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1.3 CONTINUIDADE DE CUIDADOS: O COMPROMISSO COM A MELHORIA CONTÍNUA

Escala de Readaptação Social de Holmes e Rahe

1.3 CONTINUIDADE DE CUIDADOS: O COMPROMISSO COM A MELHORIA CONTÍNUA

Para Hesbeen (2000) os cuidados de enfermagem genericamente consistem numa atenção particular prestada por um enfermeiro a uma pessoa e seus familiares, ou a grupos de pessoas, no sentido de ajudá-los, mobilizando para tal as competências e qualidades que detêm enquanto profissionais de saúde. Amendoeira (1999) salienta que não existem cuidados de enfermagem sem se estabelecerem relações com a pessoa e/ou a sua família.

No entanto esta perspectiva de cuidar, perpetuada pelas práticas de enfermagem no quotidiano, fica aquém das necessidades familiares enquanto unidade de cuidados, sendo incongruente com as mais actuais orientações de saúde e com o preconizado com a reestruturação actual dos cuidados de saúde primários, urgindo respostas de saúde com

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enfoque na família enquanto unidade nuclear. De acordo com Oliveira e Tavares (2010) as mais recentes estratégias de saúde visam qualificar os profissionais, co-responsabilizando-os pelos seus cuidados, estimulando um cuidado integral da saúde de toda a família, nas suas diferentes fases do ciclo vital.

Assim, durante o processo de ensino clínico e em concordância com a equipa de enfermagem, tornou-se clara a pertinência da criação de uma norma condutora para a prática de enfermagem em contexto de visita domiciliária, que não só integrasse as actividades já prestadas pelos enfermeiros, bem como lhes estimulasse uma nova conceptualização das famílias, abordando-as de forma sistémica enquanto unidade de cuidados. De forma a não tornar exaustivo a descrição da norma elaborada, esta encontra-se disponível no Anexo IV para consulta, devendo compreender-se que várias intervenções lá contempladas dizem respeito às orientações do plano de acção da USF para 2008-2010.

Tal norma pretende auxiliar a equipa de enfermagem no processo de tomada de decisões, independentemente do seu grau de diferenciação de cuidados, dada a diversidade de especializações que os enfermeiros podem ir obtendo durante o seu percurso profissional.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros (2003) o enfermeiro de cuidados gerais deve no seu processo de tomada de decisão e de intervenção integrar os conhecimentos de evidência empírica, sendo que a produção de guias orientadores (guidelines) constituem uma importante base estrutural para o objectivo de melhoria contínua.

No mesmo sentido, para Oliveira e Tavares (2010) a enfermagem está cada vez mais sensibilizada para a melhoria da qualidade da atenção oferecida aos seus clientes, acreditando que a aprendizagem tem o papel primordial de fomentar actividades com maior segurança, dinamismo e de forma individualizada em contexto colectivo e familiar.

Assim, e embora reconhecendo que a escassez de recursos é uma realidade dos contextos de cuidados, tornou-se claro que a criação da norma condutora para a prática quotidiana não seria por si só suficiente para responder às necessidades e individualidades das famílias, fomentando a necessidade da aprendizagem contínua para o planeamento e intervenção junto das mesmas.

Pela evidência encontrada nos autores mobilizados anteriormente, verifica-se não só essa necessidade de aprendizagem contínua dos intervenientes, bem como a carência em grupos de lazer para as famílias com idosos dependentes, com claros benefícios na sua saúde, tornando-se manifesta a necessidade de uma proposta, que respondesse aos focos identificados com as famílias no decorrer do estágio, bem como que proporcionasse o pretendido processo de formação e melhoria contínua dos enfermeiros que actuam junto destas.

Para Sant’Anna et al (2010) a enfermagem de saúde familiar desenvolve a sua atenção a indivíduos com doenças crónico-degenerativas em actividades educativas e informativas individuais ou colectivas, incluindo a abordagem da patologia, suas implicações e riscos.

Tal afirmação vai de encontro ao preconizado pelas competências do enfermeiro de cuidados gerais, onde se compreende que as intervenções podem ser optimizadas se toda a

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unidade familiar for tomada como alvo, visando a alteração de comportamentos e a adopção de estilos de vida promotores de saúde (OE, 2003).

Por outro lado reconhece-se que os cuidados de enfermagem ajudam o cliente a gerir os recursos da comunidade, assim como os recursos pessoais e familiares para fazer face aos desafios de saúde, prevendo-se vantagens na assunção do papel de pivô no seio da equipa multidisciplinar (OE, 2003).

Conceptualmente em Portugal, tem-se verificado o aparecimento de diferentes instâncias na área da saúde que visam ser impulsionadora e reguladoras de uma cultura de melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados, sendo disso exemplo o departamento da qualidade, homologado pela direcção geral de saúde em 2009. Este departamento da qualidade em saúde rege-se pelos princípios da orientação para o cidadão, objectividade, compromisso, inovação, evidência científica, melhoria contínua, qualidade e procura de excelência (DGS, 2010).

As prioridades estratégicas assumidas pelo departamento da qualidade são 7, entre elas o projecto de Gestão Integrada da Doença e Inovação, que assume a doença de cariz infeccioso ou crónico-degenerativo. Este projecto implica um grande empenhamento, prevendo-se que actue como facilitador de uma gestão integrada da doença por todos os elementos que constituem as equipas multidisciplinares dos contextos de saúde, visando cuidados mais eficazes, com satisfação dos profissionais e utentes, conseguindo-se assim ganhos em saúde.

A Inovação em saúde constitui-se como um princípio de transformação de uma ideia num produto ou serviço, optimizando os resultados com base nos recursos disponibilizados, potenciando ganhos de eficiência, elevando a competitividade da instituição. Em saúde implica ainda, partilhar gerir a informação e o conhecimento, beneficiando do potencial das tecnologias de informação para reformular técnicas e procedimentos em prol de resultados optimizados (DGS, 2010).

O plano de acção (2008) da USF de S. Domingos demonstra que a sua equipa partilha da preocupação de melhoria contínua, tendo neste sentido definido o projecto de melhoria contínua, que envolve todos os profissionais tendo por objectivo major melhorar as suas práticas. Este plano assume a necessidade de criar condições e de incentivar os profissionais a realizar investigação no âmbito dos cuidados de saúde primários, bem como de dinamizar contactos na rede, permitindo a recolha de informação e formulação de diagnósticos de saúde para uma actuação eficaz, seja no âmbito de reabilitação, tratamento ou de promoção e educação para a saúde (PLANO DE ACÇÃO, 2008).

Assim numa abordagem sistemática e integrativa das experiências de estágio e dos autores mobilizados durante o seu período, tornou-se clarividente a necessidade de propor um grupo de apoio para as famílias com idoso dependente como projecto de melhoria contínua dos cuidados prestados às famílias.

Pretende-se que este momento de encontro proporcionado às diferentes famílias assuma pressupostos da logoterapia, sendo esta uma abordagem psicoterapêutica que pretende conduzir a pessoa a desenvolver a sua própria responsabilidade, levando à criação

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de estratégias e persecução de recursos de apoio. Este método de intervenção pode ser condutor de um qualquer grupo de ajuda mútua, enfatizando as experiências vivenciadas pelos seus participantes.

1.3.1 Grupo de Auto-Ajuda

Assim e operacionalizando esta ideologia, inicialmente teria de se compreender quais as famílias que cumpririam os requisitos para o grupo de auto-ajuda, tendo um membro dependente, para que possuíssem as mesmas experiências e dúvidas a partilhar nos momentos de encontro, podendo-se consultar o SAPE pela escala de Norton e mobilizar o conhecimento dos enfermeiros que realizam visita domiciliária.

Posteriormente convidar-se-iam essas famílias a estarem presentes num momento a combinar de acordo com a disponibilidade do serviço e adequando o mais possível às disponibilidades das famílias interessadas. A periodicidade destes encontros seria então definida de acordo com as disponibilidades de ambas as partes e das necessidades das famílias participantes.

No encontro, o enfermeiro faria a apresentação do grupo de ajuda-mútua, explicando as suas potencialidades e objectivos, facilitando a apresentação das famílias entre si bem como a partilha das suas situações e experiências de vida, salientando-se os recursos e estratégias que cada família mobilizou no seu quotidiano.

Nesta reunião, o enfermeiro esclareceria as dúvidas mais prementes e faria a identificação dos problemas e necessidades referidas por cada família, de forma a diagnosticar focos de atenção para a prática de enfermagem. Posteriormente seria pertinente, em contexto de visitação domiciliária a validação das necessidades sentidas pelas famílias, podendo negociar com a família estratégias de adaptação à situação.

Na Unidade de Saúde Familiar, a enfermeira procederia à consulta em bases de dados científicas, de acordo com a metodologia da Prática Baseada na Evidência (PBE), de forma a aceder à informação mais actual e pertinente acerca das problemáticas identificadas e validadas, de forma a desenvolver uma prática o mais eficiente quanto possível, em prol das necessidades das famílias e para melhor racionalização dos recursos disponíveis.

Numa reunião ou visita domiciliária posterior desenvolveria então o plano de cuidados delimitado em função de cada família individualmente ou para o grupo, planeando e negociando com estas as intervenções necessárias para suprir as suas necessidades individuais. Serviria como agente facilitador e mediador em situações cuja intervenção dos pares sociais se justificasse, ajudando a família a mobilizar e usufruir dos recursos ao seu dispor no contexto onde vive. Quer este momento se realizasse numa das reuniões de grupo de auto-ajuda, quer em contexto domiciliária, seria possível ao enfermeiro avaliar continuamente o impacto das intervenções implementadas, bem como novas necessidades da família ainda por suprir.

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Este trabalho de cariz dinâmico e contínuo, apenas será possível com o envolvimento de toda a equipa de enfermagem, sendo imprescindível ao longo de todo o processo a elaboração de registos que dêem suporte e continuidades aos cuidados de enfermagem à família.

De forma a clarificar um pouco o planeamento do grupo de ajuda-mútua, foi elaborado um esquema que se pretende clarificador para a sua operacionalização, incluindo competências do enfermeiro de cuidados gerais, permitindo deste modo ser conduzido por qualquer membro na equipa de enfermagem do contexto de estágio.

Tendo em vista o objectivo major da continuidade de cuidados às famílias integrantes deste grupo, reforça-se a importância deste pressuposto em conjunto com o pensamento crítico e com a elaboração de registos, três aspectos cruciais na resposta continuada às famílias.

Figura 1: Esquema elucidativo para a operacionalização do grupo de auto-ajuda concebido. Reunião do grupo de ajuda- mutua Identificação de necessidades/ problemas individuais e de grupo Validação em contexto domiciliário Pesquisa em bases de dados cientificas para a PBE Planeamento conjunto de intervenções/ Identificação de estratégias

Continuidade dos Cuidados

Pensamento Crítico Registos

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