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3.2 Os segurados obrigatórios

3.2.4 Contribuinte individual

A categoria de contribuinte individual é inovação recente, criada pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999, a qual englobou os segurados empresários, o autônomo e o equiparado a autônomo em uma única categoria: a de contribuinte individual, hoje regulamentada no art. 9º, inciso V, do RPS.

Na mesma toada, a Lei nº 8.213/91, com as modificações da Lei nº 9.876/99, define na redação do art. 11, V, e suas alíneas, quem são os segurados configurados como contribuintes individuais.

[...] V - como contribuinte individual:

a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a 4 (quatro) módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a 4 (quatro) módulos fiscais ou atividade pesqueira, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos;

ou ainda nas hipóteses dos §§ 9o e 10 deste artigo;

b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral - garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua;

c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa;

e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social;

f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;

g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; protegidas nos outros incisos do art. 11, da Lei nº 8.213/91, principalmente no que concerne às alíneas “g” e “h”, do inciso acima.

É uma espécie de categoria residual, a qual engloba as outras atividades não amparadas nas outras categorias.

Importante ainda trazermos à colação a ressalva de Ibrahim (2011, p. 199) ao afirmar que “embora a conceituação pela negativa não seja recomendável, não há como dela escapar, quando da análise deste segurado. Assim, todo trabalhador excluído das demais categorias de segurado obrigatório será contribuinte individual.

A extensão do rol de contribuintes individuais não é taxativa, pois vai além da referida lei:

Inclui-se ainda como contribuinte individual o cônjuge ou companheiro do produtor que participe de atividade rural por esta explorada (§12 do art. 12 da Lei n. 8.212/91, redação da Lei n. 11.718/2008).

São também considerados contribuintes individuais: o bolsista da Fundação Habitacional, contratado em conformidade com a Lei n. 6.855 de 18.11.80, e o árbitro de competições desportivas e seus auxiliares que atuem de conformidade com a Lei n. 9615, de 24.3.98. (CASTRO; LAZZARI, 2011, p. 209)

No que atine ao sistema de recolhimento de contribuição dessa categoria, a Lei n.

10.666/03 regulou essa sistemática, permitindo uma sistema dualística, como ensina Leitão e Meirinho (2013, p. 148-149):

[...] 1º) se o contribuinte individual prestar serviço para uma pessoa física, caberá a ele mesmo o recolhimento da contribuição. Exemplo: médico que atende um paciente em seu consultório particular; 2º) se o contribuinte individual prestar serviço em a pessoa jurídica, caberá a esta descontar e recolher a contribuição do contribuinte individual a seu serviço. Exemplo: médico que dá plantão em u hospital. Nesse caso caberá ao hospital recolher a contribuição do médico a seu serviço. [...]

Quanto ao trabalhador rural, é necessário atenção às supramencionadas alíneas “a”, “b”

e “g”, do art. 11, inciso V, da Lei nº 8.213/91, para que se faça a devida distinção entre outras categorias de segurados.

Quanto à alínea “a”, essa foi inserida e modificada pelo texto da Lei nº 11.718/2008, buscando compatibilizar com a classificação do segurado especial. A citada lei traz parâmetros que permitem o enquadramento do segurado especial, como veremos adiante. No caso do descumprimento dos seus requisitos, o trabalhador será enquadrado como contribuinte individual.

Fabio Zambitte Ibrahim (2011, p. 199) menciona que nesse caso há a figura do produtor rural pessoa física que exerce atividade rural ou pesqueira, mas não se enquadra como segurado especial.

Essa diferenciação entre aqueles que desenvolvem atividade agropecuária também ocorre por meio de dois critérios objetivos, de acordo com a leitura da alínea referida. A existência de apenas um dos requisitos já permite que o trabalhador rural seja enquadrado com contribuinte individual e não mais como segurado especial.

O primeiro critério refere-se ao tamanho da área do módulo. No caso do contribuinte individual, a área da atividade desenvolvida deve ser superior a quatro módulos ficais, para que o contribuinte seja enquadrado como contribuinte individual. O tamanho do módulo fiscal varia entre cada município, servindo de parâmetro para a classificação do imóvel rural como pequena propriedade, a teor do que dispõe a Lei nº 8.629/93.

Módulo fiscal é uma unidade de medida expressa em hectares, fixada para cada município, que indica o tamanho mínimo de uma propriedade rural capaz de garantir o sustento de uma família que exercer atividade rural naquele município. O segundo requisito objetivo tem relação com o trabalho empregado, nos casos em que a atividade é desenvolvida por meio de empregador ou prepostos, na relação 120 empregados/dia. (KERTZMAN, 2010, p. 99)

Nos casos em que nenhum desses requisitos se concretize, como já mencionado, o trabalhador rural será enquadrado como segurado especial, como veremos no próximo tópico.

Quanto à alínea “b”, referente ao garimpeiro, urge salientar que, embora anteriormente fosse considerado segurado especial, desde a Lei nº 8.398/92, independentemente do modo e do tipo de atividade desenvolvida, passou a ser enquadrado como contribuinte individual. Por outro lado, a redução de cinco anos na idade, nas concessões de benefícios de aposentadoria por idade ao garimpeiro, como determina o art. 201, §7º, II, da nossa Constituição Federal de 1988, manteve-se inalterada, preservando o direito garantido constitucionalmente. A Lei nº 11.685/2008, a qual institui o Estatuto do Garimpeiro, também visa a definir e conceituar o que se entende por garimpeiro, bem como seus direitos e deveres.

A alínea “g”, alterada pela Lei nº 9.876/99, introduziu o contribuinte individual rural.

Novamente, trata-se de uma categoria residual e abrangente, na qual estão inseridos todos aqueles trabalhadores rurais que exerçam labor de modo eventual, sem um efetivo vínculo empregatício. As diferenças entre as outras categorias aqui citadas são bem tênues.

Trata-se do trabalhador eventual (não confundir com trabalho temporário. Este é segurado empregado, como visto acima). Também não deve ser confundido com trabalhador avulso, que presta serviço a diversos tomadores de serviço, sem relação

de emprego. A diferença principal é que o trabalho avulso não apresenta a característica de eventualidade. (LEITÃO; MEIRINHO; 2013, p. 155)

A Instrução Normativa (IN) do INSS nº 11/2006, em seu artigo 142, divide os contribuintes individuais rurais em três classificações: safrista, volante ou temporários. A atividade deve ser eventual, prestada a uma ou mais empresas, fazendas, sítios, chácaras ou a um contribuinte individual, sem vínculo empregatício.

O safrista, o volante e o temporário, muitas vezes conhecidos e generalizados apenas como boias-frias, são categorias muito comuns nos interiores brasileiros, em razão das estações chuvosas e dos períodos de seca, necessitando um insistente deslocamento dessas categorias para outros municípios e até mesmo para outros estados, em busca de serviços nos períodos de safra de cada local.

Embora os contribuintes individuais rurais aqui citados também desenvolvam uma atividade precária, bastante desgastante, como a exercida pelos agricultores na qualidade de segurado rural (como veremos adiante), parece que a legislação previdenciária não se baseou em tais fundamentos para a exigência de contribuições para a concessão de benefícios, excluindo da necessidade de contribuição apenas aqueles que desenvolvem atividades voltadas apenas para o consumo próprio.

Dessa forma, percebe-se que, embora haja certa dificuldade na comprovação do exercício da atividade e do recolhimento dessas contribuições, no que concerne ao contribuinte individual rural, não se equipara àquelas encontradas pelo trabalhador rural na qualidade de segurado especial estudadas a seguir, uma vez que o segurado especial realiza atividade voltada para a economia familiar, sem a busca do lucro.

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