WEBQUEST COMO POTENCIAL RECURSO DIDÁTICO PARA A APRENDIZAGEM E CONTEXTUALIZAÇÃO DE CONCEITOS DE FONTES DE ENERGIA ELÉTRICA
1. Contextualizando o desenvolvimento da WQ proposta
De forma recorrente têm-se questionado a maneira como a Física vem sendo abordada nos ambientes formais de ensino. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), o ensino de Física não deve se pautar na seleção de novas listas de conteúdos, mas sim, em promover um conhecimento contextualizado, pois “levando-se em conta o momento de transformações em que vivemos, promover a autonomia para aprender deve ser preocupação central, uma vez que, o saber de futuras profissões pode ainda estar em gestação” (Brasil, 2000, p.23). Sob essa ótica, o ensino não pode ser baseado em situações isoladas que exijam apenas a memorização e a aplicação do conceito, é preciso ensinar o aluno a aprender e a buscar conhecimentos de forma independente.
Os alunos vivem em uma sociedade acelerada tecnologicamente, e em geral são muito receptivos a estas inovações. Gouvea (2006) afirma que deve-se aproveitar o ambiente informatizado e o gosto dos estudantes por tecnologia para promover sua autonomia na busca pelo conhecimento. Com a popularização da internet, o acesso à informação foi massificado. Entretanto, é preciso esclarecer que informação não é o mesmo que conhecimento, pois conhecer algo é integrar a informação apropriando-se dela, tornando-a significativa (Fukuda, 2004). Para que as informações disponibilizadas na internet se tornem conhecimento é essencial o papel do professor como seletor do conteúdo e organizador das atividades de ensino. Utilizar as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como suporte para o ensino pode ser uma alternativa para despertar o interesse dos alunos em aprender e criar oportunidades para que a informação se concretize em conhecimento.
A WebQuest (WQ) tem sido citada como uma ferramenta eficiente no sentido de despertar o desejo de aprender e de usar as informações da web de forma a promover a construção do conhecimento. Segundo Fukuda (2004), a WQ é uma técnica para usar a internet na escola fazendo um trabalho de cooperação e uso vivo da informação, “um convite ao mundo com sua riqueza de informações para que ele venha até a classe, num contexto de conhecimento e relação cooperativa entre os alunos.” (Fukuda, 2004, p.6).
Esse recurso se popularizou entre os educadores por ser uma forma de incentivar o trabalho em grupo e direcionar a pesquisa na web, pois, com a mesma velocidade que as informações são divulgadas na rede, elas também são produzidas e, algumas vezes, não há um compromisso com a veracidade da publicação. Como são pesquisas orientadas na web, a WQ tem como uma das características indicar os locais onde devem ser realizadas as consultas, minimizando as chances de dispersão por parte dos alunos e oferecendo alternativas para o problema da de informações equivocadas, uma vez que, o conteúdo que é disponibilizado passa pelo crivo do professor antes de ser colocado online.
Para Costa (2008, p. 40), “A Webquest é uma actividade didática que propõe uma tarefa atraente e exequível e um processo para cumpri-la durante o qual os alunos realizam algo com a informação, usando pensamentos de nível avançado.”. Sendo assim, uma WQ configura-se como mediadora das relações entre alunos e conteúdos (ou tarefas de aprendizagem), e de acordo com Coll, Mauri e Onrubia (2010, p.69), cabe aos alunos,
a) ter acesso a repositórios de conteúdos com formas mais ou menos complexas de organização; b) explorar, aprofundar, analisar e avaliar conteúdos de aprendizagem (utilizando bases de dados,
ferramentas de visualização, modelos dinâmicos, entre outros);
c) realizar tarefas e atividades de aprendizagem, determinados aspectos destas, ou parte delas (preparar apresentações, redigir relatórios, organizar dados, entre outras).
Ao elaborar uma WQ é de fundamental importância que, o professor tenha conhecimento técnico e pedagógico para criar uma ferramenta de aprendizagem desejável e atraente aos alunos. Entende-se como sendo essencial, uma análise que não se limite a um ingênuo olhar voltado exclusivamente, aos benefícios vislumbrados pelo potencial uso das TIC. Nessa análise, para a elaboração de uma WQ o professor deve considerar sete elementos fundamentais, apontados por Fukuda (2004): 1) Introdução, onde são apresentadas as informações básicas e o objetivo (deve ser um elemento motivador para que o aluno deseje realizar a tarefa); 2) Tarefa, que descreve o que os alunos devem produzir (precisa ser criativo, desafiador e possível de ser executado); 3) Processo, que consiste numa trajetória bem orientada do professor para o aluno a fim de concretizar a tarefa; 4) Recursos, são os links, textos e fontes disponibilizados que os alunos deverão consultar para realizar a tarefa; 5) Avaliação, onde são explicados os critérios utilizados na avaliação do trabalho; 6) Conclusão é a finalização da WQ, pois apresenta o resumo das atividades e as propostas de análise do aprendizado; 7) Créditos, onde são apresentadas a fonte de todos os materiais utilizados e os autores da WQ.
Silva (2014) propõe que, a WQ pode ser classificada como curta ou longa. A WQ curta é realizada em até três aulas e objetiva o contato do aluno com uma grande quantidade de informações, para integrá-las e assim, compreendê-las, ao passo que, uma WQ longa tem duração de uma a quatro semanas e visa explorar mais o conteúdo estudado, a partir de uma maior coleta e interação com as informações para a produção de um conhecimento mais aprofundado (Silva, 2014). A autora alerta que, para além dos aspectos pedagógicos e técnicos, na elaboração de uma WQ é importante considerar os aspectos visuais, a acessibilidade digital, o ambiente interativo, a facilidade de manipulação e a clareza na comunicação das ideias apresentadas a fim de que os alunos se envolvam de forma mais efetiva na atividade.
Na perspectiva de usar a pesquisa direcionada na web para tornar o aluno mais ativo e crítico no seu processo de aprendizagem, este trabalho consistiu em elaborar, aplicar e avaliar o uso de uma WQ cujo assunto são as fontes de produção de energia. A proposta, desenvolvida no primeiro semestre de 2016, surgiu como uma atividade complementar da disciplina de Análise e Desenvolvimento de Recursos Didáticos para o Ensino de Ciências e Matemática do programa de Mestrado Profissional em Educação para Ciências e Matemática do Instituto Federal de Goiás – Câmpus Jataí.
Assim, a WQ Da produção ao consumo de energia elétrica1, foi elaborada para ser utilizada como ferramenta didática nas aulas de Física da 3ª série do Ensino Médio das escolas da rede estadual da cidade de Jataí, estado de Goiás. O tema escolhido, a produção e o consumo da energia elétrica, é um conteúdo da disciplina de Física da referida série previsto na matriz curricular da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esportes do Estado de Goiás (SEDUCE- GO). Seu objetivo é possibilitar aos alunos compreender como as usinas hidrelétricas e fotovoltaicas operam para a obtenção da energia elétrica (em específico hidrelétrica e
fotovoltaica) e consigam se posicionar criticamente diante de uma situação real, que consiste em decidir qual a melhor forma de produção de energia para a cidade em que residem.
O convite para testar a WQ foi feito em uma turma de terceiro ano do turno matutino na qual um dos autores deste trabalho é professor da disciplina de Física. Dos 34 alunos matriculados, 28 se propuseram a participar. A execução da proposta foi realizada em quatro encontros de uma hora e meia cada, no turno vespertino. As atividades desenvolvidas pelos alunos na WQ consistem em: conhecer as formas de produção de energia elétrica por usinas hidrelétricas e fotovoltaicas, elaborar uma proposta de suprimento para a demanda de energia do município de Jataí e defender essas propostas em uma simulação de audiência pública, na qual deveriam convencer três representantes da sociedade de que a sua forma de produção de energia é a melhor alternativa para o suprimento dessa cidade.
2. WQ Da produção ao consumo de energia elétrica: o relato de uma experiência de