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3. Fundamentos do programa e o ente executor: contextualizando o PNAE e o Município

3.3 Contextualizando o município de Natal

O município de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, foi fundado em 1599 e possui uma população estimada de 877.662 habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2016), além de uma extensão territorial de aproximadamente 167.264 Km² (IBGE, 2015).

Natal encontra-se inserida no litoral leste do Estado do Rio Grande do Norte, região Nordeste do Brasil, e compõe a região metropolitana de Natal, região essa formalizada em 1997 pela Lei Complementar Estadual nº. 152/97 e composta atualmente por doze municípios, Natal, Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ceará- Mirim, São José de Mipibu, Nísia Floresta, Monte Alegre, Vera Cruz, Maxaranguape e Ielmo Marinho.

O município de Natal é regido pela lei orgânica de 3 de abril de 1990. De acordo com dados do TSE, em outubro de 2016 Natal apresentava 534.582 eleitores, representando 22,257% do eleitorado do Estado do Rio Grande do Norte (TSE, 2016). Em virtude de ser a capital do Estado, detém as sedes dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo estaduais.

No que se refere ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, o último levantamento realizado pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento – PNUD –

65 em 2010 apontou um IDHM de 0,763, classificando-se no ranking de municípios do país como 320º mais elevado IDHM entre os 5565 municípios brasileiros, situando-o na faixa de Desenvolvimento Humano Alto (IDHM entre 0,700 e 0,799) (Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2013).

O IDHM compreende os índices de longevidade, renda e Educação. Atualmente, Natal apresenta índices de 0,835, 0,768 e 0,694, respectivamente, tendo apresentado uma evolução significativa nas últimas décadas, conforme dados detalhados pela figura 1 abaixo:

Figura 1 - Evolução do IDHM de Natal relacionado ao menor e maior IDHM do Estado e do País.

Fonte: Hora, 2014

Consoante Lei Ordinária Nº 3.878/89, Natal passou a ser dividida em quatro Regiões Administrativas, compreendendo bairros em cada região, conforme mapa da divisão administrativa evidenciado através da figura 2 abaixo, uma vez que desde 1994 o bairro passou a ser a unidade territorial de planejamento de Natal por designação legal, utilizando-se, para tanto, de parâmetros ambientais, sociais, políticos, econômicos, dentre outros fatores influenciadores (HORA, 2014).

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Figura 2 - Mapa da divisão das regiões administrativas de Natal e os respectivos bairros compreendidos por região da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo.

67 Um estudo realizado em 2003 pela Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão Estratégica (SEMPLA) do Município de Natal, através do Setor de Estatística e Informações, mapeou a qualidade de vida da população municipal distribuída em seus bairros de acordo com o Índice de Qualidade de Vida – IQV, desenvolvido para o referido estudo a partir dos indicadores renda, educação e dimensão ambiental, classificando os bairros em três níveis de qualidade: alto, médio e baixo, buscando, assim, orientar a tomada de decisões acerca de ações, programas e projetos pela administração pública.

A partir desse estudo, pôde-se perceber a desigualdade existente no tocante à qualidade de vida entre os bairros pertencentes ao Município de Natal. As melhores condições percebidas à época foram constatadas nos bairros das regiões leste e sul, como Areia Preta, Petrópolis, Tirol, Candelária, Capim Macio, Lagoa Nova, Neópolis e Pitimbu, e os níveis de qualidade de vida mais baixos foram observados nas regiões oeste e norte. Nenhum dos bairros pertencentes às regiões oeste e norte apresentou nível alto de qualidade de vida, em contraposição, nenhum bairro da região sul apresentou baixo índice de qualidade de vida (BARROSO, 2003).

Corroborando esses dados acerca da desigualdade que abrange o município de Natal, o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD, 2013) verificou a proporção de pessoas pobres e de desigualdade de renda entre os períodos de 1991 e 2010 no município de Natal através do índice de Gini, mecanismo utilizado para aferir o grau de concentração de renda. Apontando a diferença entre a renda dos mais pobres e dos mais ricos, constatou-se uma estagnação com índices de 0,60 para 0,61 correspondentes aos respectivos períodos mencionados. O referido índice varia de 0 a 1, em que 0 representa completa igualdade e 1 completa desigualdade em concordância à tabela 1 apresentada a seguir, compreendendo as pessoas pobres como aquelas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 140,00 relativos a valores de agosto de 2010.

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Tabela 1- Renda per capita e desigualdade na concentração de renda no Município de Natal entre 1991 e 2010.

Fonte: PNUD, IPEA e FJP.

Nesse contexto, a Prefeitura de Natal, ao mapear as favelas existentes no município por região administrativa em função do plano diretor da cidade regido pela Lei Complementar 82, de 21 de junho de 2007, verificou um total de 67 favelas distribuídas pelo município, em maior concentração na região oeste com 24 favelas e menor concentração na região sul com 11 favelas, corroborando a desigualdade efetiva entre bairros e regiões no município, consoante mapa infra apresentado através da figura 3:

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Figura 3 - Mapa das favelas por região administrativa de Natal e os respectivos bairros compreendidos por região.

70 No tocante à Educação, um dos indicadores utilizados para o IDHM Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento – PNUD, apresentado no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (2013), é o nível de escolaridade da população adulta, acima de 25 anos com o ensino fundamental completo. No referido estudo, observou-se melhoras discretas nas décadas compreendidas entre 1991 e 2010, situação justificada pelas gerações antecedentes com baixa escolaridade, apresentando em 2010 um total de 27,2% da população com ensino fundamental incompleto, 32,9% com ensino médico incompleto e 10,2% analfabeta em conformidade à figura 4 abaixo detalhada (PNUD, 2013):

Figura 4 - Escolaridade da população adulta (25 anos ou mais) entre 1991 e 2010 no município de Natal.

Fonte: PNUD, IPEA, FJP.

Em conformidade com as informações fornecidas pela Secretaria Municipal de Educação, existem atualmente 72 escolas municipais e 74 Centros Municipais de Educação Infantil – CMEIs, além de escolas municipais e federais distribuídas pelo município. O mapa a seguir, exposto na figura 5, apresenta levantamento realizado em 2012 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo para o Anuário de Natal do ano de 2014, mapeando escolas e creches por região administrativa:

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Figura 5 - Mapa das escolas e CMEIs por região administrativa de Natal.

72 Em conformidade com os dados do último censo educacional do IBGE realizado em 2015, constam, atualmente, 2026 docentes da rede pública municipal de ensino de Natal, compreendendo educação básica e pré-escola, e um total de 42.533 alunos matriculados na rede pública municipal (IBGE, 2015).

Por fim, é relevante pormenorizar as secretarias existentes no município de Natal atualmente, quais sejam, Saúde, Administração, Planejamento, Meio ambiente e Urbanismo, Educação, Juventude, Esporte e Lazer, Serviços Urbanos, Comunicação Social, Cultura e Arte, Obras Públicas e Infraestrutura, Trabalho e Assistência Social, Mobilidade Urbana, Turismo, Habitação, Regularização Fundiária e projetos estruturantes, Tributação, Segurança Pública e defesa social e Políticas para as mulheres.

Neste ínterim, observa-se que não há, no município, secretaria de agricultura, situação que pode ser parcialmente explicada em razão da ínfima população rural existente na cidade de Natal, consoante tabela 2, abaixo especificada, classificando a população do município como integralmente urbana em quantitativos absolutos:

Tabela 2 - População total, por gênero, rural/urbana do município de Natal.

Fonte: Hora, 2014.

A partir do exposto, ressalta-se que não se buscou, neste item, simplesmente apontar fragilidades ou atributos do município de Natal, mas apenas contextualizar e descrever o loco pesquisado para que possa auxiliar a compreensão da dinâmica do programa analisado adiante a partir das características da cidade onde é operacionalizado.

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4. A operacionalização do programa em âmbito local: desenho institucional e