4 REVISÃO DA LITERATURA
4.7 CONTRIBUIÇÃO DO TRABALHO DE CAMPO NO PROCESSO DE
QUESTÕES AMBIENTAIS
Conforme Amorin e Frattolillo (2009), possibilitar aos alunos o trabalho de campo em educação ambiental ajuda melhor o aluno a ―entender a importância que o meio ambiente possui para a manutenção do equilíbrio dinâmico dos múltiplas e complexas relações. O trabalho de campo também consegue sensibilizar de maneira única a necessidade de atuar conscientemente em seu próprio ambiente.
Desta forma, a familiarização com o local de estudo, além de permitir maior interesse pelas disciplinas e contribuir para a melhor compreensão do tema trabalhado, também permite ao aluno uma maior consciência crítica e o desenvolvimento de atitudes consideradas positivas sobre as questões ambientais.
Para Gumes (2005, p.1), ―na resolução das questões ambientais, os grandes desafios estendem-se pela conscientização‖. Desta forma, faz-se necessário que a busca pela promoção da conscientização sócioambiental enfoque em uma perspectiva mais integrada para abordar tais assuntos, adotando práticas de trabalho capazes de contextualizar e interagir com os aspectos sócio-culturais, considerando a complexidade das relações sócio-ambientais.
Portanto, o trabalho de campo com tal abordagem pode possibilitar ao sujeito uma atuação cidadã no mundo, tal como é previsto na seção IV da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, MEC, Lei n°9394/96) disposto no inciso III do artigo 35º, onde trata por finalidade do ensino médio ―o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.‖
Depois de apresentado esse cenário, fica claro e evidente que a educação deve ter uma nova linha de pensamento, visando à importância dos novos meios
que estão atualmente presentes para auxiliar na construção do conhecimento. Se o educador estabelecer planejamentos de implantação de trabalhos sérios voltados à conscientização ambiental, aumenta-se a possibilidade de formar seres críticos, cidadãos que exerçam seu papel diante da sociedade, capazes de reconhecer o que pode ser agregado como benefício para si, agindo de forma consciente no mundo.
5 PROPOSTA DE AÇÃO
Foi realizado um trabalho de campo no Morro do Anhangava, localizado no Parque Estadual da Serra da Baitaca, pela matéria de Ciências, conjuntamente com outras disciplinas, com vinte e cinco (25) alunos do Ensino Médio de uma escola particular da cidade de Rio Branco do Sul, Paraná. O trabalho teve como intuito, dentre outros, estimular a percepção dos alunos sobre o ambiente natural por meio de experiências vivenciadas e a construção do conhecimento sobre o meio ambiente natural e seus elementos, passando a ser visto de forma mais integrado. As atividades desenvolvidas no campo foram analisadas através de observações e registros escritos e por atividades realizadas após o trabalho de campo, tais como aplicação de questionários, construção de produções textuais e debates.
O Parque Estadual da Serra da Baitaca possui 1.420 metros de altitude e está localizado nas proximidades da localidade de Borda do Campo, distrito do município de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, a aproximadamente 35 quilômetros da capital paranaense. O local é considerado um campo-escola de montanhismo, pois conta com trilhas para caminhada e corrida, bem como vias de escalada em rocha de todas as dificuldades.
Figura 1: Localização da área de estudo
Fonte: googleearth
Inicialmente foram ministradas aulas teóricas na escola, não apenas pela disciplina de Ciências, mas também por todas as matérias, priorizando o que é relativo à sua área de atuação. Durante as duas semanas precedentes ao passeio, os alunos tiveram a oportunidade de estudar através de aulas expositivas, análise de textos, e pesquisas pela internet sobre os temas que puderam ser associados ao Parque Estadual da Serra da Baitaca, tal como a exploração exacerbada do meio ambiente, o desmatamento, a conservação de ambientes naturais, o mapa da região, seus dados territoriais, entre outros. Tais temas podem ser abordados em todas as disciplinas devido a sua ampla abrangência e contemporaneidade.
Como fonte de discussão para o presente trabalho foram analisadas as produções escritas e principalmente as colocações dos alunos antes, durante e após o trabalho de campo, visando perceber a contribuição dele no processo de conscientização e aquisição de conhecimentos relativos à questões ambientais.
A realização do trabalho de campo foi no dia 09 de novembro de 2013, quando estiveram presentes vinte e cinco (25) alunos, com idades de 15 a 17 anos, matriculados no primeiro ano do Ensino Médio de uma escola particular do município de Rio Branco do Sul, Paraná, e oito professores de diferentes disciplinas, que auxiliaram no monitoramento, desenvolvimento, anotações das observações feitas pelos alunos e acompanhamento da aula de campo. Este trabalho teve o intuito, dentre outros, a conscientização dos alunos sobre os problemas ambientais, sociais e econômicos atuais.
Na data marcada, alunos e professores se encontraram na frente da escola e chegaram até o local com um ônibus contratado pela escola.
Na chegada, os alunos e professores realizaram o cadastro obrigatório de visitantes no posto do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), localizado ao lado do estacionamento do Parque. Em seguida, um guia local fez orientações gerais sobre os cuidados e precauções para a realização da trilha com segurança, como portar água, utilização de boné, de protetor solar, já que fazia um dia muito quente e esta região possui grandes partes de exposição direta ao sol, principalmente as mais próxima ao cume.
Conforme o roteiro, o trabalho de campo foi iniciado por uma estrada de cerca de 200 metros que conduziu até a trilha ecológica, que começa com uma leve inclinação e cruza próximo a um riacho, onde se precipita em uma cachoeira mais
abaixo, indicada por uma placa. O percurso que leva até o Morro do Anhangava, após aproximadamente um quilômetro e meio (1,5 km), começa a ficar cada vez mais íngreme. Durante o caminho os alunos identificaram as pedras colocadas por montanhistas voluntários que ajudam na contenção da erosão, que foram pesquisadas anteriormente.
A cerca do segundo quilômetro o caminho possui degraus chumbados na rocha, aumentando consideravelmente a inclinação da trilha. Durante a caminhada foram avistadas muitas pessoas passando por lá, especialmente famílias com crianças pequenas, o que despertou o interesse dos alunos que comentaram admirados de como o local é de interesse para passeio e prática de esportes tal como ciclismo, corrida e alpinismo.
Em cada ponto interpretativo foram feitas explicações sobre as características locais, como também sobre as transformações do meio ambiente sofridas ali.
Durante a caminhada, após desviar alguns paredões de rocha, teve-se que redobrar a atenção, pois em alguns momentos foi necessário apoiar-se em galhos para auxiliar na subida. Em seguida, ao avistar uma escada de grampos afixados num paredão de rocha um pouco inclinado, foi necessário encarar e seguir a escalada com cautela, pois neste ponto não há outra opção de subida. Não há riscos se o caminhante proceder com paciência e cuidado.
Ao término da escada, o trecho prosseguiu em rocha ainda muito íngreme e exaustiva devido à ação do sol, chegando finalmente ao cume do Morro.
A caminhada foi bastante prazerosa a todos, mas a vista apreciada do cume do Morro do Anhangava foi um dos momentos mais emocionantes para todos.
Durante algum tempo a vista foi apreciada, entre muitos comentários sobre a beleza e diversidade da flora e fauna do local. Após este momento, foram estendidos toalhas de mesa sobre a vegetação rarefeita do local servido o piquenique, enquanto ocorriam conversas espontâneas sobre a fauna e flora local, sobre meio ambiente e conservação do Parque. Nestas discussões, os alunos demonstraram interesse pelos assuntos pertinentes ao meio ambiente e até colocaram o lixo produzido pelas embalagens dos alimentos levados em sacolas para depositarem em lixeiras posteriormente. O momento foi aproveitado para que observassem a vegetação local, onde questionaram o porque que à altitudes maiores, a vegetação cresce
menos, observação constatada pelos alunos durante a subida ao Morro. O professor de geografia presente explicou que no caso de montanhas íngremes, o solo é mais raso, tornando difícil a fixação das raízes, e também limita o crescimento de muitas plantas.
Para descer o Morro foi necessário, para a orientação, a utilização de um mapa, pesquisado anteriormente na internet e impresso, pois este trajeto possui muitos carreiros. Cerca de meio dia iniciou-se, cuidadosamente, o retorno, descendo pela Trilha da Asa-Delta que leva ao vizinho Morro Samambaia. A descida até o Morro foi bastante rápida, com distância de cerca de 100 metros abaixo. Foi Apreciado também por alguns minutos a vista do topo plano do Samambaia, continuando a descida na sequência, prevalecendo formas em ziguezague e muitas pedras soltas e alguns buracos largos, formados pela passagem da água da chuva.
Durante a descida foi feita uma parada na cachoeira. Foi um momento livre para entretenimento e diversão dos alunos.
No retorno para o acampamento os alunos tiveram um momento para conversar e explorar o Parque. À noite não foi realizada a então fogueira planejada no roteiro, pois os alunos questionaram esta atitude como desfavorável ao meio devido às emissões de gás carbônico provocada pela queimada da madeira, conclusão muito elogiada pelos professores. Mesmo assim foi vivenciado um momento bastante prazeroso e divertido onde puderam contar lendas urbanas pesquisadas durante as aulas teóricas, assim dando ênfase aos estudos dirigidos em sala.
A despedida do Parque por volta das 19:00 horas deixou a certeza de que o trabalho de campo foi muito significativo e que a luta pela preservação ambiental ficou mais revigorado dentro de cada um dos visitantes depois deste passeio.
O retorno em sala de aula permitiu que cada professor responsável por sua disciplina explorasse mais detalhes sobre os conteúdos possibilitados por meio deste trabalho de campo, trabalhando de maneira interdisciplinar.