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2- Espécies de Tributos

2.6 Contribuições Especiais (CF, arts 149 e 149-A)

Devido à extensão do assunto Contribuição Especiais, incluímos inicialmente um panorama geral pra que você se situe ao longo do estudo:

1. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS

1.1 “As Contribuições da SeguridadeSocial”:

a) Sobre os Empregadores ou Empresas (art. 195, I, CF):

a1) Contribuição Social Patronal sobre a Folha de Pagamentos; a2) Contribuição Social sobre a receita ou faturamento: PIS/PASEP e COFINS;

Profs. Aline Martins e Juliana Migowski Aula 00 b) Sobre os trabalhadores (art. 195, II, CF);

c) Sobre os servidores públicos submetidos a regime próprio de previdência (CF, art. 40, caput e § 18; art. 149, § 1º)

d) Sobre a receita de concurso de prognósticos (art. 195, III, CF); e) Sobre a importação de bens e serviços (art. 195, IV, CF);

f) Contribuição Social residual para a seguridade social (art. 195, § 4º, CF).

1.2 “As Contribuições SociaisGerais”:

a) a contribuição para o Salário-educação (art. 212, § 5º, CF); b) as contribuições ao Sistema “S” (art. 240, CF).

2. CONTRIBUIÇÕES INTERVENTIVAS (CF, art. 149) 3. CONTRIBUIÇÕES CORPORATIVAS (CF, art. 149)

4. CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA - COSIP (CF, art. 149-A)

2.6.1 Contribuições sociais (CF, arts. 149 e 195)

Trata-se de contribuições criadas para que o Poder Público ou entidades de utilidade pública utilizem seus recursos na efetivação dos direitos sociais (CF, art. 6º).

As contribuições sociais subdividem-se em duas subespécies:

CUIDADO! Súmula 353 do STJ: “As disposições do Código Tributário Nacional não se aplicam às contribuições para o FGTS.” Ou seja, o valor que a empresa paga de FGTS não é tributo, pois é um valor pago ao próprio trabalhador e não ao Poder Público.

As contribuições sociais constituem exceção ao princípio da anterioridade anual, o que significa que as leis instituidoras ou majoradoras

Contribuições Sociais

Seguridade social

destinadas a financiar, especificamente, direitos relativos à saúde, previdência eassistência

social

Gerais

destinadas a financiar outros direitos sociais pelo Poder Público (ou entidades privadas de assistência social), como a contribuição do salário educação e as constribuições em favor

dos serviços sociais autônomos (Senai/Sesi/Senac/Sesc)

Profs. Aline Martins e Juliana Migowski Aula 00 de tais tributos não precisam ser publicadas no exercício anterior para que possam ser exigidas. No entanto, elas podem não podem ser cobradas de forma imediata, pois deve haver um interstício mínimo de 90 dias: anterioridade especial / mitigada / nonagesimal (art. 195, § 6º).

CUIDADO! Essa regra refere-se apenas às contribuições sociais e não a todas as contribuições especiais!

Conforme o art. 195, as contribuições para a seguridade social de competência da União são as seguintes:

Contribuições Sociais para Seguridade Social

Sobre empregadores ou

empresas (CF, art. 195, I)

C.S. sobre a folha de

pagamentos Refere-se à contribuição social patronal sobre a folha, a qual é paga pelo empregador

C.S. sobre a receita ou faturamento

Refere-se ao PIS/PASEP e à COFINS

C.S. sobre o lucro Trata-se da CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

Sobre trabalhadores (CF, art. 195, II)

É a contribuição dos filiados ao Regime Geral de Previdência Social (os não concursados).

Sobre os servidores públicos submetidos a regime próprio de previdência (CF, art. 40, caput e § 18; art. 149, § 1º)

C.S. sobre os servidores públicos submetidos ao regime próprio de previdência social.

Essa contribuição é instituída pela entidade política com a qual os servidores titulares de cargos efetivos estão vinculados estatutariamente (U, E, DF ou M)

Conforme o § 1º do art. 149, a alíquota dessa contribuição não poderá ser INFERIOR àquela cobrada pela União, para a mesma situação, dos seus servidores titulares de cargos efetivos, cujo valor, atualmente, é de 11%.

Sobre receitas de

concursos de

prognósticos

(CF, art. 195, III)

Concursos de prognósticos compreendem os jogos, apostas

e loterias permitidos pela legislação.

Contribuições Sociais para Seguridade Social

Sobre empregadores ou empresas Sobre trabalhadores Sobre receitas de concursos de prognósticos Sobre importação de bens e serviços Contribuição social residual

Profs. Aline Martins e Juliana Migowski Aula 00 Sobre importação

de bens e serviços (CF, art. 195, IV e art. 149, §2º, II)

Refere-se a PIS-Importação e à Cofins-Importação.

Contribuição social residual (CF, art. 195, § 4º)

Além das contribuições já discriminadas no texto constitucional, a União ainda possui a competência residual, que lhe autoriza a criação de novas contribuições por Lei Complementar

CUIDADO!! Uma contribuição social residual poderá ter fatos geradores ou bases de cálculos de impostos já previstos na CF/88, uma vez que não há proibição alguma para tanto.

As principais contribuições sociaisgerais são as seguintes:

a) Contribuição para o Salário-Educação (CF,

art. 212, §5º):

“A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei.”

b) Contribuições destinadas aos Serviços Sociais Autônomos, o chamado Sistema “S” (SENAI, SESC, SESI, SENAT, SENAC, SENAR, SEST, entre outros) (art. 240, CF e art. 62 do ADCT):

“Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.”

Contribuições sociais residuais

Só podem ser criadas pela União Criadas só por Lei Complementar Serão não- cumulativas Não podem ter FG ou BC próprios de outras contribuições Obedece aos princípio da anterioridade nonagesimal e anual.

Contribuições Sociais Gerais

Contribuição para o Salário- Educação

Contribuições destinadas aos Serviços Sociais Autônomos, o

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ATENÇÃO: Conforme decisão do STF, embora o SEBRAE faça parte desse sistema S, a contribuição a ele devida não é uma contribuição social geral, mas uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE).

2.6.2 Contribuições interventivas (art. 149, CF)

O objetivo desses tributos é custear as atividades de intervenção da União na economia. Referem-se às contribuições de intervenção no domínio econômico, as quais são exigidas normalmente do setor atingido pela intervenção. Entretanto, o STF admite que a cobrança recaia também sobre pessoas fora do setor objeto da intervenção.

ATENÇÃO! A CIDE-combustíveis é a única que possui regras contidas na CF (§ 4º do artigo 177): A lei que instituir CIDE relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível deverá atender aos seguintes requisitos:

Contribuições interventivas

Compete exclusivamente à União Pode ser instituída por meio de lei ordinária

Obedece aos princípio da anterioridade nonagesimal e anual e da legalidade. Exceção: CIDE- combustíveis, quanto ao princípio da anterioridade anual e a ao da legalidade. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS E CIDE

não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação incidirão também sobre a importação de produtos

estrangeiros ou serviços

poderão ter alíquotas:

ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o

valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro específica, tendo por base a unidade

de medida adotada

a lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez

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2.6.3 Contribuições corporativas (art. 149, CF)

Referem-se às contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, também chamadas de parafiscais. São instituídas exclusivamente pela União, com o objetivo de custear atividades representativas e sindicais de entidades que realizam fiscalizações e representam categorias profissionais ou econômicas, atuando de forma paralela ao Estado.

São exemplos dessas contribuições a Contribuição Sindical e as Contribuições de Interesse dos Órgãos de Fiscalização do Exercício de Profissões Regulamentadas, como é o caso do CREA.

CUIDADO!! Súmula 666 do STF: “A contribuição confederativa de que trata o art. 8º da CF, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo”.

a alíquota da CIDE- combustíveis poderá

ser:

diferenciada por produto ou uso

reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo, não se lhe aplicando o princípio da

legalidade;

os recursos arrecadados com a CIDE-combustíveis serão destinados:

ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e

seus derivados e derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás;

ao financiamento de programas de infra- estrutura de transportes

Contribuição Corporativa

É tributo • Instituída por lei

Obrigatória

• Exemplo: contribuição sindical que deve ser paga

uma vez ao ano

Contribuição Confederativa

• Não é tributo • Fixada em assembléia

• Voluntária

• Filiados ao sindicato pagam mensalmente

Profs. Aline Martins e Juliana Migowski Aula 00 2.6.4 Contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública –

COSIP (CF, art. 149-A)

A COSIP foi introduzida no art. 149-A da Constituição Federal pela EC 39/2002, para substituir a Taxa de Iluminação Pública, considerada inconstitucional pelo STF (Súmula 670 do STF).

A competência para instituição é dos municípios e DF e há autorização constitucional para que seja cobrada na fatura do consumo de energia elétrica, conferir praticidade à administração tributária municipal.

(FCC/ICMS SP/2006) Sobre as contribuições relacionadas na Constituição Federal, é correto afirmar que

a) as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.

b) os recursos arrecadados com a contribuição de intervenção no domínio econômico serão destinados, exclusivamente, para ações e serviços públicos de saúde e para a manutenção e desenvolvimento do ensino.

c) a União tem competência privativa para instituir contribuição previdenciária dos servidores dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União.

d) às contribuições sociais aplicam-se os princípios constitucionais da anterioridade (ano-calendário) e da anterioridade nonagesimal (noventena), cumulativamente.

e) todas as contribuições relacionadas na Constituição Federal são denominadas "contribuições parafiscais", porque ocorre o fenômeno denominado "parafiscalidade".

Comentários: Alternativa A: Essa é a nossa resposta, conforme previsão do art. 149, § 2º, I da CF.

Alternativa B: Com exceção da CIDE – combustíveis, que tem previsão de destinação de recursos na CF, nas demais CIDEs será a lei instituidora que definirá o destino da arrecadação. Portanto, não necessita ser exatamente estes referidos na alternativa.

Alternativa C: A União possui competência para instituir contribuição previdenciária apenas sobre os seu servidores (servidores federais), já os estados e municípios detêm essa mesma competência respectivamente em relação aos servidores estaduais e municipais.

Alternativa D: Conforme o art. 195, § 6º, as contribuições sociais somente obedecem à anterioridade nonagesimal, sendo exceção à anterioridade anual. Alternativa E: Não são todas as contribuições que são parafiscais. Gabarito: A

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Veremos algumas classificações que costumam ser objeto de questões no Direito Tributário.

3.1. Classificação quanto ao destino da arrecadação: Tributos de

arrecadação vinculada e de arrecadação não vinculada

Conforme já vimos, os tributos são vinculados, quando o fato gerador depende de uma atividade estatal específica (taxas e contribuição de melhoria); e são não vinculados quando o fato gerador independe de uma atividade estatal em relação ao contribuinte (impostos).

Não confunda! Aqui estamos tratando da classificação quanto à arrecadação:

3.2. Quanto à finalidade: Fiscal; Extrafiscal e Parafiscal

Tributo de ARRECADAÇÃO

VINCULADA

A receita arrecadada deve ser destinada exclusivamente a

determinadas atividades São conhecidos como tributos

finalísticos.

Ex: empréstimos compultórios e contribuições especiais

NÃO VINCULADA

A receita arrecadada pode ser utilizada em qualquer despesa do ente estatal.

Ex: impostos, taxas e contribuições de melhoria TRIBUTOS FISCAIS Objetiva principalmente: arrecadar recursos financeiros Ex.: IR, IPTU, ICMS,

IPVA, ITBI, ISS

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