíam-se: divulgação
do projeto Clube de Restauração de Bonecas que viria a ser criado em 2021; apresentação musical com jovens participantes da ACDONIMO, contação de histórias, poesias de Clara Camarão e Auta de Souza e danças folclóricas.
Figura 10. Voluntária Erenice no Sarau Virtual Lítero-Cultural
Fonte: Canal Dom Nivaldo, YouTube, 2021
Do investimento financeiro, R$ 450 foram destinados a lavagem dos figurinos dos projetos e mais R$ 5 mil foram investidos na encenação anual Paixão de Cristo em 2021.
Apesar de todo o transtorno causado pela pandemia que fez a associação e sua biblioteca fecharem as portas, o suporte financeiro recebido através da Lei Aldir Blanc permitiu reabrir e expandir alguns de seus projetos, bem como a criação do Clube de Restauração de Bonecas.
Além disso, a comunidade do bairro de Emaús através de doações custeou o curso de biblioterapia pelo Observatório do Livro e da Leitura para a gestora, a irmã Maria Luiza da Conceição. O curso de biblioterapia foi custeado com o intuito de retorno através de minicrusos ou oficinas para os vonluntários multiplicarem o conhecimento adquirido.
Além disso, a comunidade do bairro de Emaús através de doações custeou o curso de biblioterapia pelo Observatório do Livro e da Leitura para a gestora, a irmã Maria Luiza da Conceição. O curso de biblioterapia foi custeado com o intuito de retorno através de minicrusos ou oficinas para os vonluntários multiplicarem o conhecimento adquirido.