• Nenhum resultado encontrado

O instrumento de coleta de dados foi aplicado a duas pessoas que aceitaram em participar da pesquisa e responder ao questionário. Para respeitar os procedimentos éticos de pesquisa e resguardar a identificação dos colaboradores, os mesmos foram intitulados de participante A e participante B. A participante A tem vinte e cinco anos de idade e como formação o Ensino Superior completo. A participante não mencionou o curso e/ou a área de atuação que concluiu a graduação.

O participante B, por sua vez, possui vinte e oito anos de idade e Ensino Médio incompleto. Após a apresentação da proposta desse estudo, cientes dos objetivos da proposta, ambos os colaboradores assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice A). Tanto o contato com os participantes, quanto o retorno do questionário respondido acontecerem via e-mail, respeitando o distanciamento social em razão da pandemia causada pelo Coronavírus4.

Os participantes foram escolhidos a partir do critério de possuírem diagnóstico de TDAH e estar na fase da idade adulta, em razão do objetivo proposto neste trabalho. A seção a seguir, apresenta a discussão dos dados com base na análise de conteúdo com base em Bardin (2011).

4 A COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, que apresenta um espectro clínico variando de infecções assintomáticas a quadros graves. Disponível em:

https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca#o-que-e-covid

4 ANÁLISE DOS DADOS

Nesta seção, serão apresentados os resultados encontrados no decorrer do estudo através da aplicação do questionário contendo perguntas abertas aos participantes A e B. Esse instrumento de coleta de dados possibilitou a análise das questões que envolvem o TDAH, de forma a responder aos objetivos delineados anteriormente neste trabalho.

Cabe salientar que a análise dos dados será com base na análise de conteúdo conforme Bardin (2011), que propõe a criação de categorias de análise a partir dos enunciados, palavras e frases que resultaram da aplicação do questionário. A partir desta proposta de análise, foram constituídas as categorias 1 e 2, elencadas e apresentadas a seguir.

Categoria 1: Dificuldade para aprender

Nesta categoria, foram reunidas as perguntas relacionadas ao processo de escolarização e as implicações do TDH no processo de aprendizagem e desenvolvimento dos participantes A e B. O quadro 1, apresenta os relatos dos colaboradores acerca da sua infância, bem como a relação com os pais e ou responsáveis nesse contexto de suas vidas.

Quadro 1 – Infância e relação com os pais/familiares PARTICIPANTE A

Era tida como a menos inteligente pelo fato de não conseguir prestar atenção nas coisas que me eram ensinadas.

Muito boa, acho que eles nunca notaram algo de diferente, era uma criança que brincava muito na rua.

PARTICIPANTE B

Eu não sabia que tinha TDAH, era muito agitado e fazia amizades. Durante minha infância eu brincava bastante, mas também convivia com adultos, era muito esperto e gostava de fazer aventuras como pegar o carro do meu pai escondido. Também participei da invernada e gostava muito de conversar. Meu pai brigava muito comigo, porque vinha muita reclamação da escola sobre meu comportamento, já minha mãe me protegia do meu pai, mas sempre percebi que me tratavam diferente de como eles tratavam minha irmã. Muitas vezes, ela fazia algo errado e colocava a culpa em mim, como eu já estava acostumado a levar culpa de tudo.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

A participante A, ao mencionar suas recordações acerca da infância que vivenciou, destaca as suas lembranças negativas provocadas pela falta do diagnóstico do transtorno e pela consequente incompreensão de amigos educadores e familiares. Nesse contexto, ressaltou que era considerada a criança menos inteligente e atenta que as demais, mas defendeu que os seus familiares não reconheciam essas características. Em geral, a participante demonstrou que sua infância e relação com os familiares foram baseadas em aspectos positivos.

O participante B por sua vez, que também desconhecia o TDAH, mencionou que durante a sua infância era uma criança agitada, mas essa característica não prejudicou suas amizades. Entretanto, o transtorno implicou em muitos desafios para a aprendizagem escolar e as relações com os pais, pois as constantes reclamações por parte da escola tornavam difícil a convivência familiar. Além disso, o comportamento influenciava o relacionamento com a irmã que era tratada de outra forma.

Esses desafios mencionados pelos colaboradores acerca de sua infância vêm ao encontro das palavras de Rohde (1999, p. 37) que assinala:

Esse transtorno tem um grande impacto na vida da criança ou do adolescente e das pessoas com as quais convive (amigos, pais e professores). Pode levar a dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e social, bem como a um baixo desempenho escolar.

Nesse sentido, percebe-se o quanto o TDAH pode afetar negativamente a vida das pessoas diagnosticadas com o transtorno, assim como familiares e educadores que convivem cotidianamente com os mesmos. O autor ainda defende que o transtorno implica em um “alto custo financeiro, o estresse nas famílias, o prejuízo nas atividades acadêmicas e vocacionais, bem como efeitos negativos na autoestima das crianças e adolescentes” (ROHDE et al., 2000, p. 07), afetando os diferentes ambientes e áreas de desenvolvimento.

Mais especificamente a respeito das dificuldades enfrentadas no espaço escolar ao longo da Educação Básica, os participantes A e B relataram as seguintes questões evidenciadas no quadro 2:

Quadro 2 – Desafios do processo de escolarização PARTICIPANTE A

Na escola era super inquieta e distraída, tinha muita dificuldade para aprender não conseguia gravar a matéria direito, reprovei vários anos, os próprios professores tinham reclamações desde pequena, que eu não parava em aula, não prestava atenção no que era passado, como a diferença era de apenas 1 ano de idade entre eu e meu irmão, os professores faziam comparações do quanto ele era inteligente e eu não.

PARTICIPANTE B

Eu conversava muito em sala de aula, mas fazia muitas amizades. Sentava no fundo da sala, não tinha muita concentração pra fazer as atividades e geralmente as colegas faziam para mim, uma vez minha professora chorou de tanto que eu agitei na sala de aula.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

A participante A afirmou ter comportamento inquieto e distraído, fatores que dificultavam sua concentração nas atividades e consequentemente interferiram na sua aprendizagem, produzindo constantes situações de repetência escolar. A colaboradora da pesquisa mencionou, que da mesma forma que o participante B, sofria com as comparações oriundas dos professores acerca da inteligência de seu irmão.

Tanto os docentes e profissionais da equipe escolar quanto os familiares começaram a fazer comparações entre as demais crianças com a que apresenta os sintomas de hiperatividade, desatenção e impulsividade. Essas atitudes no entender de Reis (2011, p. 190) visam confrontar o comportamento e a aprendizagem da

“criança que apresenta essas características com os outros alunos da sala de aula que têm a mesma idade, o mesmo sexo, para confirmar se essas características não são normais do desenvolvimento da criança”.

O participante B, conforme destacou no questionamento, reforçou que tinha facilidade em construir novos laços de amizades, porém, quanto a aprendizagem escolar, defendeu como desafios a falta de concentração na sala de aula. Um momento de escolarização que marcou em sua memória, foi uma situação que desestabilizou a professora diante de tamanha agitação gerada em parceria com os colegas.

A partir dos relatos dos participantes A e B, é possível considerar que o TDAH implica em inúmeros prejuízos às crianças e jovens que encontram-se nas etapas escolares da Educação Básica.

Pode-se notar, que é na escola onde se percebe os sintomas do TDAH, visto que é nesse ambiente que a criança necessita estar atenta para realizar suas tarefas e prestar atenção nas explicações da professora e nas leituras que faz, portanto, é no mesmo que notam-se sintomas como falta de atenção, agitação, impulsividade, dificuldade de aprender e realizar as tarefas colocadas pela professora [...] (REIS, 2011, p. 190).

É nesse momento de escolarização que os desafios às crianças e jovens com o TDAH passam a gerar problemas de aprendizagem e relacionamento entre escola e família, produzindo desentendimentos e culpando a criança por todos os comportamentos. Os desafios relacionados a concentração nas propostas tornam-se visíveis, principalmente, em ações que exigem um longo tempo de realização de atividades repetitivas na sala de aula (HARPIN, 2005, apud DESIDÉRIO; MIYAZAKI, 2007).

O quadro 3, apresenta algumas características acerca do ambiente escolar no qual os colaboradores foram matriculados, definindo seus espaços, integravam escolas públicas ou privadas do município de Alegrete.

Quadro 3 – Ambiente escolar: escola pública ou privada PARTICIPANTE A

Escola pública, como estudei em várias escolas não posso descrever apenas uma, porém, onde estudei não era exigido uniformes, as classes sempre muito rabiscadas, cadeiras e mesas quebradas, maioria nas turmas a ventilação era precária.

PARTICIPANTE B

Sempre estudei em escola pública, muitos anos na mesma escola, só dois anos que estudei em outra. A escola que estudei mais tempo era bem perto da minha casa, eu era bem conhecido na escola por causa das reclamações constantes sobre meu comportamento. Era uma escola considerada de periferia.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

Ao ser questionada acerca das escolas que frequentou em seu processo de escolarização, a participante A apontou que foi matriculada em várias escolas públicas. As memórias desse contexto trazem que a infraestrutura e os recursos

pedagógicos eram precários, contendo móveis quebrados, rabiscados, e falta de materiais de ensino.

O participante B também estudou a maior parte do tempo em uma escola pública, e depois, cursou mais dois anos em outra instituição pública. No primeiro ambiente, em razão do espaço se localizar próximo à sua casa, o participante B tornou-se reconhecido pela comunidade em razão das reclamações sobre seu comportamento na escola.

Ambos os participantes estudaram em instituições públicas de ensino e não realizaram toda a sua escolarização em apenas uma escola, matriculando-se em novos espaços. É possível que a frequente mudança de escola tenha ocorrido em razão do TDAH “dificultar os relacionamentos afetivos e sociais, e a impulsividade gerar rejeições entre colegas de escola e professores” (DESIDÉRIO; MIYAZAKI, 2007, p. 168).

Acerca da participação dos pais e/ou responsáveis nas práticas desenvolvidas pelas escolas públicas, os participantes relataram o seguinte (QUADRO 4):

Quadro 4 – Participação dos pais/responsáveis na escola PARTICIPANTE A

Não, iam apenas em reuniões de final de ano, mas não tinha acompanhamento.

PARTICIPANTE B

Sempre ia minha mãe, mas chamavam muito meu pai também, mas ele não ia.

Meus pais trabalhavam bastante na época, eles eram vendedores ambulantes e só iam à escola quando eram chamados ou para pegar parecer.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

Acerca desta questão, a participante A, respondeu que seus familiares frequentavam o espaço escolar em situações específicas que demandavam a presença do responsável, sendo que não houve maior interesse em envolver-se nas atividades promovidas pela instituição.

O participante B destacou a presença mais intensa por parte da mãe, já que o pai se recusava a participar das ações da escola quando solicitado. Embora a mãe do colaborador presenciasse algumas reuniões de entrega de pareceres, ambos os

pais não representavam uma figura ativa com a escola, trabalhando como vendedores ambulantes a maior parte do dia.

Observa-se que os pais de ambos os colaboradores da pesquisa participavam apenas quando solicitados, não reconhecendo a necessidade de envolverem-se ativamente nas decisões, ações e propostas desenvolvidas pelas instituições públicas. Nesse sentido,

[...] torna-se fundamental não só o diálogo entre a escola e a família, mas também que cada um conheça o seu papel para contribuir para a aprendizagem da criança com TDAH. Surge a partir de então, a importância da família em participar da vida escolar do filho, com o objetivo de reforçar boas atitudes e comportamentos, estabelecendo uma parceria ativa e fundamental (SANTOS, 2015, p. 02).

Com base nas ideias trazidas por Santos, percebe-se a necessidade dos pais e responsáveis se fazerem presentes durante todas as etapas da Educação Básica, a fim de estarem cientes dos desafios, dificuldades e possibilidades que a escola e a família podem superar para conquistar a aprendizagem da criança ou jovem com TDAH. É importante destacar que a participação dos familiares e a construção de uma parceria com o âmbito escolar, é uma questão essencial para a formação de todos os educandos, não somente dos alunos diagnosticados com transtornos ou deficiência.

A seguir, será apresentada a Categoria 2, que aborda sobre as demais etapas de desenvolvimento ao longo da vida dos participantes, como forma de reconhecer os desafios implicados pelo TDAH no decorrer de suas vivências.

Categoria 2: Não conseguia aprender como os outros

Nesta categoria, serão discutidos os questionamentos sobre as dificuldades, as vivências e as implicações do TDAH na adolescência e na vida adulta dos participantes A e B, além do processo de diagnóstico e tratamento do transtorno. O quadro 5, exposto a seguir, destaca os relatos de ambos os colaboradores da pesquisa relativamente ao período da adolescência.

Quadro 5 – Fase da adolescência PARTICIPANTE A

Sempre fui bastante comunicativa e hiperativa durante minha adolescência.

PARTICIPANTE B Nunca tive problemas em me relacionar.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

Quanto à fase da adolescência, a participante A manifestou que neste momento de sua vida, era bastante comunicativa e hiperativa, interagindo muito com amigos e colegas adolescentes. O participante B, da mesma forma que a colaboradora expressou, não teve dificuldades em se relacionar com as pessoas da sua idade e desenvolver amizades.

Desse modo, considera-se que o TDAH não teve muitas implicações nas relações construídas no período, afetando outros aspectos de suas vidas, como as relações familiares e educacionais. Embora os participantes não mencionem dificuldades em criar e manter interações com amigos e colegas, o TDAH influencia grande parte dos vínculos afetivos das pessoas diagnosticadas com tal transtorno, prejudicando suas relações desde a infância até a fase adulta (POLANCZYK, 2008).

Por isso, é tão importante que, ao possuir o diagnóstico do TDAH, a instituição e o serviço de orientação escolar possam trabalhar juntos a fim de

“facilitar o convívio de crianças com TDAH com colegas e evitar o desinteresse pela escola e pelos estudos, fato comum em adolescentes portadores de TDAH”

(DESIDÉRIO; MIYAZAKI, 2007, p. 7). A partir dessas ações, é possível estimular a criança e o jovem a reduzir os problemas vivenciados nos diferentes contextos de vida.

A seguir, o quadro 6 apresenta discursos dos participantes A e B relativamente à fase adulta e a inserção no trabalho.

Quadro 6 – Fase adulta e o ingresso no mercado de trabalho PARTICIPANTE A

Terminei meus estudos um pouco mais tarde do que pessoas da minha idade.

Quanto ao mercado de trabalho, as empresas sempre exigem que tenhamos experiência, então tive dificuldades em conquistar meu espaço.

PARTICIPANTE B

Comecei trabalhando com meu pai na campanha (zona rural), depois tive alguns trabalhos de carteira assinada, mas não fiquei muito tempo, porque nunca gostei de muita rotina. Me criei no meio dos negócios com meu pai, vendendo e negociando com as pessoas, aprendi muito com ele a negociar, comprar e vender mercadorias.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

Com relação à esses aspectos, a participante A declarou que a conclusão do Curso Técnico em Enfermagem aconteceu posteriormente aos demais colegas e pessoas com idade semelhante e, consequentemente, por não ter experiência no campo, vivenciou alguns desafios para conquistar emprego. Com base no relato do participante B, observa-se que o mesmo atuou em diferentes empregos com e sem carteira assinada, não focando em uma área específica no mercado de trabalho.

O TDAH pode interferir negativamente nas relações com os colegas de trabalho, nas tarefas que envolvem as capacidades de concentração, maior probabilidade de sofrer acidentes de trabalho em razão de casos de impulsividade ou desatenção, falta de organização, dentre outros fatores (PATEL et al. 2007, apud POLANCZYK, 2008). Essas questões, assim, podem prejudicar o pleno desenvolvimento profissional das pessoas com TDAH.

O quadro 7, destaca os maiores desafios enfrentados pelos colaboradores do estudo no decorrer de suas experiências, manifestando as dificuldades produzidas pelo TDAH nas diferentes esferas da vida.

Quadro 7 – Desafios enfrentados ao longo da vida PARTICIPANTE A

O estudo, perdi muitos anos reprovando, não entendia porque eu não conseguia aprender como os outros, fui taxada muitas vezes de incapaz ou não inteligente, principalmente dentro da família. Comparações eram feitas, muitas coisas as pessoas tinham que repetir mais de uma vez para que eu pudesse entender, porque qualquer coisa me desviava a atenção, tive alguns acidentes mesmo depois de adulta pela falta de atenção ao meu redor.

PARTICIPANTE B

Tive muitos problemas com drogas e bebidas, tenho dificuldades em cumprir regras, na verdade ainda não sei se é por causa do TDAH, mas sei que muito foi por causa da minha infância que não tinha meus pais presentes comigo.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

Dentre os pontos mais negativos resultantes do diagnóstico do transtorno, a participante A destacou o histórico repetência escolar e as constantes situações de humilhação, desrespeito e menosprezo por parte dos professores, familiares e conhecidos. As comparações causaram grandes frustrações e traumas, diante das dificuldades de aprendizagem e desatenção apresentadas tanto no espaço escolar quanto nos afazeres cotidianos.

O participante B, por sua vez, mencionou problemas envolvendo uso de drogas e bebidas alcoólicas, bem como a dificuldade para cumprir regras ou regulamentações específicas. O participante não atribui os desafios apenas ao transtorno, como também, enfatiza a ausência dos pais durante a infância. Perante os desafios mencionados, surge nesse contexto:

[...] a necessidade de um diagnóstico precoce do TDAH e não a medicalização de imediato, para que a criança seja estimulada precocemente. Os pais e a escola devem ser orientados para que as habilidades cognitivas como atenção, concentração e memória sejam estimuladas precoce e adequadamente com o trabalho de uma equipe multiprofissional como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e psicopedagogo (SANTOS, 2015, p. 04).

A autora salienta a importância da família, em parceria com a escola, realizar um processo de investigação para analisar se os sintomas apresentados constituem ou não o transtorno. O diagnóstico precoce, dessa forma, é capaz de potencializar as aprendizagens e as capacidades de cada aluno, além de minimizar as barreiras pedagógicas e familiares que possam provocar problemas nas relações profissionais, afetivas e de amizade, dentre outras.

A análise do relato do participante B e as contribuições de Desidério e Miyazaki (2007), permitem compreender que os sintomas de hiperatividade, desatenção e da impulsividade não devem ser pensados de forma isolada, mas podem resultar de “muitos problemas na vida de relação das crianças (com os pais e/ou com colegas e amigos), de sistemas educacionais inadequados, ou mesmo estarem associados a outros transtornos comumente encontrados na infância e adolescência” (p. 7).

Com base nos objetivos do estudo, foi realizado um questionamento acerca do processo de diagnóstico e dos possíveis tratamentos adotados em vista do TDAH. As respostas dos colaboradores acerca dessas questões, estão retratadas no quadro 8, abaixo:

Quadro 8 – Diagnóstico e tratamento PARTICIPANTE A

Quando eu entrei pro Técnico em Enfermagem comecei a estudar sobre o transtorno, comecei a entender que minha dificuldade no aprendizado era uma doença, a partir daí comecei a implantar outros métodos para poder aprender com maior facilidade, hoje em dia procuro jogos de tabuleiro pra aprender a lidar com a concentração, nunca foi preciso o uso de medicamentos.

PARTICIPANTE B

Quando eu tinha 21 anos eu fui num psiquiatra e ele disse que eu tinha TDAH e me receitou medicamento pra não usar mais drogas. Eu fiz o tratamento por algum tempo e depois parei e me envolvi com drogas novamente.

Fonte: Autora (excertos do questionário, 2021).

A participante A afirmou que a realização do curso Técnico em Enfermagem foi fundamental para que ela pudesse reconhecer suas características e sintomas relacionados à hiperatividade e atenção e, assim, buscar apoio profissional para investigar a origem de suas dificuldades de aprendizagem e de concentração. Após esse processo de identificação, a colaboradora adotou métodos adequados à sua forma de aprendizagem e dificuldades, minimizando o sintoma do TDAH e descartando utilização de medicamentos.

O processo de diagnóstico do participante B, ocorreu através de outra realidade. No momento em que buscava ajuda profissional de um psiquiatra, o profissional compartilhou com ele um possível diagnóstico do referido transtorno, receitando medicamentos que auxiliariam a evitar o uso de drogas. Esse tratamento medicamentoso ocorreu em determinado período de tempo, pois o sujeito envolveu-se novamente com drogas e interrompeu o tratamento.

Segundo Polanczyk (2008, p. 36), o fato da maioria das pessoas serem diagnosticadas durante a infância ou a adolescência, gera "incertezas quanto à adequação dos critérios diagnósticos do TDH em adultos e quanto à validade destes em distintas populações", dificultando o processo de tratamento ao longo das etapas da vida. Além disso, os tratamentos assumem diferentes estratégias, conforme

Segundo Polanczyk (2008, p. 36), o fato da maioria das pessoas serem diagnosticadas durante a infância ou a adolescência, gera "incertezas quanto à adequação dos critérios diagnósticos do TDH em adultos e quanto à validade destes em distintas populações", dificultando o processo de tratamento ao longo das etapas da vida. Além disso, os tratamentos assumem diferentes estratégias, conforme