1 INTRODUÇÃO
2.6 IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS
2.6.2 Contribuição sobre a Folha de Pagamento (INSS)
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é uma autarquia do Governo do Brasil vinculada ao Ministério do Trabalho e Previdência Social que recebe as contribuições para a manutenção do Regime Geral da Previdência Social. É responsável pelo pagamento da aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente entre outros, para aqueles que adquirirem o direito a estes benefícios segundo o previsto pela lei. O INSS trabalha junto à Dataprev, empresa de tecnologia que faz o processamento de todos os dados da Previdência Social (BRASIL, 1992).
Os trabalhadores de iniciativas privadas são vinculados, obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, gerido pelo INSS. A Previdência Social tem como obrigação utilizar a renda que lhe é transferida do trabalhador contribuinte, para o trabalhador que perde a capacidade de trabalho, sendo essa pela doença, invalidez, idade avançada, morte e desemprego involuntário, ou mesmo a
maternidade ou reclusão. Os preceitos legais que controlam esse regime possuem fundamentos no art. 40 da CF 88 (BRASIL, 1992).
O art. 40 da CF nos diz que à servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas.
Com isso, os funcionários têm o valor do INSS descontados diretamente na sua folha de pagamento, e os valores a serem descontados irão depender do salário de cada um, e podem variar de 8% a 11%. A principal vantagem da contribuição para o INSS é garantir o recebimento de um benefício mensal durante a aposentadoria. Outra vantagem é que o trabalhador que contribui para a Previdência tem direito de receber auxílio-doença em caso de afastamento do serviço por motivo de saúde (SANTOS, 2016).
O recolhimento efetuado pelas empresas, também chamado de contribuição patronal, varia de acordo com a atividade desenvolvida pela mesma. O enquadramento ocorre conforme os códigos do Fundo de previdência e Assistência Social, que define o percentual de contribuição, a base de incidência e a vinculação as contribuições destinadas a terceiros, como Sesi, Sesc, Senar, Incra,... (MARCHEZIN, AZEVEDO E CONCORDIA, 2004).
Sobre a remuneração total paga, devida ou creditada durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestam serviços usa-se um percentual de 20%. Em relação ao grau de incidência concedido referente a incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais no trabalho, tem 1% para as empresas cujo o risco de acidente de trabalho é considerado leve; 2% para empresas considerado o risco médio; 3% para as empresas cujo o risco de acidente é grave, sendo essa acrescida de 12%, 9% ou 6% conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejando aposentadoria especial após 15, 20 e 25 anos de contribuição respectivamente; 20% sobre o total das remunerações aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços e 15% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou recibo de prestação de serviço, por intermédio de cooperativas de trabalho (MARCHEZIN, AZEVEDO E CONCORDIA, 2004).
A contribuição do segurado empregado será sempre descontada pela empresa e recolhido juntamente com as contribuições patronais, mediante a aplicação da
correspondente alíquota de forma não cumulativa, sobre o salário contribuição mensal, de acordo com as tabelas em anexo (MARCHEZIN, AZEVEDO E CONCORDIA, 2004).
As tabelas referentes ao INSS dos anos abordados no trabalho de 2016, 2017 e 2018, para a verificação da base de cálculo e da alíquota correspondente estão no Anexo B desse trabalho.
2.6.3 Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS)
Tanto a contribuição de PIS quanto a de COFINS, são ambas destinadas ao quadro social dos programas de governo, e tem sua competência designada a União. O PIS – Programa de Integração Social, tem por objetivo assegurar aos trabalhadores a integração na vida e no desenvolvimento das empresas. Já a COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, destina-se as despesas com atividades nas áreas da saúde, previdência e assistência social. Sendo obrigados a pagar esses dois impostos as pessoas jurídicas de direito privado e as equiparadas pela Legislação do IR, inclusive empresas públicas, sociedades econômicas mistas, suas subsidiárias entre outras (REIS; GALLO; PEREIRA, 2012).
O fato gerador desses impostos é o faturamento mensal, ou seja, o total de receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de denominação ou classificação contábil. Sendo tanto um quanto o outro, sistema cumulativo e não cumulativo, porém essas metodologias de apuração, são aplicáveis dependendo do tipo de empresa, tendo diferentes alíquotas e bases de cálculo (FABRETTI, 2015; MARTINS et al, 2013).
Pode-se dizer que pessoas jurídicas que são equiparadas pela legislação do IR, que o apuram com base no lucro presumido ou arbitrado, estão sobre a incidência cumulativa. Nesse sistema, a base de cálculo é o total das receitas da pessoa jurídica, sem dedução do custo, despesas e encargos, aplicando as alíquotas para o PIS de 0,65% e para o COFINS de 3% (MARTINS et al, 2013).
Já as empresas equiparadas pela legislação do IR que apuram esse imposto no lucro real, estão sujeitas a incidência não cumulativa, com algumas exceções, possuem sua base de cálculo a partir da receita total com o desconto de créditos
apurados com base em custos, despesas e encargos, sendo suas alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,6 % para a COFINS (MARTINS et al, 2013).
Para Pereira (2017) entende-se por não cumulatividade o “princípio ou técnica, onde, o tributo incidirá somente no valor acrescido, ou seja, o imposto pago na etapa anterior será descontado na etapa subsequente, utilizando como base de cálculo, somente a diferença dos valores entre as etapas (valor acrescido ou agregado).”
Para que seja calculado corretamente abaixo foram abordados todos os créditos aos quais as empresas têm direito a descontar de seu faturamento para que a base de cálculo seja coerente com o ramo de atividade.
Com isso, as leis que regem o PIS e a COFINS (Lei nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/03) autorizam as empresas a descontar do valor referente ao faturamento de bens e serviços, os créditos decorrentes de contribuições incidentes sobre os insumos e despesas de produção incorridos e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País.
Pode-se dividir em 3 grupos de créditos: o primeiro é a venda de mercadorias, onde os créditos admissíveis são: mercadorias adquiridas para revenda; (inc. I, art. 3º, Lei nº 10.637); aluguéis de prédios máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa, pagos à pessoas jurídicas; (inc. IV, art. 3º, Lei nº 10.637); despesas financeiras de empréstimos, financiamentos, pagos a pessoa jurídica (não geram direito ao crédito do PIS e COFINS por força do art. 37 da Lei nº 10.865/2004, a partir de 01/08/2004); depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (a partir de 01/02/2004, por analogia ao COFINS, cfe inc. VII, art. 3º, Lei nº 10.833 pois na Lei nº 10.637 não consta a depreciação de bens próprios); devolução de mercadorias vendidas (inc. VIII art. 3º, Lei nº 10.637); energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa (inc. IX, art. 3º, Lei nº 10.637, introduzida pelo artigo 25 da Lei nº 10.684); armazenagem e fretes (art.15, da Lei nº 10.833).
Porém alguns créditos são questionáveis aos quais deve-se cuidar ao usá-los, pois podem ser questionados pelo fisco, como por exemplo: fornecimento de refeições aos funcionários; combustíveis e lubrificantes; manutenção e reparo de veículos e equipamentos; manutenção e reparo de construções e benfeitorias; telefone; água; serviços prestados por pessoas jurídicas de profissionais liberais (contadores, auditores, advogados, médicos, outros); limpeza, vigilância; correios; transporte de funcionários; propaganda/publicidade; comissões pagas à empresas de representação comercial; despesas com viagens, hospedagens e alimentação;
seguros; serviços de terceiros da administração/comercialização; despesas gerais, tais como: copa, cozinha, material de escritório, materiais de higiene e limpeza, etc. porem os impedidos pela lei são: mão-de-obra pessoa física (folha de pagamento, autônomo etc.) e bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no exterior. Referente ao grupo de fabricação de produtos destinados à venda, os créditos admissíveis são: na área de produção da indústria tem-se bens e serviços, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens (inc. II, art. 3º, Lei nº 10.637), como matéria-prima; materiais diretos; serviços de terceiros aplicados na produção ou fabricação; custos indiretos, como aluguéis, manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção de veículos utilizados na produção, energia elétrica, combustíveis/lubrificantes, água, transporte do pessoal, comunicações (telefone), despesas com alimentação dos funcionários, seguro de vida dos funcionários, seguro das instalações industriais, roupas profissionais, treinamento de pessoal da indústria e outros custos indiretos aplicados na produção ou fabricação de bens; depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (inclusive depreciação construções, benfeitorias, veículos, computadores) utilizados na fabricação de bens- inclusive (inc. VI, art. 3º, Lei nº 10.637). Já na área comercial e administrativa da indústria, temos: aluguéis de prédios máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa, pagos à pessoas jurídicas; (inc. IV, art. 3º, Lei nº 10.637); despesas financeiras de empréstimos, financiamentos, pagos a pessoa jurídica, não geram direito ao crédito do PIS e COFINS por força do art. 37 da Lei nº 10.865/2004, a partir de 01/08/2004; depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (a partir de 01/02/2004, por analogia ao COFINS, cfe inc. VII, art. 3º, Lei nº 10.833 pois na Lei nº 10.637 não consta a depreciação de bens próprios); devolução de mercadorias vendidas (inc. VIII , art. 3º Lei nº 10.637); energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa (inc. IX, art. 3º, Lei nº 10.637, introduzida pelo artigo 25 da Lei nº 10.684); armazenagem e fretes (art.15, da Lei nº 10.833).
Porém no caso de indústrias existem alguns créditos não autorizados, mas não impedidos pela Lei na comercialização/administração dos bens fabricados, que podem ser aproveitados, porém sujeitos a questionamentos pelo fisco, mas com possibilidades da empresa obter êxito em defesas administrativas e judiciais, por ferir o princípio da não cumulatividade; entre eles: fornecimento de refeições aos funcionários ligados às áreas de administração/comercialização; combustíveis e
lubrificantes da administração/comercialização; manutenção e reparo de veículos e equipamentos, da administração/comercialização; manutenção e reparo de construções e benfeitorias da administração/comercialização; telefone da administração/comercialização; água da administração/comercialização; serviços prestados por pessoas jurídicas de profissionais liberais (contadores, auditores, advogados, médicos, outros); limpeza, vigilância da administração/comercialização; correios; transporte de funcionários da administração/comercialização; propaganda/publicidade; comissões pagas à empresas de representação comercial; despesas com viagens, hospedagens e alimentação da administração/comercialização; seguros da administração/comercialização; recrutamento e Seleção; serviços de terceiros da administração/comercialização; despesas gerais, tais como: copa, cozinha, material de escritório, materiais de higiene e limpeza.
Temos também nesse caso alguns créditos impedidos pela lei: mão-de-obra pessoa física (folha de pagamento, autônomo etc.); bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no exterior.
Referente ao terceiro grupo ao qual está incluído as prestação de serviços, os créditos admissíveis são: na área da prestação de serviço temos bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços (inc. II, art. 3º, lei nº 10.637) como: combustível/lubrificantes; materiais aplicados na prestação do serviço; serviços de terceiros aplicados na prestação do serviço; custos com manutenção, conservação e reparos e máquinas, veículos e equipamentos utilizados na prestação de serviços; custos indiretos como aluguéis, manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção de veículos utilizados na produção, energia elétrica, combustíveis/lubrificantes, água, transporte do pessoal, comunicações (telefone), despesas com alimentação dos funcionários, seguro de vida dos funcionários, seguro das instalações industriais, roupas profissionais, treinamento de pessoal serviços e outros custos indiretos aplicados na execução dos serviços; depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado (inclusive depreciação construções, benfeitorias, veículos, computadores) utilizados na execução do serviço (inc. VI, art. 3º, Lei nº 10.833, por analogia, pois no inc. VI, art.3º, da Lei nº 10.637 não consta a depreciação de bens utilizados na prestação de serviços, somente utilizados na fabricação de bens).
Já na área comercial e administrativa da prestadora de serviços, pode-se incluir: aluguéis de prédios máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa, pagos a pessoas jurídicas; (inc. IV, art. 3º, Lei nº 10.637); despesas financeiras de empréstimos, financiamentos, pagos a pessoa jurídica (não geram direito ao crédito do PIS e COFINS por força do art. 37 da Lei nº 10.865/2004, a partir de 01/08/2004); depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (a partir de 01/02/2004, por analogia ao COFINS, conforme inc. VII, art. 3º, Lei nº 10.833 pois na Lei nº 10.637 não consta a depreciação de bens próprios); energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa (inc. IX, art. 3º, Lei nº 10.637, introduzida pelo artigo 25 da Lei nº 10.684); armazenagem e fretes (art.15, da Lei nº 10.833).
Os créditos não autorizados, mas não impedidos pela Lei na comercialização/administração dos serviços, que podem ser aproveitados pela empresa, porém sujeitos a questionamentos pelo fisco, mas com possibilidades da empresa obter êxito em defesas administrativas e judiciais, são eles: fornecimento de refeições aos funcionários ligados às áreas de administração/comercialização; combustíveis e lubrificantes da administração/comercialização; manutenção e reparo de veículos e equipamentos, da administração e comercialização; manutenção e reparo de construções e benfeitorias da administração e comercialização, telefone da administração/comercialização, água da administração/comercialização, serviços prestados por pessoas jurídicas de profissionais liberais (contadores, auditores, advogados, médicos, outros); limpeza, vigilância da administração/comercialização; correios; transporte de funcionários da administração/comercialização; propaganda/publicidade; comissões pagas à empresas de representação comercial; despesas com viagens, hospedagens e alimentação da administração/ comercialização; seguros da administração/comercialização; recrutamento e seleção; serviços de terceiros da administração/comercialização; despesas gerais, tais como: copa, cozinha, material de escritório, materiais de higiene e limpeza.
Já os créditos impedidos pela Lei, são: mão-de-obra pessoa física (folha de pagamento, autônomo etc.); bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no exterior.