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A questão da não-adesão ao tratamento tem sido motivo de preocupação pelos

profissionais de saúde. A pergunta é: por que tantas pessoas não adotam o tratamento

prescrito ou não o realizam adequadamente? (Leite & Vasconcelos, 2003).

Dentro desta visão, a abordagem construcional de Goldiamond (1974/2002),

permite a busca da solução dos problemas através da aquisição e fortalecimento de

repertórios comportamentais e não somente pela eliminação de comportamentos não-

adequados.

Essa abordagem prescreve a instrução individual pautada nas questões: (1) Quais

são os resultados desejados? (2) O que o indivíduo pode fazer no momento? (3) Como

mantido em longo tempo? Estas questões são a base estrutural em uma orientação

construcional, e podem contribuir para a fundamentação de estudos relacionados aos

problemas de saúde, sobretudo no que se refere ao tratamento e à prevenção de doenças

graves como a malária.

Goldiamond (1974/2002) sugere uma abordagem funcional do comportamento que

considere as contingências ambientais das quais o comportamento seja função. Esta

abordagem é chamada construcional uma vez que sua orientação para a solução de

problemas (como o enfrentamento de doenças) é a construção de repertórios (aquisição,

fortalecimento, ou Funções Discriminativas Reforçadoras já instaladas para novas

situações), mais do que a eliminação de repertórios tidos inadequados. O foco da

abordagem está na construção de comportamentos “desejáveis” por meio de recursos que

diretamente aumentem as opções de ação ou ampliem os repertórios comportamentais do

indivíduo. Este modelo segue a tradição operante e é um exemplo de análise aplicada do

comportamento, cuja orientação filosófica focaliza contingências ambientais explícitas que

podem ser modificadas. A abordagem construcional sugere o seguimento de um programa

composto de quatro etapas:

(1) Objetivo ou meta: estabelecer quais os comportamentos ou repertórios a serem

“construídos”, descritos em termos observáveis e passíveis de avaliação (exemplo: tomar o

medicamento na hora certa, usar mosquiteiro e evitar o rio nos horários de 5 a 7 da manhã

e 17 a 19 da tarde);

(2) Repertórios de entrada ou comportamentos relevantes já instalados: identificar

quais os comportamentos que já fazem parte do repertório do indivíduo e que são

eficientes, isto é, que foram bem sucedidos até o momento. Por isso, é importante fazer o

relacionadas ao problema atual (exemplo: fazer um levantamento da ocorrência de malária

anteriormente e quais os comportamentos emitidos para a cura e o controle);

(3) Seqüência de procedimentos de mudança: estabelecer ou identificar quais

procedimentos permitirão alcançar os objetivos ou resultados, considerando o aumento de

freqüência dos repertórios relevantes, partindo do repertório inicial e considerando que

alguns repertórios são seqüenciais e outros são concorrentes. O programa não é linear,

podendo oferecer alternativas ou opções. [Nesse processo de construção, o indivíduo deve

considerar conjuntos de comportamentos alternativos, isto é, comportamentos que, apesar

de diferentes, produzem a mesma conseqüência] (exemplo: estabelecer acordos ou

contratos para mudança de repertórios comportamentais de risco para a ocorrência de

malária); e

(4) Manutenção das conseqüências: explicitar o reforçamento de unidades

comportamentais numa progressão, ou progressão gradual em direção ao repertório a ser

estabelecido. Devem-se analisar os progressos passo a passo para garantir que o resultado

permaneça. [O próprio sujeito aprenderia a identificar cada progresso] (exemplo: monitorar

o paciente ao longo do tratamento, fornecendo feedback positivo a cada progresso

identificado).

Aplicar este modelo a estudos sobre adesão ao tratamento possibilitaria a

identificação de fatores que favorecem e fatores que dificultam o seguimento das

recomendações de tratamento.

Entretanto, no caso da malária não é suficiente que o paciente apresente

comportamentos de adesão ao tratamento medicamentoso e de verificação de cura. É

necessária também a presença de comportamentos preventivos para o controle da

transmissão da malária. O comportamento de prevenção é definido como a conduta

Seidl & Gimenes, 1997). A Comissão de Doenças Crônicas dos Estados Unidos, em 1957,

propôs a classificação das ações preventivas de doenças em três tipos: primária, secundária

e terciária. A prevenção primária atua na redução do número de novos casos (incidência)

de uma desordem ou doença. A prevenção secundária visa à redução do índice de casos de

doenças já estabelecidas (prevalência) na população. A prevenção terciária trata da

redução do total de incapacidades decorrentes de uma doença existente (Casseb, 2005;

Mrazek & Haggerty, 1994).

Desta forma, estudos longitudinais sobre prevenção são desenvolvidos, sobretudo

dando ênfase às dimensões de: (a) promover a saúde, direcionada a pessoas saudáveis,

com habilidade e informação para a manutenção do estilo de vida saudável; (b) prevenção

de doenças, com oferta de serviços no caso de risco de agravamento dos problemas; (c)

proteção da saúde, envolvendo o uso direto de medidas reguladoras oferecidas à população por órgãos governamentais tais como, tratamento da água e coleta de lixo

(Casseb, 2005; Wallack & Winkleby, 1987).

É importante salientar que as ações de prevenção utilizadas por programas de

promoção à saúde são baseadas na relação custo-benefício, na qual os riscos do indivíduo

desenvolver uma determinada doença deveriam ser confrontados aos custos ou desconforto

da intervenção preventiva (Casseb, 2005; Mrazek & Haggerty, 1994). Visto que, o alto

custo da prevenção faz com que o indivíduo e os organismos sociais tomem cuidados

preventivos apenas no momento em que estão incluídas em um grupo de risco (Casseb,

2005; Seidl & Gimenes, 1997). Por outro lado, a prevenção tem despertado interesse em

profissionais de diferentes formações, tanto em pesquisas teóricas quanto em pesquisas

visando à intervenção.

Estudos realizados no Estado do Pará demonstram a eficácia de intervenções de

Ferreira (2001) utilizou o treino de pacientes para em auto-observação e automonitoração,

Malcher (2005) observou a importância do apoio social para o seguimento da dieta e Reis

(2005) analisou os efeitos do treino de nutricionistas em habilidades de comunicação para

a adesão ao tratamento anti-hipertensivo. Estes estudos apontam para a importância da

realização de pesquisas prospectivas com intervenção voltada para a aquisição de

comportamento de adesão ao tratamento em indivíduos convivendo com doenças crônicas

ou de longo tratamento, como uma forma de compreender o que leva a pessoa a aderir ou a

não aderir ao tratamento, visto que possibilita planejar ações de atenção à saúde da

população.

O estudo desenvolvido por Ferreira (2001), fundamentado nas concepções de

Goldiamond (1974/2002), apresentou modelos eficazes de mudança no estilo de vida de

pacientes expostos a tratamentos de longa duração que implicam uso de medicação e ações

preventivas de cuidados. Sob esta premissa o presente estudo se propõe a inferir para

adesão ao tratamento da malária a utilização das mesmas estratégias, uma vez que, estão

fundamentadas em estudos sobre processos e métodos de aprendizagem, ressaltando a

importância de ajudar o indivíduo a construir novos repertórios comportamentais ou

2 OBJETIVOS

2.1 Geral

Esta pesquisa teve como principal objetivo analisar os comportamentos de adesão ao

tratamento medicamentoso e de prevenção da malária, em indivíduos residentes em

comunidades do entorno da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, Estado do Pará, e os efeitos de

procedimento, de intervenção comportamental por meio da comparação de três condições

de intervenção: rotina, monitoramento e informação com monitoramento.