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2. A SEGURANÇA JURÍDICA DO CONTRATO INDIVIDUAL DE TRABALHO

2.3 Formas de extinção da relação de emprego

2.3.2 Contratos de trabalho a prazo determinado

Para os contratos com prazo determinado, os quais são a exceção no ordenamento, a sua extinção acontece quando a causa que lhe deu origem se encerra.

Alice Monteiro de Barros (2011) explica que a extinção pode decorrer de um termo futuro certo, quando é possível saber seu término exato, seja pelo dia assinalado ou pela prática de determinado serviço. Pode ser, ainda, por termo incerto, quando se sabe que vai terminar, mas não o dia.

Diversamente do que ocorre nos contratos com prazo indeterminado, nos contratos a termo é dispensável o aviso prévio para a ruptura contratual, isso porque as partes já conhecem o momento do término quando da pactuação (MARTINS, 2014, p. 124).

Ao término do contrato de trabalho, as verbas devidas ao trabalhador se resumem no pagamento de décimo terceiro salário, férias acrescidas do terço constitucional, liberação dos depósitos do FGTS referentes ao período laborado sem, contudo, a multa de 40% sobre os depósitos e pagamento do aviso prévio (VECCHI, 2010, v.2, p. 296).

O reduzido rol de verbas rescisórias assegurados aos contratos com prazo certo é uma das justificativas para o caráter excepcional dessa modalidade contratual. O menor número se justifica em razão de que a extinção é esperada pelas partes, ao contrário dos contratos com prazo indeterminado, que foram celebrados para viger por tempo indefinido e, quando sobrevém a manifestação de vontade para sua dissolução revela-se uma anomalia para a relação jurídica.

Com relação ao contrato de experiência, deve-se destacar que o advento do termo final não obriga o empregador a justificar ou motivar o não prosseguimento da relação de emprego

pela falta de habilidade técnica do empregado, isso porque não existe previsão legal para tanto (BARROS, 2011, p. 389).

Assim como ocorre nos contratos com prazo indeterminado, a caducidade do contrato de trabalho a termo se dá quando preenchida a hipótese prevista no §2º do artigo 483 da CLT, ou seja, quando ocorrer a morte do empregador pessoa física, em que haverá a extinção do contrato de trabalho imediata do pacto laborativo, sendo desnecessário a denúncia pelo empregado, no entanto, não sendo devida indenização em favor do empregado (CAMINO, 2004, p. 512).

O término do contrato de trabalho com prazo determinado antes do advento do termo em decorrência da manifestação de uma das partes é chamado na doutrina de extinção anormal. Os efeitos são diversos quando a iniciativa partir do empregado ou do empregador.

Se o empregador der causa a ruptura contratual antes do termo final pré-estabelecido, deverá ser analisado quais os efeitos dessa extinção levando-se em consideração se vigorava no contrato de trabalho a cláusula de antecipação de término contratual, também chamada de cláusula assecuratória de direito recíproco de rescisão antecipada (DELGADO, 2010, p. 1049).

A cláusula assecuratória de direito recíproco de resilição é pactuada no momento da celebração do contrato e sua previsão está disposta no artigo 4818 da CLT. O objetivo dessa cláusula consiste em dar o mesmo efeito da ruptura de contrato com prazo indeterminado caso o contrato a termo venha a ser extinto antes do seu prazo normal (CAMINO, 2004, p. 506).

Existindo nos contratos a termo a cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão, tanto empregado como empregador são obrigados a dar o aviso prévio a outra parte da relação contratual, em razão de que os efeitos do contrato são idênticos ao contratos com prazo indeterminado (CAMINO, 2004, p. 506).

Logo, presente a cláusula de assecuratória do direito recíproco de rescisão os efeitos rescisórios aplicáveis serão os mesmos, que ocorrem na extinção do contrato de trabalho com prazo indeterminado, isso porque as partes se asseguram o direito de romper com o vínculo antes do advento do termo.

Por outro lado, não havendo a previsão da cláusula de antecipação do término contratual e partindo a iniciativa de extinção do empregador, esse deverá na forma do que estabelece o artigo 479 da CLT, pagar uma indenização ao trabalhador consistente na metade da remuneração que seria devida até o termo final do contrato de trabalho. O trabalhador terá

8 Art. 481 - Aos contratos por prazo determinado, que contiverem cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antes de expirado o termo ajustado, aplicam-se, caso seja exercido tal direito por qualquer das partes, os princípios que regem a rescisão dos contratos por prazo indeterminado.

direito, ainda, ao saque dos depósitos de FGTS com incidência da multa de 40% sobre o valor, ao décimo terceiro salário proporcional e integral, às férias proporcionais e integrais acrescidas de um terço (VECCHI, 2010, v.2, p 295).

No entanto, se houver a previsão da cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão no contrato, como já referido, os efeitos da resilição são idênticos aos efeitos do contrato com prazo indeterminado. Assim, extinto o contrato por vontade do empregador serão devidas ao trabalhador as verbas rescisórias de aviso prévio, décimo terceiro salário proporcional, férias proporcionais com o acréscimo de um terço, bem como ao levantamento dos depósitos de FGTS com a multa de 40% incidente (DELGADO, 2010, p. 1050).

Cabe ressaltar, que se a dispensa do trabalhador ocorrer em virtude de uma falta grave, acarretando a extinção do contrato por justa causa, “o trabalhador não terá direito a qualquer verba estritamente rescisória: apenas receberá, se for o caso, os valores já vencidos ao longo do contrato ou cujo vencimento foi antecipado pela rescisão” (DELGADO, 2010, p. 1051).

Partindo do obreiro a manifestação de extinção do contrato de trabalho, da mesma forma, deverá ser analisada se está vigente ou não, no contrato de trabalho, a cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão.

Assim, prevendo o contrato a referida cláusula os efeitos rescisórios serão correspondentes aos dos contratos com prazo indeterminado, fazendo jus ao recebimento do décimo terceiro salário proporcional e férias proporcionais apenas. Será obrigado, em contrapartida, a cumprir aviso prévio ao empregador.

Todavia, se nada foi estipulado entre as partes sobre a cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão, e o empregado deseja a extinção do contrato a termo, o empregador terá direito a indenização dos prejuízos decorrentes da antecipação da extinção do contrato, de acordo com o que dispõe o artigo 4809 da CLT.

Cabe ao empregador comprovar que realmente teve prejuízos em decorrência da ruptura antecipada. Nesse ponto, adverte Camino (2004) que em relação ao trabalhador a presunção de prejuízo pela extinção antecipada é absoluta, por ser ele a parte hipossuficiente da relação contratual, indo ao encontro com os preceitos do princípio da proteção, ao passo que o empregador deverá comprovar o efetivo prejuízo, pois sua presunção é relativa, limitando a sua indenização ao montante que seria devido pelo trabalhador em situação inversa.

Tem-se, por conseguinte, mais uma vez a proteção do princípio da continuidade da relação de emprego, uma vez que ele permite que as partes estipulem cláusula a qual altera a

9 Art. 480 - Havendo termo estipulado, o empregado não se poderá desligar do contrato, sem justa causa, sob pena de ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que desse fato lhe resultarem.

natureza jurídica do contrato a termo para contrato com prazo indeterminado, em caso de extinção do pacto antes do seu termo final.

Deve-se ressaltar que nos contratos a termo as partes conhecem o prazo em que se dará a extinção do contrato laboral. É devido a isso o menor número de verbas rescisórias pagas ao empregado, pois ele sabia desde a contratação o dia do término, não sendo, portanto, uma extinção inesperada que justifica o pagamento de um valor mais expressivo.