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4 PERCURSO METODOLÓGICO: UM ESTUDO QUALITATIVO

4.4 Contextualizando os documentos normativos

Apresentamos, a seguir, uma descrição dos documentos que compõem o corpus da presente pesquisa.

Declaração de Sorbonne: É um documento que foi elaborado em 1998, e traz princípios básicos a serem exercidos no âmbito do Ensino Superior da União Europeia. O documento destaca a preocupação com o saber no que concerne às dimensões intelectual, cultural, social e tecnológica; exalta o protagonismo das universidades, ao abarcar todas essas preocupações; e propõe a ampliação de processos formativos dos estudantes e professores, de modo que possam ampliar o seu capital cultural.

O documento também destaca as mudanças ocorridas na sociedade e a necessidade de se ofertar aos cidadãos um Sistema de Ensino Superior Europeu, que

proporcione boas oportunidades para que os sujeitos possam encontrar a sua vocação profissional, respeitando as diferenças e a necessidade de se trabalhar em prol da abolição de barreiras excludentes.

A Declaração de Sorbonne destaca o total apoio à mobilidade, tanto de estudantes quando de docentes, a importância do governo em reforçar políticas afirmativas, bem como o diálogo entre os sujeitos envolvidos com a educação superior, buscando consolidar o espaço europeu no mundo, com o espírito de interação, priorizando sempre o diálogo, o fortalecimento das identidades nacionais e os interesses comuns.

A Figura 01, abaixo, mostra as palavras que se destacam na Declaração de Sorbonne.

Figura 01: Nuvem de Palavras da Declaração de Sorbonne

Fonte: Software ATLAS.TI 8

Declaração de Bolonha: é um documento que foi elaborado em 1999 e leva em consideração os princípios da Declaração de Sorbonne. Tem por objetivo estabelecer uma Europa completa, dando vazão à importância do Ensino Superior nesse processo, preocupando-se com a dimensão intelectual, cultural, social, científica e tecnológica dos sujeitos, sendo esse um componente indispensável para a consolidação e o enriquecimento da cidadania europeia.

A declaração também destaca a necessidade de elevar a competitividade internacional do sistema de Ensino Superior, transformando-o em um modelo; ressalta a importância de se promover a mobilidade de estudantes, docentes e técnicos administrativos, dando-lhes instrumentos para aperfeiçoar a prática docente, bem como melhorar o desenvolvimento do trabalho e instruir o processo formativo para o

enriquecimento do capital intelectual e cultural dos sujeitos, promovendo uma proposta de cooperação interinstitucional, respeitando a diversidade cultural de cada sistema de ensino.

A Figura 02, a seguir, ilustra a ênfase vocabular da Declaração de Bolonha.

Figura 02: Nuvem de Palavras da Declaração de Bolonha

Fonte: Software ATLAS.TI 8

Magna Charta Universitatium (expressão de origem latina, que significa ‘papel da universidade’): documento elaborado em 1998, que discorre sobre os princípios fundamentais da Educação Superior Europeia, apontando que é preciso adaptar-se às necessidades de mudanças, levando em consideração as exigências da sociedade do conhecimento, bem como os avanços científicos.

Ressalta também o protagonismo das universidades no que diz respeito às descobertas, mudanças e responsabilidades das instituições frente ao desenvolvimento cultural, científico e tecnológico. Enfatiza o papel fundamental das Instituições de Ensino Superior em promover aproximações com a sociedade, ignorando as fronteiras geográficas em prol da liberdade de investigação, de ensino e de formação.

A Figura 03, abaixo, traz a nuvem de palavras desse documento.

Fonte: Software ATLAS.TI 8

Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da Universidade Federal de Pernambuco: documento obrigatório para avaliação da Educação Superior, cuja elaboração exige a implementação do Projeto Pedagógico Institucional (PPI).

O PDI da UFPE tem duração de cinco (5) anos (de 2019 a 2023) e discorre sobre a missão, a visão, os valores, os objetivos a serem alcançados pela instituição, bem como apresenta o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) da universidade. Tal documento relata a trajetória histórica da instituição de ensino, o quantitativo de público atendido por ela (mais de 49 mil pessoas, de acordo com dados de 2019, apresentados no referido documento), dentre professores, servidores, técnicos administrativos, estudantes de graduação e pós-graduação.

A Universidade Federal de Pernambuco, atualmente, possui três (3) campi: um situado na capital do Estado (Recife) e os outros dois em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana, e em Caruaru, na região do Agreste Pernambucano. A referida instituição oferece 107 cursos de graduação, dos quais 102 são presenciais; 52 cursos de Doutorado; 73 cursos de Mestrado Acadêmico; 14 cursos de Mestrado Profissional; 41 cursos de Especialização presencial; e 3 cursos de Especialização na modalidade a distância (EAD).

O Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal de Pernambuco apresenta um panorama sobre como a universidade está, bem como onde se pretende chegar, as estratégias traçadas para alcançar os objetivos, os estágios e os desafios encontrados.

No que diz respeito ao apoio aos professores com relação a sua formação continuada, a Universidade Federal de Pernambuco conta com o Núcleo de Formação Continuada Didático-Pedagógico dos professores da UFPE (NUFOPE). A existência

desse núcleo justifica-se pela necessidade de proporcionar aos docentes formação pedagógica que contribua para a melhoria do desenvolvimento pessoal e profissional dos docentes, para atender às demandas da Instituição e às exigências da sociedade, bem como objetiva a melhoria da prática pedagógica docente.

Visando à elevação da qualidade de ensino frente às novas exigências da sociedade, a identidade organizacional da Instituição foi estabelecida mediante os seguintes critérios: propósito da instituição, missão, valores e visão, os quais foram elencados para promoção de uma convergência com o desenvolvimento de uma formação humanizada, visando à construção do conhecimento de excelência e o consequente reconhecimento mundial.

A Figura 04, abaixo, apresenta a nuvem de palavras do PDI da UFPE.

Figura 04: Nuvem de Palavras do Plano de Desenvolvimento UFPE

Fonte: Software ATLAS.TI 8

Política de Inovação da UFPE: estabelecida por meio da Resolução nº 02/2019, foi elaborada com base na Lei nº 13.243, de 11 de janeiro de 2016, a qual discorre sobre a responsabilidade da universidade em desenvolver o ensino, a pesquisa e a extensão, objetivando o pleno desenvolvimento do país em parceria com o setor público e privado, visando à promoção da inovação, da pesquisa científica e tecnológica.

A parceria com o setor público e privado deve ser estabelecida visando à superação dos problemas nacionais e à alavancagem do sistema produtivo do país, tendo como princípio o compromisso com o desenvolvimento econômico e social, no qual a inovação é um pilar prioritário, bem como o estabelecimento de parcerias com instituições estrangeiras.

A Política de Inovação da UFPE também discorre sobre a importância e atribuições do Núcleo de Inovação e Tecnologia (NIT), concessão de bolsas, parcerias com empresas públicas e privadas, proteção do capital intelectual resultante da universidade, transferência de tecnologia em parcerias com instituições, distribuição de verba entre os setores, capacitação tecnológica, investimento em ações de empreendedorismo que resultem em bens, serviços e produtos para o mercado e sociedade.

A nuvem de palavras desse documento está representada na Figura 05, abaixo.

Figura 05: Nuvem de Palavras da Política de Inovação da UFPE

Fonte: Software ATLAS.TI 8

Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE (2013-2020): esse documento foi elaborado com o objetivo de criar um panorama da instituição, para analisá-la interna e externamente, bem como para romper definitivamente com conceitos e paradigmas ultrapassados e fixar novos. O documento apresenta a trajetória histórica da universidade, que, neste ano de 2020, completa 108 anos, indicando uma longa existência no estado de Pernambuco. A referida Instituição tem polos espalhados por todo o estado e oferta cursos de graduação, pós-graduação, educação básica (ensino médio) e cursos técnicos.

Figura 06: Presença Regional da UFRPE

Fonte: PDI da Universidade Federal Rural de Pernambuco

Visando inovar nos seus conceitos, alinhando-os às suas tradições, de modo a atender às demandas da sociedade contemporânea e do mercado de trabalho, a UFRPE, no ano de 2014, implantou a Unidade Acadêmica do Cabo de Santo Agostinho (UACSA), que foi planejada especificamente para o fortalecimento empresarial/industrial dessa região e do país, com o projeto de formação de recursos humanos qualificados, realização de pesquisas de ponta e projetos de inovação tecnológica.

A universidade conta com 1.200 docentes, mais de 1.000 técnicos- administrativos e mais de 600 trabalhadores terceirizados, além de cerca de 15.000 discentes (dados do ano de publicação do referido documento).

A seguir, encontra-se a nuvem de palavras do PDI da UFRPE.

Figura 07: Nuvem de Palavras do Plano de Desenvolvimento da UFRPE

Política de Inovação da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE: promulgada por meio da Resolução nº 034/2017, dispõe sobre o direito da Propriedade Intelectual, da transferência de tecnologia, da importância e comprometimento da instituição em valorizar atividades criativas por meio da tecnologia, ciência e arte desempenhada por professores, estudantes e técnicos- administrativos.

O documento também discorre sobre o direito que tem a universidade de fazer uso econômico da criação intelectual desenvolvida na instituição, apresenta os benefícios que esse uso pode trazer para potencializar as produções acadêmicas, bem como relata a importância de se estabelecer critérios para a participação de servidores nos ganhos financeiros da universidade.

Além disso, o documento destaca a importância do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFRPE na execução de ações relacionadas à inovação, fiscalizando o compartilhamento dos laboratórios, equipamentos, instalações e o capital intelectual da instituição, disponibilizado para empresas e organizações públicas e privadas com as quais são celebrados contratos de parceria.

A Política de Inovação também ressalta que o servidor público, mesmo que esteja em regime de dedicação exclusiva, poderá exercer atividade remunerada e receber bolsa de pesquisa e incentivo à inovação, por empresas e instituições com e sem fins lucrativos.

A seguir, na Figura 08, está ilustrada a nuvem de palavras da Política de Inovação da UFRPE.

Figura 08: Nuvem de Palavras Política de Inovação da UFRPE

Lei nº 13.243, de 11 de janeiro de 2016: dispõe sobre estímulos à inovação, à pesquisa científica e à tecnologia, para o desenvolvimento econômico e social do país, promovendo assim a redução das desigualdades sociais. Essa lei também aponta para a necessidade de se promover formação continuada, no que diz respeito ao uso de tecnologia no âmbito produtivo.

Tal documento apresenta uma definição sobre o que é inovação, o que são as Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), a Fundação de Apoio, a Pesquisa Pública, o Parque e o Polo Tecnológico, a Extensão Tecnológica, o Bônus Tecnológico, a Incubadora de Empresa, bem como as atribuições de cada um.

Também discorre sobre as especificidades de valores financeiros aplicados em atividades de pesquisa que desenvolvem inovação tecnológica, bem como a parceria entre o setor público e privado no âmbito industrial; ressalta a importância do estímulo à inovação, ao empreendedorismo, à gestão da inovação, à transferência de tecnologia e à propriedade intelectual, visando produzir bens, produtos e processos úteis para empresas e sociedade.

Abaixo, na Figura 09, está ilustrada a nuvem de palavras da Lei No 13.243.

Figura 09: Nuvem de Palavras da Lei Nº 13.243

Fonte: Software ATLAS.TI 8

Após a leitura aprofundada de cada documento e codificação dos mesmos, elaboramos uma nuvem de palavras de todos os códigos criados, para obtermos uma

visão geral da temática analisada, de forma a confirmar ou não se os códigos elaborados tinham relação com o que identificamos até o momento. Constatamos que a nuvem de palavras dos códigos estava totalmente dentro do contexto do discurso contido nos documentos normativos, como mostra a Figura 10, abaixo.

Figura 10: Nuvem de Palavras de todos os códigos elaborados

Fonte: Software ATLAS.TI 8

Esse foi o percurso trilhado para realizarmos a análise dos documentos. A seguir, apresentamos o caminho percorrido para a coleta e análise dos dados das entrevistas.